quinta-feira, Novembro 29, 2007

Ainda existem! (Parte II)

É mais um que anda pelos cantos, aos caídos. Até a critica esqueceu-se dele.
No passado, caminhou pelas passareles, teve inúmeras luzes apontadas. Pertence ao grupo de vinhos que marcaram o nosso passado. Quando se falava no Dão, o Duque de Viseu era lembrando por todos. Não fugi à regra. Recordo com alguma saudade os brancos, principalmente as colheitas de 1999, 2000 e 2001. Depois, surgiram as coqueluches e lá fui atrás. Caramba, um tipo não aguenta!
A última vez que troquei dois dedos de conversa com o Duque, fiquei francamente admirado com a desenvoltura que revelou.

Na colheita 2005, os aromas possuem um aspecto delicada (ou frágil?). Os cheiros, na fase inicial, pareciam ter um leve toque petrolado. As passadas permitiram que notas de mimosa e de anis se envolvessem, um pouco, com a calda de fruta. Uma pequena ponta mineral prendia a narina ao copo. Sem exuberâncias desmedidas. Provavelmente não teria muito mais para dar.
Na boca, ele afinava pela mesma pauta dos aromas, com uma estrutura algures entre o magro e mediano. Razoável nível de frescura. Ia-se embora, deixando qualquer coisa que lembrava ananás, lima e mel.
Já me esquecia. A madeira dava, de vez em quando, ares da sua graça. Nada de extraordinário.

Não tendo argumentos de peso, acabei por valorizar o esforço que mostrou, mas as rugas não perdoam. Nota Pessoal: 13,5

Post Scriptum: Pareceu-me estar uns valentes furos abaixo da colheita de 2004. É pena. Agora, é certamente mais um. Quem o viu!

quarta-feira, Novembro 28, 2007

O Chardonnay da Niepoort

Um vinho que pertence ao universo dos Projectos Niepoort. Um branco da colheita de 2004, construído com a casta chardonnay.
Deixando de lado os meus tradicionais "entretantos" e passando para a análise concreta (que nunca consigo fazer), diria que confrontei-me com um vinho que
insinuou, por largos momentos, ter um comportamento parecido a um Colheita Tardia. Tudo era muito superlativo e exagerado. Sem necessidade. Fiquei preso a esta impressão. Dela não me livrei.
As sugestões de casca de laranja caramelizada marcaram fortemente o modo de actuar. O resto da fruta pertencia à família do melão, da meloa, do figo. A constante presença do doce marcou incisivamente todos os cheiros. O vinho nunca se livrou desta mancha. Manteiga, amendoim e mel empurravam toda a trupe para precipício. Original a sensação de nougat.
Apesar de tudo, foi notória a frescura que revelou ao entrar pela boca. Pessoalmente, não esperava. Conseguiu aliviar todo aquele peso, todos aqueles aromas e sabores pesadotes. Fazia esquecer, por momentos, que estava defronte de um individuo com arcaboiço.
Em súmula, um branco que precisa de emagrecer, de cortar nos doces e na gordura. Para os apreciadores do género, temos aqui um belo vinho (E não é o que interessa?). Nota Pessoal: 15

Post Scriptum: Fase terminal do vinho? Estado natural de evolução do vinho?

domingo, Novembro 25, 2007

Niepoort 2004

É notório que os vinhos da Niepoort surgem mais distantes daquilo que foram no passado. Tenho como crença - para não haver mal entendidos - que eram mais difíceis, reflectiam o verdadeiro carácter do Douro. Aquele Douro mais genuíno, mais rude, mais rústico. Pessoalmente apreciava o género. Dava gozo descobrir, vasculhar aromas e sabores. Eram autênticos pedaços de natureza enfiados numa garrafa que custavam a sair para o copo.
Agora, esses pedaços encaminham-se para um modo de vida mais urbano, mais cosmopolita. Que não esqueçam o berço que os viu nascer.

O velho Redoma decididamente quis, ou obrigaram-no, mudar vida. Todos temos esse direito.
Optou por um estilo mais moderno, mais apelativo. A conversa, agora, é bem mais fácil. Longe vão os tempos que era preciso ter peito forte para olhar de frente para ele. Caramelo, chocolate, baunilha e muitas sugestões fumadas marcam decididamente o estilo da colheita 2004. Olha-se e fica-se de olhos abertos. É bonito.
O cansaço surge quando vemos que os aromas e os sabores circulam, quase sempre, à volta da mesma coisa. Alguns bocejos saíram na esperança que surgisse algo diferente, algo que lembrasse aquilo que era no passado. Está completamente diferente. Para melhor? Para pior? Nota Pessoal: 16

Com o Batuta 2004, apesar de ter verificado, mais uma vez, a tal mudança de vida (Lembram-se dos Batuta 1999, 2000 e 2001?), a prova proporcionou um conjunto de tarefas mais difíceis. O corte com a tradição não pareceu tão acentuado. Confrontei-me com uma interessante combinação entre sugestões minerais, onde pontificavam muitos apontamentos de pedra lascada, e fruta madura (sumarenta). Caminhou sempre por entre trilhos frescos, onde os cheiros sugeriam terra, muita terra. A evolução terminou, aparentemente, num caldo onde o leite se misturava com o chocolate e onde as folhas de tabaco iam sendo queimadas em lume brando. Os sabores eram largos, cheios de vida, com duração longa. Um tinto com um elevado nível de complexidade. Nota Pessoal: 17,5

Charme 2004. As palavras que tentei escolher, mesmo socorrendo-me de todas as comparações possíveis (mesmo aquelas hiperbolizadas), soaram a futilidade. Fatalmente caía em chavões, em expressões corriqueiras que tanto se usam por ai. Tiro o meu chapéu aos que dissertam sobre este tipo de vinhos. Eu não consigo.
Escusado será dizer que os argumentos usados por ele prendem pela subtileza, pelo equilíbrio, pela consistência. O perfume leva-nos, sem saber, para locais, para imagens doces. Reflectem um horizonte que não encontramos, mas que desejamos um dia poder observar. Os odores são frios. Os sabores são calmos. Existe paz.
É, sem duvida, um belo vinho, um excelente vinho. Censuro, apenas, o preço que é pedido, simplesmente porque não tenho dinheiro para o comprar as vezes que gostaria. Nota Pessoal: 18

Post Scriptum: Estaremos perante um piscar de olhos aos críticos e consumidores anglo-saxónicos?
Quando olhamos para este tipo de vinhos, vemos que vale mais estar calado. Nestes momentos percebemos que andamos a brincar com coisas sérias.

domingo, Novembro 18, 2007

Garrida. Touriga Nacional de 2004

Surgem, quase sempre, os mesmos nomes quando procuro um vinho que satisfaça, que revele uma interessante capacidade de envelhecimento, constância nas várias colheitas (neste caso, ainda não são muitas), gastando pouco dinheiro. Entre eles está um que, sem grandes alaridos, povoa a minha garrafeira com bastos exemplares. O preço pedido não é agressivo. Enquadra-se no patamar que considero ideal para o consumidor que pretende qualidade a bom preço (15€). É escolhido, inúmeras vezes, para estar numa mesa, onde outros convivas não comunguem da minha loucura pela pinga. Eles e eu ficamos contentes (por motivos diferentes). O seu comportamento é quase sempre consensual.

O Touriga Nacional de 2004, da Quinta Garrida, está ainda jovem. Austero. Foi despontando com o auxílio de sugestões aromáticas muito próximas do verniz e do cipreste. Amoras e groselhas, bem combinadas entre elas, libertaram-se posteriormente da prisão do vidro. Propiciavam a imagem de um trilho com silvas, rodeado de mato rasteiro, onde o chão pisado tinha tez escura e cheiro húmido. Pequenas sensações florais (não garanto que fossem violetas) surgiram aleatoriamente. Em alguns troços da prova, a caruma, as cascas das árvores emergiam com abundância. Com o aproximar do final, os cheiros do café, do cacau, da baunilha apareceram.
O paladar era balsâmico e silvestre. Quando ele se encaminhava para outros lados o café e a baunilha surgiam envoltos em fumo. Fresco, com os taninos a darem a ideia que temos vinho para evoluir.
Um Dão moderno, sem qualquer tipo de arestas, impossível de virar as costas. Apesar da face ser urbana, notei, desta vez, mais finura, mais equilíbrio, mais complexidade que este Touriga Nacional. Não farta tanto, não enjoa tanto e não aborrece tanto. Mexe-se mais. E valerá a pena guardar. Nota Pessoal: 16,5

Post Scriptum: Tive a sorte de provar um gole de uma cuba repleta com Touriga Nacional de 2007.

quinta-feira, Novembro 15, 2007

Vinha Grande na versão Branco

Ouvir determinada coisa e ficar, logo, com os ouvidos inquinados impossibilita-nos, em muitos casos, tomar uma decisão equilibrada.
Nos vinhos, como sabem, somos apanhados por avalanches de comentários que, na maior parte das vezes, só servem para criar confusão e pouco contribuem para o esclarecimento. Sempre defendi e continuo a defender que o consumidor deve, depois de esclarecido, optar pelo que lhe interessa. O resto é pólvora seca. Serve para entreter as hostes. O consumidor tem que ter, cada vez mais, a coragem para contrariar, para dizer que não está de acordo. Não existem primas donas intocáveis. Existem vinhos que se gostam ou não (Quem paga a factura final?).
À conta dessa pólvora seca que existe, quantas vezes matamos um vinho à nascença, sem o termos provado? E quantas vezes o idolatramos, sem o termos provado?

O Vinha Grande br 2006 foi um vinho que matei à nascença (colheita 2005). Desta vez, não liguei a comentários e arrisquei.
A abertura do gargalo e o consequente verter para o copo libertou um saco de fruta madura proveniente dos trópicos. Viçosa, bem perfumada. Nunca enjoou. Foi aberto novo saco, e desta vez, com fruta de aspecto mais europeu. Bom encadeadamento, sem quebras. A frescura era suportada por uma impressão a erva (que marcou presença nos sabores).
A madeira utilizada tinha, apenas, o papel de aumentar a quantidade de aromas (e sabores) oferecidos. Sem exageros, sem pressões, sem protagonismos. Avelãs, baunilha, coco.
Pela boca, os sabores mostravam-se suculentos, crocantes, estaladiços. Uma vivacidade (o vegetal ajudou) que mereceu nota positiva (da minha parte). Era curiosa a sensação picante, algo mentolada. A acidez indicou alguma capacidade de evolução (o contra-rótulo informava o consumidor que a qualidade poderia manter-se durante seis anos após a data da colheita. Indicação arriscada. Se for verdade, estamos perante um vinho com excelentes qualidades). Voltando aos sabores, estes despediam-se com frutos secos e uma leve nota melada. Se desculparem os exageros, diria que temos aqui um branco. Nota Pessoal: 16

Post Scriptum: Confrontei-me com um vinho que merece ser melhor compreendido.
Não conheci a versão de 2005, mas esta, a de 2006, não foi nada desagradável. Pareceu-me ter capacidade para andar. Agora, é o vosso gosto a decidir. Dêem-lhe uma hipótese.

quarta-feira, Novembro 14, 2007

Serros da Mina 2004

Início estas linhas tentando reflectir um pouco sobre a capacidade de um enólogo em conciliar diversos projectos, trilhar vários caminhos (Muitos deles díspares, tanto no conteúdo como nos objectivos pretendidos). Dirão que basta ter, em redor, uma equipa coordenada. Acredito que assim seja, mas quem assina de facto? Quem mete preto no branco o seu nome? Será que o retorno financeiro compensa o risco?
Olho para muitos enólogos e pergunto-me se, provavelmente, terão noção de todos os vinhos que assinam. Em última análise, acredito que sejam aplicados modelos, consoante o que é pretendido pelo cliente. O resultado, apesar de não ser mau, é apenas mais um. Indiferenciado.

Dei comigo com mais um vinho do enólogo Paulo Laureano. Serros da Mina, um tinto alentejano nascido para os lados de Vila Nova da Baronia.
Um mistura de couros, pêlo de animal, com fruta madura promove abertura. O vegetal sugeriu, durante bastante tempo, fragrâncias a esteva e flor rasteira. Chegou a ser incisivo. Ao longo do tempo que deambulou pelo copo, caminhou para uma curiosa impressão a bolo inglês, recheado por marmelada e embebido em licores de ginja. Por aqui ficou. Agradável, é certo, mas sem grandes pontos de exclamação, da minha parte.
Pela boca andava com discrição, servindo-se, quase sempre, da acidez para animar.
Pelas sinapses passava o mesmo impulso: Igual a tantos outros. Uma receita aplicada e voilá custou-me 5.99€. Nota Pessoal: 14

Post Scriptum: Longe de mim querer beliscar a qualidade profissional do enólogo deste vinho (Conta no seu portefólio alguns vinhos que aprecio, que gosto muito). Não é esse o cerne da questão. Poderia ter pegado noutro exemplo. As (minhas) dúvidas circulam apenas na capacidade humana para dirigir, organizar, produzir diversos trabalhos e que eles consigam revelar qualquer coisa diferente.

segunda-feira, Novembro 12, 2007

Corujão. Reserva de 2004

Depois de termos dobrado a festividade do São Martinho, onde nos juntámos em redor da mesa para enfiarmos no estômago uns quantos petiscos, regresso com alguns comentários sobre um mais vinho da Quinta Corujão (Dão). Um Reserva de 2004.
Um tinto que, tal como uma manhã outonal, acordou ao coberto de cheiros frios e húmidos (Notei que andavam por ali sugestões a pedra molhada, a lagar, a quelhas), com uma intensa sensação floral. Usando mais uma das minhas hiperbolizadas comparações, atreveria-me a dizer-vos que alguém teria colocado no jarro ao lado um farto molho de flores viçosas, regado pelo orvalho matinal. Com mais ou menos desvio, andou sempre longe da fruta madura, nunca tocando no doce, na força, no exagero. Quando surgia, ela era silvestre e fresca. A evolução, apesar de lenta, permitiu que o vidro fosse aquecido com um pouco de grão de café humedecido em cacau. Uns quantos paus de canela deram aquele toque mais especiado, tornando-o mais universal.
Os sabores eram, tal como os aromas, frescos (Perdoem-me a constante repetição da ideia) e silvestres.
Um vinho original e diferente e que merecerá uma nova prova (Não está ainda no mercado). Para já, digo-vos que foi bebido, quase, sem se notar. Nota Pessoal: 15,5

quarta-feira, Novembro 07, 2007

O Pingus GOSTOU mais destes!

Mais uma pequena selecção de vinhos (2007) que partilho com vocês. É uma mera lista constituída por vinhos que obtiveram (implicitamente e explicitamente) classificação superior a 17. Nesta escolha pessoal, tive que baixar um pouco mais a fasquia relativamente aos meus eleitos do ano passado. Corria o risco de apresentar-vos meia dúzia de opções (e se calhar chegava).
Quantos aos critérios, tal como na selecção de 2006, mantêm-se os mesmos. Foram apenas escolhidos aqueles que possuem textos publicados neste blog. Não são tidos, nem achados, outros que eventualmente bebi e que vocês beberam. Não teria sentido mencionar vinhos que não foram falados no Pingas no Copo.
Em alguns casos, se voltasse a beber, a minha opinião poderia ser, eventualmente, outra. Reflectem, como tal, o momento. A vocês, cabe a função de dizer: concordo, não concordo!
Tal como no ano passado, cada vinho tem um link para o respectivo texto.

Douro
Charme 2004
Redoma Reserva Branco 2003
Dado 2004
Evel Grande Escolha 2000
Quinta do Javali Grande Escolha 2004
Valle Pradinhos 2003
C.V. 2004

Dão
Dado 2004
Quinta das Marias Cuvée TT Reserva 2005
Quinta das Marias Touriga Nacional Reserva 2005
Quinta do Perdigão Touriga Nacional 2004
Quinta do Cabriz Superior 2000
Quinta dos Carvalhais Reserva 2000
Barão de Nelas Reserva 2003

Terras do Sado
Colecção Privada Domingos Soares Franco Touriga Nacional 2003

Alentejo
Marquês de Borba Reserva 1997
Marquês de Borba Reserva 1999
Herdade do Meio Garrafeira 2003
Bombeira do Guadiana Escolha Trincadeira 2005

Generosos

José Maria da Fonseca Moscatel Roxo 20 anos
Smith Woodhouse LBV 1995


domingo, Novembro 04, 2007

Três trabalhos do Douro

Regressemos às minhas memórias enófilas. Embrenho-me, desta vez, nas colinas, nos montes, nas escarpas serpenteadas do Douro. Recordo, com agrado, três trabalhos que haviam destinado para mim. Pouco sabia sobre eles. O desafiador referiu, apenas, que apresentavam obstáculos mais ou menos complicados. De resto, não foi disponibilizada qualquer pista. Os desenlaces apesar de distantes, eram passíveis de ser alcançados. Tudo dependia, naturalmente, da minha sagacidade, da minha capacidade para levar a bom termo as demandas propostas. Sabia que estava, mais uma vez, a ser testado.

O primeiro trabalho, Quinta da Leda 2004, foi feito na presença de aromas quentes, onde o cacau, o caramelo a canela se envolviam de tal forma que não era possível saber onde um começava, onde outro acabava. Tudo se desenrolou em redor de uma pequena e suave colina. Ao longo do caminho, subindo para cima, um pouco lá mais para o alto, foram aparecendo algumas flores e fruta, que apesar de bem madura, apresentava-se fresca, roliça e suculenta. Os bálsamos combatiam algum excesso de doçura que deambulava sistematicamente por ali. Pequenas torrentes de água fresca iam batendo na cara aliviando a pressão. A jornada, que inicialmente sugeria ser mais longa, terminou de forma quase abrupta num pequeno planalto, onde se podia contemplar a paisagem. Extensa. Foi, apesar de tudo, um trabalho brando. Mas não podia esquecer-me: Estava no início. Atribui a apaziguadora Nota Pessoal de 16.

Passemos para o segundo trabalho: Chryseia 2003. Inicialmente as tarefas pareciam ser idênticas às do primeiro trabalho. No entanto, acabaram por desenrolaram-se num cenário bem diferente, algo oriental, mais especiado, na presença de madeira exótica. Foi curiosa a sensação. Julguei-me no meio de uma buliçosa rua, preenchida por bazares, onde tigelas alinhadas de açafrão, de gengibre, de pimenta, de canela e baunilha soltavam cheiros incisivos que rodopiavam em redor da face. Nas bancadas de trás, frutos secos. Tâmaras, figos, amêndoas, avelãs. O fim parecia distante, a intensidade de aromas confundia. Desemboquei numa pequena praça onde o perfume de flores, de arbustos verdes, circulava em volta de um pequeno charafiz. Permitiu respirar e descansar. Foi um trabalho cheio de provocações. Ofereci-lhe a Nota Pessoal de 16,5.

O último trabalho: C.V. 2004. Muito antagónico, completamente diferente dos seus antecedentes. Mais enigmas, mais obstáculos para remover. Mais difícil. O ofício foi feito em ambiente mais húmido. Com minas para percorrer, rocha para partir. Depois os trilhos assentavam, quase sempre, em terra revolta e escura. Sempre rodeados por mato cerrado, penhascos bem altos.
Os desafios pediam músculo, preparação. Um incauto poderia aleijar-se, perder-se. O descanso era feito nas pequenas brechas que iam irrompendo. O momento era aproveitado para colher reconfortantes e sumarentas bagas silvestres. Não havia tempo para descansar demoradamente. A complexidade da caminhada era alta. Chegado ao desejado termo, percebi que a adversidade depois de ultrapassada acaba por ser doce. Deslumbrei-me e dei-lhe a Nota Pessoal de 17.

Trabalhos cumpridos. Reparei, desta vez, que as coisas tinham corrido de forma mais pacifica, sem grandes polémicas, sem grandes confrontos de ideias. Os contraditórios, no final, foram curtos e de pouca intensidade.

quinta-feira, Novembro 01, 2007

EVS 2007

Muitos de nós (que gostam da pinga) estarão, neste momento, a preparar as suas goelas, a protegerem-se de possíveis resfriados ou de maleitas do estômago. Tudo para se apresentarem nas condições ideais no Encontro com o Vinho e Sabores 2007 (que vai decorrer, em Lisboa, no próximo fim de semana - 3, 4 e 5 de Novembro). Acredito que, nestes dias, a dieta é cumprida (não pelos melhores motivos), fechamos a janela do carro e usamos mais uma camisola para que o diabo não as teça.


A título pessoal espero que a qualidade se
mantenha, que a simpatia domine, que possa dar um abraço caloroso a muitos amigos que percorrem o mesmo caminho que eu. Aliás, acima de tudo, este evento está a tornar-se num espaço de confraternização entre enófilos, simples curiosos e profissionais.
No final, todos estarão com cor a mais e as gargalhadas serão um pouco mais audíveis.

Lá mais para a frente, falaremos do que gostámos mais ou não!