sexta-feira, Março 30, 2012

Ribeiro Santo by Carlos Lucas

Carlos Lucas é personagem que estimula, na bancada enófila, os mais diversos comentários, reacções, estados de espirito. Independentemente do que cada um pensa, ou acha, Carlos Lucas olhou para o vinho e transformou-o num negócio puro e duro. Atacou em várias frentes. Há quem diga que foram demais. Marketing, a diversidade de produtos e de regiões. Combinou, ainda, lotes de vários países.


E transformou a Dão Sul, num motor de promoção de uma região meio obscura, chamada Dão. Dispôs o Colheita Seleccionada, sem qualquer vergonha, ao lado de outros vinhos de grande tirada, como o Monte Velho e o Esteva. O Grão Vasco, esteio nesta gama de vinhos, e por culpa da própria Sogrape, foi relegado para posições menos cimeiras. Foi possível ver um vinho do Dão, de ar cosmopolita, em quase todos os escaparates.


Este Ribeiro Santo, quiçá um dos últimos em que Lucas meteu a mão, é representativo de um estilo, de uma forma de olhar para o mundo sem fronteiras. Moderno, sem ser abastardado. De perfil simbiótico, que agradará tanto a puristas, como a modernistas. Está errado?

quarta-feira, Março 28, 2012

Contraditórios (III) Radix

É conhecido pelos autores, do vinho, que não morria de amores por este tinto da Quinta da Bica. Logo este contraditório serve, antes, como puro acto de contrição pública. Não ficaria com a consciência sossegada, se não o fizesse. A César o que é de César.


Se no passado o dito não me sugeria qualquer comentário de valor relevante, hoje foi capaz de fazer-me pegar no copo incessantemente. Pareceu-me vinho de timbre piano, harmónico, com alguma esbeltez.


Posto isto, tenho o despalante em dizer que o passado e presente não têm, neste momento, qualquer ponte de contacto.

domingo, Março 25, 2012

Vinhos e Mulheres

Se havia algum resquício, ele desapareceu. O toque feminino transmite, definitivamente, mais elegância, mais subtileza e incute maior respeito. Os machos ficam disciplinados, controlam as suas plumagens, evitam, deste modo, vociferar impropérios desnecessários.


A mulher é incisiva, mais dura. Impõe respeito pelo olhar, pela piada cortante. Não tendo músculo, socorre-se da artimanha para chegar ao fulcro.


É preciso vasculhar bem fundo as calendas para relembrar momentos de enófilia em que a subtileza e o discernimento estivessem presentes desde o primeiro até ao último minuto.


Estivessem só homens e teríamos exibições másculas, de conteúdo aparvoado, em que cada um contaria estórias de teor fictício, com mais ou menos grau de imaginação.


No final, todos seriam assolados pela ebriez.


Enfiados por elas num castelo, em ambiente palaciano e em terras de Santiago, e sob a alçada do grupo facebookiano TWA, meia dúzia de homens foram conduzidos para uma prova, para um encontro com vinhos, em que o género oposto era o mote. 


Por entre comentários mais ou menos deslocados, mais ou menos assertivos, fica a ideia, parece-me, que a mão mais fina da mulher não é marcante nos vinhos que vamos bebendo. 


Que há vinhos femininos, lá isso há. Só que às vezes são feitos por homens. :)

sexta-feira, Março 23, 2012

Contraditórios (II)

Gostei muito e registei aqui. Escolhi-o, depois, para integrar a elite do Pingus Vinicus.


Agora não! Não parecia, não era, o mesmo. Estranho e sem interesse. Complicado e muito atabalhoado. Após inúmeros elogios, quase desmedidos, fica na boca um grande amargo.

quinta-feira, Março 22, 2012

Vale (da) Dona Maria

O texto, apesar de titulado com nome de vinho, é na essência uma dedicatória para determinada filha.
Nascida em dois mil e dois, tal como o vintage, a Maria é personagem pacata, de poucas falas. Reflexiva, quiçá, em demasia.


Aparenta ter apetência para as artes, para o estético. Comenta, pelos domínios caseiros, que a Rainha Dona Maria II foi boa monarca, porque, segundo consta, acarinhava a educação. Terá, por certo, alguma razão.
Foge do rebuliço. Gosta de patinhar na chuva, e prefere, segundo diz, o Inverno ao Verão. Simpatiza com as pedras.


Não aceita, com facilidade, o que lhe é ditado e olha de lado se o assunto não agradar. Sendo vencida, por força da sua meninice, raramente fica convencida. Nota-se pela altivez do seu nariz.
Pergunta amiúde, porque razão se guarda vinho com a data do seu nascimento. Pois, simplesmente, nunca gostará de tal coisa. E para gáudio do pai, é bloguista.

quarta-feira, Março 21, 2012

Casa de Saima, Remake

Branco que não é Reserva, mas podia ser. E pelo preço, menos de três euros e meio, devia ser escolha obrigatória.


É vinho com (enorme) largura de aromas e sabores. Fresco, vegetal e acídulo. E com compleição pouco habitual nesta gama de vinhos. Tivesse outra chancela e diríamos mundos e fundos dele.


Bebe-se bem, muito bem. Não cansa, pelo contrário. É preciso mais? Não creio. Portanto, que se consuma.

segunda-feira, Março 19, 2012

Contraditórios

O postulado de hoje é curto em extensão, rápido em considerações. E eventualmente ligeiro em argumentação. Basicamente é pura constatação. Porque não existe contraditório na prova de vinhos? Ou em outros assuntos derivados?
Se hoje não se gosta, pelas mais diversas razões, de um branco, de um tinto ou de outra coisa, e temos proa em dizê-lo publicamente, porque não o fazemos quando, por um qualquer motivo, passamos a apreciar. Seria, parece-me, justo.


No sentido inverso, é claro, a premissa também é válida. Seriam, em última análise, actos reveladores de elevada maturidade enófila. Se bem que não é fácil dar a mão à palmatória e reconhecer possível erro.
Ou os contraditórios realizam-se apenas no espaço reservado pela consciência de cada um? Sempre é mais confortável.

domingo, Março 18, 2012

Quetzal

Mais divulgação. Três vinhos da chancela Quinta do Quetzal. Três brancos para três categorias.
Um Colheita de 2011 que propõe um jogo de aromas e sabores de fácil empatia, apropriado para a momentos descomplicados. Cumpre bem o desiderato.


Um Selection da colheita de 2010, baseado na casta antão vaz, que consegue oferecer uma interessante e apelativa associação de sensações. Bem balanceado, saboroso e, curiosamente, subtil.
Um Reserva da colheita de 2010, também de antão vaz, que parece estar empachado de madeira. Pesado, pouco elegante. Meio carrancudo. O João à Mesa, saudavelmente, não concorda.


Entre os três vinhos, a preferência cai, sem dúvidas, no Selection.
À margem, devo dizer que gosto de um certo ar sul americano, e pré-colombiano, que os rótulos transmitem.

Post Scriptum: Os vinhos foram oferecidos pelo Produtor.

sexta-feira, Março 16, 2012

Solar dos Pintor

Esquece-se, muitas vezes, agradecer  seja o que for. E quando é feito, o acto soa a bajulação, despido de qualquer sinceridade. Faz-se, simplesmente, porque fica bem.


É com penintência, pelo atraso, que agradeço a recepção no Solar dos Pintor.


Uma casa portuguesa, nos arrabaldes da metrópole, que se apresenta despida de qualquer preconceito. É o que é e não pretende ser nada mais que isso. Casa de e para o povo.


Percebe-se, ainda, que existe paixão pelo vinho.


Depois come-se e bebe-se bem. Serve-se comida simples, de matriz tradicional, feita com a mão de mulher, da mãe, da avó.


O resultado, como expectável, é sair da mesa empaturrado e a tresandar a pecado. A expiação terá que ser feita nas horas seguintes.

quarta-feira, Março 14, 2012

Marketing de Vinhos, o Blog

É, sem qualquer dúvida pessoal, um dos blogs mais interessantes que existem em PT. Afasta-se literalmente das habituais temáticas que geralmente retratamos. Vai dando notícias, do Mundo, sobre o que se vai fazendo em Publicidade, Divulgação e Marketing de Vinhos.
O projecto bloguista assenta no Curso de Pós-Graduação, sobre Marketing de Vinhos, do Instituto Politécnico de Viana do Castelo e que decorreu, algures no tempo, em Ponte de Lima. Basta esta particularidade para que seja inovador e diferente.
Merece, por isso, que seja destacado e visitado pelo resto da comunidade blogueira. Curiosamente, e de forma incompreensível, parece-me, ninguém lhe dá a devida importância.
Marco Carvalho, o autor, é homem jovem, com ideias, beirão e conterrâneo. Está ligado ao vinho através da Quinta de Nespereira.

domingo, Março 11, 2012

Alvarinho, Anselmo Mendes e o Pingo Doce

Faz espécie, até ao momento, que nenhum dos fazedores de opinião, de carreira, se tenha lançado na abordagem, na análise, na exploração do universo em que os vinhos de marcas brancas vivem. Parece-me, julgo, que existe matéria suficiente, e em boa quantidade, para trabalhar e acima de tudo esclarecer o consumidor. Há um efectivo esquecimento, propositado ou não, desta realidade. Salva-se o Amândio que regularmente vai dando conta das suas impressões sobre esta matéria.


Este alvarinho, produzido e engarrafado por Anselmo Mendes, é, com toda a certeza pessoal, um óptimo exemplo de que a qualidade não é desprezada nesta linha de produtos.


É perceptível, na colheita de 2011, a panóplia de cheiros e sabores bem conseguidos. Com uma elegância que não se espera e que surpreende. Acresce-se, ainda, o facto do rótulo estar mais bem conseguido que no passado.


Alie-se o preço, menos de quatro euros, e temos os predicados necessários para uma excelente relação qualidade-preço. Provado e aprovado. E sem qualquer acanhamento, da minha parte, aconselho aos amigos e também, vá lá, aos inimigos.

sexta-feira, Março 09, 2012

Cidrô

Sexta desejada. Acorda-se na segunda e ambiciona-se, num ápice, pelo sexto dia da semana. A noite, deste dia, é momento talhado para exageros, devaneios, para os enredos a preto e branco. Cortam-se as regras do socialmente correcto e aceitável. Fala-se de tudo. Depois come-se e bebe-se como se o tempo fosse finito. Como se o último suspiro acontecesse logo a seguir. Sucedem-se ou revêm-se, como queiram, múltiplos episódios.


Cidrô tem, em tese, tudo, ou quase, para não ser um vinho escolhido. Por razões impossíveis de justificar, que não consigo, este chardonnay é, com alguma regularidade, bebido e desfrutado. Roçando, deste modo, o disparate e o absurdo.


Copioso, espaventoso e com uma porrada de curvas. E no meio de tanta ebriedade, é capaz de levar qualquer homem, simples no estatuto e na condição, pensar em cousas indevidas. Mas, caramba, é sexta-feira. O pior vem depois. Até lá, temos tempo.

quarta-feira, Março 07, 2012

Apontamentos sem sentido

Apontamentos pessoais, impessoais, com sentido ou sem sentido, com curiosidades ou não. Está explicado, deste modo, o fulcro do post.
João Paulo Martins, escuso apresentações, começou há pouco a sua aventura solitária no mundo da rede. Possui um lugar limpo, claro, asseado e sem extras desmedidos. Parece-me bem. É pena, acho, não existir alguma interacção, em tempo real, entre o leitor e dono do espaço.
As feiras de vinho, tema desgastado, estão miseráveis. O Continente lidera este indigente ranking. Sem qualquer interesse em preços e opções. Salva-se, vá lá, a que decorre, ou decorreu, no Pingo Doce. Expõe um bom portefólio de vinhos, com enfoque nos dez euros. Capaz de levar ao esvaziamento, ainda mais, das carteiras. Mas sem que o Mago Gaspar o saiba.


Por falta de atenção, reparei, e só agora, que o vinho Vinhas Velhas de Luís Pato, nas versões tinto e branco, surge em botelha bojuda. Torna o vinho mais aristocrático, sem dúvida, dando-lhe certo ar de coisa mais fina e abastada. Ainda assim, não deixei de pensar na moda borgonhesa que se instalou em Portugal. Mas isso são outros cinco tostões.


E não é que nome das minhas filhas andam estampados em alguns vinhos? Quinta da(s) Maria(s), Margarida e Dona Matilde. Não havendo, deste modo, qualquer primazia de regiões.
O Dão fica muito bem à mais velha, que, tal como esta alma, assume-se beirã e amante da Serra. 


O Alentejo combina, apenas, com a do meio, porque simplesmente gosta de contrariar, e muito, o patricarca. Além do mais, anda sempre à volta das saias da mãe.


Por último, o Douro que ficou destinado para a mais nova. Razões que só o avô paterno, homem do Douro Superior, saberá.

domingo, Março 04, 2012

As Oferendas - A Divulgação - O Retorno

Por certo o enfado cairá nas faces, de uns quantos espectadores, ao olharem para a tríade de palavras que forma o título do sermão de hoje. Mas que descansem as almas menos irrequietas. Ouçam, apenas, e meditem, se quiserem, sobre as palavras que esvoaçarão da tribuna.
O produtor ao presentear, nas mais variadas formas, determinados individuos, espera naturalmente pelo retorno da sua benemérita acção. O retorno, esse, tem que estar ou deve estar, julgo, estrategicamente definido, caso contrário não passará de mera acção inconsequente que poucos ou nenhuns resultados trará no futuro.
Mas como se determina a oferta? A quem interessa oferecer? Quais os canais  privilegiados? O digital? O papel? Este tipo, o outro, aquele?


Está ou já foi avaliado, até ao momento, pelos produtores, distribuidores e demais agências de divulgação que colaboram com os primeiros, o impacto que o mecanismo de oferendas tem na promoção de um produto, neste caso o vinho, e no  provável aumento do volume de vendas? Porque a poente, como espectável, espera-se, acho eu, determinado encaixe financeiro que contrabalance o investimento feito.
Pois paira pelo ar, salvo erro de análise pessoal, que os objectivos, na maior parte das vezes, não estão ou não foram devidamente programados, resumindo-se à mera expedição de uma ou mais lembranças. E feitas as contas, a titulo de exemplo, umas garrafas mais portes de envio a multiplicar por dez ou vinte remetentes não parece ser assim tão compensador.

sábado, Março 03, 2012

Quinta da Vegia

Por não ser player relevante, ou coisa parecida, no circuito enófilo, raramente mascarei emoções ou opiniões. Custa ouvir, ou palrar, palavras enfadadas de enviusamentos. Como tal, nunca tive qualquer acanhamento em assumir a estima por determinados agentes do sector. O preço tem sido, em alguns casos, o afastamento desta tabanca de qualquer referência, por muito ridicula ou incipiente que seja, a determinados vinhos. Mesmo acreditando que palavra a mais ou palavra a menos, nascida aqui não passará de simples rasto de amiba.
Na mesma proporção, e no outro lado da trincheira, estão outros que, por um motivo ou por outro, não despertaram impressões tão positivas.


Desta vez, sacudindo qualquer receio pelo uso excessivo de adjectivos e sem razão válida, não houve vergonha para subir ao púlpito e bradar sobre o vinho que vêem chapado no retrato.  Cheio de brilho, maduro, de pose requintada e cavalheiresca. Vestido com fraque de seda. Houvesse mais...na minha mão.

quinta-feira, Março 01, 2012

JMF, brancos e rosés 2011

Que seja, mais uma vez, pura e dura divulgação. Por isso adiante nos considerandos e sem qualquer pejo nas palavras a serem utilizadas. São três vinhos, dois brancos e um rosé, da colheita de dois mil e onze, da casa JMF.


Um rosé muito singular, diferente na forma e no conteúdo. Com uma panóplia de cheiros e sabores deslocados do habitual. Saltava à vista a proeminente floraridade e a enorme feminidade que possuía. Um autêntico rol de estímulos sensuais.


Dois brancos que surgiram ou surgem muito frescos, sadios e bem trabalhados, idealizados a régua e esquadro. Sabem bem e bebem-se muito bem.


Só mais um pequeno aparte. Aposto na boa evolução que, eventualmente, o Quinta de Camarate possa ter. Posto isto, e sem mais nada a acrescentar, que se consumam, literalmente.

Post Scriptum: Os vinhos foram oferecidos pelo Produtor.