quarta-feira, novembro 23, 2011

Vinha Paz, os Reservas

Produtor que pertence, peço desde já desculpas por eventuais exageros, à vanguarda do Dão, à falange que se encontra na frente da batalha. Sem grandes estoiros, discretos e parcimoniosos, os Vinha Paz foram ocupando lugar de destaque na oligarquia da região. Um caminho longo, trauteado de forma silenciosa, mas segura. Foi, também, para os interessados em história e salvo erros de informação, território de trabalho do saudoso Magalhães Coelho. Homem cordato e recatado. À sua memória!
Olhando, ainda, para o passado, lembro a primeira botelha que comprei: Vinha Paz Touriga Nacional 2000. Na altura era, ainda, enófilo juvenil e em estádio de completa inicação. Estarei agora atravessar a fase de aprendiz júnior.


Anos passaram, e após tanta água a passar por debaixo da ponte, é-se confrontado com um espólio de cinco Reservas, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, adquirido com paciência.  
Era tempo de bebê-las, de desfrutá-las, de simplesmente apreciá-las, sem mais demoras e sem mais salamaleques tecnocratas. Havia, portanto, que abrir garrafas, sacar as rolhas, verter o líquido e sentir a espectável sucessão de cheiros e sabores que surgiriam.


Com as devidas diferenças, contando com os estádios de evolução e possíveis armazenamentos deficitários, pressente-se a coerência, a linha condutora. São vinhos duros, enquanto jovens, austeros e dados a poucas estórias. Roçam, por instantes, a indelicadeza, o grosseiro. O tempo, felizmente, acaba por amaciá-los, por controlar-lhes a força. Ficam, então, domesticados e bem mais sociais. Atingem patamares de complexidade que merecem ficar registados e narrados para a posterioridade.


Gostos? Preferidos? Talvez o 2006, talvez o 2008. O primeiro, por ser mais campestre, eventualmente mais vegetal. O segundo, por ser um malandro sisudo, duro, cruel e sem meias palavras. Os outros? Pouco restou.
Terminado o encargo, fica a tarefa de conseguir repor o património.  

Post Scriptum: Deixo-vos, ainda, a visita do Garficopo à Vinha Paz.

6 comentários:

Anónimo disse...

É um dos meus Vinhos de eleição, julgo que esta tudo dito. Por isso fica a sugestão se alguém me quiser oferecer algo no Natal.
IL

Pedro Guimarães disse...

Caro Pingus,

sem dúvida um dos meus vinhos favoritos (preço/qualidade imbatível) e como fiel depositário de várias garrafas gostaria de saber a tua opinião em relação às janelas de consumo...de cada uma das colheitas provadas.

Abraço,

Pedro Guimarães

Pingus Vinicus disse...

Pedro, vinhos, todos eles, com muita capacidade para evoluir, isto é, e salvo erros, para guardar, durante bons anos, sem medo em qualquer colheita.

Abraço

Antonio Madeira disse...

Este produtor é dos poucos em que tenho guardado vinhos de varias colheitas.
Depois de ler este post, fui abrir um reserva 2006 e confirmo esta muito bom, profundo, gestas, especiarias, alem da fruta no fundo, e sobretudo oom vida na boca, vidadro. Gostei.

Abraço
Antonio Madeira

PS: vou ao Dão no fim de semana de 8 à 11 de dezembro. Se estiveres por la, diz qualquer coisa.

Pingus Vinicus disse...

Olá António, gostava agora de conseguir os Reservas mais antigos.

Olha só devo ir a Gouveia pelo Natal. Vais só estar esses dias em PT?

Um abraço forte

Antonio Madeira disse...

Dos mais antigos ainda me resta um 2004 e um 2005.

Sim Rui Miguel, so la vou estar do 8 ao 11.