quarta-feira, outubro 11, 2006

Dois olhares sobre a Touriga

Dois tourigas, dois estilos, duas escolas. Duas maneiras de olhar a touriga nacional. A casta, que agora, chamamos de casta rainha. Aquela que nos vai ajudar a chegar ao estrelato, à liga dos campeões. No entanto com tanta touriga, que anda por aí, ainda iremos fugir dela, e como todas as modas desaparecerá...
Não existe produtor neste recanto da Europa que não queira ter um vinho feito exclusivamente com Touriga Nacional. Alguns, que me perdoem, mais valiam estar quietos. Ter Touriga Nacional, por si só, não é sinónimo de sucesso (estou a falar das vendas, de reconhecimento e de tudo o mais).
Felizmente não é caso dos dois vinhos que eu trago à vossa consideração. Duas pingas que não são opções de primeira linha, é certo, mas apresentam um nível de qualidade interessante. Conseguem abarcar um espectro de consumidores, com gostos e apetências distintas. Deste modo, ninguém ficará zangado comigo. Não sei se interessa, mas eles foram provados em prova cega.
O primeira opção é o Quinta do Valdoeiro Touriga Nacional 2005. Das Caves Messias. Mantêm, no essencial, o estilo que este produtor tem vindo a oferecer, nos últimos tempos. Líquidos pastosos, mastigáveis, robustos, escuros e espampanantes. Nota-se que anda por ali o toque do novo mundo. Este touriga não foge a todo este envolvimento.
Violetas, fruta, musgo, baunilha e chocolate preto. Tudo numa linha negra, escura. Num registo exuberante, pujante, viciante, onde as minhas narinas tiveram, em alguns momentos, muita dificuldade para conseguir perceber o que andava por ali.
Na boca, as bagas silvestres, as ginjas tomaram a iniciativa. O chocolate amargo, o tabaco vieram logo de seguida, sempre com grande estardalhaço. Mesmo com tiques comportamentais algo exagerados, a acidez ajudava a manter um bom nível de frescura. E ainda bem!
É um Touriga Nacional que impressiona, que cativa numa prova cega. Numa refeição é que a porca torce o rabo. Um pouco mais de elegância, de suavidade não lhe faria nada mal. Para esperar e ver no que vai dar. Pareceu-me um pouco mais bruto que o Quinta do Valdoeiro 2003. Talvez sinónimo de juventude a mais.
Nota Pessoal: 15,5

Outro Touriga Nacional. Este nasceu nas Terras do Sado. Da Bacalhôa Vinhos. Só Touriga Nacional 2001. Que raio de nome!? Existem nomes muito infelizes e este é um deles.
Cor meio tijolada, mostrando que a pinga já tinha alguma idade.
Aromas frescos, onde o mineral e o vegetal faziam a apresentação inicial do grupo. O floral (flor de larangeira) enriquecia o conjunto. Leves raspas de casca de árvore conferiam outra complexidade. Caminhou, entretanto, até ao pó de talco. Por breves momentos, voltou-me a recordar os cheiros do velho armário da avó.
Quando teve que mostrar o que valia, na minha boca, este permaneceu educado, cavalheiresco, educado. Sem grandes alaridos.
Num estilo suave e mais elegante que o Valdoeiro. Mais discreto, mais afinado, mais calmo, mais distinto. Uma bela surpresa, não só para mim, como também para muitos dos que se encontram a meu lado.
Nota Pessoal: 16,5

7 comentários:

Anónimo disse...

Amigos,
vcs falam bem e mal de vinhos que não chegam por aqui pelo Brasil. Se o amigo Pingus aceitar, posso fazer uma lista dos vinhos que encontramos facilmente nos nossos grandes mercados para vcs comentarem. Pode ser que eu me torne um fã ou que nunca mais prove um português dos que temos aqui. Dependerá de vcs...

Pingus Vinicus disse...

Amigo Paco avance com essa lista, que nós deste lado falaremos sem qualquer problema.

Um abraço amigo
Rui

Carla disse...

Falando em Touriga... lembra-se do Touriga Nacional 2001 da Herdade do Esporão? Isso é que foi. Muita gente nem sabia o que tinha na mão. Pena foi as poucas garrafinhas que saíram... descobri uma garrafeira em Lisboa que as tinha pra lá metidas num canto. Aos poucos fui-as trazendo todas pra casa. Bebemos tudo. Devo ser das poucas pessoas que se fartou de beber aquele vinho. :D Houve quem especulasse sobre o preço quando percebeu o grande vinho que estava ali. Ainda consegui descobrir uma garrafa no Isaura em Lisboa. Acabei por não bebê-la porque estava lá uma Quinta do Mouro 2003 a um excelente preço. Quem gostar se calhar ainda a apanha lá. :)

Pingus Vinicus disse...

Esporão Touriga Nacional 2001? Claro que me lembro. Vendido a um belo preço. Nunca mais os outros Tourigas do Esporão tiveram o mesmo nível do 2001.
Vi-me aflito para arranjar algumas garrafinhas desse TN de 2001.

Anónimo disse...

Então vamos lá. Estes abaixo são alguns tintos que encontro no mercado ao lado de casa. Qual provar?
TERRAS SADO SANTA SARA
TERRA BOA ALIANÇA 2004
PORCA DE MURÇA DOURO 2004
SERRAS DE AZEITAO 2005
PORTA DA RAVESSA 2004
SANTA FE ARRAIOLOS 2005
MEIA PIPA 2000
PORCA MURÇA RESERVA 2001
QUINTA BACELADAS BAIRRADA 2003
PALACIO DA BACALHOA 2003
TOURIGA NACIONAL 2003
ALENTEJANO QUINTA TERRUGEM 2001

Pingus Vinicus disse...

Quinta das Baceladas 2003
Palácio da Bacalhoa 2003
Porca de Murça Reserva 2001
Quinta da Terrugem 2001

Depois para o dia-a-dia,
Serras de Azeitão
Santa Fé Arraiolos

Esse Touriga Nacional 2003, é de onde? Não percebi qual era o produtor. Se for do Esporão é uma boa opção.

Anónimo disse...

Muito obrigado, Rui. VOu começar pelo Baceladas. Depois lhe comento. Abs.