quarta-feira, Junho 29, 2011

Caves de São João, tomem nota do que digo!

Anda um tipo loucamente à procura, e a desejar, a suspirar, e a poupar para comprar uma eno-coqueluche. Sendo que a décalage entre um vinho rico e um outro mais modesto, amiúde, não compensa o esforço que se faz. Parvoice, pedantismo, na maior parte das vezes. Fica a ideia que se presta demasiada vassalagem, entre consumidores, somos também responsáveis pelo estado da nação enófila, e profissionais aos mesmos de sempre. E não há maneira de mudar agulha, virando-a para outro lado. Adiante que é conversa esgotada.

Momento báquico igual a tantos outros. Vinhos servidos às cegas. Seis tintos colocados lado a lado. E três deles vindos da antiquíssima e respeitável Caves de São João. Um deles já retratado aqui, confirmou o seu perfil, o seu mondus operandi. Tenta trazer do passado para o presente, os velhos tintos concebidos com uvas da Bairrada e do Dão. Um puro vinho de mesa. E ainda se diz à boca cheia que não existem vinhos gastronómicos. Tretas.

Outro, temperado com Cabernet Sauvignon, apresenta-nos um conjunto de descritores, de sabores e sensações que poderá, quase na certa, fazer corar uma porrada de gente. Caiu-me o queixo. Há muito que não bebia. Foi ovacionado.

Depois outro, mais singelo, mas não menos interessante. Um Touriga Nacional de fácil acesso, bem ali à mão de semear como o povo costuma dizer. Um puro manto de flores, de alfazema, de rosas, de mato rasteiro.
No meio da conversa que despoltou, houve tempo para recordar outro vinho. Um branco, Reserva de 2009. Aqui não sou o único a tecer-lhe elogios. RF partilha da mesma opinião.
Apraz-me, agora, dizer: Poupemos dinheiro, pois então!

segunda-feira, Junho 27, 2011

Quinta da Vacariça, uma longa espera!

Não existe tempo, nem paciência para depositar conversa oca, sem conteúdo. Está calor, o corpo está mole e preguiçoso. Ninguém lê e ninguém ouve. Existem outras coisas, por ora, bem mais motivadoras.
Mas, no meio de não fazer nada e vasculhando no baú, lembrei-me que existem produtores, poucos, que aguentam a pressão do mercado, retardando, o mais possível, o lançamento dos seus produtos.

Dos poucos vinhos made in pt que provei, na altura, este bairradino foi, quase na certa, dos mais marcantes (que foram, também, poucos).
Rijo, duro, natural, exigente, musculado, desafiante e desafiador. Não é vinho nim, não será eventualmente consensual, ainda bem. Pareceu-me um monstro da natureza, um portento de esperança, de evolução.
O pior da coisa, é que só o veremos, a colheita de 2008, lá para 2013. Jogada arriscada? Veremos. Eu, pelo menos, aguardo com expectativa o seu efectivo e real lançamento.

segunda-feira, Junho 20, 2011

Concerto de Verão de Cortes de Cima

Em Cortes de Cima, houve música, comida e vinho. Uma triologia de prazer. Um enlace, uma rodilha de luxúria, de boa vida, amparado por uma paisagem bucólica.





É-se recebido de forma educada, despretensiosa. Fica-se, num ápice, solto e livre. A casa é vossa, estejam à vontade, sirvam-se.
Antes do acontecimento, tempo para esquadrinhar os domínios. Vinhas, adegas, edfícios. Flores, canteiros. O céu e a terra.



Debitam-se os primeiros acordes. Ao som das vozes e das teclas, olhava-se para o lado, mirava para a suave silhueta do horizonte.



Estava calor. O vento aliviava. Os cedros, alinhados ao longo da estrada, abanavam de forma meiga. Havia, de facto, qualquer coisa de doce no ar. Pensa-se na vida. No passado, no presente, no futuro. O que fiz e o que virá.



Fez-se um hiato. Aconchegou-se o corpo. Mesa longa, virada para as vinhas, mostrava-se abastada de guloseimas, de pitéus.



Limpou-se, entretanto, a boca com uns tragos de tinto. Destaque para o Touriga Nacional de 2007. Olha-se, novamente, para os lados. Flores bonitas.



Retorna-se à música e volta-se a contemplar a cercania. Ouvem-se, muito perto, fados cantados com sotaque pouco lusitano. Ainda assim, soam bem.  Aplaude-se e surgem os encores.
Segue-se, findo o sarau, o repasto. Momento derradeiro. Servido em ambiente elegante, acolhedor, simples. A gula, controlada até a altura, rompe finalmente com os grilhões.  



É, também, o tempo certo para trocar palavras, incialmente um pouco tolhidas, algo frias e distantes, posteriormente livres e mais babelescas. O sumo de Baco tem destas virtudes. Quebrar o gelo entre os homens.

sábado, Junho 18, 2011

Marquesa de Alorna, breve síntese!

Para falar de vinhos, faço já mea culpa, não é preciso enunciarmos longos postulados ou fazer extensas dissertações carregadas de palavras que ninguém entende ou inteligíveis a meia dúzia de gatos pingados que falam em circuito fechado. Na i-enofilia, a vantagem terá, tem que ser, a velocidade, a síntese, a objectividade da informação prestada. Basicamente conta, o início e o fim. Pelo meio, apenas duas a três palavras chave. Mais do que isso é desperdiçar tempo. 

Terminado o prelúdio, e não fungindo ao declarado, apraz-me dizer que são dois vinhos do Ribatejo, agora Tejo, provenientes da Quinta da Alorna. São, o tinto, um Reserva de 2008, e o branco, um Reserva de 2009, um up-grade do portefólio deste produtor. Vinhos que satisfazem, que sabem bem, que exibem qualidade.  Bem delineados, limpos, sedosos, bem compostos, modernos qb. São, pareceu-me, produtos destinados a atacar o maior número de consumidores possível. Desempenham, quase na perfeição, o papel de vinhos consensuais. Não vejo mal nisso e não vejo por que dizer mal.

Post Scriptum: Vinhos disponibilizados pelo Produtor.

segunda-feira, Junho 13, 2011

Chambertin

Naturalmente não haverá qualquer nota de prova, textinho, tratado ou bula eno-blogger.  Seria secante e árido, como a maior parte das vezes, e nada esclarecedor, como sempre. 
Rodeado de pensamentos sem sentido, de perguntas sem resposta, a olhar para caminhos sem fim, lembrei-me que se tivesse a carteira bem abastada, beberia disto.

Naturalmente a vida rir-se-ia bastante e não faltariam clichés e homilias carregadas de simbolos enófilos, vazias é certo. Basicamente a mente soltar-se-ia e acalmaria o turbilhão, a desorganização que percorre de alto a baixo o íntimo.

Infelizmente, fico-me pela grata recordação de ter provado, em Nápoles, umas meras gotas, mas lascívas, de Chambertin. E, porra, felizes daqueles que vivem cheios de certezas.

quarta-feira, Junho 08, 2011

NyaKas Budai Chardonnay

Pergunto secretamente, e por diversas vezes, qual a utilidade de um post sobre vinho, ou vinhos, que apenas 0,00000000.... conhece e que somente 0,0000000000000000 .... vai, eventualmente, conhecer? Ou comprar...? Qual o efectivo interesse para a i-enofilia? Mostrar aos concorrentes a largura dos horizontes de cada um?

O vinho de hoje, da colheita de 2009, tal como estes e outros que andam por aqui, cumpre na totalidade, o preceito físico da sua quase não existência. São produtos, diria, quase metafísicos, destinados meramente a meditações íntimas, servindo, apenas, para potenciar o ego. O meu é maior que o teu

Fico-me, por isso, pelo uso de simples conjugações, inócuas, como: Não achei graça ao dito, pareceu-me um branco normativo, empanchado de mel. Se o virem, comprem outro. Se, no entanto, quiserem impressionar os amigos com algo exótico, também magiar, impronunciável, não hesitem.

sábado, Junho 04, 2011

PANNONHALMI APÁTSÁGI

Os nomes são impronunciáveis. Vêm da Hungria e são, basicamente, vinhos que não conheço. Não sei quem são, para o caso pouco importa, logo não farei qualquer tratado de explicação. Para os interessados, vasculhem aqui. O sítio tem muita, e boa, informação, permitindo ao visitante virtual ter uma ideia geral do local, da história, do produtor. Parece-me que está lá quase tudo.

No entanto o que releva, para o momento, é partilhar, com eventuais, interessados os dois vinhos magiares que proporcionaram bons momentos de enofilia. O valor pecuniário, mais uma vez ficou esquecido, apagado da memória. Sei, julgo, que são/vão ser vendidos em Portugal a preços muito competitivos, permitindo, deste modo, que o enófilo PT tome contacto com eles. 

Finda a reza introdutória, pouco mais há para dizer. O Hemina, um branco da colheita 2008 que se mostrou desenvolto, vegetal e frutado, melado e seco, conseguindo cambiar diversas sensações, e estados, de forma pausada e nada abrupta, revelando ser, acima de tudo, um vinho equilibrado e interessante. 


O tinto, também da colheita de 2008, é um puro Pinot Noir. Cor, aromas e sabores a respeitarem todos os trâmites que desejamos ver cumpridos com esta casta. Não serve, portanto, p´ra quem gosta de ser esmagado pela força da fruta e pela imponência da madeira.
E assim foi.