quinta-feira, junho 29, 2006

Vinhos para refrescar as ideias e deixar de pensar!

Neste tempo de calor a capacidade para pensar diminui a olhos vistos. Não existe vontade para reflectir em assuntos ou temas complexos. Queremos descansar, esvaziar um pouco a nossa cabeça, acordar tarde (ainda não estou a fazer isso, mas lá chegarei), tomar o café da manhã às horas do almoço. Almoçar sabe-se lá que horas. Enfim, aproveitar o tempo ou melhor desperdiçar o tempo.
Apesar de ter escrito toda esta lenga-lenga, caros amigos ainda não estou de férias. Ando naquela fase em que tenho de decidir se os meus alunos passam ou não. Já estou com um olho no próximo ano lectivo. Pensar nas implicações que os meus actos poderão ter na vida de alguns miúdos (de alguns, outros pouco se importarão com aquilo que eu decida). A seriedade assim o pede. Nesta tarefa estão milhares de professores, os tais incompetentes como gosta de dizer a nossa Ministra da Educação.
Por diversos momentos, olho para as intervenções da minha patroa (não a de casa) como se fossem bombardeamentos americanos, que deviam ter sido cirúrgicos, mas com enormes danos colaterais, cujo o preço vai ser muito elevado.
Para aliviar esta tensão, todo este mal estar, socorro-me de algumas pingas clarinhas. São simples, são educadas, correctas, nada transcendentes, mas cumprem, para mim, toda a sua função. Ajudam a descontrair e são geralmente as minhas escolhas pessoais para o tempo quente. Têm perfis algo diferentes permitindo acompanhar variada gastronomia. Além do mais, são vendidas a preços muito interessantes, todos eles abaixo dos 4€.
Vale da Judia 2005. Terras do Sado. Um branco que pessoalmente me agrada pela exuberância dos seus aromas. Muito floral, muito perfumado. Provavelmente alguns de vocês não acharão muita graça e ainda bem! Refrescante e seco ao mesmo tempo.
São feitas milhares e milhares de garrafas deste vinho. Boa consistência nas colheitas, sem grandes diferenças entre elas. Gostemos ou não do vinho e isso é decisão de cada um nós, é um vinho branco feito para agradar. E a mim agrada-me.
Na minha casa cumpre a função de aperitivo e as mulheres gostam. Bom, pelo menos aquelas que eu conheço!
Serras de Azeitão 2005. Outra opção das Terras do Sado. Aqui a casta moscatel já não domina. Tem mais presença de fruta. Mais corpo. Serve para fazer companhia a peixe grelhado e uma saladinha mista. Vendido por aí a menos de 3€.
Muralhas de Monção 2005. Aqui entre nós, assumo que não sou grande bebedor de vinhos verdes ou alvarinhos. Inclinação? Mania? Preconceito? É capaz. Sinceramente não consigo perceber muito bem esta minha opção. Mas deixemos este laivo psicanalista de cariz pessoal, para vos dizer que este Muralhas é a minha escolha. Nada de novo estarei a dizer, pois será o verde mais escolhido pelo consumidor. Amplamente reconhecido e consensual e eu desta vez não fugi à regra. Uso, quase sempre, para fazer parelha com o marisco.
Os últimos dois vinhos brancos, são mais elaborados, mais complexos. Possuem estágio em madeira. A filosofia é diferente (penso eu). Pretendem ser vinhos com mais personalidade, com mais estrutura. No entanto, não deixam de abandonar o principal objectivo. Serem vendidos a preços competitivos, podendo assim chegar a um maior leque de pessoas. Não chegam a custar 4€ nas prateleiras dos hipermercados. São dois vinhos que eu uso quando faço uma caldeirada ou uma cataplana. Pratos de Verão, com peixe e marisco, mas com mais robustez, mais puxadotes. Para umas carnes grelhadas combinam também muito bem. Fazem esquecer um pouco os tintos.
Pegões Colheita Seleccionada 2005 e Castelo D'Alba Reserva 2004. O primeiro, das Terras do Sado, tem um estilo mais doce, mais apelativo, mais floral, com mais baunilha. Talvez mais consensual. O segundo, do Douro, é menos exuberante, menos doce, mais sóbrio, mais mineral, mais português, talvez mais masculino. É uma excelente introdução para o grande Vinhas Velhas (são palavras minhas, dêem-lhe um desconto). Dois vinhos que eu muito aprecio e quase sempre tenho em casa. Já agora, que outras sugestões me dão?
Post Scriptum: Vou de fim de semana. Irei, mais uma vez, até às minhas origens para ver a família e carregar baterias. Sentir os aromas, voltar a falar com os velhotes. Olhar para o passado. Deixar a minha filha brincar na terra, andar pela quinta a colher folhinhas, flores e fazer ramos de hortênsias. Caçar caracóis. Deixá-la imaginar que vive num castelo onde ela é dona e senhora. Eu fui assim.
Esta ausência servirá, também, para pensar nos termos e na forma em que irei escrever a última prova em que estive presente. Os vinhos assim o merecem (Barca Velha 1999, Quinta do Monte D'Oiro Homenagem António Carqueijeiro Syrah 1999 e Peter Lehaman Stonewell Shyraz 1995). Sinceramente não sei se serei capaz de exprimir tudo o que senti naquela noite. Um desafio enorme. Se não corresponder ao que esperam de mim, que me perdoem. Até lá!

terça-feira, junho 27, 2006

Também há lugar para beber com a Família

Beber com a família também faz parte da nossa vida. Se calhar, é com a família que se bebe mais e demais. Nem sempre com qualidade. Assumo que em muitas ocasiões se fazem alguns excessos, que no futuro irei pagar uma factura elevada. Mas até lá...
Desta vez, juntei alguns famíliares à mesa, aproveitei para voltar a tomar o pulso a um vinho que já tinha provado e gostado no passado. Nem sempre aquilo que nós gostámos no passado, volta a saber bem. Nós mudamos. E a vida, como sabem, é cheia de variáveis que não conseguimos controlar, que podem influênciar determinadas atitudes. Fundamental é manter a boa disposição viva. Sentimento que ultimamente não tenho conseguido ter. Sinto que a minha úlcera a dar o sinal. Ela manifesta-se quando ando irritado, chateado, sem qualquer sentido de humor. Estes últimos dias têm sido fertéis em más notícias. Bom, esqueçamos este pequeno desvio de filosofia barata e voltemos ao que conta.
Os comentários mais uma vez são meus, feitos à medida que ia bebendo e conversando.
Tive que aguentar durante toda a refeição o tom de gozo, as piadas daqueles que estavam comigo à mesa. Tentei ao máximo distanciar-me de toda a risota que se instalou à minha volta. E olhem que algumas das piadas faziam mesmo rir. Se calhar até tinham razão. Onde é que encontro estes todos aromas e sabores? Grande parte da resposta, se calhar, está na brutal imaginação que anda a vaguear pela minha cabecinha em certos dias. Vocês lá me dirão se ando a exagerar ou não. Como sempre digam, se quiserem, de vossa justiça.
FSF Garrafeira 2001. Um vinho feito de um lote com syrah, tannat e trincadeira. Com 14% de graduação alcoólica. Das Terras do Sado, bem ao lado onde moro.
Aromas de fruta. Quente, mas sem grandes exageros na maturação. Apontamentos florais e silvestres com alguma intensidade, juntos com tiques balsâmicos e impressões vegetais que tive alguma dificuldade em descrever ou, se calhar, começa a não ser fácil encontrar adjectivos. Depois evolução para musgo, fetos. Alguma especiaria, café, mineral e couros. Com alguma densidade. Gostei muito dos aromas, muito mesmo.
A boca com fruta, com frescura e estruturada. Taninos envolvidos pelo corpo. Acidez proporcionando frescura, nunca caindo no abismo. Um vinho com pujança, mas pareceu-me comportado, cavalheiresco e com alguma distinção, tal como o senhor que está retratado no rótulo.
Final entre o médio e o longo, deixando um rasto picante agradável. O tempo fez-lhe bem, ficou mais equilibrado. Um vinho que não ficou preso do castelão e introduziu uma casta "exótica" como é a tannat. Pessoalmente não faço a minima ideia como se comporta. Uma desconhecida para mim. Custa qualquer coisa como 20€. Tenho-o visto regularmente nas prateleiras de alguns hipermercados. Em resumo, um vinho que me agradou, o que é importante e deu para fugir um pouco às tradicionais regiões. Nota Pessoal: 16,5

Moscatel JP 2000. Bacalhôa Vinhos. Moscatel de Setúbal. Cor amarelo-torrado, com laivos alaranjados. Nariz fresco, bem feito e agradável. Casta de laranja caramelizada, amêndoas e nozes. Algum limão. Boca correcta, fresca e docinha, que deixa um rasto muito saboroso na boca. Servir fresquinho. Deu para iniciar e terminar o repasto. Um moscatel muito correcto, barato e que agora vem datado. Por 4€, melhor será impossível. As coisas simples também têm lugar na nossa vida. E ser simples não é de certeza sinónimo de inferioridade. Nota Pessoal: 15

A ementa foi feita por mim. Nada de especial. Um crepe recheado com cogumelos e aves, com molho bechamel. Uma agulha de vaca estufada que acompanhou com um arroz selvagem, aromatizado com hortelã e oregãos. Para a sobremesa, umas fogaças de Alcochete. Ninguém foi parar ao hospital por minha causa.

sábado, junho 24, 2006

Quinta do Valdoeiro Touriga Nacional 2003

Um vinho das Caves Messias. Feito de exclusivamente de Touriga Nacional e estagiado em meias pipas de carvalho. Com 14, 5% de graduação alcoólica. Um produtor que mostra querer fazer coisas diferentes e modernas (não sei muito bem o que isto quer dizer). Tenho tido o contacto com vinhos interessantes, que valem a pena serem bebidos. Este exemplar, mais o Syrah do mesmo ano, representa o ressurgimento de uma marca fazendo adivinhar um futuro promissor.
A cor com que se mostrou ao mundo era opaca. Impressionante. Escura, escurinha, escuríssima. Negra, negrinha, negríssima. Mais preto, não há...
Aroma com perfil exuberante, muito intenso. Quase impossível de não gostar. Cativa, pois oferece muito. Fruta silvestre. Muitas amoras, mirtilos e muitas ginjas. Depois terra molhada, musgo. Neste momento parei e pensei muito no cheiro da terra quando acaba de chover, num dia quente de Verão. Estão a sentir? Muita bergamota, cogumelos.
Puxando pela minha cabecinha e pondo a imaginação a trabalhar consegui descortinar qualquer coisa parecida a resina envolvida por balsâmicos, cedros e tinta. Lado químico muito presente. Chocolate preto amargo, bem intenso, com tabaco, folhas de tabaco, charuto. Ninguém fica indiferente a uma apresentação destas? Eu não sou excepção.
Na boca entra calmo, mas lá dentro estoira. Preenche todas as cavidades, de uma forma algo repentina. Mastiga-se. Só o vinho era capaz de ser uma refeição, o que acabou por se tornar num problema. Podia ter sido mais calmo na sua apresentação e na forma como se comportava. Parecia uma daquelas pessoas que falam muito, cativam no início, mas depois cansam um pouco, tornando-se chatas. A acidez, pareceu-me colocada de forma a proporcionar boa frescura, ajudando a atenuar toda a pujança do vinho. Final longo, com ardor, deixando um rasgo de fruta e tabaco.
O vinho está bem feito. Está! Impressiona? Impressiona. Passa despercebido? Não. Só que durante a minha prosaica refeição, ele acabou por me maçar, sobrepondo-se à comida. E ela não era assim tão ligeira. Continuando na minha dissertação, que está a transformar-se numa tese, olhei para ele e pensei muito nos vinhos do novo mundo. Será?
Se tivesse mais um pouco de elegância, se tivesse sido mais discreto, mais sóbrio.
Nota Pessoal: 16, porque antes da refeição cativa, mas durante cansa...para guardar e ver no que dá! Um momento muito inconclusido. Peço desculpa, pelo registo mais estranho que fiz e provavelmente um dos mais confusos.

quarta-feira, junho 21, 2006

Casa de Santa Vitória (br) 2005

Uma nota rápida, telegráfica...
Um branco do Baixo Alentejo, do Produtor Casa de Santa Vitória. Elaborado com Arinto e Antão Vaz. Tem 12,5% de graduação alcoólica. Responsabilidade enológica de Nuno Cancela de Abreu.
Cor cristalina. Aromas de fruta verde, relva, alguma lima e ananás, bem como uma suave sugestão de casca de pêssego. Leve passagem pelo mineral.
Na boca, fresco, directo e refrescante. Limonado e mineral. Não estamos perante um estrondo de vinho. É correcto, é simples, mas cumpre muito bem a sua função, acalmar o calor em que vivemos, bem como acompanhar uns petisquinhos à sombra da árvore.
Nota Pessoal: 14

terça-feira, junho 20, 2006

Com a Ferreirinha

O fim de semana é dado a abusos, ao descanso e ao encontro com os amigos. Nestes dias come-se e bebe-se. Relaxa-se. Às vezes de mais. Mas diabo, uma vida sem excessos não tem graça.
Peguei, mais uma vez numas garrafinhas, por sinal do mesmo produtor, e fui bebendo ao longo de Sábado e do Domingo. Como sempre partilho os meus rabiscos, os meus devaneios, a minha soberba. Aqui estão mais alguns apontamentos resultantes do meu encontro com a Ferreirinha. Opps, os termos escolhidos não foram os mais indicados. Mas adiante.
Vinha Grande 2001.
Cor densa. Uma postura aromática quente e doce. Madeira, frutos maduros e doces. Ameixas e amoras maduras. Compotas e chocolate. Senti em certos momentos aquele aroma a bombons de ginja. E mais uma vez doçura. Acredito que terá muitos amigos. Eu é que não serei um deles.
Boca doce, pessoalmente incomodativa. Muito fruto, chocolate e compota em primeiro plano. Directo. Levemente alcoólico. Apesar de tudo, a acidez conseguia aliviar um pouco o bombom que andava sempre a boiar no copo.
Não o apreciei e por muito que tente não consigo gostar dele. Gostos e manias!
Um vinho que é vendido perto dos 10€. Dizem os especialistas que tem boas capacidades de envelhecimento. Houve em tempos uma prova vertical feita pela Revista dos Vinhos. Não tenho mais nenhuma garrafa e tão depressa não irei comprar!
Nota Pessoal: 14
Callabriga 2000. Este é do Douro! Acho eu...
Um vinho que desceu ao Alentejo. Ainda estou para perceber qual foi a ideia. Sinceramente, a Sogrape conseguiu afastar-me deste vinho. No entanto, não me quis despedir dele sem ver o que me dizia. Queria perguntar-lhe se a viagem tinha sido boa, se estava a gostar dos calores do Alentejo. Pouco me disse. Devia ter a lição bem ensinada.
Aromas densos, mais uma vez a fruta madura, as compotas e o chocolate. Um estilo parecido ao Vinha Grande. No entanto, com mais robustez.
Na boca era frutado e chocolatado. Taninos finos, envolvidos pelo corpo, arredondado mas a precisar de uma acidez mais viva, mais vincada. Final algo curto e um pouco doce.
Mais um vinho bem trabalhado, que agradará a muitos consumidores. Melhor que o Vinha Grande, mas mesmo assim, não fiquei com pena que este representante desaparecesse da minha garrafeira.
Até à próxima, quem sabe se não vai haver uma colheita do Dão, feita na Quinta dos Carvalhais. Depois do Grão Vasco, ter ido ao Alentejo e agora estar no Douro, nada me admira! Não percebo nada destas técnicas de vendas.
Nota Pessoal: 14,5
Quinta da Leda 2000.
É um dos meus amores. Não digam nada à minha mulher.
Aroma muito rico, suave. Fruta fresca e flores juntas com sugestões de eucalipto. Impressão a esteva, restolho e mato. Alguma cera, verniz ou graxa. Chocolate preto com leite, amparado por suave tabaco. Tudo num tom de equilíbrio. Com elegância e distinção. Bem apresentado. Sem nada fora do sítio. Cativante e com complexidade.
Boca complexa, que entra com profundidade, enche devagar, sem excessos, sem forçar. Senti frutos pretos, o toque químico, a especiaria, o chocolate, bem como o tabaco. Fresco, sem nunca entrar em exageros. O final era fino e prolongado.
Um vinho bem conseguido, que começa a ser um exemplo de consistência, um porto de abrigo para quando não sabemos o que fazer.
Assumidamente gosto dos Quinta da Leda. Cada vez mais. Tenho em minha casa as colheitas de 1999, 2000, 2001 e 2003. Nunca falham e muito longe dos outros vinhos da casa Ferreirinha que eu bebi. Acompanhou dignamente um borreguinho assado nas brasas.
Nota Pessoal: 17

sábado, junho 17, 2006

Um Castelo destes não vai abaixo

Um castelo destes é que eu precisava. Tem aguentado bem as investidas do tempo. Está dificil de o conquistar, de o derrotar. Começou com bons alicerces, que lhe permitiram construir boas muralhas. Os seus habitantes podem dormir descansados. É necessário um exército bem equipado para fazer o assalto final.
Até lá vou continuar a desfrutar deste Castelo D’Alba Vinhas Velhas 2003. Um vinho branco feito pela VDS. Douro. Com 14,5% de graduação alcoólica. As uvas são provenientes de Freixo de Espada à Cinta. Nada mais que a terra da minha família paterna! Excelentes momentos que passei junto ao rio Douro. Havia sempre uns peixinhos assados, do rio, que eram salpicados por um molho picante. O vinho, esse era da família!
Sempre achei este branco com muita personalidade, com presença. Nunca consegui ficar indiferente. Uma paixão à primeira vista. Alguns acharão um exagero, mas nisto de gostar ou não gostar, não é algo que se quantifique de forma racional. Vai ser com essa paixão, ainda bem viva, que irei falar deste vinho. Descontem um pouco nas minhas palavras!
Aromas muito vincados, afirmativos, robustos, e impositivos. Transmitem o carácter da terra que lhe deu origem. É preciso deixar abrir o vinho. Eu até o decantei. Raramente acontece com vinhos brancos. Inicialmente com sugestões de combustível, que foram desaparecendo gradualmente. Depois veio a fruta seca envolvida por tiques de pão torrado, farinha, baunilha e caramelo. Deambulavam notas de fruta fresca, que me faziam pensar em ananás, limão e alguma maçã. O mineral ajudava a refrescar. Mas sou sincero, não me preocupei muito em descortinar mais aromas. Às vezes nem vale a pena. Acima de tudo desfrutei.
Na boca o seu comportamento continuou impositivo, personalizado e robusto. A acidez refrescava. O final era longo. Ainda está para durar.
Fiz uma combinação explosiva com ele. Meti-o ao lado de um prato difícil. Uma poejada de bacalhau. E resultado foi um empate entre o Sul e o Norte. A minha mulher agradeceu.
Uma palavra final para o preço. São 10€. Preço de Hipermercado.
Nota Pessoal: 17,5

quinta-feira, junho 15, 2006

Com Campolargo à Volta do Vinho

Mais um encontro (que decorreu no dia 8 de Junho), mais um jantar, mais uma prova. Mais uma noite, onde o espirito enófilo foi levado a sério. Muito mesmo. Desta vez, o ponto de partida foi convidar um produtor que aceitasse estar sentado ao nosso lado e se disponibilizasse ouvir aquilo que temos para dizer sobre os seus vinhos. Que aguentasse, ou não, as asneiras que pudessem surgir a qualquer momento.
A escolha recaiu sobre um dos produtores mais irreverentes da Bairrada. Isso mesmo, desta vez não há imaginação, nem delírio da minha parte. A partir de um convite feito por moi e por outro companheiro (Jorge Sousa) conseguimos trazer até à capital o produtor Carlos Campolargo. A ideia era proporcionar uma prova cega com alguns vinhos deste produtor. Uma pequena provocação que queríamos fazer.
A escolha dos vinhos partiu do grupo que esteve presente, sem qualquer participação do convidado, que regularmente se encontra para medir o pulso ao que se vai fazendo por aí. Moi, Jorge Sousa, Francisco Barão da Cunha, Oliveira Azevedo, Paula Costa e João Quintela.
Assentámos praça, mais uma vez, no restaurante À Volta do Vinho, em Lisboa, que no âmbito dos seus jantares de quinta-feira, disponibilizou também alguns dos vinhos deste produtor aos seus clientes. Não eram os mesmos que entraram na nossa prova e jantar.
Os nossos vinhos foram decantados e numerados pelo pessoal do restaurante, sendo colocados de forma aleatória na mesa.
Os comentários sobre o conteúdo de cada decantador são meus, da minha responsabilidade. Não veiculam nenhum dos outros presentes. Baseam-se, como sempre, no prazer que me deram, bem como no maior ou menor nível de imaginação que tive para os caracterizar.
Calda Bordaleza 2004. Concebido com 75% de Cabernet Sauvignon, 15% de Merlot e 15% de petit verdot. Apresenta 15% de graduação alcoólica.
Se existe definição para vinho provocador, sensual e apaixonante este C.B. preenche todos os requisitos. Muito aromático, muito perfumado. Folhas de chá com flores de laranjeira. Balsâmicos e sugestões minerais de grande qualidade. Cedro, verniz. Fruta madura, sem ultrapassar o exagero. Dei comigo a imaginar coisas e mais coisas com este vinho. Algumas delas necessitavam de uma bolinha no canto superior direito do monitor. Recuso-me, portanto, a mencioná-las.
Na boca mastigava-se e saboreava-se. Bem desenhado. Nada fora da linha. A régua e esquadro.
Um vinho que desapareceu do decantador. Nunca os seus 15% de graduação se evidenciaram. Elegante, isto é que é elegância.
Nota Pessoal: 18
Média do grupo: 17,7
Diga? 2004. Com 14,5% de graduação alcoólica.
Fresco e balsâmico. Presença de especiaria, envolvida por uma suave torrefacção. Um lado mineral que fazia recordar apara de lápis, carvão ou grafite. Qualquer coisa deste género.
Na boca, com um comportamento super elegante. Muito afinado. Tudo no lugar. Com um final saboroso e perfumado.
Uma nota à parte. Carlos Campolargo achou este vinho com a madeira um pouco evidente e com uma perspectiva de evolução curta. Fiquei de boca aberta. Nem disse nada. A vergonha de fingir que percebo do assunto foi grande.
Nota Pessoal: 17,5
Média do Grupo: 17,16
Vinha da Costa 2003. Oriundo de um lote de Merlot, Syrah e Tinta Roriz. Com 14,5% de graduação alcoólica.
Bagas, ginjas e licores envolvidos num ambiente floral, junto com alguma pimenta (não me perguntem a cor). Sugestão de fruta preta. Denso, mas não pesado. Às vezes já nem sei o que hei-de dizer mais. Muitos de vós deverão achar que me repito. É provável. Eucalipto e Mineral.
Na boca sentiam-se os taninos bem envolvidos pelo corpo. Espesso. Num estilo que é capaz de ser consensual para muitos consumidores.
Nota Pessoal: 17
Média do Grupo: 17,08
Rosa Brava 2004. Feito exclusivamente de Syrah. Com graduação alcoólica de 13,5%.
Um vinho que não existe. Dito pelo próprio Campolargo. Ao que parece foi uma provocação da Winept. Foi esta empresa que teve a ideia de "construir" este varietal de Syrah.
Tive sempre muita dificuldade na apreciação do vinho. Por essa mesma razão o nível de qualificativos é menor. Mas atenção, não foi por essa razão que não deixei de apreciar ou de gostar. O seu comportamento enigmático também se valoriza. No entanto, e apesar de tudo, ainda consegui descortinar um lado metálico, terroso e mineral. Com personalidade e afirmação.
Uma entrada na boca com uma acidez algo elevada e taninos espigados. Mais uma vez, o seu comportamento requereu, da minha parte, atenção redobrada. Por limitação pessoal, não consegui descortinar mais nada.
Nota Pessoal: 16,5
Média do Grupo: 16,3
CampoLargo C.C. 2004. Elaborado com Castelão Nacional e Cabernet Sauvignon. Com 14,5% de graduação alcoólica.
Muitas amoras, muitas gingas. Morangos frescos. Fruta na árvore. Casca de laranja. Flor "doce" e licores. Mais directo, mas sem ser simples. Aliás, nenhum vinho foi simples. Todos eles tinham personalidade e a mão de alguém que sabe o que anda a fazer.
Na boca revelou o seu lado aromático, com a presença de uma acidez bem vincada. Álcool calmo. Alguma doçura.
Como disse Carlos campoLargo um vinho para ser bebido até à próxima colheita.
Nota Pessoal: 16
Média do Grupo: 15,75
Termeão 2003. Feito com 75% de Touriga Nacional, 10% de Castelão Nacional e 15% de Cabernet Sauvignon. 13% de graduação alcoólica.
Que diferença houve entre este vinho e os outros seus irmãos. Muitos couros, muita cavalariça no início. Cabedal. Azeitona esmagada. Com o decorrer do tempo foi possível descortinar casca de árvore verde, juntamente com terra.
Na boca, ácido, um pouco verde. Sem dúvida, estranho. Aliás, o produtor segredou-nos que este vinho está a mostrar comportamentos muito diferentes de garrafa para garrafa. No entanto, a comida acabou por ser um bom aliado para ele.
Nota Pessoal: 14,5
Média do Grupo: 14,92
Bom, como nestes encontros é necessário aconchegar o estômago. Convêm dizer-vos que começámos as hostilidades gastronómicas com um requeijão da Serra (que são para mim os melhores), crepe de lombardo recheado com cogumelos e galinha. Depois avançamos para um bacalhau assado no azeite e voamos para uma perna de pato também assada no forno. Confecção correcta, tudo no ponto, sem exageros. Combinaram muito bem com os vinhos bebidos. Porque a dada altura começámos a beber... e a prova ficou para para segundo plano. Um dos melhores jantares que tive neste restaurante. Pratos de confecção simples, mas de boa qualidade. Cumpriram muito bem a sua função.

Duas Fotos do Dão e Douro

Vêem fora de tempo, mas são daqueles momentos que interessa recordar. São duas fotos que mostram um pouco do que se passou no último dia do Dão&Douro de 2006, no Pestana Palace.
Só chegaram até mim, à poucos dias. Vieram pela mão do Copo de 3 que as recebeu por intermédio do Master João Roseira. São dois flash's da conversa que alguns dos cromos que andam por aí tiveram com o João Geirinhas, da Revista de Vinhos. Lá estava eu, mais o João do Copo de 3, o Nuno do Saca a Rolha mais os companheiros Jorge Sousa, Pedro Brandão do COV e mais discretamente o Fernando Moreira. Tudo amigos da pinga e dos copos.
Pela cara de alguns de nós, deu para ver que a conversa esteve super animada. Ui, nem vos conto! As imagens falam por si. Agora sim, podem gozar com a nossa cara!

terça-feira, junho 13, 2006

Quinta da Foz do Arouce (tn) 2003

Mais uma incursão a este produtor da Lousã. Elaborado com Baga, Touriga Nacional e Tinta Roriz, com estágio em meias pipas de carvalho francês e com uns baixissimos 12,5% de graduação alcoólica. Nos tempos que correm é coisa rara. Muito mesmo.
Aromas de mato húmido, fetos envolvidos com algumas flores silvestres. Presença de folhas secas, dando a sensação que eram de chá. Rebuçados, aqueles que levam um mouro no papel. Não sei qual é o nome. Armário daqueles antigos que existiam nas casas das nossas avós. Aliás, este vinho fez-me efectuar uma breve passagem pela terra. Há muito que não lá ia através do vinho. Prometo que não me vou demorar por lá. Lembram-se daqueles saquinhos com flores secas e folhas, que se colocavam no meio da roupa? Principalmente nos lençóis. Sabia-me bem quando chegava à noite e me deitava na cama. No copo senti evolução para fruta vermelha, fresca. Leve mineral.
Na boca, comportamento fresco e fino. Taninos e acidez muito correctos. Leve secura nas gengivas. Nada de estrondos. Acetinado. Olhem outra palavra nova! Final médio/curto com leve rasto balsâmico.
Acompanhou muito bem um bacalhau frito. Um exemplo de que se pode obter prazer sem entrar em excessos, sem brutalidades. Gostei dele. Cumpriu muito bem durante a minha refeição, sem nunca fartar. Presente, mas sem lantejoulas, sem focos, sem foguetes. Preço? Sinceramente não me lembro. Tenho vaga memória de que não magoava a carteira.
Nota Pessoal: 15

segunda-feira, junho 12, 2006

O Rosé do Domingos

Aproveitando uma brecha no meu trabalho e olhando para a rua, sentindo na pele o calor que se está a fazer. Achei que não era descabido de todo, falar-vos de um Rosé que provei recentemente. Caramba, como é que o calor me fez recordar tal coisa!
Uma proposta interessante que veio das Terras do Sado. Domingos Damasceno de Carvalho Rosé 2005. Da responsabilidade enológica de Nuno Cancela de Abreu. Um rosé feito de um lote com syrah e aragonês. Com 13% de graduação alcoólica.
Uma cor muito bonita, quase provocatória.
Aromaticamente fresco, com boas sugestões de famboesas, morangos e bolas de neve, os tais rebuçados embrulhados em papel vermelho. Sensação de pastilha elástica.
Na boca com alguma doçura, mostrando equilibrio qb. Linha frutada, com envolvência. Atenção para que a temperatura não suba muito.
Nada de transcendente, mas cumpre muito bem a sua função. Ajudar a relaxar ao fim de um dia de trabalho. Mais uma opção que merece ser conhecida.
Já agora e para terminar, gosto mais do Quinta da Alorna Touriga Nacional Rosé, bem como do Barranco Longo Rosé.
Vou voltar para o meu trabalho. Poderá estar por aí alguém do Ministério da Educação.
Nota Pessoal: 13

sexta-feira, junho 09, 2006

Sexta-Feira...para acalmar!

Sexta-feira, vésperas de fim de semana. Sabe bem sentir que os próximos dias são para descansar. A minha semana foi dura, tal como muitos de vocês. O trabalho, as alterações ao Estatuto da Carreira Docente que a Ministra da Educação propõe, provocaram-me um nó muito grande no meu estômago. O que ela propõe não é avaliação. Aquilo é castigar, é bater, é chicotear, é banir. Por muito competente que possa ser no futuro, nunca atingirei os meus objectivos...Muitas das coisas que fiz até ao momento, não as poderei fazer. Serei substituído. Simplesmente.
Assim vamos lá. Vamos ser mais competentes. O futuro está garantido. O país vai-se desenvolver. Estejam descansados, porque a lei do chicote vai resolver muitos problemas.
Bom, estou a perder-me nisto tudo. Adiante, que logo se verá. Falemos de vinhos que é para isso que aqui estou.
No meio disto tudo, e para relaxar um pouco, fui à minha excelente garrafeira (naturalmente estou a gozar) e retirei dois brancos de 2003. Um deles bebi-o bastas vezes. O outro nem por isso, mas com isso não quer dizer que seja inferior, apenas diferente. Dois varietais de duas regiões bem distintas.

Quinta dos Roques Encruzado 2003. Da Sociedade Agrícola das Faldas da Serra. Com 13,5% de graduação alcoólica. Da responsabilidade enológica de Rui Reguinga.
Cor brilhante e muito bonita. Nariz elegante e com aparente classe.
Nuances de flor de mimosa, misturadas com flor de maia. Uma certa doçura que lembrava a tília. Interessante a componente mineral. A fruta, era tropical, exótica e sedutora. Lembranças de anis que, particularmente, eu aprecio muito.
Na boca entrava devagarinho, com equilíbrio e elegância. Untuoso, mas nada pesado, pois a acidez estava colocada de forma a proporcionar uma agradável frescura. Final médio.
Nota Pessoal: 15,5
Herdade do Meio 2003. Feito com Antão Vaz. Com 14% de graduação alcoólica. Dêem uma volta por aqui, para saberem mais coisas do produtor. Um vinho com a mão de António Saramago.
Cor carregada, amarelo-torrado, avisando-nos para a possibilidade de estarmos perante um vinho com algum peso, diferente do encruzado dos Roques.
Aromas de combustível, por cima de um caldo vegetal, que proporcionava frescura. Apareceram notas de mel, caramelo e baunilha, que se mantiveram persistentes.
Na boca, entrava com alguma frescura, mas com pendor para o melado e caramelo. Baunilha, avelãs e nozes. Guloso. Final médio, deixando um rasto abaunilhado e levemente limonado.
Um vinho que é capaz de ser bebido sozinho, sem qualquer acompanhamento. E foi o que fiz com ele. Toda a noite andou pelo copo.
Nota Pessoal: 15,5
Dois vinhos diferentes, que me mostraram que vale a pena esperar algum tempo pelos brancos. Com algum estágio nas nossas garrafeiras, podem acontecer boas surpresas. Agora tenho as colheitas de 2004. Relativamente ao Herdade do Meio, a minha opinião difere da que tive com o 2003. Para pior.
Acabei por dormir. Descansado, pensando que este país apenas existe em pesadelos. E um dia irei acordar.

terça-feira, junho 06, 2006

Muros Antigos Escolha 2005

Desta vez "fui até ao Norte", não para ver o incêndio de Barcelos (lá voltamos ao nosso martírio de Verão), mas para beber uma novidade do produtor Anselmo Mendes. Para ser sincero, nem sai de Lisboa. As viagens podem decorrer dentro do nosso mundo, na nossa cabeça, como tantas vezes faço. São rápidas, tem mais imaginação, são em certa medida mais livres.
Falo-vos de um Loureiro que vinha vestido com um rótulo muito interessante, diferente do que geralmente aparece nos outros Muros Antigos. Com uma graduação alcoólica de 12%.
Um impacto aromático muito floral. Muita flor doce. Pensei muito nas encostas cheias de flores, de árvores perfumadas. Talvez tília, talvez mimosa, talvez maia. Sugestões anizadas, envolvidas por um toque mineral que refrescava o conjunto, aumentando a sua complexidade. Fruta exótica.
Elegante na boca, com alguma sensualidade e provocação. Havia por ali um lado doce que marcava presença, sem nunca cometer exageros. Final correcto, com qualidade.
Um vinho que me pareceu diferente. Deu origem a algumas conversas com os comparsas que estavam ao meu redor, todos eles mais experientes que eu. O aspecto aromático foi aquele que mais dúvidas criou na malta. As apostas iam desde o encruzado, ao arinto até ao antão vaz. Surpresa foi quando o verde se revelou. Lindo, um vinho verde que nos enganou!
Nota Pessoal: 15,5

segunda-feira, junho 05, 2006

Alguns Pontos sobre o Pontval

Dois vinhos do produtor alentejano, Companhia de Vinhos do Alandroal, que parece estar a oferecer-nos alguns produtos interessantes. Pelo que dizem por aí, são vendidos a preços decentes. Sinceramente não sei quanto custam. Por isso, nem vale perguntar que não sei! De qualquer maneira, valem a pena ser conhecidos. Perdoem-me esta falta de humildade. Mas eu, às vezes, sou atacado por um sentido de soberba muito grande. Ambos os vinhos têm 14.5% de graduação e estagiaram em barricas novas de carvalho. Foram provados em prova cega.
Falemos da primeira proposta. Pontval Touriga Nacional & Trincadeira 2004.
Aromas com um perfil algo floral e silvestre. Presença de alguma casca de árvore, do tipo pinheiro. Este ambiente vegetal enriquecia com sugestões de rebuçado. Algo diferente, com balsâmicos presentes na boca. Elegante de comportamento. Vale a pena experimentar.
Nota Pessoal: 15
A segunda dica que vos deixo é: Pontval Syrah 2004.
Boa cor, não muito concentrada. Aromas que me colocavam no meio das silvas (não me piquei), onde as amoras marcam presença. Bagas e fetos, no meio de alguma terra húmida. Com frescura. Café e suave torrefacção, sem grandes exageros. Breve sensação de alecrim.
Na boca com algum equilibrio, também sem exageros. Correcto no seu comportamento. O corpo aguenta os taninos e acidez.
Nota Pessoal: 14,5
Pessoalmente gostei mais da primeira proposta, pareceu-me um pouco diferente, com mais personalidade. Mas isto sou eu. Outros que estavam ao meu lado nem acharam grande piada. Cada cabeça sua sentença. Acima de tudo, os registos de duas pingas alentejanas que mercerem ser conhecidas (para mim só o eram de nome).

sexta-feira, junho 02, 2006

De Catedral só o nome...!!

Como devem ter já reparado nas minhas palavras, eu nutro uma grande paixão pelo vinho do Dão. Tenho raízes bem fundas nesta região. Tento que a minha paixão não me tolde a razão, se bem que às vezes a primeira se evidencie mais. Mas que se lixe, isto sem um pouco de picante não tem graça.
Desta vez voltei a casa, pelo copo, através de um vinho que recentemente obteve uma boa classificação na Revista de Vinhos, num painel com vinhos do Dão.
Neste blog, já concordei com uma nota atribuída a um vinho (quinta dos aciprestes). No caso do Catedral 2003, a minha apreciação andou muito longe daquela que foi dada pela referida revista. Na vida, nem sempre concordamos com o que lemos, com o que ouvimos. Faz bem à saude discordar, deitar cá para fora aquilo que nos vai na cabeça ou na alma.
Falemos resumidamente do vinho. Foi provado em prova cega. Concebido a partir das castas alfrocheiro, tinta roriz e touriga nacional. Com 12,5% de graduação alcoólica. Caves Monteiros.
Impacto aromático muito ferroso. Aliás para ser sincero, durante toda a prova em que estive o seu lado metálico e ferrugento nunca desapareceu. Parecia a água de uma canalização que há muito tempo não é utilizada. Acontecia muito na casa dos meus pais, quando regressávamos de férias. Era impossível beber água durante alguns dias.
Consegui descortinar algumas sugestões vegetais, muito verdes por sinal, juntamente com ténues balsâmicos.
Na boca, sem história, algo ácido.
Um vinho da minha terra que se portou muito mal. Merece um bom castigo, pois existem belas catedrais por lá.
Nota Pessoal: 10

De volta ao Algarve com o Barranco Longo (tn) 2004

Cá estou eu de volta a este produtor. Como sabem, anteriormente coloquei neste blog um comentário a um vinho de Rui Virginia. Nessa altura, teci alguns comentários elogiosos. Achei e continuo a achar que o lançamento de uma gama tão alargada por parte de um produtor algarvio, como é o caso, mostra que é possível fazer coisas interessantes numa região que parecia ter abandonado a produção de vinho (refiro-me ao de qualidade). Uma autêntica pedrada no charco, no que respeita à água do Baco.
Mas neste caso, a coisa falou diferente. Não me fez libertar grandes sorrisos, muito pelo contrário. Um vinho com aromas algo artificiais. Com muita dificuldade o consegui caracterizar. Não havia aquela finesse, envolvência e provocação que o Touriga Nacional tinha e que eu gostei muito.
Na boca, a sua postura era a mesma. Com "açúcar" e uma doçura que me irritava particularmente e olhem que estava bem disposto nesse dia. Só por curiosidade e para finalizar, provei este vinho em prova cega. Feito de um lote de aragones, castelão e touriga nacional e com 13% de graduação alcoólica. Quando foi desembrulhado, não acreditei!
Nota Pessoal: 10