Ao passar por aqueles dois marcos de granito que assinalam os domínios, é-se assaltado por uma panóplia de imagens e de sons, que enviam inevitavelmente qualquer homem para passagens de outrora.
Fica-se com a falsa ideia que o tempo parece ter parado. Depois a imaginação, para quem a tem, encarrega-se de fazer o resto.
O processo de reconversão da
Casa da Passarela, e dos seus diversos edifícios, continua a desenrolar-se a
olhos vistos. Já pouco, ou nada, se compara com a triste e incompreensível decadência a que foi votada, durante largos anos.
Há, agora, vida e vozes de carne e osso. Há sangue arterial a correr.
Os vinhos, os diversos lotes, espalhados pela adega reerguida, espelham com maior nitidez o olhar de quem os idealizou.
Os futuros Vinhas Velhas 2009, 2010 e 2011 perspectivam a continuação do perfil iniciado com o 2008. Mantêm a elegância, a frescura, amenidade de cheiros e sabores. Depois, e de igual importância, tendem a ser o reflexo de cada colheita. Sugerem, deste modo, processos de intervenção minimalistas. Parece tão simples...
As amostras de Touriga Nacional 2010 e 2011 apresentam-se austeras, sisudas e sem qualquer correspondência com visões mais modernistas. Aparentam ser puras representações do chão onde vivem.
Os brancos, da colheita de 2011, mostram-se secos, séniores, com boa amplitude vegetal, possuídores de forte carga floral, sem qualquer réstia de tropicalidade. Não esperem, também aqui, facilidades.
E porque
aridez climatérica perdura teimosamente, nada como encerrar este capítulo com o Rosé de 2011. Parece estar mais gordo, mais robusto,
mais largo que o
colheita de 2010. É, ainda assim, vinho refrescante.
Os dados, neste momento, estão a rolar em cima do tabuleiro, e mesmo sabendo que a sorte ou azar podem decidir uma vida, e sem qualquer receio, aposto em todos.