terça-feira, Maio 02, 2006

Cova da Ursa Chardonnay 1989

Existem momentos na vida de um enófilo que são surpreendentes. Momentos que nos podem deixar verdadeiramente admirados e de boca aberta.
Estava na casa de um amigo meu quando fui confrontado com um convite para beber um “branquinho”. Tudo bem! Um convite normal numa tarde de calor. Anormal é verificar que o vinho que ele ia oferecer era de 1989 e português, feito nas Terras do Sado pela JP, actual Bacalhôa Vinhos. Um vinho com 17 anos. Coisa rara de se ver e de beber. Como podem ver a minha desconfiança era muita. "Será que o vinho estava bom? Será que a sua alma já foi encomendada e se encontra noutro mundo?" Eram questões que saltavam na minha cabeça...
Foi com todos estes sentimentos que fiz a minha abordagem. Era necessária cautela, muita cautela, não vá o diabo aparecer...
Mostrou uma cor amarelo torrado, carregado.
Do ponto de vista aromático revelou aromas típicos da casta chardonnay. Muito vegetal, do tipo couve, juntos com alguns limonados, amêndoas e mel. Mostrava uma frescura assinalável, nada cansado. Não havia excesso de doçura... Inacreditável, não é? O medo ia desaparecendo...
Na boca, outra bela surpresa. Entrava fresco e mantinha-se fresco. Tinha personalidade. Nada pesadão ou chato. Conseguiu apresentar uma vestimenta bastante interessante. Mais uma vez a casta mostrou-se. Vegetal. Senti ainda, ou poderei ter imaginado, alguns sabores de maçã verde, juntamente com os tradicionais torrados provenientes do estágio da madeira. A acidez estava ainda bem presente e o corpo ainda conseguia preencher as cavidades da boca. Final de boa memória.
E agora? Que classificação poderá reflectir melhor aquilo que senti, sem entrar em excessos de valorização?
Nota Pessoal: 16

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