terça-feira, Fevereiro 02, 2010

Dúvidas e Suposições!

São coisas que não desaparecem da cabeça. E, por vezes, batem com muita força, latejando por todos os lados.
Não vou perder muito tempo em rodeios. São apenas dúvidas, perguntas, suposições. Provavelmente irei apenas lançar mais lixo para a rede. Serei fatalmente mais um. Que se lixe!

Primeira dúvida: Vale, ainda, a pena comprar guias? Quais serão os destinatários desses guias? Acredito que seja apenas meia dúzia de tipos com dinheiro para comprar os topos de gama, os Mercedes, os BMW.

Segunda dúvida: Para que servem as opiniões dos críticos? Quem as segue? Fazem vender um vinho? Tenho sérias dúvidas que o grosso do povo siga uma única linha do que dizem ou aconselham.

Terceira dúvida: Quantos consumidores conhecem os críticos da nossa praça? Poucos devem conhecer essas estrelas.

Quarta dúvida: Os produtores ainda precisam dos críticos? Ganham ou perdem com a opinião deles? Pessoalmente, acredito que a importância é cada vez menor.

Quinta dúvida: Terão os produtores, efectivamente, medo dos críticos? Acredito que a maior parte, ainda, tem.

Sexta dúvida: Para um produtor vale mais a opinião do consumidor ou do crítico? Quem lhe dá o sustento? Acredito que são os tostões do consumidor e o passa palavra.

Sétima dúvida: Não seria mais claro perceber o gosto, a tendência pessoal, de cada crítico? Devia, mas escondem-se em palavras vagas. Até agora ninguém veio à praça dizer o que fosse. Silêncio.

Oitava dúvida: Estaremos a ser educados ou desviados pelos fazedores de opinião? Parece-me que educam cada vez menos.

Nona dúvida: As provas cegas que se fazem, por todos os lados, serão mesmo cegas? Ou no final, depois de destapado o rótulo, faz-se um arranjinho para a coisa sair mais ou menos?

Décima dúvida: Existem mesmo poderes que tapam a verdade ao povo, fazendo-nos viver a alegoria da caverna? Haverão homens de preto escondidos às esquinas? 

17 comentários:

Miguel Pereira disse...

Ui, ui...

Tiras-me as palavra da boca...

Let the force be with us!

Joel de Sousa Carvalho disse...

Boas,

Rui, este post é demasiado bom para te colocar aqui um comentário. Se me deres autorização, farei um post onde responderei a todas estas perguntas (fugazes) que tanto sentido têm. Ui, existe tanta coisa pa escrever que quase que dava para fazer um post para cada pergunta.

Abraços Amigo

João de Carvalho disse...

Se não curtes este loop então passa à fase seguinte
o Hip-Hop crú e duro, tu não és o puro ouvinte.
Acredita, ninguém evita o genuíno hino.
Vazio como o bolso, não atino andar com o xino.
Só assino um contrato que me der a liberdade,
alguém há-de mais tarde dar-me a criatividade.
Abusar do que tenho, um poema num desenho,
tentar acusar um estranho só porque não o conheço.
Apareço num formato que não 'tás habituado,
os que pescam disto tentam ver se o verso é picado,
mas tu não sabes nada, tens andado adormecido.
Só ouves o ruído da ferrugem no ouvido.
Frases a rimar em cima duma melodia
que te atrofia como a minha caligrafia.
Não percebes nada, preferes uma balada
bem elaborada por alguém conceituado.
Não fiques chateado porque a crítica inalas,
é melhor ficares calado se não sabes o que falas.
Isto é o que eu vivo 24 horas diárias,sempre ligado a mim sem ter direito a precárias.

Não percebes o que eu digo,
não percebes o que eu falo,
não percebes onde eu vivo,
não percebes o que eu galo.
Aprende qu'a missão não é 'tar no top,é vazio, caga nisso, não percebes o Hip-Hop!

Acima é da autoria do grande Sam the Kid.

João de Carvalho disse...

Obviamente que aquelas rimas são dedicadas a todos os "outros".

Joel de Sousa Carvalho disse...

unts unts unts unts unts...

Ganda João, onde vais buscar as coisas... :)

Abraço

Emilio disse...

Brilhantisimo post, Pingus Vinicus. Novammente peço disculpas a si e a tudos pela extensâo do meu comentario, que será longo, o sei. E desejo deitar bem claro que nâo sou entendido como tudos vocês.
Primeira dúvida: As guias sâo -ou devem ser- só uma referença, e nâo uma obligaçao.
Segunda: As opiniôes dos críticos sâo boas pra aqueles que nâo savemos e desejamos saver.
Terceira: Eu nâo conheço nenhum crítico pessoalmente. Mais nâo sou um entendido, já savem...
Quarta: Eu sou docente, e a auto-crítica ajuda-me a melhorar. E também as críticas dos outros.
Quinta: Se eu fora produtor, desejaría conhescer a opiniâo dos expertos. Que nâo sería obligaçao para min, mais sim orientaçao.
Sexta: Isto nâo o sei. Penso que as duas opiniôes sâo muito importantes, e tanto vale o "boca á orelha" como a leitura duma guia.
Sétima: Rui, si disse que os produtores tem medo dos críticos, mais o caminho inverso é tambén possível.
Oitava: A educaçao é também uma eleiçao pessoal. Faga-se uma selecçao e eléga-se tudo o positivo.
Nona: Ista é uma dúvida que temos aínda os nâo conhescedores do mondo "vinhoso".
Décima: Se o povo té a suspeita de ser enganado, nâo deite-se na cama e pesquise a verdade. Pesquisar a verdade é um dever moral!
Saudaçoes, e desculpem novamente o meu português...

Hugo Mendes disse...

Pingus,
Junto-me a ti nas tuas dúvidas. Mesmo que tenha algumas teorias de resposta (e sabes que tenho, lol), essas são essencialmente as respostas que temos de responder de cada fez que arriscamos um novo lote. Uma coisa é ter certezas nos fóruns e nos blogs, outra bem diferente é arriscar essas certezas em milhares de litros.
Mas a resposta é evidente e algo desconcertante! Basta ver as audiências de blogs e fóruns para ver que a percentagem de gente que “perde tempo” a discutir isto é muito baixa, como diz o João Geirinhas hoje num post no fórum da RV, os guias que existem já têm dificuldade em permanecer no mercado. Não será certamente, digo eu, pelo excesso de procura!
Forte abraço
Hugo Mendes

Rui A.Teixeira disse...

Caríssimo Pingus,

Excelente Post, pertinente como sempre. Efectivamente são questões que de quando em vez se nos colocam.

A importância destes senhores e suas provas cegas ou não, até mesmo se nós próprios não estamos por cá para dar relevância aos nossos registos enófilos.

É verdade que alguns destes guias pouco ou nada se vendem, mas também é verdade que outros há que se vendem bastante bem. Se as pessoas não compram? Já reparam na quantidade de revistas sobre vinhos que existem nas bancas (não sei por quanto tempo?). Enfim! O que acho é que o vinho está na moda.

Contudo, também acho vinhos há muitos e na realidade quem melhor do que acrítica (os enófilos que se assumem como tal) para influenciar directa (por publicações de opinião) ou indirectamente (por amigos e conhecidos) o publico em geral.

Quer concordemos ou não, quer sejam parciais ou não, não sendo de forma alguma os donos da verdade, serão à partida, potencialmente os mais aptos a faze-lo. Opino eu!

Joel de Sousa Carvalho disse...

Pois...

http://entre-copos.blogspot.com/2010/02/vida-de-critico-e.html


;)

Pingus Vinicus disse...

Já li e gostei. Parabéns.

Grapejuices disse...

I'm reading with interest on your latest post, but need to apply copy/paste google translantion, in small text parts at the time.

Would it be feasible to apply English translation applet to your blog? if possible, on the side menu..

Thanks for an interesting blog. Best wishes Anders

opapa disse...

Ora bem... para mim este post poderia ser dirigido a uma grande maioria de críticos "dominantes" já que o que ultimamente fazem é só passear a sua influencia e não trabalham nada. mas nada!

Quando se fazem notas de provas do género " apresenta mais cor que o de 2001, mas sem a acidez do de 2004" ou seja fazem-se criticas de acordo com a sua base de dados e não de acordo com o consumidor ou até mesmo com o vinho em sí e per si, está-se a desleixar o trabalho e a mandriar-se para o leitor/cliente.
Críticos há que, não fossem a sua fama e os julgássemos pelo seu ultimo trabalho apenas, não passariam de um "blogger de meia tigela".
Reconheço em muitos, muitos, bloggers mais capacidade e clareza de critica do que alguns dos tais críticos instalados e publicados.

Se tem perdido influencia.. pois claro! se são importantes... são-no cada vez mais! Vai-se lá perceber isso :)

Pedro Sousa P.T. disse...

Para além de ser um post muito bem esgalhado, também há muito bons comentários. Quanto a mim, resta-me únicamente dizer, com a maior das humildades, e veracidade que compro, leio e tomo como referência o guia anual do João Paulo Martins. Tudo o resto me passa ao lado. Acho que consegue ser um guia bem elaborado, e com uma linguagem clara. Peca talvez, um pouco na repetição de algumas notas de ano para ano. O homem percebe, não anda aqui à toa.
O que tomo como referência mais ainda, são voçês meus caros amigos. Os blogers!!! É aqui que venho às escolhas, e dou um exemlo: O último post do copod3, Vale D`Algares Selection branco, aqui está uma bela dica com um belo post. Depois disto, quem é que precisa de algum crítico???


Abraço

Pingus Vinicus disse...

"Se tem perdido influencia.. pois claro! se são importantes... são-no cada vez mais! Vai-se lá perceber isso :)"

É verdade, meu caro. É verdade! Vai-se lá saber..

Paulo Almeida disse...

Excelente, Sr Pingus Vinicius......

Oitava dúvida: Estaremos a ser educados ou desviados pelos fazedores de opinião? Parece-me que educam cada vez menos.

Educam menos e desviam mais. Começa a ser evidente o poderio que algumas empresas têm sobre alguns críticos e algumas publicações. Só não vê quem não quer. Todos os produtores se queixam mas não fazem nada.

Nona dúvida: As provas cegas que se fazem, por todos os lados, serão mesmo cegas? Ou no final, depois de destapado o rótulo, faz-se um arranjinho para a coisa sair mais ou menos?

Decorre da anterior, as provas denominadas cegas, realmente dá para desconfiar, já começam a chatear de serem tão certinhas, qual régua e esquadro, tão diplomáticas para o instituído desde sempre. A influência de certas empresas é demasiada para ser contrariada.
Anos após ano é ver quem são os grandes vencedores, os mais vitoriosos, por exemplo dos prémios da Revista de Vinhos. Estes, andam sempre lá em cima, em qualquer vinho que lancem. É ver quem paga a publicidade, é ver que apenas e só um provador é que prova esses vinhos dessas empresas ou desses enólogos, É ver as relações que estes provadores têm com algumas dessas empresas. É demasiado....mas ninguém faz nada.

Há dias estava a rever episódios da Hora de Baco, que falhei. Na altura do Natal e Ano Novo, foram 3 episódios sempre com a sugestão de um vinho, da mesma empresa (uma das tais com grande destaque todos os anos no Evento da Revista de Vinhos). Acho inadmissível, que até na televisão se faça isto, vejam bem os tentáculos da coisa.

Mas ninguém diz, ninguém faz nada....

Paulo Almeida disse...

E vão 4.....Neste sábado, na Hora de Baco, mais uma sugestão de um vinho da Dão Sul. É óbvio demais.....

Pingus Vinicus disse...

Caro Paulo, conhece aquela história: "Não acredito em bruxas, mas que elas existem, lá isso existem..."