domingo, fevereiro 10, 2008

Quinta do Corujão, Touriga Nacional 1998

Um Touriga Nacional que andava esquecido lá no meio das outras. Exemplar único. O ano 1998, dizem os especialistas não foi nada de especial, pelo menos no Dão.
Ao cair pelo copo, reparei que a cor estava longe de ser esbatida. O cheiro, que subia pelo nariz acima, possuía carácter calmo e educado. Estava repleto de sensações balsâmicas, de muita terra. Húmido, cacimbado. A sugestão a pinheiro era forte. Reflectia a imagem de um manto de caruma. Naquela altura haviam, ainda, umas valentes matas. Ideais para os cogumelos. Agora sobram, apenas, penedos descascados.
Fui girando, tentando que saltassem mais coisas cá para fora. Notei que havia algo que lembrava laranja. Talvez flor de laranjeira.
A fruta, que parecia ter despertado, dava ideia que era cristalizada, salpicada por açúcar em pó. Uma leva de frutos secos oferecia o retrato de um cesto colocado no meio de uma mesa.
Uma moderna sensação a grão de café e baunilha pareciam dizer que o futuro seria diferente. Novas tendências, outras ideias iriam surgir.
Quando noite ia bem alta, salta lá do fundo uma alegre e curiosa impressão a morango. É como se a pirâmide aromática estivesse invertida.
Os sabores revelaram frescura e delicadeza assinaláveis. Não pareceu estar no fim da linha. Nota Pessoal: 16

Um vinho que pertence assumidamente a outra escola. Longe vão os tempos em que palavras como: acetinado, suave, elegante. aveludado faziam parte do léxico enófilo.

2 comentários:

Gus disse...

Olá, meu caro.

Este touriga nacional não conheço, mas há cerca de 15 dias provei o Quinta do Corujão, Garrafeira, 2000 e fiquei um pouco desiludido.
Ao fim de cerca de uma hora, o vinho 'abriu' e lá se revelou um pouco, mas ainda assim não conseguiu dar 'o salto qualitativo' que eu estava à espera. Enfim, é a vida...

Pingus Vinicus disse...

Viva Gus, há muito que não bebo o Garrafeira deste produtor. Lembro-me, no entanto, que era um vinho que apreciei particularmente.

O comportamento do vinho é muito estranho. Umas vezes gostamos, outras nem por isso.
Já aconteceu comigo detestar um vinho e passados dias ou meses gostar dele. Ou vice-versa.

Abraço