quarta-feira, Novembro 22, 2006

Henrique UVA

Henrique Uva, um produtor que já teve honras na Revista de Vinhos (com reportagem alargada). Produz milhares e milhares de litros de vinho, lá no meio do Baixo Alentejo, na Herdade da Mingorra. Terra de muito calor. Quase deserto.
Dois tintos. Um regional alentejano e um vinho de mesa. Este último enquadra-se na categoria em que está o Dado (parceria Álvaro Castro-Dão/Dirk Niepoort-Douro). São vinhos concebidos com uvas provenientes de diferentes regiões. Mas não é caso único. Dourat (uvas do Douro com uvas do Priorat) e Pião (uvas de Piemonte com uvas do Dão), são outros exemplos. Estas "combinações, estes arranjos vinícolas" não podem mencionar ano de colheita, nem castas. A legislação nacional não permite (preciosismo).
No entanto, não são novidade no nosso país. Fizeram escola nos anos 50/60 do século XX. Era comum existirem vinhos (garrafeiras) elaborados com lotes do Dão e da Bairrada. A enóloga Filipa Pato tenta renascer essa filosofia com os seus Ensaios.
Mas voltemos, à Herdade da Mingorra. Apesar das diferenças que tiveram no nascimento, o estilo, o comportamento dos tais dois tintos é similar, muito parecido. Numa linha impositiva, raçuda e peituda.

Vinhas da Ira 2004 (Alentejo)
Todo ele é pujante, químico. Lembrei-me mais uma vez da minha clássica tinta da China. Sente-se extracção (para mim, em demasia). Posterior evolução para vegetal (que tentava refrescar). Café e chocolate. Sempre num registo potente, capaz de desintupir as narinas mais tapadas.
Entra na boca de forma brusca, intensa e forte. Assusta. Um pouco mais de suavidade, não faria nada mal.
Um vinho que carece de tempo para abrir, para respirar e acalmar. Mesmo assim, tenho dúvidas que se torne num cavalheiro. Nota Pessoal: 15
Uvas Castas 2004
Feito com uvas do Douro e do Alentejo. Um rótulo muito curioso. Bem idealizado e esclarecedor. Mais uma vez, o estilo robusto e concentrado a dominar.
Pareceu abrir, curiosamente, com aromas mais frescos, mais interessantes e ?elegantes? que me orientavam para a flor de esteva (seria o Douro a querer mostrar-se?). Café, cacau e baunilha faziam o arranjo final, sobre um cenário com fundo terroso.
Na boca, com força, um pouco mais equilibrado que o Vinhas da Ira. O corpo aguenta, e bem, com os taninos e com a acidez. Secura nas genivas. Final com alguma doçura.
A precisar de uma boa dose de brandura, de meiguice. Dava jeito. Nota Pessoal: 15,5

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