segunda-feira, Agosto 30, 2010

Quinta de Macedos (Douro), quem o atura?

Em abstracto é um vinho que não devia de gostar. Na prática continua a ser um vinho que gosto (muito). Razões? Nenhumas ou muito poucas. Dificilmente justificáveis. Ele é bruto, ele é intratável, arrogante.

Mas aquele carácter, a personalidade vincada que não facilita, faz-nos pensar. Vinho difícil, complicado, pouco educado, rude e monolítico. Seco, ácido, com aromas e sabores confusos. Robusto, quase violento. Passados 10 anos, continua a manifestar comportamentos tingidos de juventude, revelando que o fim está muito longe. Sem rugas. Nota Pessoal: 17

sexta-feira, Agosto 27, 2010

Entre Redoma Reserva 05 & Ossian 06 escolham!

Perante vinhos de tamanha estirpe, pouco existe para dizer, mais uma vez. São vinhos quase irrepreensíveis. O que os distingue, em muitos casos, são factores de pormenor, de dificil julgamento, justificados, na maior parte das vezes, pela incontornável subjectividade humana. Ou porque um é mais citrino, ou porque o outro mais é untuoso. Ou, ainda, porque um é mais mineral e o outro mais vegetal. Ou porque se gosta mais ou porque se gosta menos!

Perante um cenário em que ambos apresentaram argumentos de elevada qualidade, restou-me, simplesmente, dizer que gostei deles da mesma forma, na mesma maneira. Bom, talvez não seja assim, talvez tenha preferido o Redoma Reserva 2005 (Nota Pessoal: 17,5). Usando e abusando da sua delicadeza e subtileza, pegou-me pela mão. O Ossian 2006 (Nota Pessoal: 17) perdeu, perdoem-me o uso deste excessivo verbo, por causa, quiçá, da nesga de madeira a mais. Ao fim ao cabo, terão sido coisas sem sentido. 

quinta-feira, Agosto 26, 2010

Quinta do Monte D'Oiro Reserva 2001, sem Nota de Prova.

Sinto que estou a largar, a despir-me das prosaicas notas de prova, colocando-as no armário, metendo-lhes naftalina. Parece que estou a quebrar com o vício de falar em taninos, em prolongamento, em final de boca. Julgo que estou a conseguir. Julgo. Seria, num acto de derradeira desintoxicação, o grito da minha libertação. Pior serão as eventuais recaídas, o regresso ao tempo perdido nas infrutuosas descobertas de aromas e sabores. O medo de regressar ao velho hábito é imensamente grande. Desmesuradamente grande.

Disseram-me, algum tempo, que este tinto andaria pelas ruas da armagura. Desconfiei da afirmação. Aberta a última, terminando o meu lote de Quinta do Monte D'Oiro, resta-me apenas a sensação, a afortunada sensação, que a minha garrafa cumpriu, e muito bem, o seu papel. Ele estava soberbo, elegante, complexo e altivo. Ele simplesmente despediu-se, de mim, em grande estilo. Poucos têm conseguido a proeza. A saudade, essa, instalou-se. Nota Pessoal: 18

terça-feira, Agosto 24, 2010

Herdade dos Grous Reserva 2008, vinho pronto!

Irei certamente cometer pecados, irei provavelmente exagerar, mas acercou-se sobre o copo a forte convicção, muito pessoal, que este Reserva do Baixo Alentejo estava demasiado apetecível, abusivamente pronto a ser bebido, reproduzindo, a partir de certo momento, as mesmas palavras: Fruta, madeira, licores. Limpo e redondo, com acidez, talvez discreta de mais. Tudo conforme a moda.

É bom, é certo, disso não tenho dúvida, mas um vinho deste calibre tem que ser mais qualquer coisa. Tem que dar luta, tem que criar dúvidas, tem que envergonhar-nos. Deve, acima de tudo e de todos, deixar marca no homem. Se não conseguir nada disto, arrisca-se a ser apenas mais um e por 30€ existe muito vinho à solta.
Nota, última, no que respeita às castas, entre as tradicionais Touriga Nacional e Alicante Bouschet, o lote integrava a Tinta Miúda.

Post Scriptum: Vinho enviado pelo Produtor.

domingo, Agosto 22, 2010

No meio das chamas, havia Paraíso.

Estava o redor em fogo. Por todos os lados, surgiam exponencialmente chamas. A paisagem verde que palpitava naquelas bandas ardia (ardeu) vorazmente. Lá em cima, no ar, a azafama, o alvoroço, era enorme. A meia dúzia de aeronaves tentava, a muito custo, bombardear as endominhadas chamas. Era o Inferno na Terra.

Tentanto esquecer o que se passava, embrenhei-me no meio de um dos últimos paraísos do Dão, onde a Tinta Pinheira reina, ainda, a seu belo prazer.

Ao som das hélices, dos motores, das aterragens e deslocagens, das serines, fui engolindo vinho. Vinho, esse, sem maquilhagem, nascido ali ao lado. Pura terra e paixão de homem enfiados num copo.

terça-feira, Agosto 17, 2010

Altas Quintas Crescendo (Alentejo)

Como sabem, pelo menos para os sujeitos que perdem ínfimos segundos no Pingas no Copo, fui, e ainda sou, um seguidor atento e consequente apreciador dos vinhos Altas Quintas. Diria que, perdoem-me o desregamento, gostava de quase tudo. Era incapaz de torcer o nariz ao que se ia inventando nestas bandas da Serra de São Mamede.
Acercadas as novas colheitas do Altas Quintas Crescendo (Branco 2009 e Tinto 2007), pairou no ar uma perigosa penumbra. Ambos os vinhos cheiravam e sabiam perigosamente a receita. Desenhados a régua e a esquadro, revelando, sem qualquer pudor todos tiques, e mais alguns, de modernidade. Sem erros, sem arestas, sem pontas. Limpos, directos e previsíveis. Normais.

Parece absurdo, e será com toda a certeza, criticar estes atributos, mas ando empaturrado de beber quase sempre o mesmo. Manias minhas. De qualquer modo, nota positiva para o branco que meteu em cima da mesa sensações secas, estruturadas e cristalinas. O tinto, esse, arriscaria a dizer que será apenas mais um.
Sabemos, acho, que estes vinhos situam-se no grupo destinado ao consumo em larga escala, mas podiam, se possível, conceder-nos qualquer coisa diferente, mais arriscada.

Post Scriptum: Vinhos enviados pelo Produtor.

terça-feira, Agosto 10, 2010

Quinta dos Roques (Dão)

Este report, de conteúdo ligeiro e quase inócuo, serve, simplesmente, para abrir lentamente a época enófila. Devagar, muito devagar que o sol está muito pujante. Depois, as chamas que estão do outro lado da janela, escurecem as minhas ideias. Maldito país, que vai ardendo todos os anos, ficando preto, sem verde, destruído, tapado pelo betão e a tombar perigosamente para o Oceano. Triste sina.
Mas dobremos o assunto, e coloquemos à frente da tela umas quantas fotos da Quinta dos Roques. Esqueçam, portanto, para já, os tratados enormes, as notas de provas (que estiveram em segundo plano). Aliás, os vinhos esses, de enorme qualidade, estão muito falados, conhecidos e badalados. Não traria nada de novo à rede. Seria, com gigante certeza, mais um a bradar sobre assuntos que todos conhecem.


Só antes de ir embora por mais uns dias, acrescento que este produtor, será dos poucos no Dão, em que o seu nome é maior, vende mais que a região demarcada. O nome Roques/Maias é, portanto, uma mais valia para o enclave beirão e não vice-versa.

Na verdade, vejo que diversos produtores já tornearam a lentidão e a falta de visão dos mandantes do reino que continuam enclasurados nos palácios e entretidos em jogos. A pedido, meu, esqueçam-nos.

domingo, Agosto 01, 2010

On Holidays

Estou, durante alguns dias, completamente out da discussão sobre vinhos.


Mais para a frente, quando tiver vontade, lá direi qualquer coisa. Acho eu. Entretanto vou gozando à conta dos rendimentos.