quinta-feira, Novembro 02, 2006

O Touriga da Ermelinda

Um Touriga Nacional, nascido em 2003 na casa de uma produtora, de uma senhora que mora em pleno território das Terras do Sado. Com as suas vinhas bem plantadas em quentes areias.
"A Família Freitas produz vinhos em Fernando Pó, uma zona privilegiada da região de Palmela, há cinco gerações. A quase totalidade das uvas colhidas em Fernando Pó são vinificadas pela Dra. Leonor Freitas e pela sua família. O seu bisavô era proprietário de mais de 600 ha de vinha. A Casa Ermelinda Freitas propriedade da Dra. Leonor Freitas possui 102 ha de vinha dos quais 94 ha da casta Castelão, mais conhecida na zona por Periquita, e 8 ha da casta Fernão Pires (branco). Dada a localização privilegiada da sua exploração, nela são produzidos alguns dos melhores vinhos da região.Em 1997 a Dra. Leonor Freitas decidiu iniciar o engarrafamento de parte da sua produção. (...) Os vinhos, anteriormente vendidos a granel a várias empresas exportadoras de renome, são actualmente engarrafados pela Casa Ermelinda Freitas.
O primeiro vinho a ser comercializado foi o Dom Freitas 1998 em homenagem ao avô da proprietária actual. Foram produzidas 38.000 garrafas. (...)" Informações retiradas do site."
"Seis anos apenas depois de ter começado a vender vinhos engarrafados, a Casa Ermelinda Freitas - de Fernão Pó, Palmela - apresentou (...) um naipe de respeito o branco de 2005 (...), os tintos de 2003, entre os quais o topo de gama Leo d'Honor, e o primeiro moscatel da casa. É uma aposta na qualificação dos vinhos de uma casa que, por curiosidade, quase sempre teve mulheres no seu comando. Ermelinda Freitas, representante da terceira geração e hoje uma respeitável septuagenária, foi quem a orientou até aos anos 90 na actividade de produção e venda de vinho a granel. Só a partir de 1997 a sua filha Leonor, que desde então lidera a empresa, começou a engarrafar parte da sua produção com marca própria, a qual chegou ao mercado em 1999. Hoje, a empresa produz cerca de 1,7 milhões de litros de vinho por ano, boa parte escoado através de um milhão de garrafas das suas dez marcas. A liderança feminina, essa, parece estar assegurada na quinta geração Joana, filha e neta das antecessoras, gosta do mundo dos vinhos, estuda gestão e já iniciou um pequeno negócio de compotas, cujos produtos, em breve, poderão ser adquiridos (...). (...) O trabalho do enólogo Jaime Quendera, uma pedra fulcral na carreira da empresa. Em geral, os seus vinhos têm-se destacado pela positiva dentro do segmento de preço em que concorrem. E, pelas provas, tudo leva a crer que assim continuem. (...) No Touriga Nacional 2003, o primeiro varietal de Jaime Quendera fora da casta Castelão, encontramos um tinto robusto, concentrado, mas a que não falta frescura e que tem já os taninos bem incorporados acompanhou lindamente uma empada de galinha e farinheira (o almoço de apresentação esteve a cargo do chefe Vítor Sobral e da sua equipa) e deverá evoluir bem nos próximos quatro/cinco anos. Os tintos da casta Castelão são, contudo, aqueles em que a casa mais aposta. Desde logo no Quinta da Mimosa 2003, que tem origem em vinhas com 47 anos. Fez a maceração durante um mês e meio e, depois, estagiou em barricas de carvalho francês e americano é um vinho muito concentrado e com bons taninos, aroma a fruta madura, um toque de baunilha e final prolongado. Quanto ao Leo d'Honor Grande Escolha 2003, o topo de gama, é um vinho de alto gabarito e um bom exemplo do máximo que o Castelão pode dar. Fruto de uma cuidada separação de uvas de um vinha com 53 anos, estagiou um ano em madeira francesa. Só agora está a chegar ao ponto de ser bebível apresenta uma grande estrutura, óptimos taninos, aromas ainda fechados e um belo futuro à sua frente. Resta o Moscatel Superior 2000, o primeiro da casa. Depois de cinco anos em barrica tem muito mel, cortado por uma sugestão de casca de laranja e óptima acidez. Está um conjunto com mais frescura do que é habitual na região, o que torna talvez mais apto a ser bebido como aperitivo."
Retirado daqui .

Posto isto, acabei por retirar da arca, o que considero um típico exemplo de um vinho pujante, explosivo, nervoso, com tiques de alguma rispidez. Com extracção, com muita coisa levada ao máximo. Para quem gosta de automóveis, faz lembrar um Subaru Impreza WRC, onde os arranques e as travagens são brutais, repletas de forças G's. Ou se quiserem, ou preferirem, uma banda de Heavy Metal. Apresentação que assusta. Só aguenta quem pode, quem tem arcaboiço ou aprecia o género.
Fruta preta por todo lado, envolvida por terra e perfumada por uma boa dose de baunilha. O mentol, os balsâmicos tentavam refrescar, lutando para baixar a temperatura e refrear os ânimos. Cedro e verniz compunham o ramalhete. Acabei por não conseguir libertar-me das memórias de outro vinho da Dona Ermelinda: O Quinta da Mimosa 2003. Também este me assustou.
Na boca a performance deste varietal foi consentânea com os aromas. Não fugiu, nem um pouco, ao exagero. Provavelmente fruto da juventude, de alguma imaturidade. Vou observar com cuidado o que acontecerá com as outras garrafas que tenho em casa, pois esta deixou-me algum amargo de boca, uma certa desilusão que pretendo esquecer.
Nota Pessoal: 15,5
Post Scriptum:
É um vinho cheio de nervo, exuberante e potente como relata e bem o meu amigo Nuno do Saca a Rolha. Estou de acordo com ele, mas o nível de valorização que ele lhe atribui, não é o mesmo para mim.

5 comentários:

Jose Tomaz Mello Breyner disse...

Caro Rui

Mais uma excelente nota de prova. Adorei as comparações com o Subaru Impreza e com a banda de heavy Metal para defenir as "entradas e saidas" .

Um abraço

Zé Tomaz

Nuno de Oliveira Garcia disse...

Espero que não estejas totalmente arrependido da compra. Talvez evolua bem. A ver vamos.

PS - infelizmente só vou ao "Encontro com vinho e sabores" no Domingo à tarde.

Temos que combinar para uma outra vez.

N.

valtercosta disse...

E olha que para aqueles lados, não existe só Ermelinda Freitas. Se outros resolverem engarrafar o vinho, mais supresas vão sair daqueles lados. Aquele pessoal só quer é garrafão.

João Barbosa disse...

Ainda não conheço este, mas gosto da Casa Ermelinda Freitas, que é honesta e séria nos vinhos que faz. Agora fiquei curioso quanto a este, não estava à espera dum TN daquela gente, julgava-os mais agarrados ao castelão... a realidade é surpreendente. ainda bem!

Pingus Vinicus disse...

"Casa Ermelinda Freitas, que é honesta e séria nos vinhos que faz"

Estou inteiramente de acordo. Aliás o Terras do Pó e Dona Ermelinda (ambos de gama baixa) são autênticos portos de abrigo.

"não estava à espera dum TN daquela gente, julgava-os mais agarrados ao castelão... a realidade é surpreendente. ainda bem"

E vai sair outros varietais. Foi o que vi no EVS.

Abraços