sábado, Setembro 06, 2008

Campolargo Verdelho 2007

Ainda descarregando alguns apontamentos sobre a meia dúzia de vinhos que fui bebendo ao longo do Verão. Tirando um ou outro, a grande maioria eram marcas de grande volume, de grande tiragem. Um dos que fugiu a essa normalidade, foi efectivamente o Verdelho criado por Campolargo (Bairrada). Já tinha dito uma vez, começa a ser muito curioso o aparecimento de vinhos brancos feitos unicamente com esta casta. Durante muito tempo, o único verdelho que conheci, se não estou em erro, era um Quinta das Maias (Dão).

Mas voltemos ao Verdelho de Campolargo (que fermentou em madeira).
Os cheiros que entraram no nariz revelaram intensidade vegetal, sugerindo alternadamente sensações a feno e a erva fresca. Era curiosa esta mutação. Por momentos, dava a ideia que estava enfiado no meio de um prado. A profusão de aromas adensou-se quando as narinas começaram a perceber que, pelo meio do campo, pontificavam fileiras de flores. Vestiam pétalas amarelas de várias tonalidades.
Neste momento, tenho que rectificar o que disse. Efectivamente quem fez aparecer essas flores foi a doentia necessidade (que tenho) de criar imagens dentro de um copo de vinho. Raios! Ao fim de tanto tempo, raramente consegui fazer um texto simples, mais ou menos coerente. Mas continuemos.
Os citrinos apareceram, de tal maneira, que reforçaram o carácter vivo que (o vinho) parecia ter desde a primeira cheiradela. Limão, lima e laranja. Era como se os espremesse, fazendo com que aquele sumo ácido e fresco escorresse pela mão, caindo num copo atafulhado em água a borbulhar.
O sabor, tal como os aromas, estava repleto de frescura, bem suportado pela acidez. Limonado e mineral. Foi capaz de se manter um bom bocado na boca. Boa amplitude.
A madeira, que (ainda) não tinha falado nela, conseguiu ser suficientemente discreta. Em tempo algum demonstrou vontade de exercer protagonismo. No seu guião, apenas dizia para dar um final amendoado e levemente melado.
E como a débil prosa vai longa, diria que este convenceu-me (bastante). Um belo vinho que custou qualquer coisa como 10€. Nota Pessoal: 16,5

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