terça-feira, fevereiro 26, 2008

Quinta das Baceladas 2001

Não é surpresa. Não é novidade. Não acrescentarei nada de novo ao que vocês sabem. Aliás, em redor deste universo, as coisas novas são cada vez menores. De qualquer modo, e porque estou de volta de um vinho que estava encalhado na minha garrafeira, venho até aqui para dividir com vocês o regozijo que estou a ter ao sorver uns goles deste tinto.
Pressente-se que existe coesão entre a fruta e o vegetal. O bloco é homogéneo. Estou a rodar com o copo e, no fundo, sinto que anda por lá muita especiaria. Pimentas? A imagem reflectida é de uma malga a transbordar com esferas de várias cores. Verde, preta, vermelha. O perfume adensa-se, um pouco mais, com um molho de ervas.
Cerram-se os olhos e surge pela frente um pedaço de terra preta, muito húmida. Raízes fundas. Bosque.
A sensação tostada não pesa, não impõe o ritmo. É apenas um elemento que está aqui para enriquecer, para aumentar a complexidade. Esperemos mais um pouco. Apanhei uma nesga de carvão. Curioso. Agora, surge a baunilha, em vagem, pouco doce. Aliás, todos os aromas, todos os cheiros caminham longe da doçura.
Na boca está repleto de frescura. Acidez coloca-se no nível pretendido. Trincam-se meia dúzia de bagas. Saboreia-se um pedaço de chocolate amargo. No final, aparece uma sensação fumada. Sem esmagar. O tempo que permanece é o suficiente para deixar boas recordações. Bela evolução.
Guardem. Está longe de definhar. Aposto que irá longe.
E porque isto é um lugar de paixões, de ódios e de opinião gratuita a minha Nota Pessoal é 16,5.

Post Scriptum: Não apeteceu tirar a foto à garrafa. Pode ser que o faça um dia destes.

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