terça-feira, Março 09, 2010

Rio Sol Tinto Fino Seco Safra 2006

Em tempos já passados, e sobre vinhos de marca branca, abordei o conceito do preconceito. Referi, mais coisa menos coisa, que era terminantemente  proibido falar de determinadas marcas, acrescentemos agora países ou regiões, porque o nosso pretenso bom nome podia perder credibilidade no seio do clube dos enófilos encartados. Como tal, era recomendável não pensar que, eventualmente, pudéssemos gostar de um vinho sem nome, sem glória, sem história e sem aquele suposto pedigree.
Falar de vinhos brasileiros, aqui no nosso pedaço português, é caso raro. São vinhos de um mundo novo, quase desconhecido, e sem o tal necessário pedigree. E os únicos à mão de semear estão sobre a alçada da Dão Sul ou Global Wines.

Foi preciso vir um indivíduo do Brasil e presentear-me com o conhecido Rio Sol, que tantas vezes mirei e nunca comprei, para o beber. Achei o acto ofertante um pouco provocatório. Caramba!
O vinho, em si, provado com enorme desconfiança, acabou por tornar-se numa apraz surpresa.
Ligeiro no aroma e no paladar. Bastante vegetal (que ajudou a combater a comida), parco em fruta, com sugestões terrosas. Acidez alta e secura. Tudo num estilo pouco novomundistaNota Pessoal: 13

Post Scriptum: Um corte de Cabernet Sauvignon e Syrah

11 comentários:

Rodrigo Campos disse...

Realmente um vinho bem ligeiro.
Do Brasil, quando bebo, prefiro os feitos no Rio Grande do Sul. Os vinhos do paralelo 8 ainda precisam melhorar. A vantagem é que por lá há duas safras por ano para se tentar.

esseeutomei.blogspot.com

Pingus Vinicus disse...

Ao falar com o patrão do Falando de Vinhos, aquando da sua passagem pela minha casa, fiquei com essa sensação.
De qualquer modo estava à espera de coisa bem pior.

João Filipe disse...

É, esse é isso mesmo, um vinho ligeiro, fácil de beber sem grandes pretensões de muito mais que isso. Nesse conceito acho que cumpra seu papel. Fico curioso para ver o que achas do outro que é mais provocatório ainda, já que as castas são lusas e também o enólogo responsável! Agora, o 86 !!!!

Paulo Coelho Vaz disse...

Os vinhos do Vale de São Francisco sofrem de duplo preconceito: são do Brasil (preconceito em Portugal) e não são das regiões tradicionais brasileiras (preconceito no Brasil). No entanto Paralelo 8 pode em breve ser a melhor referência do Brasil vinícola no mundo.
Nota: Os vinhos Rio Sol podem ser comprados em Portugal.

Pingus Vinicus disse...

Caro Paulo Coelho, efectivamente os vinhos Rio Sol podem ser comprados em Portugal, eles estão expostos nas Lojas da Dão Sul.

Já agora, porque diz que o Paralelo 8 pode ser a região de referência no Brasil?

Um forte abraço
Rui

João Barbosa disse...

os que bebi não me convenceram muito, mas são bem feitos.

abraço

Paulo Coelho Vaz disse...

Caro Pingus.

O Paralelo 8 pode ser a referência do Brasil (como referi) e não no Brasil (como referiu).

As referências dos vinhos brasileiros na sua terra, são claramente os vinhos da serra gaucha. Porque foram os primeiros a ter qualidade e por causa do seu poderoso lóbi nos medias brasileiros - veja que recentemente um crítico brasileiro numa prova efectuada no evento Espírito do Vinho comparou o topo de gama da Miolo, Lote 43, com vinhos de média e baixa gama de outras empresas, pedindo no final para o painel se pronunciar sobre qual o melhor vinho... 

O Paralelo 8 pode ser a referência do vinho brasileiro no exterior, porque para além de ser um dos melhores 5 vinhos brasileiros, é produzido numa região impensável para o mundo vinícola há uns anos atrás. Só precisa agora de deixar uma marca própria nas apreciações, o que o tempo e a qualidade da equipa que o desenvolve vai fazer que aconteça.

Pingus Vinicus disse...

Caro Paulo, depois de esclarecido no pormenor "do" e o "no" (existe uma interligação forte) a ideia que salta para o exterior não é essa que acabou por transmitir.

Por desconhecimento (pessoal) e preconceito (assumido), não sabia que o Paralelo 8 estava no lote dos 5 melhores vinhos "verde e amarelo".

Abraço

João Filipe disse...

Essa também não sabia! Paralelo 8 e Rio Sol é tudo a mesma coisa, só muda o rótulo por conveniências comerciais, e a meu ver, mesmo que bem feito, ainda tem muito chão para percorrer até que venha a assumir esses status de um dos TOP 5 produzido por aqui.

João Filipe disse...

Desculpem, faltou algo:A região do paralelo 8 ainda tem que conhecer sua vocação. Dizem por aqui que a Syrah e a Petit Verdot podem ser as grandes cepas da região, eu acredito que a aposta é a Syrah e talvez uma Alicante Bouschet. Acompanhemos e demos tempo ao tempo. O pessoal é bom no que faz, mas o terroir tem seus limites que o mais competente dos enólogos e equipe técnica terão que suar muito para ultrapassar! Falemos daqui a mais uma meia dúzia de anos, por enquanto, em minha opinião, são somente desejos!

Paulo Coelho Vaz disse...

Caro João Filipe
Dizer que o Paralelo 8 e o Rio Sol são a mesma coisa, é a mesmo que dizer que o Lote 43 e o Miolo Reserva são a mesma coisa. Sei bem que o lobi pró Vale de Vinhedos é grande no mundo brasileiro do vinho, mas vá lá, não vale a pena espalhar confusão.