quarta-feira, Fevereiro 20, 2008

Quinta de Tourais

Devem ter já percebido, para o bem ou para o mal, concordando ou discordando, que a minha escrita tem apenas como sustento argumentativo o meu gosto pessoal. Nada mais. Manterei este curso.

Os blogs são, meramente, espaços de opinião pessoal. Reflectem, somente, o que os autores pensam. É bom que assim continuem. Existe pluralidade e a troca de ideias aumenta a olhos vistos. Sabemos o que um pensa, o que o outro acha. Transpor esta barreira é penetrar no famoso centro, onde todos pensam o mesmo. Também no mundo dos vinhos, existe a fatal tendência para os consumidores agruparem-se em torno dos mesmos conceitos, dos mesmos gostos (nem que seja artificialmente). Para agradar à Nomenclatura.
Depois desta repetitiva introdução (são inúmeras as vezes que falámos nisto), lanço-me na partilha de dois vinhos. Dois tintos do Douro provenientes do mesmo produtor. Olhando para os rascunhos, reparei que o barato foi mais interessante, em detrimento do caro. A festa será, naturalmente, mais acessível.

Quinta de Tourais 2005. Os aromas que largaram do copo pareciam que tinham sido limpos com detergente (o copo estava impecável). Criavam uma sensação de limpeza muito artificial. Alguns dirão que poderiam ser cheiros florais (pode ser). Surgem, no meio desse estranho odor, um conjunto de sugestões a borracha queimada. Dava a ideia que estava enfiado dentro de uma pilha de pneus. Estranho! O álcool andava em roda-viva, solto, sem ninguém para lhe deitar a mão.
Os sabores, apesar de tudo, pareceram-me melhores, mais sadios. No entanto, a acidez e os taninos andavam por caminhos complicados. Gritavam cada um para seu lado. Um tinto estranho, meio empedernido, preso. É o mais caro. Nota Pessoal: 12
Passemos ao mais barato. Tourónio Reserva 2004. Aqui as sensações eram bem menos rudes. Provavelmente, terá menos personalidade. Talvez seja mais directo, mas é mais simpático. Apara de lápis dava-lhe um toque mineral. As duas, três flores que surgiram libertaram perfume (bem mais natural). Chocolate, tabaco e caramelo.
Na boca, mostrou frescura, equilíbrio. Suculento.
Um vinho moderno, urbano, capaz de agradar a gregos e a troianos. Sem exageros, sem grandes complexidades, é certo, mas apelativo. Nota Pessoal: 14,5

Post Scriptum: Passada a louca noite de 15 de Fevereiro de 2008, regressemos à normalidade.

6 comentários:

Pedro Sousa P.T. disse...

Para além dos blogs serem " espaços de opinião pessoal", têm a vantagem de ter estes espaços para os leitores comentarem, e dar umas "achegas". :)

Copo de 3 disse...

Um blog tem a mais valia de ser um espaço multimédia, consegue ter áudio vídeo e texto.

As possibilidades que um blog oferece a quem a ele acede são muitas mais do que uma revista poderá alguma vez oferecer ou um simples Fórum.

AJS disse...

onmde fica este Quinta de Tourais. É em Cambres?

Pingus Vinicus disse...

Ajs, sim de facto é em Cambres. Os dois vinhos foram provados em prova cega. Curioso quando foram revelados.
Tinha gosta mais do barato.
O caro pareceu-me muito mais rude.

Pedro Rafael Barata (Blog Os Vinhos) disse...

Caro Rui,

já me falaram destes vinhos mas de uma forma mais positiva que as tuas notas... :) Vou ter que os conhecer um dia destes, tá visto!

Abraço.

Pingus Vinicus disse...

Caro Pedro vicissitudes de uma prova cega e a (in)capacidade de ter que avaliar um vinho num reduzido espaço de tempo.

Abraço

PS - Provavelmente terão falado sobre o Quinta de Tourais 2003