terça-feira, janeiro 12, 2010

Sogrape Garrafeira


Fazem parte da minha história enquanto apreciador de vinho. Lembro-me deles repetidas vezes. Eram acessíveis. Não era preciso muita coisa para os apanhar numa daquelas estantes que tanto gostamos de fitar. Autênticos putos a olhar para os brinquedos. Diria que a distância, entre mim e eles, cifrava-se apenas no preço. Umas vezes dava, outras vezes enfiava as manápulas nos bolsos e nada.
Num ápice era possível enfiar na goela vinhos de quatro regiões distintas, com a chancela Sogrape estatelada no rótulo. Gráficamente as diferenças eram minimalistas, cingiam-se apenas à região demarcada e pouco mais. Passados meia dúzia de anos, sinalizo os seus desaparecimentos. Reserva Dão, Reserva Douro, Reserva Alentejo, Garrafeira Bairrada tinham sido extintos.

Reparando no que se vai falando, às esquinas, sobre as novas tendências, seria descabido reatar estes vinhos? Assertivamente julgo que não. Trocava, sem tremer as palpebras, pelos novos produtos da Sogrape, coisa como os Callabriga Dão e Alentejo (quero lá saber que sejam apreciados lá fora) , isto sem falar nos irritantes Grão Vasco Alentejo e Grão Vasco Douro. Usando uma estratégia de marketing barata colocaram o pintor a viajar pelo país. Tornaram-no num homem de muitas terras. Coisas repletas de absurdo



Tanta retórica para quê? Porque do baú enterrado nos fundos da casa, saquei um Sogrape Garrafeira 1995. Um vinho da Bairrada de perfeita saúde, que demonstrou elevada graça, deu enorme prazer ao  beber e cheirar. Foi indo lentamente, sem pressas. Um gole aqui, outro gole acolá. Seda.
São estes lances inesperados que satisfazem a pança e alegram a cabeça. Nota Pessoal: 16

5 comentários:

Luis Sousa disse...

Modernismos à moda de Portugal!

Hugo Mendes disse...

Ainda que desconheça as estratégias de marketing da Sogrape, sou levado a concordar contigo na essência dos teus comentários (mais agora que tenho sido “obrigado” a devorar livros de marketing para tolos, imbecis e pouco capacitados, lol). Há muita vez a tentação de substituir nomes e rótulos para incentivar vendas que não existem e justificar o mau trabalho de quem é responsável pela comunicação das marcas. Mudam-se logótipos, rótulos mas não se mudam as formas de trabalhar nem as mentalidades. No fundo, são formas de torrar novos milhares e justificar mais um ano de incompet~encia.
Isto, claro é uma extrapolação do teu comentário, não, como disse no inicio, uma critica à Sogrape!
Abraço

Pingus Vinicus disse...

Hugo, gostava de saber se um consumidor de vinhos alentejanos ou do Douro reconhece importância ao nome Grão Vasco? Hum, tenho dúvidas, mas falo sem qualquer fundamentação.

Abraço

Hugo Mendes disse...

eu acho até que uma empresa dessas não pode ter essa tentação, pois, pode, muito bem, ao utilizar a marca para promover outros vinhos, estar a estragar essa mesma marca e, a passar ao consumidor uma ideia de banalização, logo, da qualidade!
não conheço nenhum caso de sucesso que prove o contrário! (uma marca que fosse bandeira numa região e depois transposta para outra ajudasse a fumentar novo sucesso!). Cheira a Super bock, e agora... super bock limão. é muito industrializado...
digo eu... que sou dissidente!

Pedro Sousa P.T. disse...

O ano passado por esta altua abri um Garrafeira Sogrape Bairrada de 1999 tinto. O vinho também se encontrava em forma, bebi-o com muito prazer, não deslumbrou, mas cumpriu bem a sua desgustação.

Abraço