sábado, abril 10, 2010

Quinta Mendes Pereira: O Dão da Raquel!

Mendes Pereira é um espaço de recorte mais moderno, mais actual, mas não menos interessante. Quinta ampla, espaçosa em que as vistas estão desimpedidas e desafogadas.

Um terraço coberto de videiras, em que o verde insiste tingir, mais uma vez, o cenário. Tal como nos outros antros, também aqui as árvores, as flores, os buxos e o mato, convivem paredes meias com as vinhas. Sem conflitos e aparentemente habituados a viver em parceria.

Depois de um dia, quase inteiro, a calcorrear meia região, somos recebidos por uma personagem feminina e com sotaque do outro lado do oceano. Num ápice, e sem mais nem menos, passámos de uma dimensão tradicionalista, tipicamente beirã, para uma mais exótica, quiçá mais tropical. Permitindo-me abusar, era um Dão abrasileirado. Custou-me realinhar a bússola e perceber que, afinal, não tinha saído para outro lado qualquer. Ainda andava por terras da Lusitânia.

A adega, construída com o bendito granito, é um mimo. Um belo exemplo de reutilização e reciclagem do património edificado. Estão lá todos os artefactos necessários à laboração. Lagares, inox, barricas e depósitos de cimento, agora, revestidos de epoxy. Tudo simples e, mais uma vez, sem luxos.

Sentados à mesa, trocaram-se algumas impressões sobre os vinhos e acerca da filosofia da casa. Também aqui as palavras ressoaram, em consonância, com que tinha sido ouvido noutros poisos.

Os tintos e brancos não fugiam da vertente mais tradicional. Austeros e sisudos. Vegetais, minerais e mentolados. Vinhos que pedem desesperadamente por tempo e paciência e, como já disse mais que uma vez, fartos em recortes de coisas antigas.

Epilogo

E encerro, para já, a minha caminhada pelo Dão. Foi o resultado de múltpilas coincidências da vida que levaram-me a penetrar num mundo diferente, imensamente discreto e que vagueia, infelizmente, longe dos holofotes da glória, das passarelas.
Uma realidade quase anacrónica, despida de modernidade, mas apostada em querer fazer vinhos com paixão e alma.

1 comentário:

Emilio disse...

Outro excelente post, Rui. Parabéns! E verdade, o granito da muita elegância e distinçâo as Quintas. Gosto muito dessa arquitectura portuguêsa.
Saudaçoes,
Emilio