domingo, Maio 06, 2007

Novo Branco Dona Ermelinda 2006

Tive recentemente numa apresentação nas instalações da Produtora Ermelinda Freitas (Terras do Sado). Uma excelente ocasião para desfrutar da imensa paisagem arenosa de Fernando Pó e da vinha que está defronte desta casa sadina. Um cenário relaxante.
Uma oportunidade única para provar toda a gama de vinhos desta produtora. (alguns deles já abordados neste blog). O novo Moscatel abriu a sessão (apresenta uma excelente relação preço-qualidade). Desde que saiu para o mercado que me tornei num fã deste licoroso. O Touriga Nacional, o Alicante Bouschet, o Syrah, Quinta da Mimosa, Terras do Pó Reserva, todos de 2004, com mais ou menos variações de comportamento, apresentavam um traço comum. Quentes, raçudos, modernos, com cores profundas. A minha preferência caiu para o Alicante Bouschet. Do outro lado, um Quinta da Mimosa muito bruto, extremamente jovem. Continuo a não ter bom entendimento com este tinto. Típico vinho de prova, que impressiona, mas de difícil combinação gastronómica. O topo de gama Leo D'Honor 2003 encerrou a minha viagem pelos vinhos. Um belo tinto castelão (uma casta que assumidamente não nutro grande paixão), que ombreia com os melhores vinhos deste país. Pareceu-me mais afinado, menos exagerado que nas versões 2001 e 1999. Olhando para o meu passado enófilo, diria que esta última colheita está muito mais sensual, exótica, com mais classe e que me agradou bastante.
Bom, mas a novidade que gostaria de partilhar com vocês é o novo vinho branco (foi primeira apresentação ao público). Arinto, Fernão Pires e Chardonnay compõem o lote. Com um estágio em barrica a rondar os 2 meses. Este Dona Ermelinda br 2006 (com o mesmo nome do tn já existente) é o resultado de uma feliz combinação entre três castas muito diferentes entre si. Actuou de forma organizada e disciplinada. Fruta, lima, vegetal fresco envolviam-se de forma correcta com a madeira, que nunca se sobrepôs em demasia. O interesse deste vinho, o modo como ele se apresenta proporciona ao provador a oportunidade de tentar descobrir no copo as diferenças das castas. A frescura oferecida pelo arinto e fernão pires seguravam o vinho, equilibrando-o, evitando que ficasse pesado (do outro lado estava o chardonnay e a madeira). Boca com alguma untuosidade, crocante. Um final marcado pela amêndoa. Pessoalmente, gostei dele e combinou bem com uma cataplana de cherne servida ao almoço. Assim que ele aparecer nas prateleiras, provem-no. Depois digam qualquer coisa. Nota Pessoal [15-15,5]


Post Sriptum:
O espumante que esperava provar, ainda não está pronto. Aguardemos.

2 comentários:

amigosdobalde disse...

Porque concordo plenamente consigo na apreciação que fez ao vinho que recentemente comprei na adega e que provei ontem, fiz uma referência a este post no Amigos do Balde.
Espero que não se importe e continue com o bom trabalho.

Pingus Vinicus disse...

Claro que não. Pessoalmente só tenho que agradecer.
Um abraço