quarta-feira, novembro 26, 2008

Bons Anos (Douro) Tinto Colheita 2006


Diz o contra-rótulo que este vinho da Quinta das Hidrângeas resultou da mistura de Touriga Franca, Tinta Roriz e Touriga Nacional (achei curioso esta última não estar em primeiro lugar). A três castas saíram de uma vinha com mais de 60 anos. Depois de bem misturado, estagiou durante 14 meses em barricas de carvalho Francês.

Os aromas eram frutados, mas repletos de frescura, emersos em água, evitando que elas (as frutas) aquecessem. E o que tínhamos? Amoras, cerejas e framboesas. Envolvidas por enriquecedor cheiro mineral que orientou o nariz para a grafite, para a mina de carvão.
Rodopio a rodopio, o vinho começou a deitar um leve ar floral, discreto, cativante. Sem grandes intensidades, sem grandes exuberâncias mas capaz de tranquilizar os sentidos.

Continuou a entranhar-se na terra e, pela frente, começaram a ancorar sensações vegetais. Giesta, esteva, mato rasteiro. Um conjunto aromático conseguido e domado. Esquivou-se bem de potenciais tiques mais ou menos ríspidos (tendo em conta a opinião que tenho sobre o Quinta das Hidrângeas Colheita).

O paladar, o gosto mostrou possuir razoável arcaboiço. Coerente. Mais uma vez, bem envolvido. Sentiu-se o fruto e o minério. Estava, como nos aromas, saboroso e suculento. O rasto que ficava era levemente seco, deixando para trás um pouco de frutos secos (talvez figo).
Globalmente, pareceu-me ter tido pela frente um tinto franco, muito limpo, com belas sensações da terra.
Uma ponta mais de qualquer coisa
, um pouco mais de cheiros e sabores, acredito que tínhamos aqui um vinho mais complexo. De qualquer modo, gostei porque desviou-se do tradicional estilo da casa e acredito que possa melhorar. Nota Pessoal: 15,5

Post Scriptum: Acho que já disse. Sou um eterno apaixonado pelas hortênsias. Representam aquele tempo que já passou, reavivam aqueles lugares que tanto gostei, relembram muitas imagens.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Quinta do Cerrado (Dão) Encruzado 2007


Mantenho-me nos brancos. Desta vez optei por encruzado do Dão (da colheita de 2007). Um encruzado da Quinta do Cerrado. O preço da garrafa ronda os 6.5€.

O cheiro estava mineral (com a típica pedra molhada, lá no fundo da ribeira), misturava-se bem com a fruta. Fruta ácida. Um combinado entre maçã, pêra, lima e limão. Posto isto, mudou de disco e apresentou um conjunto de sensações vegetais curiosas. Orientaram a visão para a maia, para a tília e cidreira. Durante muito tempo, ficou no ar a imagem das encostas cobertas de arbustos. Depois veio o mais original, o que dava mais graça ao vinho e diferença. Folhas de chá: limonete ou lúcia-lima, como queiram (Acredito, também, que possa haver exagero da minha parte). Mais um pouco de seiva (parece-me que é a primeira vez que uso este comparativo). Solto destes aromas, apareceram flores (amarelas e brancas). Passados uns valentes minutos, muda outra vez o estilo e ficou estranhamente seco. Palha, feno, um pouco de restolho.
Boa escala de aromas. Certos, limpos e bem misturados.

A boca era saudavelmente ácida, com o mineral muito presente. A fruta era mais portuguesa, com ênfase na maça e na pêra. O vegetal (aquele mais verde) marcou, também, presença. O final tinha finura, largando na boca um misto de sabores secos e minerais.
Fiquei agradado com este vinho branco (que acompanha bem umas carnes). Um pouco mais de qualquer coisa na boca e tínhamos aqui algo bem mais sério. No entanto, pareceu-me ainda um pouco selvagem. Aguardemos por mais uns meses. Nota Pessoal: 15,5

sexta-feira, novembro 21, 2008

Catralvos (Terras do Sado) Reserva Branco 2007

Os vinhos que saem daqui, até ao momento, não tiveram a amabilidade de despertar grandes paixões. Possuem um estilo que não é, aparentemente, o meu (até ser contrariado numa prova cega). Depois perdem-se numa gama que não sei onde acaba e onde começa. Fico confuso entre tantos rótulos e garrafas. Verdade seja dita, este fenómeno é característico de outros produtores. Marcas e marcas, contra-rótulos iguais. Confusão nas prateleiras. Adiante.

Precisava, num dia destes, beber um branco. Não procurava nada em especial. Apenas uma pinga que acompanhasse a refeição da noite. A escolha recaiu sobre um Catralvos Reserva Branco 2007, feito essencialmente de chardonnay. Pelo meio, segundo o que diz o contra-rótulo, foi fermentado em barricas de carvalho francês, sofrendo com a battonage durante 4 meses. No final de tudo juntaram-lhe 10% de arinto.

Falemos dos aromas, dos cheiros (gosto muito deste conceito: o cheiro. Parece-me mais humano, mais falível, mais terra a terra, mais perto do comum). A maçã foi a primeira sensação registada (ou imaginada) pelo cérebro. Depois talhadas de melão e esferas de meloa. Durante muito tempo, esta fruta marcou o perfil do vinho. A memória vagueava entre tonalidades brancas, esverdeadas, meio amarelas. Surgiram, em jeito de libertação, citrinos (Gotas e gotas de laranja e tangerina) e um fresco ar vegetal.
Foi evoluindo sem grandes exuberâncias, mas limpo e educado. Percebia-se que tinha ali, no copo, uma coisa bem arranjada.
Um pouco de pimenta branca. Foi boa ideia usá-la para temperar. Curioso, não?

A madeira, pareceu-me não ter grande apetência para desempenhar papéis de primeira importância. Ainda bem.
O sabor, o paladar era saudavelmente fresco e frutado. Corpo suave, bem desenhado. A madeira sentia-se levemente no final, deixando na boca um pequeno toque seco.
Resumindo, um vinho bem feito e meigo, vendido a preço inferior a 4€. Não é certamente um exemplo de complexidade, mas tem capacidade para deitar para fora um conjunto de cheiros e sabores com interesse. Para beber enquanto está jovem. Provem-no. Nota Pessoal: 15

Post Scriptum: Já notaram que muitos vinhos brancos evoluem positivamente no outro dia? Parecem ficar mais exburantes, mais aromáticos. Será impressão minha?

quarta-feira, novembro 19, 2008

Frei João (Bairrada) Branco 2007

Mudaram-lhe o rótulo. Efectivamente o aspecto não é tão velho. Indicia maior exuberância e modernidade. Pelo preço (menos de 3€) vale a pena arriscar e provar. Levei-o para casa, numa das idas ao super para trazer o jantar.
Esta vai ser curta, breve e sem grandes demoras. Não valerá a pena esticar-me em demasiados comentários. Um vinho branco que surgiu muito discreto, quase sem coisa para dizer. É preciso escutar com calma para perceber o que diz. Meias palavras e pouco mais. Tudo se desenrola de forma tão estranha e inócua que fico sem saber o que tinha pela frente. Poderão, eventualmente, perguntar-me: "Por esse preço não se pode pedir mais!" Por esse preço temos, no mercado, interessantes opções e a lista, se calhar, não seria assim tão curta (estou a falar para o ar).
Provei-o em vários momentos e o assunto não passou do trivial. Só para encerrar o tema, este vinho branco das Caves São João resulta de uma mistura entre o chardonnay, maria gomes e arinto.
Pobre
Frei João, depois de um interessante Reserva Tinto de 2005, tinha direito a um branco com mais nervo. Nota Pessoal: 12

Post Scriptum: É tão fácil dizer mal de um vinho barato. É tão difícil dizer mal de um vinho caro.

terça-feira, novembro 18, 2008

Herdade do Meio Virtuus (Alentejo) Colheita 2004

Comprado na paupérrima feira de vinhos do hiper mercado Continente. As feiras de vinho têm, agora, menos motivo de interesse. Banalidades, atrás de banalidades. Repetições daquilo que vemos durante um ano inteiro. Para o enófilo perderam o interesse.
Este vinho da Herdade do Meio foi um dos poucos que trouxe para casa. O chamariz foi a estranha promoção que estes vinhos tiveram durante largos dias. Como consumidor nada a apontar à ideia. O líquido fica, sem dúvida, mais barato. Se não gostar, o prejuízo não é grande.
Regressemos ao vinho em questão. O contra-rótulo não menciona castas, apenas refere que esteve sujeito a um estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês e americano e a mais 12 meses em garrafa. Um total de 24 meses em estágio, em reflexão. Terá valido a pena tanto tempo fechado?

Os cheiros combinavam, entre si, sensações de fruta madura com aromas vegetais. Revelou bom índice de frescura, suportando de forma razoável a madures da dita fruta, evitando deste modo enjoos indesejáveis. Passaram, ainda, pela frente do nariz uns pequenos toques químicos, fazendo recordar a mina de carvão (do lápis). Enriqueceu, entretanto, com um pouco de pimenta ou pimento (não sei!), bálsamos e encerados.
No fundo de tudo, deslumbrou-se uns quantos grãos de café, ainda por moer. Um conjunto aromático sem grandes intensidades, conseguindo ser suficientemente cordato e apelativo, mas sem criar grandes momentos de frisson (é assim que se escreve?).
O paladar revelou preponderância para os vernizes e ceras, sempre com o pimento, as pimentas e os vegetais (muito) presentes. Acabava por chatear um pouco. Corpo mediano. Depois, uma estranha impressão amarga (ou ácida) que teimava em perturbar o desenrolar da coisa, acabando por penalizar o tinto.
Um vinho com dois lados. Aromas bem conseguidos, mas um sabor algo complicado, com arestas (em demasia). (Bem) melhor no nariz do que na boca.
Em jeito de conclusão, se não fosse a promoção, provavelmente não compraria. Nota Pessoal: 14

domingo, novembro 16, 2008

Gnosis (Douro) Colheita 2004

Cada vinho que salta para cima das prateleiras vem baptizado com nomes bem sugestivos. Para além do aspecto rótulos, os apelidos dos vinhos portugueses revelam, cada vez, mais imaginação. Percebe-se que existe vontade para criar coisas diferentes. O pior é quando o vinho que está dentro de uma garrafa não acrescenta nada de novo, mas isso são estórias muito debatidas por essa internet fora.
Espetar o nome Gnosis num rótulo é assumidamente uma atitude arrojada, aparentemente provocatória para o consumidor. Será que é para aumentar o desejo na busca de mais conhecimento (enófilo)?
Este tinto (do Douro), feito na Quinta do Rio com Touriga Franca, Tinta Barroca e Tinta Roriz, saiu do copo preso a cheiros vegetais, largando pelo ar aromas carregados de estevas e giestas. Progrediu com sensações florais, intimamente ligadas à terra, ao xisto. Notava-se que estava ali um vinho tendencialmente diferente, com carácter, provavelmente rústico. A fruta estava madura (no ponto), de estilo aparentemente silvestre. Regada para não enjoar.Caminhando na descoberta, ficou a ideia que deambulava uma pequena sugestão mineral (Seria lousa?, Seria influência do xisto?), que combinava discretamente com uma leve impressão balsâmica. Tudo leve, pouco carregado.
O paladar era fresco, muito limpo. Acidez largava frescura na boca (dando a ideia que será bom companheiro para a mesa). Insistiu, mais uma vez, em sensações vegetais e terrosas. Mostrou amplitude. O final era levemente fumado, apenas com o intuito de enriquecer.
Um vinho bem feito, com vida e pouco maduro (não é necessariamente negativo). Num mar de vinho cheio de sobrematuração, madeira, chocolates e tabacos, encontrar vinhos assim é quase descobrir uma agulha no palheiro. Com uns retoques aqui e além, acredito que consiga dar mais nas vistas e aumentar o desejo de conhecimento. Nota Pessoal: 15

sábado, novembro 15, 2008

COOP Tazem (Dão) Grande Escolha 2004

Será, eventualmente, o topo desta Cooperativa. O motivo, para além de tentar melhorar o portefólio deste produtor, serviu para celebrar os 50 anos de existência da Adega. Poderá ser considerado, de forma grosseira, um cinquentenário na linha dos que têm sido saído de outras Adegas Cooperativas.
É um tinto do o, construído com a partir de uma mistura entre a Touriga Nacional, Jaen e Tinta Roriz. E os cheiros? Um ataque inicial caracterizado pelo químico, com o alcatrão e carvão a marcarem compasso. Pessoalmente não deixou de ser curioso esta forma de apresentar-se. Não era/é um modo habitual. Caminhando na descrição, os aromas, a dada altura, quebraram aquele impacto e apareceram sensações a terra húmida, escura e revolta, com algumas resinas e bálsamos à mistura. Um pouco de vegetal molhado.
A fruta, para não destoar do resto da trupe, era preta, negra. Na recta final, em jeito de consolação, o vinho libertou um pouco de flores que combinaram com fumos e cacau (amargo).
O sabor conseguiu mostrar frescura, revelando surpreendente suavidade. Resinoso, químico e balsâmico. O final indiciava qualquer coisa de amargo e seco.
Um conjunto algo carregado, a precisar de mais descanso. Foi pena a presença sistemática de sabores e aromas químicos.
Percebia-se que ideia era fazer um tinto com presença
, intenso, mas (se calhar) não era preciso tanto. Voltarei a ele mais tarde. Nota Pessoal: 14,5

segunda-feira, novembro 10, 2008

O Pingus GOSTOU mais destes! (Os eleitos de 2008)


Mais uma pequena selecção de vinhos (2008) que partilho com vocês. É, como sempre, uma mera lista constituída por vinhos que obtiveram classificação superior a 17.
Quantos aos critérios, tal como nas selecções de 2006 e 2007 mantêm-se os mesmos (quase nenhuns). Foram apenas escolhidos aqueles que possuem textos publicados neste blog. Não são tidos, nem achados, outros que eventualmente bebi e que vocês beberam. Não teria sentido mencionar vinhos que não foram falados (e classificados) no Pingas no Copo.


Em alguns casos, se voltasse a beber, a minha opinião poderia ser, eventualmente, outra. Reflectem, como tal, o momento de loucura e desvairo.

Tal como nos outros anos, cada vinho tem um link para o respectivo texto.




DOURO/PORTO
Niepoort Batuta 2001 (Nota Pessoal: 18)Niepoort Batuta 2004 (Nota Pessoal: 17,5)
Niepoort Charme 2004 (Nota Pessoal: 18)
Niepoort Colheita 1976 (Nota Pessoal: 18,5)Niepoort Vintage 2005 (Nota Pessoal: 18)
Duas Quintas Reserva 2000 (Nota Pessoal: 17)
Lavradores de Feitoria Grande Escolha 2001 (Nota Pessoal: 17,5)
Pintas 2001 (Nota Pessoal: 18)
Pintas 2004 (Nota Pessoal: 17,5)
Quinta do Crasto Vinha Maria Teresa 2005 (Nota Pessoal: 18)

DÃOQuinta da Pellada Touriga Nacional 1996 (Nota Pessoal: 17)
Quinta da Pellada Tinta Roriz 2002 (Nota Pessoal: 17)
Pape 2002 (Nota Pessoal: 18)
Quinta dos Roques Touriga Nacional 2005 (Nota Pessoal: 17)

ESTREMADURAQuinta do Monte D'Oiro Reserva 1999 (Nota Pessoal: 17)
Quinta do Monte D'Oiro Reserva 2001 (Nota Pessoal: 18)
Quinta do Monte D'Oiro Reserva 2003 (Nota Pessoal: 17,5)

ALENTEJO
Altas Quintas Mensagem de Aragonês 2005 (Nota Pessoal: 17)
Roma Pereira 2005 (Nota Pessoal: 17)

ESTRANGEIROSPeter Lehmann Stonewell Barossa Shiraz (Austrália) 1999 (Nota Pessoal: 17)


sexta-feira, novembro 07, 2008

La Forra (Chianti Classico) Riserva 2003

Viver num país produtor (com todos os seus defeitos e virtudes) não dá, na generalidade, grande espaço de manobra (ou vontade) para conhecer vinhos de outras terras (estou a tirar do saco aqueles que apresentam uma carteira recheada). Acredito piamente (é uma crença) que na Espanha, na Itália, em França, as coisas não serão muito diferentes.
Não querendo dar a ideia de conhecedor global (não está nos meus projectos que isso se torne uma realidade), não quis deixar de passar a oportunidade para discutir, partilhar meia dúzia de impressões sobre um vinho italiano. Evitando ser repetitivo, é um daqueles vinhos que só conheço pelo rótulo (aparece pelas garrafeiras). La Forra Riserva 2003. Um Chianti Clássico ( Ambrogio e Giovanni Folonari).
Olhando para o rótulo, pesquisando na rede, percebe-se que falar de vinhos italianos (tal como franceses) é quase imperativo ter aulas e não ter dificuldades de aprendizagem. Ainda falam de nós.
Cheiros que deambulavam por entre a baunilha e o caramelo. Chocolate que combinava com sensações de verniz. Os aromas evoluíram para algo bem floral, mais fresco, completamente diferente. De um momento para o outro vi-me envolvido no meio de alfazema. A coisa não ficou por aí e surgiram umas quantas flores de laranjeira. Madeira velha, juntamente com ares de salão, dá a este vinho um remate clássico, um pouco diferente. Um bom conjunto de aromas, de perfil esbelto.
O sabor, fino, mostrou um bom prolongamento. Notei que a acidez estava colocada de modo a dar frescura suficiente ao vinho. Suave no comportamento. O final tinha um toque a fruta cristalizada.
Um vinho cordato e calmo. Apesar dos 14% de graduação alcoólica, consegue controlar-se e mostrar que não é preciso de estoirar com a boca. Deu prazer. Nota Pessoal: 16

Post Scriptum: Sangiovese.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Quinta Poço do Lobo (Bairrada) Reserva 2005

Regresso às Caves para discutir novo assunto. Um novo tema. Desta vez, a questão andava em redor de um tinto vindo da Quinta do Poço do Lobo. Um Reserva de 2005 construído a partir de uma mistura de castas. Baga, Camarate e Cabernet Sauvignon. Depois estas castas foram enfiadas durante doze meses em pipas de carvalho francês.

Indefinido no início. Ao ser remexido e sacudido, lá começaram a sair aromas silvestres, com algumas flores a pontificarem pelo meio da fruta. As frutas, que estavam à frente do nariz, eram amoras e groselhas. Por baixo destas, pareceu-me que espreitava meia dúzia de mirtilos. Ultrapassada esta fase mais fresca, um pouco mais jovial, saltaram cheiros e sensações derivadas da madeira. Tabacos e cacau. Alguma especiaria intrometia-se pelo meio. Na derradeira fase era a baunilha a marcar presença (fatalidade).
Um bloco aromático que relevou consistência, dando algumas indicações que poderá ter umas quantas coisas escondidas (que só o tempo as fará deixar sair).
O paladar era vegetal, insistindo no silvestre (mais uma vez). O menos bom era a forma como os taninos e a acidez se comportaram. Algo aguerridos e descoordenados. Talvez a padecerem de juventude excessiva. Juntos secavam em demasia as gengivas.
Um tinto bairradino que revelou frescura (principalmente nos aromas), mas a precisar ainda de algum tempo para reflectir sobre o que poderá dizer no futuro (taninos e acidez). Depois de uma boa discussão (dentro da garrafa) acredito que tudo possa ser bem mais interessante. Mesmo assim já dá pica. Nota Pessoal: 14,5

segunda-feira, novembro 03, 2008

Sousa Lopes 2 Mil ' 07

Mesmo com a chegada dos ventos frios (está a palpitar-me que este ano a coisa vai ser fria), apesar de sentir o corpo a pedir por líquidos de cor mais escura, mais cheios e encorpados, não perco a oportunidade de beber um vinho branco, de cariz mais ou menos ligeiro. Eles sabem bem em qualquer altura.
Este vinho branco (de Vila Nova de Famalicão) despertou-me a curiosidade pela combinação, pouco usual, entre castas. Chardonnay e Loureiro. Um jogo que se mostrou interessante e que valeu a pena assistir. Houve, em certos momentos, originais sensações.
Os aromas pareceram-me, no essencial, tendencialmente vegetais, com fortes impressões a folhas secas, a flores secas (lembrem-se daqueles arranjos que existem nas floristas e que safam a malta numa emergência) e a feno. Não deixou de ser engraçado sentir uma enorme sensação seca. Nesta altura, não era um branco comum. Depois disto, de depois de sacudido mais um pouco, começaram a surgir cheiros a fruta. Fruta fresca, verde e ácida. Maçã e pêra (alguém comeu por aí umas pêras verdes, de reduzido calibre e rijas? Quando ficam maduras ganham uma rosácea). Estavam regadas abundantemente por lima e limão. Pelo meio, passou, ainda qualquer coisa mineral. Provavelmente impressão minha.
O sabor era fresco, com boa intensidade. Mais uma vez insistiu na secura. O final era citrino e mineral, depositando, mais uma vez, uma pequena dose de secura.
Um vinho que se mostrou saudavelmente leve (apenas 11,5% de graduação alcoólica). Pessoalmente agradeço. Nota Pessoal: 15

Post Scriptum: Um vinho da responsabilidade de Gonçalo Sousa Lopes. A par de Rui Cunha formam a GR Consultores.