sexta-feira, agosto 29, 2008

Vinha Padre Pedro (branco) 2007

Padre Pedro é provavelmente mais conhecido pela sua versão tinta. Dizem que é uma das melhores relações preço-qualidade que existe no mercado. Pessoalmente, não lhe encontro assim tantos atributos (verdade seja dita, tenho a mania de gostar sempre de vinhos que os outros não gostam). Aqui entre nós, foram poucas as vezes que o bebi.

Saltando, e abreviando, a típica ladainha que coloco nas primeiras linhas (que servem apenas para aumentar os textos, dando a ideia de eloquência), dei comigo defronte do branco: Vinha Padre Pedro 2007.

Em termos gerais, um branco ribatejano coerente, formando um bloco homogéneo. Diria que pertence ao grupo de vinhos que agradam a gregos e a troianos (sempre gostei mais destes).
A fruta está madura, suculenta. Temperada pelos citrinos, com evidência para a lima. Pressentem-se, também, alguns gomos de laranja. O vegetal imprime frescura, tornando-o viçoso. Um conjunto de aromas correctos, apelativos e sadios.
Os sabores revelaram interessante amplitude, tendo em conta a gama em que (o vinho) se encontra. Fresco na entrada e na saída.
Um vinho, acima de tudo, sem defeitos (peço desculpa pela soberba). Uma boa aposta para grelhados e petiscos. O preço da pinga ronda os 3.50€. Nota Pessoal: 14

Post Scriptum: Verdelho, Viognier e Fernão Pires. Para saber mais sobre o produtor, podem fazer, naturalmente, uma visita pelo site.

sexta-feira, agosto 22, 2008

Porta dos Cavaleiros (Dão) Colheitas 2005 e 2006

Por pouco fino que possa parecer (a muita gente), gosto de estar debaixo da latada, encostado ao muro de pedra, colocar o pé no tanque com água fresca. Comer debaixo da macieira, da oliveira, com os pimentos, os feijões lá ao fundo. De lado estão as batatas a quererem saltar cá para fora. Aquela brisa que bate nas ventas acalma a alma, descomprime os músculos. São momentos simples, acompanhados por conversas populares, sem preocupações de monta. Não entram dissertações estéreis ou teses de outro mundo. O mais complicado, ainda, consegue ser a questão da quelha que não foi arranjada.
Trincar uma grossa fatia de centeio, de broa. Os petiscos são sempre os mesmos, mas cada dentada parece ser a primeira. Rodelas grossas de chouriço, nacos de presunto, morcelas fritas.
Sorve-se um tinto, um branco. Coisas sem grande valor. Dou comigo a pegar em vinhos que, aqui em baixo, raramente (nunca) lhes pego. Existem vinhos que só se bebem quando não estamos enfiados num apartamento indiferenciado, numa rua qualquer, numa cidade sem rei nem roque ao longo do (frágil) litoral. Só entram pela goela quando estamos a olhar para as hortênsias.

Porta dos Cavaleiros tinto 2006
Cheiros com frescura, francos, sinceros no discurso. Aqui e além notam-se sensações silvestres. Casca de árvore, pinheiro e alguma terra pelo meio. Ao fim de algum tempo aparecem umas quantas amoras. Nada de grande intensidade. O vegetal era dominador.
Os sabores revelaram frescura. O vegetal marcava, novamente, presença. A acidez pedia por pratos com gordura. Termina com um final levemente balsâmico. Clássico na forma de estar e de ser.
Um vinho correcto que cumpre a função para que foi feito. Para o dia-a-dia. Por 2€ não se pode pedir mais. Não se deve. Nota positiva para os saudáveis 12,5% de graduação alcoólica. Nota Pessoal: 12,5

Porta dos Cavaleiros tinto 2005
Aroma mais frutado, mais carnudo que a colheita de 2006. Mantém, de qualquer modo, a matriz silvestre com o vegetal a marcar presença (menos dominador). Tudo aparenta estar mais redondo, bem mais apelativo, talvez menos regional.
O sabor, aqui, volta a ser um pouco mais gordo, um pouco mais denso. Revela boa frescura, deixando no final, mais uma vez, uma sensação balsâmica.
Apesar de ter mostrado mais fruta, continua a ser um vinho para comidas fortes. Não desmerece, apesar de ser mais velho que o outro. Paguei por ele 2€. Nota Pessoal: 13,5


E o regresso à vida de sempre está ali ao virar da esquina.

Post Scriptum: Já devia estar habituado, mas continuo sem perceber a razão do estúpido alargamento da betanização do litoral para as capitais de distrito (do interior)? Todos querem prédios, ruas atafulhadas de carros, centros comerciais. Muito betão. Bragança, Vila Real, Viseu, Guarda, Castelo Branco ...


domingo, agosto 03, 2008

Pegões Chardonnay & Arinto 2007


Antes de largar isto, antes de deixar-vos em paz durante uns largos dias, deixo aqui umas breves notas sobre um branco.
Um branco, tal como este, é o resultado de uma mistura entre o chardonnay e o arinto. O outro veio da Bairrada, este daqui perto, das areias de Pegões.

Os cheiros revelaram (algum) peso, com a fruta madura a comportar-se como a chave mestra. Manga, ananás em calda, pêra em calda, toranja (acho que é a primeira vez que falo desta fruta) e laranja (na vertente: casca caramelizada) e mais o resto faziam as honras da casa. Por entre este batido, percebia-se que boiavam por lá umas gotas de lima e limão. Esforçavam-se para que a coisa ficasse mais leve, mais arejada, menos doce, menos impositiva. A madeira (na colheita de 2007 esteve sujeito a três meses de estágio em barricas de carvalho francês e americano) reforçou o estilo, aumentando a doçura, fornecendo-lhe frutos secos e (muito) mel. Pareceu-me evidente (talvez em demasia), para o tempo de estágio que teve.

Na boca, percebia-se mais uma vez, que era um vinho robusto (pesado), com a fruta madura e a madeira a marcarem (e muito) a sua maneira de estar. A acidez parecia estar num registo algo baixo. O final era marcado pelo caramelo, pela amêndoa, pela avelã, pelo mel.

Em jeito de encerramento, é mais indicado para a meia estação. Não é, decididamente, um branco para o calor. Se não existir cuidado com a temperatura, arrisca-se a ser excessivamente enjoativo.
Tem
um estilo que não aprecio e por isso tentei (a muito custo) não ligar a esse pormenor. Está bem feito e será, certamente, do agrado de muitos consumidores. Nota Pessoal: 14

Epílogo

Agora que está feito, até um dia destes. Fiquem bem e boas férias. Voltarei assim que der vontade, assim que apetecer. Até lá, gozem a minha ausência, aliviem os olhos do sofrimento que vos imponho por estas bandas. Aproveitem.