terça-feira, Dezembro 02, 2008

Duorum Colheita 2007

A aliança entre João Portugal Ramos e José Maria Soares Franco andou (e se calhar ainda anda) na boca de muitos. Ao ler o que se tem escrito sobre o projecto (destes dois homens), percebe-se que a ideia é tentar chocalhar o mercado, com o objectivo de provocar, muita gente, colocando no copo vinhos competitivos, que possuam boas tiragens e, acima de tudo, dêem ao consumidor apaixonado qualidade elevada.
Tem sido admirável o empenho de José Maria na relação com o anónimo (nos últimos grandes eventos: Encontro com o Vinho e Sabores 2008 e Porto e Douro Wine Show 2008). Como enófilo, como apaixonado pelo assunto, reparei na linguagem fácil usada por ele, na paciência disponibilizada para fazer passar a sua mensagem. Achei curioso vê-lo a percorrer e a provar vinhos de outros produtores. Parecia, perdoem-me a ligeireza nas palavras, alguém que estava agora a começar, aprender.

Deixando a introdução, venho a terreno (há que aproveitar para brincar) para partilhar com vocês algumas impressões sobre o Duorum Colheita 2007.
O cheiro transmitiu um conjunto de sensações frutadas, de grande intensidade, conseguindo juntar, a isso, seriedade e austeridade. Amoras, ameixas e groselhas pretas. Robustas e cheias.
O tempo tornou-se amigo do tinto. Ajudou, e muito, a meter cá fora outras coisas, outros aromas. Um pouco de mineral, que combinou com a pimenta, deu um empurrão. Depois, bem depois, os cheiros mudaram de registo. Comecei a notar que havia algo da terra. Embrenhou-se naquela sensação a terra seca, a palha, a fruto seco, a folha seca. Sei lá... impressão? Imaginação? Independentemente de erros de análise, achei curiosa a força e vigor que tinha (recordava o Meandro).
O sabor tinha intensidade, tinha estrutura. A fruta, bem marcada, dava ao tinto um aspecto carnudo, razoavelmente robusto. Trincaram-se. A acidez e taninos ajudaram na festa. Por meio, um pouco de mineral (que refrescava). No fim de tudo aquela sensação seca (que custou a destrinçar) deixava marca.
Apetece-me dizer: temos aqui coisa séria por pouco menos de 10€. Fiquei com a ideia, no entanto, que estava muito jovem, fechado. Aposto, portanto, que daqui a uns meses estará mais solto. Nota Pessoal: 15,5
O Reserva, que aí vem, eleva a fasquia. Só espero que o preço indicado, menos de 20€, seja uma realidade.

Post Scriptum: Falta, agora, esperar pelo que vai dar a entrada do Esporão no Douro.

2 comentários:

João Barbosa disse...

belo vinho e a preço acessivel.

Pratas disse...

Este vinho é muito bom... muito gastronómico e uma excelente relação preço qualidade.