sexta-feira, dezembro 26, 2008

Soalheiro Alvarinho 2007


Antes de rodar para outros lados e abandonar por momentos o vicio da prova (assenta como uma luva naquilo que faço: corromper, adulterar, falsificar) e da estúpida necessidade de escrever, largo aqui, provavelmente, os últimos comentários de 2007. Fica registado para a memória futura deste blog mais um aglomerado de palavras.
Soalheiro Alvarinho 2007. A cor que passava pelo vidro era cristalina. O aspecto induzia os sentidos. O copo estremecia molhado. Por fora escorria. Dava a ideia que tinha sido tocado pelo orvalho. Vibrante, nervoso. Cheio de nuances esverdeadas.
Os aromas eram bonitos, pautados pela finura e equilíbrio. Era fresco, demasiado fresco. A lareira pedia por algo assim. Muito vegetal, mais herbáceo. Erva, relva, espargo e folha de loureiro. O mineral era, aqui, muito forte. Sobressaíam imagens da ribeira, de pedra molhada, de seixo, de calhau rolado. Humidade elevada. Completou-se com maçã verde (bem ácida), pêra, limão, lima e um pouco de laranja, (que ganhou preponderância quando o mercúrio do termómetro subiu). Era, sem dúvida, uma trupe de cheiros bem vestida.
Sabores afinados e leves. Revelaram um comportamento que combinava o vegetal com o mineral. Espargos verdes surgiram temperados pela lima, pelo limão. Levemente adocicados pela laranja. Sentia-se, mais uma vez, aquele toque orvalhado. Tudo tão limpo e tão simples. O final exemplificava o quanto é desnecessário o uso da força (para deixar boas recordações).
Um alvarinho moderno e sofisticado. Por 8€, acredito piamente que seja uma boa proposta. Desta vez alinho pela maioria. Nota Pessoal: 17

Post Scriptum: Reunião de pessoas ociosas a falar na vida alheia, habitualmente sentadas ao Sol. É o que faço, quase todos os dias, na rede. Falar de pedaços da vida de quem vive do vinho.

terça-feira, dezembro 23, 2008

Dona Paterna Alvarinho 2007


Ok, não mudei de assunto. Continuei com os Alvarinhos. No meio do Inverno, com o frio a bater nas paredes da casa, vejo-me enfiado no meio da cave com estes vinhos por todos os lados. Sem arrependimento. Vê-se que têm qualidade (crença pessoal) e que as diferenças, entre eles, são mínimas (outra crença). Desta vez, optei por verter no copo um Dona Paterna Alvarinho 2007.
Curiosamente a cor voltou a ser, um pouco, carregada.
Os aromas ou cheiros tendiam, no ataque inicial, para as flores (de aspecto amarelo). Carregadas, mais uma vez, de pólen. A fruta oferecida era essencialmente laranja, tangerina e limão.
Vale a pena falar da frescura?
Parece-me que não. Seria chover no molhado. Adiante que ele não merece divagações inócuas.
De um momento para o outro, cheirei um aglomerado de sensações herbáceas que orientaram as narinas para a folha de loureiro (verde), para a mimosa, para a salva (aqui entre nós, são apenas influências das investidas que tenho feito com algumas ervas aromáticas). Um pouco de tília e um pouco de mel (muito leve) deram-lhe um suave toque adocicado. Apenas tempero.
Passemos para os sabores. Entrou na boca coberto pelo vegetal (espargo). Durante o tempo que permaneceu dentro (da boca) trincaram-se uns quantos gomos de laranja. Quase untuoso, quase meloso, com o vegetal a dar a frescura necessária para ter vivacidade e ânimo. Despediu-se através de um final relativamente longo e crocante.
Belo vinho, possuidor de uma complexidade bem interessante, capaz de desafiar a boca e o nariz. Acompanhamento gastronómico? Basta o vinho. Nota Pessoal: 16,5

Post Scriptum: Agora, divirtam-se nestes dias.

domingo, dezembro 21, 2008

Reguengo de Melgaço Alvarinho 2007


Mantenho-me com os Alvarinhos. Este, produzido e engarrafado por Hotel do Reguengo de Melgaço, surgiu no copo com um amarelo a tender para o forte, a indiciar, talvez, uma idade que não tinha. Um facto curioso.
Os cheiros eram intensos, quase gordos. A fruta apresentou-se, ao mundo, com muita força. A miscelânea de cheiros ia desde a banana, o ananás, a pêra, a maçã, o pêssego, mais ainda a laranja, a tangerina e o limão. Acreditem que o rodopio, o entrar e sair de frutas, era intenso e o limite ficava na imaginação. Cabia-me, apenas, a função de inventar aquilo que mais gostava.
Um curioso toque cerealífero enfiou o nariz para o meio de cereais, do pão. Eram muitas, e acredito mais uma vez em possíveis falhas na análise, as sugestões de panificação (Terá sido por causa do bolo rei que estava em cima da mesa?). Caminhemos na descoberta de aromas. Flores amarelas, carregadas de pólen, intensificavam as tonalidades do vinho. Mel fresco (experimentem a colocá-lo no frio) e um pouco de chocolate branco deram-lhe untuosidade, tornando-o mais cheio, mais espesso. Aqui e além um pouco de relva fresca (sempre é um vinho alvarinho).
O sabor
estavam atestado de fruta madura. Corpo intenso, com bom prolongamento. Estava bem envolvido, bem misturado, redondo e capaz de aguentar com pratos menos leves.
Um alvarinho com um comportamento menos mineral, menos v
egetal e menos crocante. Um estilo mais cheio, mais robusto, mais sénior. Os 13,5% de graduação alcoólica também ajudaram.
Epá (como di
z o outro) porreiro: Gostei do género. Vou guardar um par delas. Nota Pessoal: 16,5
Post Scriptum: Este Alvarinho é mais carote. Custa para lá dos 8€, mas acho que vale o preço.

sábado, dezembro 20, 2008

QM Alvarinho 2007

Mesmo em tempo frio (as nossas casas são tão desconfortáveis), sabe (muito) bem engolir uns goles de vinho branco, encostado à lareira. Acaba por ser um cenário estranho, cheio de contradições, mas interessante. E não precisa de ser com um daqueles vinhos encorpados, barrados a madeira.
Este alvarinho, engarrafado pelas Quintas de Melgaço, surgiu no copo abarrotado de sensações parecidas a cabeça de fósforo que iam combinando com a pedra molhada, a água da ribeira. Tinha um aspecto sóbrio, quase austero. O tempo (de espera) ajudou-o a libertar-se, deixando sair cá para fora do copo muitos cheiros a relva, a erva. Estava, nesta altura, metido no meio de um mundo herbáceo, fresco e vivo. Folhas e folhas de aspecto verde (figueira, feijoeiro) ajudavam no cenário. Tudo espalhado pelo chão.
As gotas de limão, de lima, da tangerina e laranja trouxeram-lhe o esperado ar citrino. Reforçavam-lhe a vivacidade. Depois acalmou, tornou-se um pouco mais complexo, mais intrigante. Começaram a sobrevir imagens de pequenas flores brancas. No fim, era acrescentado um pouco de pimenta branca. Era o tempero.
Sabor citrino, mineral, apimentado e cheio de sensações vegetais. Harmonioso e leve na boca. O final encarregou-se de largar coisas suaves e atraentes.
Um alvarinho de perfil rio que mostrou ter capacidade para envolver o consumidor. Pareceu-me que estava bem arranjado. O preço dele andou à volta dos 7.50€. Nota Pessoal: 16

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Quinta do Vale Meão (Douro) Colheita 2000


Antes de começar, avanço com uma declaração de interesses. Estou perante um vinho que, por uma razão ou por outra, nunca morri de amores. A colheita de 1999 marcou muito o meu olhar sobre ele. Depois, quando aparecia pela frente, em algumas provas cegas, teimava em não ser um dos eleitos e ficava, quase sempre, lá no fim da lista. Não gostava dele. Um rol de atributos que não agradavam. Parecia sina.
Desta vez, deu-me a volta e acabei por engolir em seco quando percebi que tinha eleito como um dos melhores vinhos da noite o Quinta do Vale Meão (colheita 2000). Não podia. Não podia ser! Erro de análise? Ou no passado teria sido mal compreendido? Adoro as minhas incongruências.

Terra no nariz, cheio de árvores e de arbustos por todo o lado. Era forte, muito intensa a carga vegetal. Estranho não é? Um vinho daqueles lados não devia cheirar tanto a isto, não acham? Pelo menos a região assim indicia. Continuamos no mesmo registo. A imagem adensa-se, completa-se, com cogumelos, com terra negra revolvida. Um vinho com boa dose de sobriedade. Continuemos, vasculhemos mais um pouco. Pedras, cantaria. Aqui sim, percebe-se. Era o granito e o xisto a falarem. Um pouco de menta, de balsâmicos cumpriam a função de refrescar, de alegrar. Um conjunto aromático que revelou nobreza e boa dose de complexidade.

Os sabores estavam cobertos de especiaria, de ervas aromáticas. Era curiosa, mais uma vez, a sensação de hortelã. Mastigava-se uma mistura temperada por tomilho, pelo alecrim, pelos oregãos, pela pimenta. No final explodiam (isso mesmo), na boca, flores de coentro (alguém já sentiu essa sensação?). Fino no trato, com a acidez a não deixar cair o vinho. Suportava-o bem.
Um vinho que evoluiu bem (muito bem mesmo). Estava calmo e não tinha tiques de sobre-maturação. Verdade seja dita, não consegui apanhar qualquer dose (exagerada) de fruta. Vou penitenciar-me. Nota Pessoal: 17
Post Scriptum: Penso muito nas minhas comparações. Quando as faço, acredito nelas, mesmo sabendo que corro riscos em tornar-me patético.
Post Post Scriptum: Touriga Nacional (35%), Tinta Roriz (30%)
Touriga Franca (15%), Tinta Amarela (10%), Tinta Barroca (5%) e Tinto Cão (5%).

sábado, dezembro 13, 2008

Adega de Pegões Colheita Seleccionada (Branco e Tinto)

Vou rematar rápido nas apresentações. Estamos perante uma dupla de vinhos bem conhecidos do consumidor (mais ou menos apaixonado). Representam, em muitos aspectos, o que pretendemos de um vinho para todas as ocasiões, com várias facetas e objectivos. São capazes de agradar ao enófilo mais experiente e ao enófilo menos experiente. Serão, provavelmente, raros aqueles que farão caretas de desaprovação. Depois as suas tiragens são enormes. É obra!

Adega de Pegões (Terras do Sado) Branco Colheita Seleccionada 2007
O lote, agora, surge sem a casta Pinot Blanc. Apenas Arinto, Chardonnay e Antão Vaz. Está cheio de fruta madura, conseguindo apresentar fruta de cá e de lá (dos trópicos). Pêras e melão misturavam-se com o ananás e manga. Tudo bem feito, tudo limpo e directo. Uns gomos de laranja deram-lhe um ar mais rico. A madeira parecia-me mais discreta que em colheitas anteriores (tornando-se numa vantagem). Deu apenas sinais (quando a temperatura aumentou) através da baunilha e das avelãs. Mesmo assim sem conseguir incomodar por ali além. Existia aparente equilíbrio entre a fruta e ela.
Sabor fresco e frutado. Comportamento redondo e saudavelmente vivo. Baunilha e suave gordura marcavam o final. Tudo sem arestas e pronto a beber. Preço abaixo dos 3€. Nota Pessoal: 15

Adega de Pegões (Terras do Sado) Tinto Colheit
a Seleccionada 2005
Os aromas eram de fácil empatia. Agradaram logo à primeira vista. Conseguiram-se desdobrar em flores, em especiaria, café moído, cacau em pó e em sugestões balsâmicas. Tudo na devida proporção e com alguma complexidade aromática.
Na boca confirmou o equilíbrio. Carnudo e mastigável. Talvez ainda um pouco jovem, mas sem agressões, mostrando ser um vinho muito certo e bem feito. Os taninos estavam vivos, conferindo uma secura agradável nas gengivas. Final de boca médio, mas suficiente. Preço abaixo dos 6. Nota Pessoal: 15,5

São vinhos que podemos chamar de modernos e atraentes (como quase todos os vinhos saídos desta Adega Cooperativa).
Com estes preços pedirmos mais será, provavelmente, um abuso. Devemos é reflectir e muito sobre os outros que custam dez vezes mais e são incapazes de satisfazer na mesma proporção.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Quinta do Portal (Porto) Vintage 2006

Viro um pouco a agulha e meto novamente a faixa dos Vintages.
Jovem, com cor retinta (como é normal). Espesso no aspecto.
No copo encontrava-se uma interessante quantidade de aromas, que iam vagueando por entre as flores e mato. Boa e saudável dose vegetal. Caminhou, depois, com destino à fruta madura, com amoras e ameixas a marcarem forte presença. Enriqueceu, e ainda bem, com especiaria, com destaque para a canela e para o cravinho. Muitas ervas secas (tomilho, alecrim, carqueja). Uma breve passagem por sensações químicas e minerais deram-lhe a necessária austeridade.
O paladar era razoavelmente amplo, com boa porção de sabores. Fruta estava bem combinada com a canela e o vegetal (que se notou, com mais evidência, no final de boca). Bom nível de frescura (que surpreendeu), com os taninos a comportarem-se de forma bem educada. O final, para não destoar, deixava na boca coisas saborosas.
Não sendo um Vintage de primeira linha, é um Vintage que consegue desafiar o nariz e a boca do enófilo. Está prontíssimo a beber (se calhar destinado a ser bebido jovem).
Assumo, aqui, que prefiro beber vintages novos, pela simples razão de não ter tempo para esperar pela evolução deles. Perdoem-me aqueles que pensam o contrário. Este custou-me menos de 20€. Nota Pessoal: 16

terça-feira, dezembro 09, 2008

Krohn (Porto) Colheita 1968

Eventualmente estarei a repetir-me em palavras, em comparações. O risco em cair nos mesmos termos é, evidentemente, muito grande. Depois de umas intrépidas rodadas por entre vinhos do Porto e vinhos da Madeira, o que ocorre à cabeça é muito parecido. Qualidade elevada.


Quando estavam no copo, era provocado, picado, para tentar adivinhar o que boiava dentro do recipiente (todos eles foram servidos, numa primeira fase, às cegas). Um jogo giro. Uns mais secos, outros menos secos. Uns com frutos secos, outros com citrinos. Em certos momentos, cheirava e saboreava café, canela e caramelo. Outras vezes saltavam à vista sensações de verniz, de encerados, de iodo ou éter. No fim, ficava com a enorme satisfação de ter conhecido mais um belo vinho português.

Este Krohn 1968 pertence à família dos Portos Colheita e foi guardado em madeira durante uns largos anos. A cor dele estava carregada de brilho intenso. Vagueava por entre tonalidades amarelo torrado, laranja e castanho.
Aqui os aromas eram secos, sugerindo quase sempre frutos secos. A panóplia era grande: Avelãs, amêndoas, nozes e cajus. Figos. A casca de laranja caramelizada, dava-lhe um pequeno toque citrino. Um leve fio de canela em pó entrelaçava tudo. A complexidade era mais que suficiente para deixar-me quase sem argumentos e colocar-me no devido lugar.
O sabor, correndo novamente riscos, era cheio de torrados, com uma pequena ponta doce a envolver tudo. Acidez tornava-o fresco, muito fresco. Saboroso, intenso. Pela língua sentia-se muita coisa. Nota Pessoal: 17

Post Scriptum:
Eng
arrafado em 2007

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Sercial FEM (Madeira) Muito Velho

Bom, escusado será dizer que dei voltas e voltas para saber o que era. Completa ausência de referências. A garrafa apenas diz Sercial FEM Muito Velho (terá sofrido um estágio de muitos anos).

O cheiro que largou trazia agarrado a si uma forte intensidade a torrefacção. Muito café, em grão, moído. Fruta citrina deu-lhe uma enorme frescura. Lima, limão e laranja conseguiam criar uma espécie de corrente de ar. Efectivamente muito fresco. Um pouco de vinagre, um pouco de iodo. Regressam os aromas a vernizes, a frutos secos. Sentia-se, mais uma vez, aquela impressão do soalho, do móvel, da mesa. Uns paus de canelas.
Aromas e cheiros bonitos e complexos, que pediam para indagarmos mais um pouco, sempre com a esperança de ir mais além.
Na boca, via-se que tinha ali um vinho saboroso e pungente, com toques de pimentas ácidas e frutas cítricas. Café, vernizes, canela. O final era longo e muito gostoso.
A garrafa, já vazia, ainda consegue libertar um rodopio de essências que prendem os sentidos. Nota Pessoal: 17,5

domingo, dezembro 07, 2008

Blandy's Madeira Bual 1977

Vinhos da Madeira estão na última fronteira a ser atingida (ainda faltam muitas). Tenho depositado, também, muito esforço na interpretação deste vinho. As recentes provas têm-me proporcionado um conjunto e sabores e cheiros que quase desconhecia.
Escolher palavras para falar sobre este vinho estão, ainda neste momento, carregadas de ingenuidade e ligeireza. São reveladoras do vasto desconhecimento que existe. Independentemente de tudo isso e mais alguma coisa, não fico acanhado em partilhar, oferecer-vos meia dúzia de comentários, muito pessoais, sobre um vinho da Madeira que tem aparecido frequentemente em cima da minha mesa. Por um motivo ou ou outro, este Bual 1977 da Blandy's Madeira Wine tem sido usado e abusado como aperitivo, como digestivo ou como simples desbloqueador de conversa. É um vinho que satisfaz por si só.
Ao fim de muitos dias aberto e quase no fim, (encontra-se em frente de mim, enquanto vou falando), consegue ostentar um conjunto de sensações muito ricas, indiciando uma complexidade que, honestamente, tenho alguma dificuldade em discriminar. Existem aromas de maracujá. Será possível? Tangerina e laranja. Olhando para dentro dele, de olhos cerrados, saltam à vista cheiros iodados, madeiras envernizadas. Soalhos velhos, mas reluzentes. Descanso o nariz. São só uns minutos. O que resta na garrafa é muito pouco para poder acompanhar-me enquanto escrevo. Deixem-me saborear. Café, muito grão de café. Avelãs, carradas de avelãs.
O paladar mostra uma vivacidade enorme, quase desmedida. Acidez alta, a dizer-me que, apesar de estar nas últimas, está longe da morte. Reaparece o maracujá, o café, as avelãs. O final, aquilo que fica quando desaparecem as derradeiras gotas da boca, é longo e carregado de sabores.
Acabou. O copo está vazio
. Nota Pessoal: 18

Post Scriptum: Engarrafado em 2007

sábado, dezembro 06, 2008

Niepoort Secundum (Porto) Vintage 2001


Já o disse mais que uma vez: Os Portos e os outros generosos (como o vinho da Madeira) são ainda uma lacuna na minha aprendizagem como enófilo. Ultimamente tenho feito um esforço enorme (quase dacroniano) para provar mais. Aqui, tal como noutros em assuntos, o meu conhecimento é, em alguns casos, literário. o é mau de todo.
Os primeiros cheiros que entraram no nariz indicaram uma enorme preponderância para as violetas, com uma breve passagem pelo mato (húmido). A sensação flutuava por entre cores roxas e azuis e meio verdes. A fruta, madura e envolvente, insistia nessas cores. Mirtilos, amoras e cerejas (daquelas escuras). Ameixas, geleia e marmelo. Coloquei o copo de lado durante algum tempo. Tinha que descobrir, ou inventar mais cheiros ou aromas (como queiram). Com essa necessidade, dou comigo de volta do caramelo, por cima da canela. Mudam as cores. Passam a ser mais acastanhadas. Uma miscelânea de chocolate espesso, ideal para barrar um bolo, pão de ló seco, figos secos e amêndoas pareceria dar o mote final. Complexo.

Na boca estava muito guloso, curiosamente bem redondo e com a acidez a proporcionar uma excelente frescura. Muita potência mastigável neste Segundo da Niepoort.
Para um Vintage que poderá estar atravessar a fase de clausura, o prazer e satisfação foram (muito) grandes. Nota Pessoal: 17,5

Acompanhou queijos, um bolo de chocolate e no final acalmou a alma. Fui dormir.

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Catralvos Moscatel (Setúbal) Superior 2003

Acabou a garrafa. Andava a ser desbastada com enorme lentidão, sempre ao fim do jantar.
Trouxe-a para casa pela curiosidade, pela novidade, pela necessidade de conhecer mais um vinho. O rótulo e o contra-rótulo ostentam a designação Superior, o que não quer dizer, necessariamente, melhor. Enquanto era bebido, recordava-me do Moscatel Superior Dona Ermelinda 2000. Este Catralvos Superior apresentou inúmeras semelhanças na cor e no sabor. Tendencialmente carregado na cor. Com aromas e sabores relativamente simples, com forte inclinação para as sensações (demasiado) doces, bastante meladas, que conseguem, com muito esforço, serem refrescadas pela raspa de laranja e tangerina. Baixo nível de frescura (outra marca). Depois surgiram os frutos secos e aqui e além um rasgo de canela. Nada mais.
Outro aspecto importante: a necessidade de controlar a temperatura, evitando que suba em demasia. Só assim se consegue tirar o melhor partido deste tipo de moscatéis, evitando que se fique enjoado (em excesso).
Segundo o que se lê no contra-rótulo, esteve durante cinco anos em cascos de carvalho.
Existem no mercado propostas mais interessantes que este Moscatel Superior. De qualquer modo, consegue apresentar um preço bem mais decente que o congénere da Casa Ermelinda Freitas, que é estupidamente caro. Nota Pessoal: 13,5

terça-feira, dezembro 02, 2008

Duorum Colheita 2007

A aliança entre João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco andou (e se calhar ainda anda) na boca de muitos. Ao ler o que se tem escrito sobre o projecto (destes dois homens), percebe-se que a ideia é tentar chocalhar o mercado, com o objectivo de provocar, muita gente, colocando no copo vinhos competitivos, que possuam boas tiragens e, acima de tudo, dêem ao consumidor apaixonado qualidade elevada.
Tem sido admirável o empenho de José Maria na relação com o anónimo (nos últimos grandes eventos: Encontro com o Vinho e Sabores 2008 e Porto e Douro Wine Show 2008). Como enófilo, como apaixonado pelo assunto, reparei na linguagem fácil usada por ele, na paciência disponibilizada para fazer passar a sua mensagem. Achei curioso vê-lo a percorrer e a provar vinhos de outros produtores. Parecia, perdoem-me a ligeireza nas palavras, alguém que estava agora a começar, aprender.

Deixando a introdução, venho a terreno (há que aproveitar para brincar) para partilhar com vocês algumas impressões sobre o Duorum Colheita 2007.
O cheiro transmitiu um conjunto de sensações frutadas, de grande intensidade, conseguindo juntar, a isso, seriedade e austeridade. Amoras, ameixas e groselhas pretas. Robustas e cheias.
O tempo tornou-se amigo do tinto. Ajudou, e muito, a meter cá fora outras coisas, outros aromas. Um pouco de mineral, que combinou com a pimenta, deu um empurrão. Depois, bem depois, os cheiros mudaram de registo. Comecei a notar que havia algo da terra. Embrenhou-se naquela sensação a terra seca, a palha, a fruto seco, a folha seca. Sei lá... impressão? Imaginação? Independentemente de erros de análise, achei curiosa a força e vigor que tinha (recordava o Meandro).
O sabor tinha intensidade, tinha estrutura. A fruta, bem marcada, dava ao tinto um aspecto carnudo, razoavelmente robusto. Trincaram-se. A acidez e taninos ajudaram na festa. Por meio, um pouco de mineral (que refrescava). No fim de tudo aquela sensação seca (que custou a destrinçar) deixava marca.
Apetece-me dizer: temos aqui coisa séria por pouco menos de 10€. Fiquei com a ideia, no entanto, que estava muito jovem, fechado. Aposto, portanto, que daqui a uns meses estará mais solto. Nota Pessoal: 15,5
O Reserva, que aí vem, eleva a fasquia. Só espero que o preço indicado, menos de 20€, seja uma realidade.

Post Scriptum: Falta, agora, esperar pelo que vai dar a entrada do Esporão no Douro.

quarta-feira, novembro 26, 2008

Bons Anos (Douro) Tinto Colheita 2006


Diz o contra-rótulo que este vinho da Quinta das Hidrângeas resultou da mistura de Touriga Franca, Tinta Roriz e Touriga Nacional (achei curioso esta última não estar em primeiro lugar). A três castas saíram de uma vinha com mais de 60 anos. Depois de bem misturado, estagiou durante 14 meses em barricas de carvalho Francês.

Os aromas eram frutados, mas repletos de frescura, emersos em água, evitando que elas (as frutas) aquecessem. E o que tínhamos? Amoras, cerejas e framboesas. Envolvidas por enriquecedor cheiro mineral que orientou o nariz para a grafite, para a mina de carvão.
Rodopio a rodopio, o vinho começou a deitar um leve ar floral, discreto, cativante. Sem grandes intensidades, sem grandes exuberâncias mas capaz de tranquilizar os sentidos.

Continuou a entranhar-se na terra e, pela frente, começaram a ancorar sensações vegetais. Giesta, esteva, mato rasteiro. Um conjunto aromático conseguido e domado. Esquivou-se bem de potenciais tiques mais ou menos ríspidos (tendo em conta a opinião que tenho sobre o Quinta das Hidrângeas Colheita).

O paladar, o gosto mostrou possuir razoável arcaboiço. Coerente. Mais uma vez, bem envolvido. Sentiu-se o fruto e o minério. Estava, como nos aromas, saboroso e suculento. O rasto que ficava era levemente seco, deixando para trás um pouco de frutos secos (talvez figo).
Globalmente, pareceu-me ter tido pela frente um tinto franco, muito limpo, com belas sensações da terra.
Uma ponta mais de qualquer coisa
, um pouco mais de cheiros e sabores, acredito que tínhamos aqui um vinho mais complexo. De qualquer modo, gostei porque desviou-se do tradicional estilo da casa e acredito que possa melhorar. Nota Pessoal: 15,5

Post Scriptum: Acho que já disse. Sou um eterno apaixonado pelas hortênsias. Representam aquele tempo que já passou, reavivam aqueles lugares que tanto gostei, relembram muitas imagens.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Quinta do Cerrado (Dão) Encruzado 2007


Mantenho-me nos brancos. Desta vez optei por encruzado do Dão (da colheita de 2007). Um encruzado da Quinta do Cerrado. O preço da garrafa ronda os 6.5€.

O cheiro estava mineral (com a típica pedra molhada, lá no fundo da ribeira), misturava-se bem com a fruta. Fruta ácida. Um combinado entre maçã, pêra, lima e limão. Posto isto, mudou de disco e apresentou um conjunto de sensações vegetais curiosas. Orientaram a visão para a maia, para a tília e cidreira. Durante muito tempo, ficou no ar a imagem das encostas cobertas de arbustos. Depois veio o mais original, o que dava mais graça ao vinho e diferença. Folhas de chá: limonete ou lúcia-lima, como queiram (Acredito, também, que possa haver exagero da minha parte). Mais um pouco de seiva (parece-me que é a primeira vez que uso este comparativo). Solto destes aromas, apareceram flores (amarelas e brancas). Passados uns valentes minutos, muda outra vez o estilo e ficou estranhamente seco. Palha, feno, um pouco de restolho.
Boa escala de aromas. Certos, limpos e bem misturados.

A boca era saudavelmente ácida, com o mineral muito presente. A fruta era mais portuguesa, com ênfase na maça e na pêra. O vegetal (aquele mais verde) marcou, também, presença. O final tinha finura, largando na boca um misto de sabores secos e minerais.
Fiquei agradado com este vinho branco (que acompanha bem umas carnes). Um pouco mais de qualquer coisa na boca e tínhamos aqui algo bem mais sério. No entanto, pareceu-me ainda um pouco selvagem. Aguardemos por mais uns meses. Nota Pessoal: 15,5

sexta-feira, novembro 21, 2008

Catralvos (Terras do Sado) Reserva Branco 2007

Os vinhos que saem daqui, até ao momento, não tiveram a amabilidade de despertar grandes paixões. Possuem um estilo que não é, aparentemente, o meu (até ser contrariado numa prova cega). Depois perdem-se numa gama que não sei onde acaba e onde começa. Fico confuso entre tantos rótulos e garrafas. Verdade seja dita, este fenómeno é característico de outros produtores. Marcas e marcas, contra-rótulos iguais. Confusão nas prateleiras. Adiante.

Precisava, num dia destes, beber um branco. Não procurava nada em especial. Apenas uma pinga que acompanhasse a refeição da noite. A escolha recaiu sobre um Catralvos Reserva Branco 2007, feito essencialmente de chardonnay. Pelo meio, segundo o que diz o contra-rótulo, foi fermentado em barricas de carvalho francês, sofrendo com a battonage durante 4 meses. No final de tudo juntaram-lhe 10% de arinto.

Falemos dos aromas, dos cheiros (gosto muito deste conceito: o cheiro. Parece-me mais humano, mais falível, mais terra a terra, mais perto do comum). A maçã foi a primeira sensação registada (ou imaginada) pelo cérebro. Depois talhadas de melão e esferas de meloa. Durante muito tempo, esta fruta marcou o perfil do vinho. A memória vagueava entre tonalidades brancas, esverdeadas, meio amarelas. Surgiram, em jeito de libertação, citrinos (Gotas e gotas de laranja e tangerina) e um fresco ar vegetal.
Foi evoluindo sem grandes exuberâncias, mas limpo e educado. Percebia-se que tinha ali, no copo, uma coisa bem arranjada.
Um pouco de pimenta branca. Foi boa ideia usá-la para temperar. Curioso, não?

A madeira, pareceu-me não ter grande apetência para desempenhar papéis de primeira importância. Ainda bem.
O sabor, o paladar era saudavelmente fresco e frutado. Corpo suave, bem desenhado. A madeira sentia-se levemente no final, deixando na boca um pequeno toque seco.
Resumindo, um vinho bem feito e meigo, vendido a preço inferior a 4€. Não é certamente um exemplo de complexidade, mas tem capacidade para deitar para fora um conjunto de cheiros e sabores com interesse. Para beber enquanto está jovem. Provem-no. Nota Pessoal: 15

Post Scriptum: Já notaram que muitos vinhos brancos evoluem positivamente no outro dia? Parecem ficar mais exburantes, mais aromáticos. Será impressão minha?

quarta-feira, novembro 19, 2008

Frei João (Bairrada) Branco 2007

Mudaram-lhe o rótulo. Efectivamente o aspecto não é tão velho. Indicia maior exuberância e modernidade. Pelo preço (menos de 3€) vale a pena arriscar e provar. Levei-o para casa, numa das idas ao super para trazer o jantar.
Esta vai ser curta, breve e sem grandes demoras. Não valerá a pena esticar-me em demasiados comentários. Um vinho branco que surgiu muito discreto, quase sem coisa para dizer. É preciso escutar com calma para perceber o que diz. Meias palavras e pouco mais. Tudo se desenrola de forma tão estranha e inócua que fico sem saber o que tinha pela frente. Poderão, eventualmente, perguntar-me: "Por esse preço não se pode pedir mais!" Por esse preço temos, no mercado, interessantes opções e a lista, se calhar, não seria assim tão curta (estou a falar para o ar).
Provei-o em vários momentos e o assunto não passou do trivial. Só para encerrar o tema, este vinho branco das Caves São João resulta de uma mistura entre o chardonnay, maria gomes e arinto.
Pobre
Frei João, depois de um interessante Reserva Tinto de 2005, tinha direito a um branco com mais nervo. Nota Pessoal: 12

Post Scriptum: É tão fácil dizer mal de um vinho barato. É tão difícil dizer mal de um vinho caro.

terça-feira, novembro 18, 2008

Herdade do Meio Virtuus (Alentejo) Colheita 2004

Comprado na paupérrima feira de vinhos do hiper mercado Continente. As feiras de vinho têm, agora, menos motivo de interesse. Banalidades, atrás de banalidades. Repetições daquilo que vemos durante um ano inteiro. Para o enófilo perderam o interesse.
Este vinho da Herdade do Meio foi um dos poucos que trouxe para casa. O chamariz foi a estranha promoção que estes vinhos tiveram durante largos dias. Como consumidor nada a apontar à ideia. O líquido fica, sem dúvida, mais barato. Se não gostar, o prejuízo não é grande.
Regressemos ao vinho em questão. O contra-rótulo não menciona castas, apenas refere que esteve sujeito a um estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês e americano e a mais 12 meses em garrafa. Um total de 24 meses em estágio, em reflexão. Terá valido a pena tanto tempo fechado?

Os cheiros combinavam, entre si, sensações de fruta madura com aromas vegetais. Revelou bom índice de frescura, suportando de forma razoável a madures da dita fruta, evitando deste modo enjoos indesejáveis. Passaram, ainda, pela frente do nariz uns pequenos toques químicos, fazendo recordar a mina de carvão (do lápis). Enriqueceu, entretanto, com um pouco de pimenta ou pimento (não sei!), bálsamos e encerados.
No fundo de tudo, deslumbrou-se uns quantos grãos de café, ainda por moer. Um conjunto aromático sem grandes intensidades, conseguindo ser suficientemente cordato e apelativo, mas sem criar grandes momentos de frisson (é assim que se escreve?).
O paladar revelou preponderância para os vernizes e ceras, sempre com o pimento, as pimentas e os vegetais (muito) presentes. Acabava por chatear um pouco. Corpo mediano. Depois, uma estranha impressão amarga (ou ácida) que teimava em perturbar o desenrolar da coisa, acabando por penalizar o tinto.
Um vinho com dois lados. Aromas bem conseguidos, mas um sabor algo complicado, com arestas (em demasia). (Bem) melhor no nariz do que na boca.
Em jeito de conclusão, se não fosse a promoção, provavelmente não compraria. Nota Pessoal: 14

domingo, novembro 16, 2008

Gnosis (Douro) Colheita 2004

Cada vinho que salta para cima das prateleiras vem baptizado com nomes bem sugestivos. Para além do aspecto rótulos, os apelidos dos vinhos portugueses revelam, cada vez, mais imaginação. Percebe-se que existe vontade para criar coisas diferentes. O pior é quando o vinho que está dentro de uma garrafa não acrescenta nada de novo, mas isso são estórias muito debatidas por essa internet fora.
Espetar o nome Gnosis num rótulo é assumidamente uma atitude arrojada, aparentemente provocatória para o consumidor. Será que é para aumentar o desejo na busca de mais conhecimento (enófilo)?
Este tinto (do Douro), feito na Quinta do Rio com Touriga Franca, Tinta Barroca e Tinta Roriz, saiu do copo preso a cheiros vegetais, largando pelo ar aromas carregados de estevas e giestas. Progrediu com sensações florais, intimamente ligadas à terra, ao xisto. Notava-se que estava ali um vinho tendencialmente diferente, com carácter, provavelmente rústico. A fruta estava madura (no ponto), de estilo aparentemente silvestre. Regada para não enjoar.Caminhando na descoberta, ficou a ideia que deambulava uma pequena sugestão mineral (Seria lousa?, Seria influência do xisto?), que combinava discretamente com uma leve impressão balsâmica. Tudo leve, pouco carregado.
O paladar era fresco, muito limpo. Acidez largava frescura na boca (dando a ideia que será bom companheiro para a mesa). Insistiu, mais uma vez, em sensações vegetais e terrosas. Mostrou amplitude. O final era levemente fumado, apenas com o intuito de enriquecer.
Um vinho bem feito, com vida e pouco maduro (não é necessariamente negativo). Num mar de vinho cheio de sobrematuração, madeira, chocolates e tabacos, encontrar vinhos assim é quase descobrir uma agulha no palheiro. Com uns retoques aqui e além, acredito que consiga dar mais nas vistas e aumentar o desejo de conhecimento. Nota Pessoal: 15

sábado, novembro 15, 2008

COOP Tazem (Dão) Grande Escolha 2004

Será, eventualmente, o topo desta Cooperativa. O motivo, para além de tentar melhorar o portefólio deste produtor, serviu para celebrar os 50 anos de existência da Adega. Poderá ser considerado, de forma grosseira, um cinquentenário na linha dos que têm sido saído de outras Adegas Cooperativas.
É um tinto do o, construído com a partir de uma mistura entre a Touriga Nacional, Jaen e Tinta Roriz. E os cheiros? Um ataque inicial caracterizado pelo químico, com o alcatrão e carvão a marcarem compasso. Pessoalmente não deixou de ser curioso esta forma de apresentar-se. Não era/é um modo habitual. Caminhando na descrição, os aromas, a dada altura, quebraram aquele impacto e apareceram sensações a terra húmida, escura e revolta, com algumas resinas e bálsamos à mistura. Um pouco de vegetal molhado.
A fruta, para não destoar do resto da trupe, era preta, negra. Na recta final, em jeito de consolação, o vinho libertou um pouco de flores que combinaram com fumos e cacau (amargo).
O sabor conseguiu mostrar frescura, revelando surpreendente suavidade. Resinoso, químico e balsâmico. O final indiciava qualquer coisa de amargo e seco.
Um conjunto algo carregado, a precisar de mais descanso. Foi pena a presença sistemática de sabores e aromas químicos.
Percebia-se que ideia era fazer um tinto com presença
, intenso, mas (se calhar) não era preciso tanto. Voltarei a ele mais tarde. Nota Pessoal: 14,5