Se calhar o assunto já foi repicado, na enolândia, mas ainda assim não vou coibir-me de retornar a falar dele.
Um produtor tem o seu enólogo, que é homem simples, jovem e dedicado, cheio de ideais, pouco burguês. O sonho é fazer um vinho diferente, com o tal carácter, que marque o povo. Começa, paulatinamente, a ter sucesso com o trabalho que desenvolve. Ganha.
Ao lado, outro produtor pede a esse mesmo enólogo que dê uma mãozinha, que ajude a relançar os seus vinhos. O enólogo aceita o desafio. É sinal de reconhecimento, a que ninguém fica imune. O tempo caminha, o enólogo começa a ampliar a sua influência por diversos locais e lugares, por mais recônditos que possam ser. Faz vinhos aqui, além, mais além, no outro lado, perto, longe.
Ao lado, outro produtor pede a esse mesmo enólogo que dê uma mãozinha, que ajude a relançar os seus vinhos. O enólogo aceita o desafio. É sinal de reconhecimento, a que ninguém fica imune. O tempo caminha, o enólogo começa a ampliar a sua influência por diversos locais e lugares, por mais recônditos que possam ser. Faz vinhos aqui, além, mais além, no outro lado, perto, longe.
O enólogo, outrora desconhecido, agora famoso, julga-se o melhor, quase divindade enológica. Conseguirá, ainda assim, avistar o que anda a fazer? Empenhar-se-á mais num lugar, com determinado produtor, que noutro sítio e com outro patrão? Não andará a jogar contra si mesmo, como se estivesse só, num jogo de xadrez, rodando o tabuleiro, à medida que vai mudando de jogador? Quer ganhar ou quer empatar? Estará a lutar contra si mesmo? Terá produtores preferidos? Terá terroirs amados? Ou, apenas, se resume, e bem, a ganhar dinheiro? Coisa mais estranha, quase doentia.



























