terça-feira, janeiro 30, 2007

Churchill Estates 2004

Esta Casa do Douro é/era mais conhecida, pelo menos para mim, por causa dos vinhos do Porto que produz e não tanto pelos seus vinhos de mesa. Conta-se por aí que o Douro descobriu muito recentemente que também sabe e pode fazer vinhos para a mesa. E olhando para algumas discussões entre membros da minha família paterna (Douro Superior), recordo que o tema central sempre foi o vinho fino. A arca do tesouro enchia, no passado, à custa do licoroso. Raramente se apostava, se via um vinho de mesa digno de registo. As excepções eram muito poucas (Barca Velha e Quinta do Côtto Grande Escolha). A Graham's, portanto, não é excepção nesta recente descoberta.
Outro aspecto curioso também para mim, nesta região demarcada, é a pouca consistência que as gamas intermédias possuem. Dito de outra forma, o pouco entusiasmo que provocam (em mim). Geralmente as atenções, os investimentos dos produtores e consumidores estão direccionados para os topo de gama, para as pingas que custam mais de 25€ (e baixei o intervalo). Pouco se fala daquelas que se situam em patamares de custo abaixo dos 15€/10€ para o consumidor. Estratégia assumida? Provocando um pouco mais as hostes enófilas, diria que o Douro é a região de ricos, para ricos (estou a falar de vinhos). Um clube fechado. Às vezes, parece um carro topo de gama a circular na auto-estrada. Nós, eu fico a olhar para eles a passarem por mim.
Este Churchill, pareceu-me ser uma predada no charco. Muito equiilbrado, harmonioso, com elegância. Juntava, conciliava de forma muito correcta a fruta, a esteva, o balsâmico. Sentia-se, algures, um leve traço a LBV, mas sem nunca entrar em excessos. Um vinho com alguma finesse e requinte. Custou-me sensivelmente 10€. Provem e depois digam-me qualquer coisa. Se não gostarem, amigos como sempre.
Nota Pessoal: 16

domingo, janeiro 28, 2007

Niepoort vs JPR na Comenda

Atravessamos um momento de paragem. Os desencontros da vida, as agendas pessoais impossibilitaram que o Núcleo Duro (Jorge Sousa, Paula Costa, João Quintela, Francisco Barão da Cunha, Oliveira Azevedo e naturalmente a minha pessoa) se juntasse à volta da mesa e do copo. O dia 23 de Janeiro foi a data escolhida para que a assembleia magna se reunisse. Era importante reflectir sobre novos projectos. Há muito que andávamos em discussões mais ou menos apaixonadas sobre o que deveria ser o novo ciclo de provas. Ideias para ali, ideias para aqui, ficou estabelecido que iríamos realizar a 2ª Volta pelas regiões demarcadas deste recanto europeu. Sendo que o primeiro round decorrerá no próximo dia 28 de Fevereiro.
Como este Núcleo é constituído por enófilos a roçar o fanático, não perdemos a oportunidade para fazer uma prova cega, uma espécie de reentré.
Local escolhido foi o restaurante A Comenda no Centro Cultural de Belém. Os vinhos da noite foram, nada mais, nada menos que Redoma 1999, Redoma 2001 e Redoma 2004, por parte da casa duriense Niepoort e Marquês de Borba Reserva 1997, Marquês de Borba Reserva 1999 e Marquês de Borba Reserva 2003, do produtor alentejano João Portugal Ramos. Dois produtores bem enraizados no nosso universo, com créditos mais que firmados e que dispensam qualquer apresentação da minha parte. Portanto, adiante no desenlace que estamos a perder tempo.
Falemos em pormenor sobre os vinhos em briga. Primeira nota; um dos participantes ficou desclassificado no warm up. O Redoma 1999 estava impossivel de ser avaliado e bebido. Rolha, panos húmidos, bafio era o que oferecia. Lamentável o acontecimento, pois ficamos desfalcados.
Os outros Redomas, 2001 e 2004, estiveram durante toda a noite com comportamentos diferentes, na forma e no conteúdo. Diria mesmo que nada tinham em comum. Não era só a idade, a data da colheita. O estilo, o perfil eram díspares. Enquanto o primeiro (2001) mantinha aquela linha a que estávamos habituados a ver e a sentir. Sugestões silvestres, em que o mineral e o balsâmico marcavam também presença. Uns furos abaixo do esperado. Nota Pessoal: 16,5. No segundo (2004) a performance era completamente diferente. Um vinho desenhado para agradar numa prova cega, principalmente ao Robert Parker. Num estilo mais doce, cheio de caramelo, repleto de chocolate com leite e baunilha. Cativa, mas acaba por cansar dado o discurso monocórdico. Decididamente não gostei desta viragem, apesar de lhe reconhecer qualidade (e muita). Parecia dizer-nos que o passado é mesmo para passar à história. Desculpem-me o plenonasmo. Nota Pessoal: 16.
Os Marqueses de Borba revelaram ter uma forma de estar muito mais homogénea, com níveis de complexidade bastante interessantes. Elegância, equilíbrio eram as matrizes destes vinhos alentejanos. Autêntica realeza. O Reserva 2003, num estilo floral, fresco e fino. Nota Pessoal: 16,5. O Reserva 1999, que dizem ser o patinho feio, conseguiu aliar a pujança com a elegância de forma quase irrepreensível. Bem porporcionado. Sem desvios. Nota Pessoal: 17,5.
O destaque para mim, sem qualquer margem para dúvidas, foi o Marquês de Borba Reserva 1997. Apresentou-se com muita saúde, cheio de vida, vibrante, não dando qualquer indicação dos anos. Um belo exemplo de como devem evoluir os grandes vinhos e este foi o grande vinho da noite (para mim). Nota Pessoal: 18

Resta-me partilhar com todos vós a ementa oferecida pelo restaurante. Sortido de pães, azeite e diversos mousses. Carpaccio de novilho com lascas de parmesão, que estava excelente. Bacalhau à lagareiro. No ponto. Para a sobremesa, um misto de frutas exóticas, crepes e queijo. Tudo em bom nível e sem falhas.
Terminamos com um Casa de Santa Eufémia 20 anos, que estava fenomenal e encerrou com chave de ouro o jantar. Nota Pessoal: 17

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Qt Cabriz Superior 2000

Um exemplo que nos mostra a vantagem de deixar dormir um vinho durante alguns anos, sem pressas. O retorno, o prazer enófilo pode ser compensador. Bem sei que nem todos os vinhos, que andam por aí a passear, foram feitos para envelhecer saudavelmente na escuridão das nossas garrafeiras particulares.
Foi com um Dão, o meu Dão, que percebi que ainda existem alguns tesouros escondidos, esquecidos, cobertos de pó, longe dos palcos pisados pelos famosos.
Este tinto, que iniciou a Dinastia Superior deste produtor, revelou ter um comportamento muito ponderado e envolvente. O toque aristocrático que tinha era a chave mestra. Nunca se desviou, nem um milimetro, do que estava delineado, do que tinha em mente.
O baú de aromas, que estava encerrado dentro da garrafa, ia libertando sem pressas, ou atropelos, aromas muito delicados. Sempre num compasso regular e constante.
Repleto de sugestões silvestres. O mato, a caruma, o cedro, os fetos, as folhas dominavam. O perfume recordava a riqueza que era a floresta serrana, no passado. Era inspirador, reconfortante vê-la adormecer ao sabor dos bafos outonais. Os tons amarelos, castanhos e verdes proporcionavam uma visão acolhedora. Ofereciam ao viajante paz na alma. Agora e depois de continuados incêndios, a tal floresta está a gemer, a sangrar, a morrer. O negro do Inverno mantêm-se, mesmo na Primavera.
Na boca, este superior entrava fresco e balsâmico. Uma estrutura fina, mas muito equilibrada. Despedia-se, sorrateiramente, libertando um rasto levemente mineral.
Um vinho que não é caro, que vale a pena ser conhecido. Olhando para o resto da dinastia, nota-se que houve mudança de estilo. Estes últimos (colheitas de 2001 e 2003) estão mais voltados para a moda, com mais extracção, com mais cor.
Nota Pessoal: 17

terça-feira, janeiro 23, 2007

A influência do Rótulo

Este texto vai entrar para o lote daqueles que mais dificuldades me deram a escrever. Pensei, matutei, por diversas vezes, como desenrolar o fio à meada. Ocorreram-me dúvidas e tive muitas hesitações na forma e no conteúdo que o dito devia ter. Esta indecisão, deve-se em parte aos comentários que proferi nesta altura, juntamente com a breve e superficial reflexão que tive mais tarde.
Não é todos os dias que acontece, pelo menos comigo, beber vinhos que enchem as capas das revistas da especialidade, como se fossem estrelas de cinema. Degustados e literalmente bebidos, num ambiente descontraído e muito familiar. Nada de provas cegas, apontamentos longos, onde tudo é escalpelizado ao pormenor. É aqui que está o âmago da questão. A(s) minha(s) dúvida(s).
Os nomes que ostentam, metem respeito e podem condicionar qualquer um de nós. No meu caso, influênciam-me positivamente. Admito. Cada vez que olhava para eles, não conseguia parar de pensar em voz alta: "Extraordinários!" ; "Isto sim, são vinhos" ; " Brilhantes!" .
De repente, e no meio de todo aquele pensamento, meio sem sentido, pensei: "E se fossem provados, sem saber quem são, de onde vinham, seria capaz de lhes conceder as mesmas qualidades?". Provavelmente não. Não tenho qualquer preconceito em afirmar isto. Por diversas vezes fui apanhado. A paixão que eu tenho pelo vinho ultrapassa qualquer lapso ou incongruência da minha parte. Ainda são muitos os erros que cometo.
Momentaneamente voltava aos vinhos e esquecia-me destes quase inúteis momentos de reflexão enófila. As ilações que ia tirando eram pouco sustentadas, contraditórias, confusas (tal como este texto).
"Caramba, são bons! Sabem bem. Equilibrados, perfumados, elegantes, muito complexos. Estão bem delineados. Com tudo no lugar. Aromas?" Não valia a pena pensar neles. Quase perfeitos. Médias? Classificações? Nem uma. Podia cair no ridículo de fazer asneira. Não me consegui separar, esquecer dos nomes que estavam ali, mesmo à minha frente. Condicionado? Claro.
Com Redoma Branco Reserva 2003 (Niepoort), Charme 2004 (Niepoort), e um Moscatel Roxo 20 anos (JMF), que devia fazer? Desfrutar, nem que sejam os rótulos. Que me dizem?
Para enquadrar o momento, os referidos vinhos tiveram o seguinte acompanhamento: Para o Redoma Reserva branco, uma sopa de peixe, aromatizada com poejo, do meu quintal. O Charme dialogou com um coelhinho assado no forno, levemente banhado em lima, laranja e hortelã, batatas gratinadas e miscelânea de cogumelos com vinagre balsâmico. O Moscatel dançou com uns frutos silvestres, gelado de baunilha e Apfelstrudel.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Duradouro

Nada melhor para libertar, soltar a pressão dos nossos dias, do que fazer uma viagem, um passeio pelos sítios que mais gostamos. Sabe bem, reconforta e dá mais vigor para enfrentar o que vem aí, no dia seguinte. Desta vez, peguei nas minhas pernas, nas minhas mãos e fui até ao rio. O rio, aliás os rios sempre me marcaram. No passado foram o Douro, o Mondego. Agora é o Tejo que me encaminha, que me inspira. Foi ao longo dos rios que as civilizações antigas se instalaram, que evoluiram, que morreram.
O cheiro da brisa do rio, numa tarde de Verão é sensação difícil de esquecer. O (meu) refúgio ideal para malhar no calor, na canícula das terras quentes, das encostas lá de cima. Aquele bafo quente, quase que corta/cortava a respiração.
O banho que se tomava naquelas águas refrescava. Limpava aquele pó amarelo. Nas margens, as flores libertavam odores suaves, doces. Envolviam-nos e suavizava o cansaço. De vez em quando, alguém reparava que estavam por ali umas boas silvas carregadas de amoras, bem maduras. Trincavam-se. Que gulodice. O sumo escorria pela garganta, num final meio apimentado. Lá, no alto, os pombais, os palheiros, pareciam libertar o cheiro do xisto, da lousa, da laje.
Parava, olhava, observava toda aquela envolvência, todo aquele mundo. Sentia o leve sussurrar, o discreto murmurar de uma terra cheia de histórias, lendas e tradições. Era como se houvesse por ali, qualquer coisa que não era para eu entender. Mas é aqui que está o início! Pelo menos, parte do meu está lá, aqui.
Na volta, as amendoeiras, as figueiras alinhavam-se milimetricamente, como se tivessem sido colocadas por um matemático.
Já me esquecia do vinho. Um DuraDero, um DuraDouro, que é feito com a nossa Tinta Roriz, o Tempranillo do outro lado do rio. Da Quinta do Portal.
Nota Pessoal: 16,5

segunda-feira, janeiro 15, 2007

I Encontro de EnoBloguistas (Epílogo)

Bom, lá terei que encerrar o nosso I Encontro. Já agora, e antes que comece a divagar, o que me acontece muitas vezes, será que o Robert Parker soube do acontecimento e andava por lá, sem nós sabermos?
Outros registos, outras descrições irão surgir sobre o que se passou na noite de sexta-feira, 12 de Janeiro de 2007. Serão diferentes visões. Todas elas complementares. Todas elas correctas. Mostrarão os diferentes olhares que temos sobre o vinho. É a critica do consumidor a funcionar em toda a plenitude.
A inauguração das hostilidades, das provocações decorreu durante o momento que estava destinado à prova. Serviu para quebrar o gelo, aquecer as conversas e libertar-nos do formalismo inicial. Depois do primeiro trago, tirámos os casacos, arregaçamos as mangas das camisas e a festa começou.
Tudo estava organizado (e bem). Mesas, copos, cuspideiras e bolachinhas. Mas a malta não quis saber daquilo e trocou as voltas ao anfitrião. Pegou no copo e lançou-se na prova dos líquidos, sempre em redor de uma única mesa. Os vinhos iam sendo apresentados por aqueles que os trouxeram. Nada de provas cegas, silêncio, apontamentos ou médias finais. Acabou por se tornar numa interessante e pequena montra do que se faz por esse país fora. Alguns dos néctares presentes tiveram o privilégio de nos oferecer lições curiosas. Exagerando da minha parte, parecia que estavamos num pequeno EVS.
Aqui ficam os meus registos sobre algumas das pingas degustadas. A sua apresentação não tem qualquer indicação valorativa. Outras ficaram por provar. Não consegui ir a todas. Peço desculpa pelo facto, mas a viagem de volta para casa era grande e a policia espreitava, mesmo ali ao lado.
  • Um Messias Garrafeira 1983. Um bairrada da outra escola, de outros tempos, com outros sabores. Quem, nestes dias, tem paciência para provar este tipo de vinhos? Muito poucos. Deixei um copo esquecido, durante um bom bocado, e a evolução foi interessante. Será curioso sentir o pulso a muitos vinhos que andam por aí daqui a 20 anos. Não me vou esquecer.
  • O Quinta do Moledo Verdelho 2004, foi para mim uma estreia. Nunca tinha provado qualquer tipo de vinho de mesa, proveniente da Madeira. Gostei do nariz. Mas na boca, acelarava e desaparecia num ápice. Elixir de Baco, obrigadão.
  • Casa da Passarela Touriga Nacional 2005. Longe daquilo que esperamos de um Dão. A moda assim obriga. Ninguém quer ficar com as adegas cheias. Exuberante, pomposo, espampanante. Muito novo. Fiquei com a pulga atrás da orelha. Será coisa para durar ou simplesmente criado para beber enquanto está jovem? Um bom exemplo para definir: vinho de prova.
  • Vô Bento Reserva 2004. Um castelão típico, espelhou muito bem a tradição de todo aquele imenso areal que circunda Pegões, Fernando Pó e Águas de Moura.
  • Sirga 2004. Várias vezes olhei para este vinho, pegava na garrafa, mas acabava sempre por escolher outra coisa. Com tantos nomes do Douro que andam por aí, fico cansado e confuso. Viro-me para outras terras. Será que nesta região só os topos têm interesse? Elegante, com sensualidade e acima de tudo muito afinadinho. É uma boa opção. Do mesmo autor do Poeira. O que andei a perder.
  • Pintas 2005 (amostra de casco). Dispensa apresentações. Corpo com estrutura. Tudo misturado com muita gulodice. Um bombonzinho. Apesar de estar cru e ter arestas por limar, deu indicações de que a qualidade, a consistência vai continuar. Pintas Character 2005 (também em amostra). Uma novidade. Vegetal, fresco e mineral. Elegante. Vai apresentar-se ao público com um preço bem menos doloroso. Aqui para nós: gostei francamente.
  • Sanguinhal 2001. Um estremenho feito com Aragonez e Cabernet Sauvignon. Nunca tinha bebido um vinho que cheirasse, deste modo, a pimentos. Houve quem perguntasse: "Onde estão as sardinhas?" Eram pimentos e dos verdes. Muito didáctico. Provavelmente terei andado a inventar, no passado, quando dizia que sentia, cheirava pimentos. Caramba, nunca tinha visto algo assim.
  • Barrancos 2005 e Paços de Selmes 2003 mostraram o que é ser alentejano. Num fio condutor semelhante. Com o carácter das terras quentes do sul. Aqui notou-se a pressão, a tendência dos gostos pessoais que todos nós temos, a inclinação pelas diferentes regiões e estilos. Curiosos e autênticas novidades para mim.
  • Arinto CampoLargo 2005. Um belo branco. Robusto, pujante. Necessita de algum tempinho para acalmar, organizar e mostrar-se. O copo onde foi servido pode ter prejudicado a sua prestação. "Um branco pensado como um tinto."
  • Hexagon 2000. Um excelente sadino. Elegante, boa amplitude aromática e gustativa. Cavalheiresco. Boa complexidade.

Os licorosos também estiveram presentes. Warre's LBV 1995, um LBV que é um vintage. Há muito que se tornou na minha escolha. Niepoort Colheita 1991, pareceu um pouco incaracteristico. O adiantado da hora, também não me ajudou. Finalmente um palavra para o Madeira Boal 10 anos. Companheiro da recta final, nos meus últimos momentos, da despedida. Os vinhos da Madeira continuam a surpreender-me.

O resto? Bom o resto foi conversa e mais conversa. Iguais entre iguais. Sem pretensões, sem nada escondido.
Quanto ao assunto da mesa e do garfo. As iscas de pato sobre folhado com molho de vinagre balsâmico, estavam saborosas. Ideais para acompanhar um Kracher Cuvée Beerenauslese 2003 (estou correcto?). Um colheita tardia oferta do anfitrião. Os lombinhos de linguado com molho de amendoas e chantereles, revelaram-se uma proposta suave, equilibrada, com tudo no lugar. Gostei. As presas de porco, tiveram uma exibição mais tristonha. Mas nenhuma ficou no meu prato. Na sobremesa, a tarte tatin com gelado de canela estava bem conseguida. Cumpriu o papel de encerrar as festividades, com chave de ouro.
No fim aparece o Aníbal, o Coutinho. Um abração para ti. Foi um prazer conhecer-te e vê lá se para a próxima vens mais cedo.
Só me resta terminar, este texto, com uma famosa expressão usada pelo jornalista Carlos Pinto Coelho: "E assim ACONTECE."
Obrigado a todos Vós. Pingus

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Quinta do Vallado 2004

Um belo tinto, que se pode comprar a um preço razoável. Bem disseminado por todo o lado. É já um clássico, pelo menos para mim, nesta gama de preços. Não há muito tempo, bebi o 1999 normal e o malandro ainda mexia.
Na versão de 2004 temos fruta madura (amoras, framboesas, mirtilos), embrulhada por sugestões balsâmicas e minerais (carvão) que ajudavam a colocar este vinho num patamar de qualidade muito interessante. Breve brisa vegetal, refrescava o nariz.
Na boca, mostrou-se gordo, amplo, comestível, frutado. Taninos e acidez muito bem acolhidos pelo corpo.
Cativa no primeiro impacto, na primeira abordagem. É directo. É sim senhor, mas não cansa. Ajuda a relaxar e dá-se muito bem com a mesa. Neste caso, esteve com uma costela de vitelinha, acompanhada por uma couvinha penca estufada. Um jantar que intervalou uma longa noite de trabalho. Tenho a IGE (Inspecção Geral de Educação) a bater-me à porta. É preciso dar voltas e mais voltas a muitos documentos da minha responsabilidade. É que aqueles tipos pegam por tudo e por nada.
Nota Pessoal: 15

quarta-feira, janeiro 10, 2007

I Encontro de EnoBloguistas (Última chamada)

Estamos mesmo a bater à porta do nosso Encontro. Depois disto e disto e chegados a este momento, cabe-me a responsabilidade de sistematizar o número de participantes. Aqueles que ainda não confirmaram, que o façam mais depressa possível para que o JTMB possa, deste modo, preparar o repasto de sexta à noite (12/01/2007). Se houver algum lapso da minha parte, façam o favor de rectificar.
Copo de 3 - confirmado: 4 pessoas
Elixir de Baco vai estar presente através de duas botelhas que vieram directamente da Madeira
Krónikas Vinícolas - confirmado: 5 pessoas
Os Vinhos - confirmado: 1 pessoa
Pingas no Copo - confirmado: 2 pessoas
Vinho a Copo - confirmado: 5 pessoas
Saca a Rolha - confirmado: 1 pessoa
Pedro Sousa (p.t.) - confirmado, mais acompanhante
Chapim - confirmado, mais acompanhante
AJS - confirmado
João Ferreira (chicão) - confirmado
Agostinho Leite - confirmado
E naturalmente José Tomaz, o anfitrião

Como sabem esta reunião terá dois momentos distintos. O primeiro será uma pequena prova, onde serão provados alguns vinhos, da responsabilidade dos diversos blogs e amigos. Servirá essencialmente para conversarmos, confraternizarmos. O segundo momento será um belo jantar, que terá uma apetitosa ementa:
Iscas de pato sobre folhado com molho de vinagre balsâmico;
Lombinhos de linguado com molho de amendoas e chantereles;
Presas de porco preto com pesto de coentros e migas de espargos verdes;
Tarte Tatin com gelado de canela.

Que chegue o dia da festa.

Post Scriptum: Retirei da lista inicial os blogs que não confirmaram e os que não irão estar presentes.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Enate 2001 (CS + Merlot)

Chegar a casa de um amigo para um jantar, levar uma garrafita na mão para oferecer e ouvir logo de seguida: "Não! Desta vez, vais tu escolher um dos meus vinhos e levas esse de volta." Não me acontece muitas vezes. O Cardoso abre os armários e a quantidade de vinho era assinalável. Alguns vinhos estrangeiros. Peças enófilas de grande interesse. Pontificava um Vega Sicilia Único de 1994.
Olhadela, menos olhadela optei por um tinto somontano elaborado pelas Bodegas Enate. Construído com Cabernet Sauvignon e Merlot, na proporção 50%/50%. Não fiquei arrependido da escolha. Um vinho que mostrou, ao longo da noite, uma prestação muito interessante, com complexidade e nada directo na abordagem. Os seus registos aromáticos e gustativos fugiram um pouco ao standart, ao que estamos habituados. Num registo bastante calmo, elegante e acima de tudo diferente. Lembrei-me constantemente deste vinho.
A cor revelava nuances de casca de cebola e tijolo.
O Acto I, a apresentação foi da responsabilidade dos couros e especiaria. Protegidos por madeira envernizada e óleo de cedro. Durante o Acto II, houve evolução para fruta cristalizada salpicada por licores. O epílogo aconteceu com frutos secos, recordando figos e amêndoas, envolvidos pelo açúcar em pó. Lá atrás, dava a entender que algumas folhas outonais queriam aparecer. Bela apoteose final.
Na boca, as sensações gustativas perfilavam-se da mesma forma que os aromas. Encadeadas, faseadas, sem sobreposições. A complexidade manteve-se. Final anizado. Uma pinga interessante. Nota Pessoal: 16

sábado, janeiro 06, 2007

Syrah da Dona Ermelinda

Não aguentei e abri ao almoço, de sábado (hoje mesmo), o Syrah 2004 da Casa Ermelinda Freitas. Estão assim provados os três novos varietais desta produtora sadina. Parece que ainda vão aparecer mais surpresas. Como um espumante e um moscatel, mais acessível que o Moscatel Superior Dona Ermelinda 2000. Aliás este último, revelou-se para mim, uma desilusão.
Não irei tecer grandes considerações sobre o syrah. Bebi-o em conjunto com o meu pai e o meu sogro, em ambiente familiar e descontraido. Acompanhou uma poejada de bacalhau, feita pela patroa. É capaz de não ter sido a melhor combinação. Foi o que me apeteceu abrir.
De qualquer modo, gostaria de partilhar com todos vós pequenas impressões sobre este vinho.
Aromaticamente, andou sempre perto dos frutos silvestres, com algum balsâmico refrescante, terra húmida. A baunilha mostrou-se num registo suave. Pareceu-me que tinha um comportamento muito mais afinadinho, mais light que o Alicante. Menos rústico, mais calmo. Talvez mais consensual.
Na boca, fino, mas não delgado. Taninos e acidez num registo ao agrado de todos. Final levemente especiado e vegetal.
Parece-me que não é para grandes guardas. Deu-me a ideia que é para beber enquanto . Acima de tudo, um vinho que irá contentar muitos consumidores. E nós agradecemos.
No entanto, um pouco mais de personalidade e de firmeza era capaz de ajudar o vinho a voar um pouco mais alto. Nota Pessoal: 15
Post Scriptum:
Não me perguntem pelos preços que sinceramente não sei. Oferta de uma colega, que sabe que eu tenho a pancada dos vinhos e me julgo um Robert Parker.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Alicante Bouschet da Dona Ermelinda

Depois de uma viagem um pouco alucinante com o Touriga Nacional, voltei a repetir a jornada, desta vez, com um Alicante Bouschet de 2004. A gama de varietais, desta produtora está, assim, a ser alargada. Existe também um Syrah do mesmo ano, para além do Touriga Nacional.
A viagem foi mais calma. Deu para observar as paisagens, as vistas. Não havia necessidade de nos agarrarmos ao banco para controlarmos as forças. Elas estavam, agora, mais contidas, mais equilibradas. Não assustavam tanto. Dizem que poderá ser falta de estrutura. É possível. Não nego.
Parecia uma confortável berlinda, com espaço para levar a família, com os putos a ver DVD, no banco de trás. Ao mesmo tempo proporcionava prazer ao condutor. Os "CV" eram suficientes. Nunca fui dado a grandes velocidades.
Pelo copo, pareceu-me encontrar alguma rusticidade (que aprecio). A apresentação, numa fase inical, andou em redor de aromas fumados, do chocolate e da fruta preta (já agora, o que é para vocês fruta preta? Como é que a descrevem?). Com a tradicional abertura, com o aumento do contacto do vinho com o ar, surgiram cascas de cedro envolvidas por sugestões químicas. Nada de excessos.
O breve passeio pelo campo ia enchendo o nariz de odores que proporcionavam alegria, frescura e criavam um interessante nível de complexidade. Sempre num registo calmo. Finalizava com baunilha e caramelo.
Na boca, o seu comportamento não arrepiava. Era, de alguma forma, contido, discreto. Tinha razoável envolvimento. Secura nas gengivas e acidez refrescante. Para alguns de vós, esta dupla poderá estar num registo um pouco elevado. Eu gosto. O remate final era fumado, um pouco amargo.
Um interessante alicante. Não conheço muitos, é certo. Mas este vale a pena provar e se calhar guardar. Nota Pessoal: 16
Post Scriptum:
Perdeu um pouco de intensidade ao longo da prova, o que de alguma forma entristeceu-me.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

I Encontro de EnoBloguistas

Depois do lançamento do Evento, poderemos dizer que estamos nas vésperas do nosso encontro. Um momento que considero no mínimo curioso e interessante. Estarão presentes directa ou indirectamente alguns dos blogs que discutem, falam e reflectem sobre o vinho. No início desta caminhada, estávamos bem longe de pensar no número considerável de enoblogs que estariam interessados em participar. Sinal de que estamos vivos e que nada nos separa, apesar das mais variadas opiniões que todos nós temos sobre o assunto. Típico de treinadores de bancada.
Os Independentes Pedro Sousa (p.t.), Chapim, AJS, João Ferreira (chicão) e Agostinho Leite vão também estar presentes. Amigos que frequentam as nossas tascas virtuais.
Acontecerá no dia 12 de Janeiro de 2007, sexta-feira, na York House, em Lisboa. Obrigado José Tomaz de Mello Breyner por teres colocado à nossa disposição a tua casa.
Esta reunião terá dois momentos distintos. O primeiro será uma pequena prova, onde serão provados alguns vinhos, da responsabilidade dos diversos blogs e amigos. Servirá essencialmente para conversarmos, confraternizarmos. O segundo momento será um belo jantar, que terá uma apetitosa ementa:
Iscas de pato sobre folhado com molho de vinagre balsâmico;
Lombinhos de linguado com molho de amendoas e chantereles;
Costeletas de borrego com molho de azeite de hortelã;
Tarte Tatin com gelado de canela.
Que chegue o dia da festa.
Post Scriptum: Por onde anda o Roseira? Enviei-lhe um mail, mas até agora nada.
Post Scriptum 1: Naturalmente quem anda por e queira vir ter com a malta, não se acanhe.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Casa de Saima Espumante (br) Reserva 2004

A época das festas acabou de encerrar e alegrou muita gente (ainda bem que assim foi).
Voltámos às tradicionais rotinas do dia-a-dia. Agora é pegar no ano 2007 pela frente e tentar domá-lo. Espero que seja possível.
É a minha segunda incursão nos espumantes. Talvez sinais do contágio da temporada. Depois deste Quinta do Abrunhal, do Dão, aventuro-me na Casa de Saima Espumante Branco Reserva 2004.
Aromas engraçados, limpos, com algum interesse. Pareceu-me enxergar fruta em calda, fazendo recordar ananás, melão e pêra, envolvida por leves aparas de erva verde. O enriquecimento do conjunto era dado por sugestões a frutos secos (amêndoas, nozes) e massa de pão.
Na boca, tentava entrar com alguma delicadeza, bolha relativamente suave. No final, deixava um trilho meio doce, fazendo recordar frutos secos.
Não sendo nada de transcendente, não deixa de ser uma correcta opção para beber, sozinho ou acompanhado por uns petiscos. Sou capaz de repetir.
Nota Pessoal: 13,5