segunda-feira, Fevereiro 15, 2010

Quinta da Ponte Pedrinha: as fotos, as mulheres e os vinhos!

Quase sugere publicidade, mas que se lixe.
Foi com enorme comoção que recebi, e aceitei, o convite da enóloga da Casa. Estupidamente, como já disse, nunca tinha invadido o território da Quinta. Parecia-me demasida austera, quiçá, demasiada elitista. Aquele brasão, que o rótulo ostenta, impõe algum respeito. Depois, sempre desconfiei das casas que só deixam revelar o telhado.

A tarde estava gélida e no horizonte surgia uma figura feminina carregada com garrafas. Olá, então já está cá? Espere um pouco, que iremos dar uma volta.

As palavras da enóloga saíam a uma velocidade louca e abastadas de alegria. Caramba, não vou ter estofo para isto, pensei no momento.
A passo largo, e pouco acanhado, ia exibindo as coqueluches do terrítório. Aqui era a casa do cocheiro. Segundo consta, partia primeiro para a Serra, depois seguia a família.

E o vinho, e as vinhas? Temos mais de 50 hectares de vinha. Pedaços espalhados, recantos alegóricos. Autênticos postais do Dão. Tudo entremeado por pinheiros, eucaliptos, silvas, giestas, mimosas.

Tenho ajuda de duas senhoras, continua Catarina, com uma simplicidade única. São o meu braço esquerdo e braço direito. Dou-lhe, às vezes, a provar, a cheirar. Um mundo feminino. Estava, naquele momento, a presenciar coisas completamente anacrónicas, deslocadas do tempo.
Percorremos a adega e enfiámo-nos num pequeno espaço com vista para a vegetação. Numa bancada prosaica, alinharam-se as garrafas. Ao lado, encontrava-se uma curiosa cuspideira. Foi, durante algum tempo, o centro das atenções.

Os vinhos, esses, dispensam madeira nova. Passam pela usada e pelo inox. Os cheiros e sabores eram genuínos. Estavam cobertos de impressões regionais. Em cada copo havia um pedaço daquele mundo.
Inusitados, afastados da moda, mas buliços e mexidos. Está a ver, isto é o que a natureza dá. Não é preciso muito. Engoli e calei.

Posfácio

À Dona Gracinha, agradeço o singelo café que foi servido à lareira.

20 comentários:

Emilio disse...

Olà Rui Miguel e olà tud@s.
Formidável reportagem, Rui! Enviei um e-mail á Quinta e fiquei muito agradávelmente surpreendido pela amabilidade da sra. Catarina Simôes; assim, desejo visitar a quinta no próximo verâo com a minha família e, agora já leído o seu post, fago aínda mais rezas a Deus por que seja possível. Sí va mostrar-nos a sua opiniâo dos novos vinhos da Quinta?
Saudaçoes...

Pingus Vinicus disse...

Emilio. Vai, vai lá. Não te vais arrenpender.
Um abraço

Joel de Sousa Carvalho disse...

É uma Quinta muito bonita se duvida. Acho que a palavra bonita é pouco, a Quinta tem uma ar que dilacera os nossos olhos, assusta com tanta grandeza, seja da casa, da vegetação, da vinha... Rui, tenho razão?

Os vinhos são o que são, muito tipicos Dão, pelo menos na minha opinião. Trazes aí uma foto de uma vinha velha, chiça deixa-me comovido. Só o meu coração sabe como me comovo com vinhas velhas....


Nota: Tiveste sorte em apanhar um fim de semana bonito ;)

Abraço, JC

Pingus Vinicus disse...

É verdade meu caro Joel, as vinhas estavam todas rodeadas de vegetação.

Havia parcelas perto da Passarela, em Saes, junto à casa, perto da estrada. Umas em terreno plano, outras com elevada inclinação.

Quanto ao dia, tirando o frio, estava belo.

Abraço

Face Oculta disse...

Você (juntamente com outros bloggers) estão a ficar um caso sério.

joel de sousa carvalho disse...

Face oculta, claro que está!! O pingus não está a ficar, o Pingus é um caso sério, hehe

Abraço

Antonio Madeira disse...

Ola Rui Miguel,
Ao ler o relato, percebo que gostaste muito do ambiente da Quinta e do pessoal. De facto, comigo aquilo tambem mexe muito.
A Catarina é expectacular, muito disponivel e simpatica, alem de autentica.
Entao e os vinhos nao comentas?
Merecem ser divulgados ou nao?
E o que achaste do Vinhas Velhas?
Respondeu as tuas expectativas ou fui eu que me entusiasmei demasiado?
Abraço

Pingus Vinicus disse...

Viva António, os vinhos estão comentados: "Os cheiros e sabores eram genuínos. Estavam cobertos de impressões regionais. Em cada copo havia um pedaço daquele mundo.
Inusitados, afastados da moda, mas buliços e mexidos."

Estes comentários demonstram, penso eu, o meu olhar apaixonado sobre o que estava no copo.

Vou esperar mais um pouco para voltar a olhar para eles de outra forma. :)

Se merecem ser divulgados? Claro que merecem. São, na minha opinião, uma pérola perdida num mar de modernismos inócuos. O VV promete muito.

Em jeito de curiosidade, posso-te dizer que o branco de 2005 e 2006 estão admiravelmente vivos. Secos, com toques de combustível, cor viva e sem sinais de evolução.

Um forte abraço

PS- também acompanhei o meu jantar, no dia, e as refeições seguintes com o espólio que trouxe da Quinta. :)

Antonio Madeira disse...

De facto os brancos sao muito bons mesmo, fresquinhos, com a fruta a dar-se bem com a mineralidade. E por mais incrivel que isso possa parecer custam a volta dos 3€...
Alias todos os vinhos desta quinta sao para mim optimas RQP.

Reconheci a Catarina no teu PS, é que tambem eu (a ultima vez que la fui foi nas férias natalicias) voltei de la com umas 7 ou 8 garrafas encertadas de amostras dos diversoso vinhos em estagio ;)

Tenho pena que os vinhos do Dao esteja tao mal apreciado nos dias de hoje... Mas enfim, pelo menos ja somos 2 a gostar deles.

Olha vou a zona de Seia/Gouveia na época da Pascoa (do 29/03 ao 06/04), se estiveres tb por la, seria um prazer combinarmos qualquer coisa.

Abraço

Pingus Vinicus disse...

António concordo contigo quando dizes que os vinhos do Dão são mal compreendidos pelo consumidor, mas preocupa-me mais é ver alguns deles a caminharem para um perfil sobrematurado, duriense ou alentejano. Ao seguirem este caminho não serão mais que cópias de outras regiões. O resultado pode ser bom a curto prazo, mas fatalmente no futuro não será.

Temos no Dão tudo, ou quase tudo, para crescerem vinhos para a mesa, vinhos frescos, elegantes.

Temos que tirar a ideia que os vinhos do Dão são vinhos urbanos, para party's em discotecas ou coisas parecidas.

Páscoa, António, se não tiver alteração de planos, estarei por Gouveia nessa altura.

Um forte abraço

PS- Envia-me o teu mail pessoal, para o mail do Pingas (vai ao meu perfil).

Gus disse...

Caro Rui,

Na sequência da nossa troca de impressões anteriores sobre a Quinta da Ponte Pedrinha, os meus parabéns pelo excelente post...

É este o Dâo autêntico e interessante que nós gostamos: "Está a ver, isto é o que a natureza dá. Não é preciso muito."
Esta frase é uma síntese:
Autenticidade e genuinidade sem ingerências artificiais...

Espero que os vinhos da Quinta da Ponte Pedrinha mantenham este trilho: qualidade a preços sensatos.

Os meus parabéns à produtora e à enóloga Catarina Simões que tem uma energia vibrante.

Abraço

Pingus Vinicus disse...

Gus, uma Quinta com mulheres a comandar.

Rui Lourenço Pereira disse...

Pingas,

Já disse e torno a dizer esta Quinta é um segredo escondido no Dão. Que vinhos tão bons e com tão boa RQP.

PS - Preciso de falar contigo

Emilio disse...

Olá Rui Miguel e olá tud@s novamente.
Rui Miguel, disculpa que nâo comprendera que o que escreviste fora um comentário sulos vinhos. Estive pouco desperto, tería bebido entâo, bem seguro.
Rui Lourenço, a minha opiniâo é que mesmo tudo o Dâo é um segredo escondido. A RQP é uma das melhores que eu conheço em Portugal e Espanha.
E António Madeira, já somos 3 apreciadores. E se incluem a minha mulher, 4. O problema (que Rui Miguel contou muito certeramente) e a má difussâo. Mais tudo pode-se melhorar. E pensem que talvez uma mais amplia difussâo podería fazer que os vinhos do Dâo nâo forma tâo encantadores. Nâo esqueçam isto.
Saudaçôes,
Emilio

Emilio disse...

Nâo FORAM tâo encantadores. Disculpem o erro.
Emilio

LM disse...

Reparo que os meus amigos são adeptos do Dão mais tradicionalista, certo?

Favaito disse...

Olá a todos!

Favaíto já se encontra online no Facebook através do email favaito@hotmail.com.

Visitem-nos!

Pingus Vinicus disse...

LM, não sei se estamos a falar de tradicionalismos, porque estes pequenos produtores não pararam no tempo, apenas conseguiram manter algumas características que diferenciavam o Dão (no bom sentido) das restantes regiões.

Eu próprio, tenho dias em que gosto de beber um tintinho com sugestões a chocolate, a tabacos, a fruto preto, ... depende da ocasião.

Olhe, ainda hoje bebi um tinto assim. ehehe

Emilio disse...

Olá tud@s novamente.
LM, dou-lhe a minha opiniâo de gostador nâo experto: so tenho comprado vinhos do Dâo uma vez, em Dezembro de 2008; sâo vinhos de cooperativas, e penso que per isto serâo "tradicionais". Olha, reservo os que considero melhores (por que já tenho provado tudos) pra momentos e pratos especiais. Nâo sei como serâo os Dâo "modernos", mais gosto deles que conheço, seguro.
Saudaçoes,
Emilio

Abílio Neto disse...

Rui Miguel,

Estás de parabéns! Isso é recuperar, isso é dar memória, mais moderno, descomnheço.

(Não sei se já perguntei, onde...?

Abr.,

An