quinta-feira, Maio 11, 2006

Pingas do Dão e Douro (Parte I)


Aproveitando uma brecha no meu trabalho, consegui fazer a primeira investida ao Evento Dão e Douro. Qual o local escolhido? Desta vez, foi a Garrafeira Culto do Vinho, junto à Expo. Aproveitando o final de tarde, bem quente e depois de uma longa travessia da Ponte Vasco da Gama, nada melhor do que começar com um branquinho, para relaxar, descontrair e começar a tomar algumas notas pessoais. Comecei por dois brancos:
Casa de Mouraz 2004. Dão. Feito com malvasia fina e bical, com 5 meses em borras, com batonage. Impacto aromático muito petrolado. Um lado mineral, junto com sugestões vegetais e tostadas. Na boca notava-se o tal combustível mais a vertente mineral. Boa acidez, que ajudava a manter a frescura. Final correcto. Um vinho interessante, que era capaz de comprar.
Quinta do Monte Travessos 2004. Douro. Feito com malvasia fina, gouveio e rabigato. Aromas mais frutados, dando a impressão da presença de alguma fruta em calda. Folha de figueira. Menos complexo que o primeiro. Na boca estava limpo, directo, sem trazer nada de novo. Não comprava.
Depois de ter refrescado, estar mais calmo e relaxado, passei à prova de alguns tintos:
Quinta do Cachão Grande Escolha 2004, das caves Messias. Impacto aromático muito internacional (digo eu). Fruta preta, caramelo, tabaco e chocolate. Cativante. Não lhe consegui encontrar nada de Douro. Podia ser de qualquer lado. Na boca, apresentava-se fresco, com presença de fruta e um final chocolatado. Um perfil muito guloso, mas de difícil combinação gastronómica. Na altura que estava de volta deste vinho, apareceu alguém que vinha da parte das Caves Messias e que andava a sentir o pulso aos consumidores relativamente a este Cachão. Troquei alguns dedos de conversa e fiquei a saber que tinha sido engarrafado há 15 dias. Vale a pena experimentar...
Etapa seguinte: Quinta de la Rosa Reserva 2004. Um aroma mais silvestre, mais floral. Fruta vermelha. Mais douro, mais português. Na boca estava frutado, mas mais taninoso e seco. Um pouco mais rústico. Pareceu-me ter um corpo mais delgado. Final algo curto. Para futura análise.
Passei a outro Douro. Um vinho que nunca provei. Esmero 2003. Aromas tipicamente durienses. Mais intenso. Algo jovem no seu comportamento. Aromas de fruta vermelha, alguma esteva, juntamente com algumas flores. Boa madeira. Na boca, comportou-se com elegância. A acidez proporcionava-lhe uma frescura agradável. Final saboroso. Comprava de certeza.
Finalmente, que a tarde já ia longa, terminei com CSE Garrafeira 2001. Douro. Um vinho bastante rústico. Muito fechado, muito vegetal. Algum tostado. Sem grandes complexidades. Para esquecer.
A prova destes vinhos decorreu com a companhia de umas fatias de Queijo de Serpa. Muito correcto. Ajudou na degustação e na conversa que se estabeleceu com os donos da garrafeira. Agora a próxima etapa será no Domingo...

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