segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador (Dão) Branco 2007

A compra do vinho desenrolou-se com paixão, com muita expectativa. Andava com vontade de fazê-lo escorrer pelas goelas. O tempo foi passando e a oportunidade ia desaparecendo. O calendário, ultimamente, não tem dado hipóteses ao malfadado espírito enófilo. Durantes estes dias, o relógio foi gasto em outras actividades, em outras tarefas. Esgotaram as forças e quase que eliminaram o desejo de puxar pela rolha.
Ultrassados todos os percalços, todos os estorvos, lá peguei na garrafa (pesada) e libertei-a da rolha.

O vinho, branco, brilhava no copo. A cor indiciava bons momentos. A comida destinada para companhia pedia por algo com classe, com categoria social.
Os aromas, que saíram do copo, apresentaram-se muito acanhados. Estranho. Um nome tão pomposo, cheio de nobreza. Parecia-me que iria ficar com a beiça fechada e que pouco ou nada, de interessante, iria dizer. Dei-lhe um pouco mais de tempo. Acredito que não seja fácil trocar argumentos entre um nobre e um plebeu. As vivências são certamente muito díspares e antagónicas. Deitei para trás as diferenças sociais. Ele tinha que provar que era um vinho magestoso (tal como o nome e a garrafa). Foi largando fruta, ligeira, perfumada com mimosa e flor de anis. Sempre num registo(muito) discreto. Chegou a pedir silêncio para se ouvir melhor. Cheiros de madeira acercaram-se do nariz e encerraram com a conversa. Ao fim ao cabo, tudo terminou em meia dúzia de minutos.
O paladar surgiu assolado por uma irritante discrição. Não era necessário tanta finura, tanta suavidade. Um pouco mais de sensações teria sido desejável. Um pouco de laranja, de limão e ananás. A madeira andava por lá, meio solta, um pouco deslocada. Quase que boiava perdida naquele vazio de emoções. O fim era modesto.
Custou-me, tanto, sentir tão pouco. Tinha tido ali à frente um vinho desejado, de uma região desejada. Nota Pessoal: 14

Post Scriptum: O Cabriz Encruzado, provavelmente plebeu, é muito mais interessante.

9 comentários:

Pedro Guimarães disse...

Não achaste que o vinho no fundo precisava de mais tempo de garrafa? Lendo a tua descrição fico com a ideia de um vinho fechado e pouco falador...

Eu provei-o no Encontro dos Sabores e fiquei com boas impressões. Se calhar está a atravessar uma fase "parva"!!!

Um abraço
Pedro Guimarães

Pingus Vinicus disse...

Pedro, pensei muito nisso. Cheguei até a repetir a prova no outro dia e continuava "parvo", como dizes, com poucos aromas e sabores.

Um abração

cupido disse...

Estranho, provei recentemente e pareceu-me muito aristocrático e bem para lá de um 14...

Pingus Vinicus disse...

Cupido, estranho, muito estranho. Pessoalmente fiquei desiludido com o vinho.
Ainda fui dar uma vista de olhos ao que a RV dizia sobre ele e não percebi onde eu tinha falhado.
Foi no momento uma grande desilusão.

Pedro Sousa P.T. disse...

Este não provei, mas pelo menos provei o "plebeu" de 2007, e também me desiludiu um pouco. A expectativa era muita, e por isso é que fiquei um pouco apreensivo. Dá a sensação que quando estas situações acontecem, ou seja, quando dizem muito bem de um vinho na generalidade, e depois não nos sabe grande coisa, penso que sou um grande nabo(e se calhar até sou, e estou no ramo errado). Como a despesa não foi muita, afinal de contas até nem fiquem muito descontente. Se calhar só devia abrir lá para o verão...

Abraço

Pingus Vinicus disse...

É verdade Pedro, a gestão das expectativas é, em muitas situações, muito complicada.

Um abração

Gus disse...

Pois, tal como o Cupido, também o provei recentemente.
É evidente que as condições não eram as melhores (Dão, Vinhos & Gourmet), mas ainda assim gostei francamente do vinho.

Como bem referes, a gestão de expectativas é muito complicada.
Eu tenho dois casos paradigmáticos: Cryseia e Vale Meão...

Abraço

Paulo Coelho Vaz disse...

Sim. de certo alguma fase parva...

Pingus Vinicus disse...

E provavelmente minha.
Quando a maioria tem razão é porque "atirei muito ao lado".