quinta-feira, Setembro 28, 2006

Jaloco, um vinho de Badajoz

Eu não sou nada versado, entendido ou conhecedor de vinhos estrangeiros. Nem espanhóis, nem franceses, nem italianos, nem australianos. O que bebi ou o que bebo, salvo raras excepções, são pingas direccionadas para as grandes massas. Portanto, nada de extraordinário. Aliás, devo-vos dizer que quando me colocam um vinho estrangeiro na mesa, parto do principio que aquilo é bom. O rótulo escrito noutro idoma, dá sempre outro aspecto. E eu fico a pensar que sou um profissional: Até já bebo vinhos estrangeiros. Muito Bem!
Todo este enredo serviu para falar um pouco sobre um vinho proveniente do outro lado do Guadiana. Do Guadiana espanhol, da Ribera del Guadiana. Jaloco Zafra Cosecha 2003 (Crianza) de António Medina e Hijos. Um vinho que tinha uns simples 12,5% de graduação alcoólica. Um lote de Tempranillo e Grenache/Garnacha, como quiserem. Vinha envolvido numa garrafa tipo alvarinho, o que não deixa de ser curioso num vinho tinto.
Na apresentação inicial parecia não convencer. Alguns dos meus companheiros de prova torceram o nariz. Soltavam-se expressões do tipo: "Que raio! Que é isto?". O tempo de espera acabou por ser um óptimo conselheiro. Os aromas eram pouco vulgares. Pelo menos, para mim. Um registo onde a fruta não desempenhava o principal papel. Só para terem uma ideia, em alguns momentos, parecia que estava a entrar na sala de jantar das nossas avós. Estão a sentir o cheiro das folhas secas, dos saquinhos do chá, dos rebuçadinhos de açúcar, dos figos e frutos secos, dos caramelos e de outras coisas mais que geralmente se encontravam dentro daqueles curiosos armários de madeira velha, que rangiam quando abríamos uma das portas? É isso mesmo.
Na boca, um pouco terroso, mas transmitindo algumas sugestões provenientes do armário da avó. Elegante e fino. Com boa frescura. Final anizado.
A nota que atribui não tem comparação possível com outro vinho. Clássico e anacrónico.
Nota Pessoal: 16
Post Scriptum: Uma nota de curiosidade. Foram as mulheres que gostaram mais deste vinho. E eu, é claro!
Agora só venho para a semana. Vou até à terra. Vamos começar as vindimas. O ano parece ser fraco.

8 comentários:

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Caro Rui

Conforme já aqui disse mais que uma vez as tuas notas de prova são sempre excelentes e muito bem escritas. Identifico-me muito com a maior parte delas.

Perante a descrição feita, gostaria de saber onde compraste este vinho e a que preço, pois fiquei com vontade de o provar.

Um abraço amigo

Zé Tomaz

Chapim disse...

Caro pingus, mais uma bela prova!!!

Boa vindima e que o ano não seja tão fraco como parece!

Pingus Vinicus disse...

Caro Zé Tomaz, provei este vinho, na Garrafeira Coisas do Arco do Vinho. Não sei se irá ser vendido lá.

Quanto ao preço, deste uma olhadela no site do produtor? Pelo que vi os preços não serão muito elevados.
Já agora também provei outro vinho do mesmo produtor, chamado Diferente, que não me disse grande coisa.

Este Jaloco é um vinho diferente. Para mim, mesmo muito diferente, que particularmente apreciei. Foi curioso verificar que foram as mulheres que estavam ao meu lado que gostaram mais dele.
Em certos momentos lembrou-me alguns tintos suíços (estranho não é?)

Mas já sabes que as minhas notas de prova têm um carácter muito pessoal.

Um abração
Rui

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

as minhas notas de prova têm um carácter muito pessoal.

Caro Rui

Em minha opinião todas as notas de prova têm caracter pessoal, daí que ache dificil julgar um critico quando dá uma nota menos boa.

O que acontece, é nós os consumidores, identificarmo-nos mais com um determinado provador.

Obrigado pela dica e vou tentar as coisas do arco do vinho pois fiquei curioso.

Um bom fim de semana e...Boa Vindima.

Zé Tomaz

GIOVANNA disse...

Muito bom seu texto.Quanto ao vinho,bem vou procurar aqui no Brasil.Por enquanto fico com a velha e boa bagaceira.

Paco Torras disse...

Pingus,

Vinhos daqui do Brasil não aparecem por aí? Temos alguns interessantes, principalmente espumantes....

Pedro Sousa (P.T.) disse...

Custuma dizer-se que de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento. Mas das poucas pingas que tive o previlégio de provar vindas de Espanha, souberam-me sempre muinto bem, apesar de partilhar contigo a falta de conhecimento dos vinhos internacionais. Mas curiosamente já estive nessa região,num Outono memorável, em que ao qual comi muito bem, e bebi melhor...

Pingus Vinicus disse...

Caro Paco Torres aqui em Portugal o contacto com os vinhos brasileiros é quase nulo. Tirando a Parceria que a Dão Sul tem aí no Brasil (vinhos Rio Sol) não existe nada ou quase nada.

Se estiver errado, que alguém me corrija.

Um abraço