quarta-feira, abril 26, 2006

Os Espanhóis


Francisco Barão da Cunha, para quem não sabe é um dos sócios da Garrafeira Coisas do Arco do Vinho, ofereceu, a um conjunto de amigos, uma prova constituída só por vinhos espanhóis. Alguns dos vinhos escolhidos tiveram por base o Guia Espanhol “VIVIR EL VINO 365 VINOS AL AÑO 2005”, acho que é assim que se escreve. Estiveram presentes vários confrades, que alguns de vós já conhece. Além da minha famosa pessoa, provaram João Quintela, Paula Costa, Oliveira Azevedo (também sócio das Coisas do Arco do Vinho) e Jorge Sousa. Deste modo, foram degustados as seguintes pingas:

Blanco Enate Gewurztraminer 2004 12,5%
No referido guia, foi considerado como o melhor branco aromático, mas na versão 2003. De facto, o vinho é mesmo muito aromático, com muita qualidade, de cariz delicado e complexo. Forte componente mineral e vegetal. Flores misturadas com lima, sentindo-se algumas nuances de mel. Num estilo muito personalizado. Na boca entrava fresco e afirmativo, onde se sentia na plenitude a sua componente mineral e vegetal. Bom final, deixando um rasto delicado e muito sensual. Digo-vos que este vinho se manteve bem vivo, durante quase toda a noite. Nota final para o rótulo: Espectacular!
Nota pessoal: 17

1º Lugar: Tinto Aalto PS 2001 Bodegas Aalto Ribera Del Duero 14%
Considerado também pelo mesmo guia como o melhor tinto com madeira e melhor vinho do ano. Vinho quase a roçar a perfeição. Aromas de menta e flores aliadas a fortes sugestões de pó de talco. Sensação refrescante, levando-nos a pensar que estaríamos a percorrer um campo verdejante, cheiro de flores, levando com uma suave brisa na cara. Com o evoluir da noite, apareceram e sem avisar enriquecedoras notas balsâmicas, envolvidas num saco com caruma, carqueja e tomilho. Finalmente e para descansar o nariz, café, cacau e chocolate preto. Um vinho que na componente aromática mostrou excelente complexidade e qualidade. Na boca, confirmava a sua qualidade. Equilibrado, afinado e muito elegante, com tudo o que isto quer dizer. Envolvente, saboroso, com taninos e acidez bem posicionados dentro do corpo. Final longo e especiado. Com vida pela frente, mas a dar já muito prazer.
Nota pessoal: 17,5
Média do painel: 17,83

2º Lugar Tinto Viña San Roman 2001 Bodegas Maurodos Toro 14%.
Os aromas iniciais revelaram uma componente floral muito engraçada e interessante, que vinham de mão dada com uma casca de laranja que envolvia muito bem a flor. Fruta vermelha bem fresca. O conjunto aromático ia enriquecendo com sugestões balsâmicas. Tudo muito proporcionado, bem delineado e com um pendor feminino. Na boca, a fruta pressentia-se e saboreava-se. Mas os taninos e a acidez estavam a tocar, um pouco, cada um para seu lado, criando alguma agressividade. Final longo, deixando lembranças de fruta e um rasto a flores. Um vinho para guardar, que precisou de comida para se mostrar. Melhor nariz.
Nota pessoal: 16,5
Média do painel: 17

3º Lugar Tinto Pintia 2002 Bodegas Pintia Toro.
Denso, escuro. Nariz com qualidade e acerto. Fruta preta madura, mas sem agressões. Tinta-da-china misturada com apara de lápis. Fundo balsâmico, aliado a trufa e flores silvestres, que enriqueciam um conjunto algo pesado. Posteriormente evoluiu para nuances anizadas e couros. Na boca entrava gordo, com taninos muito presentes a conferirem uma secura algo elevada, fazendo picar as gengivas. Sugestão balsâmica. Um final compreendido entre o médio e longo. Deu a ideia que a boca não estava afinada, dado que apresentou alguma agressividade. Há que esperar para ver no dá! Mas um tinto com qualidade.
Nota pessoal: 16
Média do painel: 16,16

4º Lugar Paisajes VIII 2001 Paisajes y Viñedos Rioja.
Referência no Guia “La Guia de Oro de los vinos de España 2005- Nuestros 1000 mejores vinos”. Levou menção prata. Aromas muito desinteressantes. Metálico e ferrosos. Incaracterístico. Sugestão de folhas secas. Um corpo delgado com um final muito curto. Não deixou memória e não deixou vontade de voltar a beber. Considerado um vinho de garagem.
Nota pessoal: 12
Média do painel: 13,58

Provou-se ainda o Leda Viñas Viejas 2001, mas devido a problema com a garrafa, foi retirado da prova. Este vinho teve, em dois momentos, avaliações algo díspares na Revista dos Vinhos. Do 8 ao 80. para nova abordagem…

Para a sobremesa bebeu-se: Blanco Chivite Colección 125 Vindimia Rardia 2001 Bodegas Julian Chivite Navarra 13,5% Muito elegante, fresco e sensual. Sem exageros e sem brutalidades. Mel, citrinos, avelãs. Muito envolvente na boca, sem desequilíbrios e muito afinadinho. Este vinho foi considerado pelo Guia “VIVIR EL VINO 365 VINOS AL AÑO 2005”, na versão 2002, o melhor branco doce.

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