quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Torre de Tavares 2005

Jaen. Uma casta que lembra o Dão. Quando olhamos para o contra-rótulo quase sempre está lá. Mas raras são as vezes que a vemos sozinha, sem ninguém para fazer companhia. Dizem os especialistas, os que percebem da arte, que não tem grande apetência para andar sem parceiros. Perdoem-me a ligeireza dos meus comentários.
Puxando pela minha memória, apenas caço três produtores que conseguiram fazer um estreme que agradasse. Álvaro Castro com um extraordinário 1997, a Adega Cooperativa de Tazem com jovial 2000 e mais recentemente o moderno 2003 da Quinta das Maias. Verdade seja dita, também não provei muito mais.
Na Quinta da Boavista, reaparece novamente um Jaen estreme. Negro na cor, espesso. Impressiona à vista desarmada. Viscosidade bem evidente. As paredes do copo ficaram impregnadas de tinto.
O espectro aromático está preenchido com fruta. Muitas bagas escuras. Foi aliviando o espartilho com um cerrado cheiro mentolado. A pressão aromática continuava com uns valentes nacos de chocolate preto, bem amargo. Lembrou-me o chocolate Pantagruel que se vende por aí. Por entremeio, e em jeito de libertação, pareceu-me deslumbrar uma nica de alfazema, de lavanda. Sempre num estilo sólido e enérgico.
Os sabores mostravam ímpeto e músculo. Muita juventude à solta.
Este vinho criou expectativas. Por agora, pareceu-me irrequieto, nervoso. Com a estrutura que revelou, é capaz de dar qualquer coisa de jeito no futuro. Aguardemos mais um pouco. De qualquer modo, gostei de ter bebido um Jaen moderno. Bons sinais. Nota Pessoal: 15,5

Post Scriptum: Cultivada na região de Bierzo (Espanha) com o nome de Mencía.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Quinta das Baceladas 2001

Não é surpresa. Não é novidade. Não acrescentarei nada de novo ao que vocês sabem. Aliás, em redor deste universo, as coisas novas são cada vez menores. De qualquer modo, e porque estou de volta de um vinho que estava encalhado na minha garrafeira, venho até aqui para dividir com vocês o regozijo que estou a ter ao sorver uns goles deste tinto.
Pressente-se que existe coesão entre a fruta e o vegetal. O bloco é homogéneo. Estou a rodar com o copo e, no fundo, sinto que anda por lá muita especiaria. Pimentas? A imagem reflectida é de uma malga a transbordar com esferas de várias cores. Verde, preta, vermelha. O perfume adensa-se, um pouco mais, com um molho de ervas.
Cerram-se os olhos e surge pela frente um pedaço de terra preta, muito húmida. Raízes fundas. Bosque.
A sensação tostada não pesa, não impõe o ritmo. É apenas um elemento que está aqui para enriquecer, para aumentar a complexidade. Esperemos mais um pouco. Apanhei uma nesga de carvão. Curioso. Agora, surge a baunilha, em vagem, pouco doce. Aliás, todos os aromas, todos os cheiros caminham longe da doçura.
Na boca está repleto de frescura. Acidez coloca-se no nível pretendido. Trincam-se meia dúzia de bagas. Saboreia-se um pedaço de chocolate amargo. No final, aparece uma sensação fumada. Sem esmagar. O tempo que permanece é o suficiente para deixar boas recordações. Bela evolução.
Guardem. Está longe de definhar. Aposto que irá longe.
E porque isto é um lugar de paixões, de ódios e de opinião gratuita a minha Nota Pessoal é 16,5.

Post Scriptum: Não apeteceu tirar a foto à garrafa. Pode ser que o faça um dia destes.

domingo, fevereiro 24, 2008

Quinta do Peru - Branco de 2006

O que despertou a curiosidade foi a combinação das castas. Pouco usual em Terras do Sado. Uma mistura de viosinho e verdelho. Nesta zona é o moscatel que domina, juntamente com o Fernão Pires. Pelo menos, é a sensação que tenho. O preço pedido por ele ronda os 10€.
Impacto aromático dominado na fase inicial por nuances vegetais que recordavam a típica e identificável erva verde. Cortada pela manhã. Pedra lascada tentava transmitir uma sensação mineral ao branco, ampliando o seu nível de frescura. A evolução permitiu-me caçar qualquer coisa parecida a folha de tomate, a figueira. A imagem reproduzida era muito semelhante a um quintal com hortícolas. Aprazível. Umas quantas gotas de lima davam-lhe um toque mais exótico. Manteve uma aragem verdejante, talvez influências da terra que lhe deu origem, ali junto à Serra da Arrábida.
Os sabores eram vivos, crocantes. Sentia-se a tal verdura fresca, acompanhada por uns quantos pedaços de fruta branca e lima. Sem exuberâncias desmedidas.
Sinceramente gostei. Não é pesadão e não farta. Bebe-se com muito agrado (derramei uns quantos copos na última sexta, enquanto esperava pelo jantar). Parece-me, no entanto, despropositado o preço pedido por ele. Haverá justificação plausível para isso, mas poderá afastar, certamente, muitos consumidores. Nota Pessoal: 14

Post Scriptum:
Sociedade Agrícola Ribeira da Várzea, Azeitão.

sábado, fevereiro 23, 2008

Fundação Abreu Callado - Horta da Palha

Teve reportagem aprofundada numa das últimas edições da Revista de Vinhos. Dizia-se que este tradicional produtor Alentejano passava por uma fase de reconversão, modernizando-se. A travessia do deserto tinha sido longa e os vinhos produzidos pela Fundação Abreu Callado careciam de maquilhagem. As rugas eram evidentes. As novidades reduzidas. Todo o processo de vinificação tinha que dar uma reviravolta. Pessoalmente, nunca fui um grande consumidor de vinhos desta fundação. No entanto, passou-me pelas beiças um curioso licoroso. Interessante e que se bebeu com prazer. Um regionalismo que merece ser conhecido. Um exemplo do que anda por aí escondido.
Tanta conversa, tanta palavra para partilhar com vocês alguns comentários sobre o Touriga Nacional de 2006.
O portefólio desta casa está mais enriquecido (Touriga Nacional, com o nome de Horta da Palha, Cadeira da Moira 2005 e o topo da casa, Dom Cosme Reserva de 2006).

Escusado referir a cor. Na moda. Escuro.
Abriu com cheiros a goma de morango. Fez lembrar as primeiras mastigadelas que damos numa pastilha elástica. Foi, posteriormente, despontando para uma refrescante hortelã. Insuficiente para aguentar um conjunto de aromas pujantes, maduros, que mataram pouco a pouco o que de mais delicado havia.
A madeira, pareceu-me muito evidente. À medida que os ponteiros iam rodando, a sensação tostada largou um rasto incomodativo. É estranho, mas começa a ser repetitivo a impressão a madeira verde que vou encontrando em alguns vinhos. Verdasco. Não consigo encontrar comparativo melhor. Toada forte e impositiva.
Os sabores confirmavam a juventude, o excesso de madeira (foram seis meses que deixaram marca) e alguma rudeza. Deixava secura nas gengivas (imagino o que elas devem ter sentido).
Nota-se que quer dar o salto para o outro lado. Mas peca por alguns excessos. A madeira é um deles. Veremos, se algum dia afina. Nota Pessoal: 13

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Quinta de Tourais

Devem ter já percebido, para o bem ou para o mal, concordando ou discordando, que a minha escrita tem apenas como sustento argumentativo o meu gosto pessoal. Nada mais. Manterei este curso.

Os blogs são, meramente, espaços de opinião pessoal. Reflectem, somente, o que os autores pensam. É bom que assim continuem. Existe pluralidade e a troca de ideias aumenta a olhos vistos. Sabemos o que um pensa, o que o outro acha. Transpor esta barreira é penetrar no famoso centro, onde todos pensam o mesmo. Também no mundo dos vinhos, existe a fatal tendência para os consumidores agruparem-se em torno dos mesmos conceitos, dos mesmos gostos (nem que seja artificialmente). Para agradar à Nomenclatura.
Depois desta repetitiva introdução (são inúmeras as vezes que falámos nisto), lanço-me na partilha de dois vinhos. Dois tintos do Douro provenientes do mesmo produtor. Olhando para os rascunhos, reparei que o barato foi mais interessante, em detrimento do caro. A festa será, naturalmente, mais acessível.

Quinta de Tourais 2005. Os aromas que largaram do copo pareciam que tinham sido limpos com detergente (o copo estava impecável). Criavam uma sensação de limpeza muito artificial. Alguns dirão que poderiam ser cheiros florais (pode ser). Surgem, no meio desse estranho odor, um conjunto de sugestões a borracha queimada. Dava a ideia que estava enfiado dentro de uma pilha de pneus. Estranho! O álcool andava em roda-viva, solto, sem ninguém para lhe deitar a mão.
Os sabores, apesar de tudo, pareceram-me melhores, mais sadios. No entanto, a acidez e os taninos andavam por caminhos complicados. Gritavam cada um para seu lado. Um tinto estranho, meio empedernido, preso. É o mais caro. Nota Pessoal: 12
Passemos ao mais barato. Tourónio Reserva 2004. Aqui as sensações eram bem menos rudes. Provavelmente, terá menos personalidade. Talvez seja mais directo, mas é mais simpático. Apara de lápis dava-lhe um toque mineral. As duas, três flores que surgiram libertaram perfume (bem mais natural). Chocolate, tabaco e caramelo.
Na boca, mostrou frescura, equilíbrio. Suculento.
Um vinho moderno, urbano, capaz de agradar a gregos e a troianos. Sem exageros, sem grandes complexidades, é certo, mas apelativo. Nota Pessoal: 14,5

Post Scriptum: Passada a louca noite de 15 de Fevereiro de 2008, regressemos à normalidade.

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Excelência da Revista de Vinhos 2007 - Apontamentos

Falar sobre prémios atribuídos por outros é uma tarefa complicada, principalmente quando os juízes em causa possuem enorme tarimba. Eles trabalham no assunto há muitos anos. Provam centenas, milhares de garrafas. As suas opiniões têm enorme peso no mercado, influenciam as nossas compras. Imagino as suas expressões ao lerem os nossos desvairos.
De qualquer modo, e sem questionar qualquer dos Prémios de Excelência (seria ridículo fazê-lo), gostaria de traçar alguns comentários muito superficiais sobre o assunto. Não esperem uma tese de dissertação. É, apenas, a voz do consumidor.

VINHOS BRANCOS
Estranhei ao verificar que os únicos brancos de excelência vinham do mesmo local. Terá a região dos Verdes mudado tanto a sua face? Olhando para as notas que obtiveram, encontramos certamente vinhos de outras regiões com igual pontuação ou superior.

DOURO
Algumas das escolhas começam a bocejar. Não pela falta de qualidade que apresentam, mas pela sistemática presença no pódio. Começa a ser tudo muito previsível. Que tal começar a limitar mandatos?
Nada óbvio, para mim, foi a nomeação do Auru 2001 e Vértice Grande Reserva 2003. Bem longe das minhas apostas.
Reserva Pessoal Domingos Alves de Sousa Tinto 2003 recebeu um forte aplauso da minha parte.
Surpreendido por não ver o Reserva Especial da Ferreirinha 1997 no lote da Excelência. Um vinho que diz muito.

DÃO
Olhando para um dos escolhidos, pareceu-me que pairou no ar sensação de injustiça. Vieram à cabeça (alguns) nomes que mereciam estar no pódio: Quinta dos Roques Touriga Nacional 2005, Quinta das Marias Touriga Nacional 2005, Quinta da Vegia Reserva 2005, Quinta da Pellada 2005, Conde de Santar Tinto 2005.

BAIRRADA/BEIRAS
Não tenho muito acrescentar. Quinta do Ribeirinho Pé Franco 2005 continua a ser aquele vinho que ninguém o viu ou bebeu. Ao obter 18 valores a sua nomeação está mais que justificada. Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas de Santa Maria 2005 tem a minha concordância. Mas o Calda Bordaleza 2005 de Campolargo podia ter enriquecido a trupe.

ESTREMADURA
A Quinta de Monte D’Oiro domina a seu belo prazer. Mas não ficava chocado se tivesse tido a companhia do Quinta de Chocapalha Reserva Tinto 2005.

TERRAS DO SADO
S de Soberanas não será certamente uma escolha pessoal. Poderei estar errado, mas é um vinho que pouco diz. Um estilo universal. Pode ser de qualquer lado.

ALENTEJO
Continuo a não achar graça ao Vale do Ancho. Maduro, cheio de fruta.
O Topo de Gama do Enólogo Paulo Laureano é um excelente vinho. Nível de complexidade muito alto. Fiquei rendido.
O resto aceito pacificamente.

GENEROSOS
Tudo menos o Excellent (provado muito recentemente e estava pela rua da amargura).
Estranhei a ausência de Moscatéis e de Vinhos do Porto (falo dos Vintages).

Um dos maiores momentos de discórdia, na fatídica e indisciplinada mesa 84, foi a eleição do Bairradino Colinas de São Lourenço como Produtor Revelação do Ano. Assumidamente estava à espera que Quinta das Marias levasse o troféu. Possui um portefólio bem mais interessante.

Reparei que alguns dos premiados obtiveram nota máxima de 17,5 valores. O que alarga substancialmente as opções. Leva-nos a pensar porque um é escolhido e outro não é.

Como diz o Rui do Vinho a Copo: "Para o ano, se a RV quiser, há mais".

Post Scriptum: Para fazer este texto folheei o Guia de Compras da Revista de Vinhos 2008.

sábado, fevereiro 16, 2008

Excelência da Revista de Vinhos 2007

Sem muitas palavras e sem rodeios, os Óscares vão para:

Murganheira Assemblage Espumante Távora-Varosa Branco 1995

Anselmo Mendes Vinho Verde Alvarinho 2005

Dorado (Quinta do Feital) Vinho Verde Alvarinho 2006

Soalheiro Primeiras Vinhas Vinho Verde Alvarinho 2006

Auru Douro Tinto 2001

Alves de Sousa Reserva Pessoal Douro Tinto 2003

Batuta Douro Tinto 2005

Charme Douro Tinto 2005

Gouvyas Douro Vinhas Velhas Tinto 2005

Lavradores de Feitoria Douro Grande Escolha 2004

Pintas Douro Tinto 2005

Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa Douro Tinto 2005

Quinta do Infantado Douro Reserva Tinto 2005

Quinta do Vale Meão Douro Tinto 2005

Vértice Douro Grande Reserva Tinto 2003

Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador Dão Tinto 2005

Quinta da Falorca Garrafeira Dão Tinto 2003

Quinta de Foz de Arouce Vinhas Velhas Santa Maria Regional das Beiras Tinto 2005

Quinta do Ribeirinho Pé Franco Regional das Beiras Tinto 2005

Quinta do Monte D'Oiro Regional Estremadura Reserva Tinto 2004

S de Soberanas Regional Terras do Sado Tinto 2004

Dona Maria Regional Alentejano Reserva Tinto 2004

Paulo Laureano Regional Alentejano Alicante Bouschet Tinto 2005

Quinta do Carmo Regional Alentejano ReservaTinto 2004

Terrenus Regional Alentejano Reserva Tinto 2004

Vale do Ancho Alentejo Reserva Tinto 2004

Zambujeiro Regional Alentejano Tinto 2004

Quinta do Noval Porto Colheita 1986

Barbeito Lote Especial Madeira Malvazia 30 anos

Relíquia Aguardente Velhíssima Reserva Especial

Uma noite longa, cheia de critica voraz. Este ano os principais acontecimentos decorreram na mesa 84. Foi aqui que aconteceu o verdadeiro espectáculo, feito por um grupo de eno-insaciáveis.

Post Scriptum: Comentários da vossa parte?

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Vinhas Altas Reserva 2006

Não tenho andado com tempo. Não tenho tido vagar para beber um trago. É chegar a casa, comer uma bucha e dormir. A minha vida é outra. As reflexões andam por outros caminhos. Caminham longe do vinho.
De qualquer modo, num ápice passei pelo supermercado e peguei numa garrafita de vinho branco. Coisa ligeira. Serviria apenas para relaxar um pouco. Escolhi um branco regional do Minho constituído por Arinto e Loureiro. Este último envolvido pelas barricas.
Os aromas eram limpos, sem qualquer detrito pelo meio. O impacto inicial estava repleto de fruta branca. Pelo meio, senti qualquer coisa que lembrava pêra em calda. Curiosa esta sensação.
A madeira encaminhava-me para os frutos secos. Dava um ar mais sério.
Os sabores eram redondos, apelativos. Foi bebido com prazer. Escorregou pela goela sem esforço. Os 12,5% de graduação alcoólica ajudaram.
Aqui entre nós, temos um vinho branco bem esgalhado. Nada mau, nada mesmo. Para voltar a repetir. Nota Pessoal: 14

Post Scriptum: Este custou 3€. Anda uma pessoa de volta de vinhos caros, para quê?

Post Post Scriptum: Estão aí os Prémios Excelência da Revista dos Vinhos. Veremos se há novidades. A mítica mesa 81, que estará colocada lá no fundo, será mais uma vez o centro de todos os acontecimentos.

domingo, fevereiro 10, 2008

Quinta do Corujão, Touriga Nacional 1998

Um Touriga Nacional que andava esquecido lá no meio das outras. Exemplar único. O ano 1998, dizem os especialistas não foi nada de especial, pelo menos no Dão.
Ao cair pelo copo, reparei que a cor estava longe de ser esbatida. O cheiro, que subia pelo nariz acima, possuía carácter calmo e educado. Estava repleto de sensações balsâmicas, de muita terra. Húmido, cacimbado. A sugestão a pinheiro era forte. Reflectia a imagem de um manto de caruma. Naquela altura haviam, ainda, umas valentes matas. Ideais para os cogumelos. Agora sobram, apenas, penedos descascados.
Fui girando, tentando que saltassem mais coisas cá para fora. Notei que havia algo que lembrava laranja. Talvez flor de laranjeira.
A fruta, que parecia ter despertado, dava ideia que era cristalizada, salpicada por açúcar em pó. Uma leva de frutos secos oferecia o retrato de um cesto colocado no meio de uma mesa.
Uma moderna sensação a grão de café e baunilha pareciam dizer que o futuro seria diferente. Novas tendências, outras ideias iriam surgir.
Quando noite ia bem alta, salta lá do fundo uma alegre e curiosa impressão a morango. É como se a pirâmide aromática estivesse invertida.
Os sabores revelaram frescura e delicadeza assinaláveis. Não pareceu estar no fim da linha. Nota Pessoal: 16

Um vinho que pertence assumidamente a outra escola. Longe vão os tempos em que palavras como: acetinado, suave, elegante. aveludado faziam parte do léxico enófilo.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Reserva de Tavares

Provavelmente os meus considerandos pessoais sobre o vinho podem reflectir alguma injustiça e muitas imprecisões. É resultado de uma avaliação pessoal feita em meia dúzia de minutos. Coitados dos que fazem disto o seu modo de vida. Avaliar vinhos em curto espaço de tempo. Acredito passam ao lado de inúmeros pormenores.
No entanto, não deixa de ser curioso observar como é que dois vinhos, do mesmo produtor, puderam apresentar um conjunto de sensações tão díspares (ambos foram provados nos mesmos moldes. Às cegas). Recordam-se, com certeza, o que disse do Terras de Tavares Touriga Nacional 2005. Um vinho que, na altura, pareceu possuir um conjunto de aptidões interessantes.
Em contrapartida, com o Reserva de 2005 confrontei-me com uma performance que deixou muito a desejar. Do dia para a noite. Um tinto que pareceu-me ser demasiadamente extraído e bastante bruto no trato. Sem dó nem piedade, usou sistematicamente da força e do exagero. O espectro aromático estava dominado por muitas sugestões químicas (com a velha tinta da china a marcar presença) e queimadas. Um impróprio cheiro a madeira verde reforçava a falta de cortesia do vinho.
Na boca dava a ideia que, de vez em quando, era sacudido por uns valentes murros. Arrepiava. Nota Pessoal: 11,5

Andou por aqui muita coisa que não percebi. Inaptidão pessoal? Um vinho que pagou uma factura elevada por causa da falta de tempo? Ambas?
De qualquer maneira, por onde anda a velha elegância do Dão?

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Simples Questões

Como consumidor puro e duro, faz-me enorme confusão observar algumas discrepâncias que existem em determinados portefólios. Conseguem apresentar vinhos que vão desde o mau ao muito bom. Entre estas duas barreiras surge um conjunto de opções que são catalogadas das mais diferentes maneiras: Colheita, Colheita Seleccionada, Reserva, Super Reserva, Reserva Especial (sem falarmos nuns quantos varietais que surgem pelo meio). Haja imaginação. Depois, a confusão aumenta quando reparamos que entre um Reserva, um Super Reserva ou um Colheita Seleccionada as diferenças são, em muitos casos, mínimas. Reparamos, apenas, que os ganhos (falo naturalmente de prazer enófilo) não são directamente proporcionais ao custo. A grande diferença cifra-se, apenas, no preço.

As questões que lanço são simples e reflectem a minha confusão enófila.
  • Existem tantas uvas disponíveis que permitem criar sistematicamente vinhos com epítetos diferentes?
  • O que ganhamos com vinhos que, em muitos casos, não têm continuidade em colheitas posteriores? Servem, apenas, para alimentar um nicho de consumidores elitistas e com capacidade financeira?
  • Em alguns casos, notaram decréscimo de qualidade de determinado vinho em detrimento de outro?
  • Um rótulo que mencione Reserva, Grande Escolha, Colheita Seleccionada,... ainda influência o consumidor?

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Dão Sul Espumante 2005

Conhecem, certamente, a expressão: Ir a todas.

Quando nos embrenhamos no mundo da enofilia, somos confrontados com um enorme conjunto de propostas. Queremos prová-las, queremos experimentá-las. Um normal consumidor, com os tostões todos contados, não tem muita possibilidade para testemunhar regularmente diferentes estilos de vinho. Em muitos casos, o nosso conhecimento é meramente literário.

Temos os Portos que vagueiam por entre os Vintages, os LBV e os Tawny. Depois existem os Moscatéis. Já nem refiro outros Licorosos. Surgem os Colheita Tardia, que começam a ser moda em Portugal. Entramos nos tintos, passamos para os brancos. Terminamos nos Espumantes.

Parecemos uma criança a olhar para um montra cheia de brinquedos, à espera que os pais digam: Qual queres?

É com um espumante (andava debaixo de olho já algum tempo) que partilho mais alguns comentários. Muito fresco, com a componente vegetal, onde pontificava uma forte sugestão a erva, a combinar harmoniosamente com a maçã verde, a lima e o limão. Se permitirem mais um abuso (principalmente para quem já provou este vinho), senti uma curiosa sensação mineral. Dava-lhe graça e juventude. Revelou alguma delicadeza no trato. A bolha pareceu-me fina. Os sabores eram aprazíveis, limados e equilibrados. Bebe-se sem fartar. Acompanhou umas trutas (pequenas) envoltas em cebola e ervas aromáticas.
Como disse mais que uma vez, o conhecimento que tenho deste tipo de vinhos é muito reduzido, e não ligando ao que existe por esse mundo fora, este Espumante Bruto (br) da Dão Sul pareceu-me ser uma bela proposta para nós. Arrisquem que se bebe muito bem. Nota Pessoal: 14,5

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Quanta Terra, Grande Reserva 2005

Participou numa prova de vinhos do Douro organizada pela Revista dos Vinhos. A classificação obtida por ele criou expectativas altas (para mim). Se lhe juntar o preço (<20€) ficaria perante um vinho que tinha tudo para agradar-me. Dito de outra forma, tinha tudo para que ao bebê-lo babasse de desejo. Infelizmente não aconteceu. O soltar da rolha libertou, cá para fora, um conjunto de aromas impositivos, repletos de força. Com aspecto preto, fundo negro, onde deambulavam sugestões químicas algo chatas. Cheiros que, em certos momentos, forçavam o nariz a desviar-se. A evolução permitiu que a baunilha, o tabaco, o chocolate preto e fruta, também de tez preta, assumissem o controle do tinto. Sempre numa toada forte, robusta e assumidamente cansativa para o (meu) nariz e para o (meu) palato.
Com toda a subjectividade que encerra uma prova, feita unicamente por um individuo, diria, em traços gerais, que estive perante um típico vinho que não passa despercebido numa prova cega. Numa normalíssima refeição, é capaz de ficar de lado ao fim de meia dúzia de goles. Pessoalmente não acrescentou nada de novo ao que se vai bebendo por aí, com a agravante de insistir num estilo que já fatiga. Nota Pessoal: 15

Post Scriptum: Tornarei a bebê-lo noutra altura. Pode ser que esteja mais maduro, menos exuberante, menos impositivo.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Para a semana Voltarei



Vou aproveitar uma nesga de liberdade e fazer um pequeno intervalo. Servirá para aliviar a corda. Vou sentar-me no balcão da casa, encostar-me a um tronco e livremente olhar para onde quero.
Voltaremos a falar da pinga lá mais para a frente.