quinta-feira, outubro 16, 2008

Quinta da Pellada Touriga Nacional 1996


Não será, certamente, uma afirmação politicamente correcta, mas ando muito afastado dos vinhos de Álvaro Castro. Razões várias e mais algumas, mas todas elas terminam no mesmo sentimento: Morreu a paixão.
Durante anos e anos fui comprando as colheitas que iam saindo para o mercado. Tentava não deixar fugir um único vinho. Primeiro os Quinta de Saes (saudades da rusticidade que tinham), depois o Jaen 1997, os Quinta da Pellada Touriga Nacional (marcante o 1996), passei pelos Estágio Prolongado (EP) de 2000 (Quinta de Saes, Quinta da Pellada e Tinta Roriz). No mundo EP, nunca mais senti o que senti pelo Quinta de Saes EP 2000. Depois apareceu um Baga em 2000 (que vinho!) e outros tantos.
A partir de certa altura, alguns desaparecem, surgem outros e outros. Pelo meio, ficava a ideia que o estilo dos vinhos tinha mudado. Actualmente, a escolha (nos tintos) recai apenas nos Pape, para evitar confusões.

Numa rápida e incisiva passagem, aparece-me pela frente, novamente, o Quinta da Pellada Touriga Nacional 1996. Desde o primeiro gole, dado alguns anos atrás, que na memória estão registados os cheiros e sabores que este vinho deitou cá para fora.
No presente, a Touriga Nacional fechada na garrafa soltou, para dentro do nariz, aromas minerais intensos (ando a repetir muito), levando a crer que haviam ali pedras molhadas, húmidas. Aquela imagem do lagar, com traves velhas, rodeadas de teias. Percebia-se que o ambiente seria fresco, intenso. Avançando, e evitando outros desvios, os cheiros começaram a enriquecer com flores, com caruma, com fetos, com terra. Era a natureza quase ao vivo. A menta deu sinais. A cena foi aquecendo com um pouco de pele, de camurça, de couro. Parecia que queriam dar algum aconchego.
Na boca insistiu, novamente, na frescura. Pressentiam-se sabores florais, minerais e terrosos. Era mais uma vez a natureza a dar sinal.
O corpo mostrava boa estatura para um tinto de 12 anos. Ao mesmo tempo pareceu-me ouvir dizer que era capaz de aguentar mais uns anos (será que as colheitas que andam por aí terão a mesma capacidade?).
O final deu a ideia que era mentolado e levemente guarnecido por fruta cristalizada. Nota Pessoal: 17

Post Scriptum: Como poderão ver, pelo rótulo, o vinho saiu da catacumba.
Já agora, como perspectivam a evolução dos novos vinhos de Álvaro Castro? Para beber jovens ou nem por isso?


6 comentários:

Pedro Sousa P.T. disse...

Tenho uma Qta Pellada Tourida Nacional 2002. O ano maldito no Dão, pelo menos é o que dizem.
Sempre que olho para ela, apetece-me abrir, mas por outro lado, também acho que deve ficar a "repousar" mais algum tempo. Não sei...

Abraço

Pingus Vinicus disse...

Pedro, o Tinta Roriz de 2002 estava, da última vez que bebi, muito bom.

Abraço

Mais outro consumidor disse...

Nos últimos tempos tem lhe dado com força.

Gus disse...

Pois...

Também sou fã destes Quinta da Pellada, agora quanto à evolução dos 'irmãos' mais jovens, também tenho dúvidas, quando vejo sair para o mercado, de forma tão rápida, o Carrossel de 2006!
Há pouco tempo atrás bebi um Quinta da Pellada 2003 e estava fantástico.
Também o Tinta Roriz de 2002.
Em breve espero voltar aos Quinta da Pellada do ano de 2000.
Abraço

Anónimo disse...

Na mho, os problemas dos novos vinhos de Álvaro Castro resumem-se a dois pontos:

1. Altas expectativas
2. Tentativa de AC em transformar os vinhos do Dão em algo mais parecido aos gostos do consumidor (mais parecidos com o Douro, quiçá?)

Hoje em dia, os vinhos dele são sem dúvida bons, mas parecem-me apenas mais um no meio de tantos semelhantes.

Um abr
NF

Pedro Rafael Barata (Blog Os Vinhos) disse...

Caro Rui,

Tenho o Touriga Nacional de 1999 para abrir, veremos se será como este... :)