A entrada longa, ladeada por oliveiras, faz-nos penetrar num mundo que, quase, não existe. Era a verdadeira Beira. Uma Beira nobre, clássica e distinta.
Há muito que estava marcado no meu mapa enófilo uma visita a este canto. Na verdade, tenho infindáveis X marcados na carta de orientação (ainda não aderi ao GPS). Espero, em tempo útil, atingir todos esses lugares.
As cores eram suaves, os recantos da Fata iam revelando pequenos tesouros, imagens, passagens em que o ritmo da vida decorre de acordo com as necessidades do homem. Nã há pressas, não existem modernidades desnecessárias. O relógio torna-se, fatalmente, um utensílio infrutuoso.Lá no fundo, junto à casa, estava uma figura discreta à nossa espera. Eurico Amaral, personagem que conheci alguns anos atrás, recebeu-nos com gentileza pouco comum nesta realidade.
Espaços simples, vinha tratada, quase jardim. Pinheiros, eucaliptos, mimosas pontificam em todos os lados. Encoaram novamente palavras repetidas na Ponte Pedrinha: Terra, lagar, alma. Receita, quase, ideal para construir um vinho, quase, quimérico. Reforça-se a ideia que pouco é preciso para fazer, basta seguir os passos da Natureza, deixá-la decidir.
É preciso ter uma enorme coragem para defender uma filosofia, um modo de estar pouco consentâneo com as modas actuais, em que tudo se manipula. Este homem e outros defendem esta filosofia até às unhas, às últimas consequências.
Enfiados num lugar, e sentados junto dos toros em chamas, fomos molhando a boca com os tintos da Fata. Desde o prosaico Clássico da colheita de 2006, passando pelo Reserva e Touriga Nacional das colheitas de 2007 percebia-se que havia ali qualquer coisa feita com paixão, vestidos com sobriedade e genuinidade. Sem madeiras curvilíneas e sem acrescentos bacocos.










8 comentários:
Rui, vejo as fotos onde apareces e vejo a tua pele roja, duos pequenos cornos e um longo e fino rabo. E tes um grande tridente. Eres o demónio e queres tentar-me com novos -e pra min desconhecidos- vinhos do Dâo. Onde irai ficar o meu salário de verâo, Deus meu?
Abraços,
Emilio
Emilio, não digas a ninguém mas parte do meu ordenado está cativo para o vinho do Dão.
Abraço
Thank you for the post and photos.
In my view Q. d Fata is a fantastic wine producer, one not to miss when trying Dao wines. Unfortunately it is hard to locate in shops (in lisbon for instance). If anyone know retailers in Lisbon for this producer it would be appreaciated. Anders
Thanks Anders.
It's true! It's very hard to find some wines from the Dão in Lisbon.
Caro, nem imaginas... outro dia sonhei com a Quinta da Fata. fiquei surpreendido quando, nesse dia, vi o teu blogue
Isso é adivinhação!
Belos momentos!
Abraço
Ao ver estas fotos, senti-me na Quinta da Fata com o meu amigo Eurico e sua simpática familia.
Gostei.
Parabéns
Jorge Esteves
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