domingo, outubro 24, 2010

Revista de Vinhos fez um Lifting!

Peguei à pouco tempo na nova Revista de Vinhos. Agora vem com outra imagem. Vestiram-lhe novas peças de roupa, calçaram-lhe novos sapatos, mudaram-lhe o penteado e, em alguns pontos do corpo, esticaram-lhe a pele. A idade não perdoa.

Sou franco, gostava mais da coerência que antigamente demonstrava. Era mais sóbria, era mais madura. Agora dá a ideia que é uma velha senhora, que apesar de respeitável, vestiu uma amálgama de peças de vestuário que, aparentemente, não parecem combinar muito bem entre elas.
Não gosto de ver os rótulos encavalitados uns em cima dos outros, na secção das Novidades. Depois, e demasiado irritante, é por cada página de texto produzido pela revista, existe uma página com anúncios. Torna-se cansativo, o esforço é maior, ter que dobrar sempre mais uma página para continuar a ler. A necessidade de guito faz estas coisas. Bem sei!

No passado fui acusado, e muito bem, de usar em excesso fontes nos meus textos. Parece que a Revista de Vinhos que não se cansa de bradar aos céus o seu profissionalismo e que, em tempos, um dos seus maiores responsáveis chegou a bater nos WineBloggers Portugueses por causa da inoperância que demonstravam, acabou por cair em exageros gráficos cometidos por alguns de nós. Não conseguiu aprender com os comentários que iam surgindo do outro lado do mundo. Sim, o mundo não acaba lá na RV.
Agora colocaram em papel os best sellers das diversas participações do Fórum da RV. Não percebi a ideia, desculpem-me, e não vejo qual é a vantagem. Parece-me haver sobreposições de funções. Ou se é digital ou se é papel.

Criaram uma nova rubrica, um espaço como queiram, em que dão hipótese ao leitor anónimo de ser, por breves momentos, um Crítico. Para confundir, ainda mais, esta nova secção está colada ao Correio do Leitor, ficando a ideia que nem eles, os da RV, sabem muito bem o que pretendem com este novo espaço, porque já no Correio de Leitor apareciam textos em o enfoque eram experiências de enófilos. Ao escreverem para lá, pensem muito bem o papel que querem interpretar: se o de leitor ou de crítico.

Luis Lopes, no seu novo Edito, diz que a RV não é uma revista de fotografia, pode não ser, mas arrisca-se a ser, simplesmente, uma revista de publicidade.

sexta-feira, outubro 22, 2010

Quinta da Murta Touriga Nacional 2005, um mundo Obscuro!

Ou provar, primeiro com enorme desconfiança, e depois ao beber, com larga satisfação, fiquei com a leve impressão que estava a trilhar caminhos estranhos, demasiado obscuros e afastados da urbanidade. 
O rótulo, só por si, assustava. Sabendo que a aparência não é tudo, podia ter havido maior cuidado na forma como vestiram a garrafa. Eles, o vinho e a garrafa, não mereciam. Mas, voltemos à narrativa.
O processo que levou à interpretação deste vinho parecia tratar-se de uma extraordinária jornada num mundo que, julgo, não existe: Sem imaginação! 

À medida que avançava na tarefa, as comoções vividas mais pareciam ser um conjunto desorganizado de alucinações, de momentos deslocados, sem nexo e sem termo de comparação. Nada fazia sentido. Nem eu e nem o vinho. A busca de uma lógica, para tudo aquilo, acabou por revelar-se infrutífera. Apesar do medo rodar por perto, a solução era seguir em frente, sem olhar para trás, sem olhar para os lados.
Findo todo aquele rolo de venturas e desventuras, ultrapassados obstáculos complicados, passadas todas ilusões e sugestões vividas, fica simplesmente a sensação de ter vivido, por momentos, uma mão cheia de lances anormais, singulares e, porque não, estupendos. Que raio de coisa!

Post Scriptum: Vinho disponibilizado pelo Produtor.

sábado, outubro 16, 2010

Herdade do Portocarro, a terra de Anima!

Esta crónica vai estar coberta de sentimentos tendenciosos, assumidamente pessoais e que pretende, acima de tudo, mostrar o meu contentamento por ter cumprido mais uma tarefa enófila de extrema importância.

Recordo, ainda, com alegria desmesurada a primeira vez que provei o Anima. Lembro que a diferença de estilo, de comportamento, distanciava-o de outros vinhos. Não tinha nada haver, não tinha comparação. Aquilo era algo completamente estranho e de difícil interpretação. Cheiros e sabores estavam, já na altura, deslocados da prática. Tinha, portanto, que ir até à terra onde nascia este singular vinho, feito com uma casta -  sangiovese - que salvo lapsos de memória, não pontificava em Portugal.

O lugar, Herdade do Portocarro, está perdido algures na fronteira entre o distrito de Setúbal e Évora, paredes meias com a Ribeira do Sado, ladeada por um dos lados pelo verde dos arrozais. A vista é reconfortante, o vento, esse, mesmo num dia de calor não cessa.

Feita a recepção pelo ideólogo da Herdade, José Mota Capitão, fui convidado a fazer uma viagem intimista por aquelas terras. As vinhas serpenteavam os arbustos, as árvores, acompanhando a delimitação da cerca. Em cada paragem, roubava-se um bago. Por cada dentada dada, havia sempre uma explicação, um pormenor que merecia ser contado: ou era a doçura, ou era a graínha, ou era a película. Pelo meio, olhava-se para as parras, comparavam-se as semelhanças ou a falta delas, outras vezes pegava-se na terra mirando as diferenças. Noutros momentos, bastava-me ouvir o vento, sentir os cheiros daquele lugar escondido. No regresso foi feita a habitual, mas não desprezível, visita à adega. Simples, de espaço modesto, prática, com o necessário.

A epopeia terminou com um copo, com um valente trago do novo Anima da colheita de 2007, a olhar para a pacholice do gado.

À medida que a distância aumentava, reconheci a coragem de um homem que pouco se importa se os seus vinhos são Terras do Sado ou outra coisa qualquer, não ligando ao facto de um dos seus vinhos, mais emblemáticos, pertença à categoria menos valorativa, sendo um simples vinho de mesa.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Quinta da Bica (Dão) Reserva 2005

Mesmo que pareça, mesmo que seja, não é um acto de pura promoção. É um mero acto de estupefacção pela ausência de referências significativas ao produtor e a este vinho, neste acanhado mundo enófilo, que tarda a cortar as amarras que o prende aos poderosos.
Comprado há longo tempo, estava ali meio encalhado no meio de tantos outros amontoados, foi aberto, apenas, para safar um almoço, sem qualquer preceito bacoco. Apenas um copo correcto e cuidado com a temperatura. Nada mais.

O assombro foi enorme, quando compreendi a jóia que ali tinha. Um vinho repleto de frescura, de limpidez, de alegria, de vida. Um tinto esbelto, harmónico, bem delineado e com uma singeleza estonteante, quase disparatada, completamente fora das regras e dos preceitos actuais.
Que saudades tinha destas coisas, que pena ter apenas só uma, que estupidez nunca ter ligado a isto há mais tempo (logo eu). Não mereço o perdão, por não ter gritado há mais tempo: Bebam este vinho! Nota Pessoal: 17

quarta-feira, outubro 13, 2010

Terrenus (Alentejo) Branco Colheita 2008

Será telegráfico, muito lacónica esta publicação, muito ao jeito de chegar e sair. O vinho, em causa, não é, certamente, uma novidade para o público adepto destas causas. É o, no entanto, para mim, não em nome mas sim em prova.

Estilo sóbrio, saudavelmente pouco aparatoso. Dificil em definir, em dizer qualquer coisa. Ainda bem. Cheiros vegetais, carregados de sensações a feno, a restolho, a mato amarelo, com flores simples a marcarem presença um pouco por todo o lado*. Um pouco mais de aniz e ponto. Sempre com um comportamento, talvez não sei, meio masculino, sisudo.
Os sabores, esses, surgiram revestidos, e bem, por uma acidez acutilante. Seco, revelando boa qualidade, sem tornar-se fácil e imediato. Um vinho de SerraNota Pessoal: 17

* - Desculpem os eventuais exageros.

domingo, outubro 10, 2010

Primeira Paixão Verdelho 2009

É, para mim, uma das novas coqueluches da enófilia nacional. JPM atribuiu-lhe, se não estou em erro, a qualificação de melhor vinho branco, de mesa, da região (da Madeira). Podendo ele estar certo, julgo que podia ter arriscado mais um pouco. Podia, talvez, não sei, enfiá-lo no saco da surpresas nacionais. Talvez, não sei.

A título pessoal é um vinho que carrega em si um conjunto de sensações que gosto de sentir. Consegue comportar-se como um vinho diferente, um pouco distante da norma continental.
A fruta, que é de aparência tendencialmente citrina, actua de forma branda, sem exageros exóticos, quiçá extravagantes.  O tempero do sal dá-lhe um aspecto marítimo, atlântico. Depois, e não menos importante, a carga vegetal que apresenta ajuda a potenciar a limpidez, a pureza do vinho.
É um branco despido de acessórios pesados e que vale, acima de tudo e ainda bem, pela sua simplicidade anacrónica.
Após duas colheitas, teremos descoberto o verdadeiro verdelho? Falem os entendidos...

Post Scriptum: Vinho enviado pelo Produtor.

domingo, outubro 03, 2010

Graham's Vintage 1970

Um Porto que foi estudado, analisado e discutido. Os conselhos recebidos, ao longo do ano, eram consensuais. Para o pretendido, comemorar 1970, ele era o mais indicado. A título pessoal apenas retinha na ideia que o ano tinha sido bom e que haveriam, em alguns cantos, vinhos com interesse, com o Dão e Bairrada a marcarem pontos.
Conjugar em público meia dúzia de acções, sobre vinhos deste volume e grandeza, bastavam para acintar o resto do povo enófilo. Na verdade, o que interessa, para mim neste momento, é agradecer os conselhos recebidos. O resto serão migalhas.

Sobre o vinho, se é que interessa, revelou complexidade enorme, em que os aromas deambulavam, discretos, pelo ar. Poderia enumerar diversas coisas, mas julgo que não alcançaria, não conseguiria descrever, com exactidão tudo o que aconteceu. Gotinhas, pequenas porções, iam sendo devoradas lentamente, tentando afastar o mais possível o inevitável fim.
A classificação, essa, assenta num enorme número de variáveis subjectivas e carregadas de simbolismos pessoais. Nota Pessoal: 18,5

sábado, outubro 02, 2010

Ermelinda Freitas Touriga Franca 2008

Para entender a gama de vinhos deste produtor é imperioso consultar um guia, um manual de instruções, tal é a variedade de opções. Tenho algumas dúvidas, muito pessoais e baseadas em crenças, sobre as vantagens em construir um leque tão vasto de ofertas. Parece-me, poderei estar errado, que os ganhos para o consumidor não serão assim tão evidentes. Para o produtor, provavelmente haverão, não sei! Em muitos casos, se não todos, não consigo descortinar diferenças significativas entre um Touriga Nacional, este Touriga Franca, um Syrah ou um Trincadeira. As parecenças entre estes e outros são grandes. Depois, e para aumentar a desordem, existe um vizinho que detém uma compilação de vinhos muito semelhante.

Sobre o vinho em causa, pouca coisa há para contar em pormenor. Moderno, escuro, com fruto farto, madeira e fumados evidentes. Guloso e directo. Num estilo muito habitual.

Post Scriptum: Vinho enviado pelo Produtor.