segunda-feira, maio 19, 2008

Vinha de Saturno Alentejo Tinto 2004

Não é, decididamente, um vinho para beber todos os dias (acho eu). O que encerrava dentro da garrafa estava repleto de intensidade, de força e de exuberância. Chamei-lhe: um vinho superlativo. Impossível virar a cara e ficar indiferente. Mesmo aqueles que bradam aos céus pedindo por outros géneros, acabariam por beber uns valentes tragos e, no fim, gostar. Somos cata-ventos. Viramos consoante o que vamos ouvindo. Outrora pedíamos vinhos pujantes. Agora pedimos coisas mais leves, com mais elegância (Adjectivo que usamos bastas vezes. Tornou-se banal. No fundo não sabemos muito bem o que quer dizer).
Custou a acordar, a erguer todo o peso que tinha. Percebia-se que o músculo era enorme.
Transbordava com sensações negras, escuras, pretas. Nesta fase veio à (minha) cabeça a imagem da azeitona preta esmagada, quase em pasta.
A barrica imprime ao tinto uma irresistível atracção.
Largando este entretém inicial que serviu apenas para ocupar mais linhas, reparei que este alentejano (da Herdade do Monte da Cal) apresentava um registo aromático em que a fruta parecia estar cristalizada e bem regada com farto caramelo. Alguma sultana ia dando sinal, de tempos a tempos. Reforçava a sensação exótica (a madeira também ajudava) que o vinho teve durante muito tempo.
A menta e a especiaria combinavam umas vezes com o chocolate, o coco, a baunilha e o tabaco, outras vezes juntavam-se à fruta caramelizada.
Os sabores eram gordos, amplos. Conseguíam, apesar do peso evidente, da doçura, apresentar-se equilibrados. O final era marcado pelos tostados. Guloso.
Se tivesse um pouco mais de frescura, se cortasse no peso e eliminasse algumas gorduras excedentárias, tínhamos (aqui) um vinho preparado para outros voos (mais uma crença pessoal, entre tantas). Apesar de tudo e de todos, gostei francamente. Dispensa comida. Nota Pessoal: 16

Post Scriptum:
Percebia-se que havia algo de luxuoso no vinho e que provavelmente não lhe faltou nada.

2 comentários:

Copo de 3 disse...

Grande vinho e grande companhia... aquele quarteto tem de se reunir mais vezes.

E a garrafa além de imponente é pesada como tudo.

Pingus Vinicus disse...

De facto um belo vinho.
E o quarteto era terrível.