sábado, março 21, 2009

Opinião Parte III

Tenho reparado que, durante os últimos dias, a monotonia regressou novamente à rede. O marasmo atacou tudo e todos, sem excepção (não assobiem para o lado). Sem apelo nem agravo, reparo que ninguém ficou a salvo. Parece-me que, assim à queima roupa e por muitas voltas que possamos dar com o vinho, acabamos fatalmente por falar sempre da mesma coisa.
Com um olhar mais atento, percebe-se que a maioria dos temas já foram discutidos, abordados no passado. Mudaram-se os tempos verbais, as introduções e os autores, e num ápice passaram ser temas actuais. Nada de novo. Será que este imbróglio é meramente o resultado do reduzido número de consumidores interessados no assunto? Esse universo, povoado por gente disponível para a causa, encolhe se ultrapassarmos a meta do inteligível.

Tenho dúvidas que o afunilamento na discussão possa trazer, para junto de nós, potenciais amigos do vinho (Vou optar por este termo em detrimento de enófilo. É mais popular). O chamamento deve ser feito através de temas perceptíveis e terrenos. É necessário, é imprescindível, que se evitem assuntos de densidade e de discussão exótica que só a meia dúzia consegue decifrar (Ou não! Acredito que andem por aí muitos encobrimentos). Se queremos a carroça cheia de interessados, valerá a pena falar de coisas distantes ou de vinhos que o comum mortal não conhece? Continuo a divertir-me ao ver, sentado na bancada, o desfile das coqueluches? Que adianta falar de chateaux? Que adianta dizer que determinado vinho é do caraças? Isto afasta, não aproxima!
Os nossos críticos deveriam formar, deveriam dar pistas, ajudar-nos a crescer. Em alguns casos ficam apenas pela apresentação das suas enormes credenciais. Nós vamos abrindo os seus currículos, folheando as páginas. Falam de forma hermética e esquivam-se às perguntas directas e simplórias do povo. Olho para eles e noto que não perdem tempo algum com assuntos deste mundo. Andam por outros lados.

Terminada esta fútil trilogia de Opiniões, vou tentar regressar ao vinho que anda dentro da garrafa, haja imaginação, adjectivos e verbos.

3 comentários:

Tovi disse...

Cá para mim estão ainda todos na ressaca da "Essência do Vinho 2009" :)

Raul e Joel Carvalho disse...

Se todos ensinarmos uns aos outros, teremos uma maior cultura sobre esta arte - O VINHO. Não basta falar só de vinho e vinho.
Onde ficam as técnicas que o fazem?? Temos de dar muita importância a esta parte também...

Abraços dos manos carvalho

Anónimo disse...

grande trilogia. a conclusão sobre os críticos é brilhante. parabéns.

eu diria mais muitas vezes fazem "mal" ao vinho, mal valia que tivessem quietos e calados

um leitor atento

cumprimentos