sábado, abril 28, 2012

Tons Brancos de Duorum

Post de divulgação e como tal conciso e directo. Vinho branco criado sob a chancela João Portugal Ramos & José Maria Soares Franco que é disponibilizado a menos de quatro euros.


Estilo franco, claro, directo e descomprometido. Talhado, portanto, para refrescar as gargantas secas, do povo, em tempo de canícula. E para beber durante a época. Nada contra.


Post Scriptum: O vinho foi oferecido pelo Produtor.

sexta-feira, abril 27, 2012

Touriga Nacional by Ponte Pedrinha

E porque sei qual é o chão que sustenta as cepas, este touriga nacional soube muito melhor. Na memória está, ainda, presente a expressão "(...) é o que a natureza dá. Não é preciso muito (...)" que Catarina largou com os olhos postos na vinha.


É vinho com uma simplicidade estonteante, com uma alegria que absurdamente julgamos já ser difícil de existir.


Como é possível, raios, ser vergado ao fim de tantos anos por um conjunto de atributos carregados de candura e inocência? É o preço pago pelo aburguesamento da idade. Ainda assim, peço-vos que fixem o nome.

segunda-feira, abril 23, 2012

O Livro Branco do Dão

Terá sido, por certo,  com cara de assombro que alguns daqueles que regularmente dão uma vista de olhos no que se escreve aqui,   repararam na conjugação que titulou o post. Acredito, eventualmente, que estarei a hiperbolizar em demasia a minha personagem no contexto em que circula. 


Apesar da possível postura bicos de pés em que me coloco, creio profundamente que seria e/ou será importante que fosse criado um Livro Branco (já existe?), despojado de suspeitas, franco, e que apontasse claramente um conjunto de caminhos para a região do Dão. Um Livro que aborde o passado, o presente, o futuro, que visões mais ou menos clássicas possam arguir com olhares mais modernistas. 


Há, nesta fase, a necessidade imperiosa de confrontar perspectivas, ideias, criar consensos, alavancar um potencial que está, decididamente, muito mal aproveitado. E que se deixe de falar em surdina.


É urgente constituir um pólo de dinamização que se dedique, livre de tradições tribalistas, na promoção efectiva da região, levando-a regularmente até às grandes malhas urbanas de Portugal e do Mundo, e que de forma mais global consiga trazer até ao seu âmago agentes com real capacidade para promover e divulgar. Que não sejam, apenas, fogachos esporádicos, inconsequentes, que mais não servem do que alimentar egos individuais. Que sejam verdadeiramente mais valias. A região não pode ser, ano após ano, constante promessa adiada.


Custar-me-ia, a titulo muito pessoal, que os diversos players, aqueles que fazem e vendem vinho by Dão, não consigam sair, e não queiram, do marasmo mortal em que vivem, preferindo maldizer. Posto isto, o desafio está lançado. Passo, agora, a palavra a quem queira. O propósito é ir preenchendo as folhas que, ainda, estão em branco.

sábado, abril 21, 2012

Encruzado da Fata

Fim de semana. Dias sem fato macaco, sem chave de fendas. Dias de lassidão, de enorme frouxidão. Os mecanismos cerebrais, que sustentam esta personagem, encontram-se em stand by. São, ainda, dias de desregro.


Bebe-se mais e no meio das garrafas que se abrem há sempre uma que impressiona. Uma que, por um motivo ou por outro, faz pegar no copo de modo incessante até expirar a última gota. Ainda se espreita pelo gargalo, tal binóculo, em busca de qualquer réstia que pudesse ter ficado esquecida. Houvesse mais.

quinta-feira, abril 19, 2012

Casa da Ínsua

Visita a um espaço que está intimamente ligado ao vinho ou devia estar. Acção decorreu sem qualquer marcação ou agendamento. À sorte.


Entrou-se nos domínios da Casa da Ínsua e, tal dependente em estado de frenesim, procurou-se logo por sinaléticas, setas, indicações, o que for, relacionado com vinho ou com vinha. E talvez devido ao enorme défice de visão, que é considerável, não deslumbrei qualquer marco indicativo. Mas adiante.


Espaço bonito, sem dúvida, cingido por jardins carregados de verde, cheios de vigor e viço. Vegetação frondosa. Edifícios elegantes, com aparente requinte.


Os cisnes (seriam dois?) fizeram, ainda bem, as delicias de duas filhas. Um deles baptizado, na hora, por Odete (Lago dos Cisnes).


Passeou-se pelos diversos caminhos com intuito, muito secreto, de apanhar uma simples nesga orientativa que me encaminhasse até ao encontro do vinho. E nada.


Percebe-se, acho, onde está a adega e, quase contíguo, um átrio ou telheiro ou o que for, onde está exposto uma ?colecção?, dependendo do olhar mais ou menos burguês do visitante, de charretes ou carroças.


Para entrar na ala principal do edifício, dito palácio, pediu-se licença e perguntou-se se era possível vasculhar meia dúzia de divisões. Calcaram-se algumas delas. Segundo consta, é Hotel de Charme e os hóspedes não estão para ser importunados.


Na saída, junto à recepção, lá caçei um pouco do espólio. Algumas garrafas e algumas compotas. Em exposição, é claro.

Post Scriptum: A loja de vinhos, nesse dia, estava encerrada.

terça-feira, abril 17, 2012

Apontamentos sem sentido (II)

Olhando para trás reparo e constacto que estou cerceado de contradições, de passagens sem sentido, com o lombo carregado de incoerências. Na verdade, e ao fim de seis anos como blogger, tenho em carteira mais dúvidas e desenvolvi mais incertezas. Serão, quiçá, sinais de défice intelectual, de limitação pessoal que impossibilitam ter uma visão coerente e sustentada. 
Na verdade, divirto-me, tal fauno, defender o que os outros atacam, rejeitar o que os outros preferem, elevar aos píncaros coisas que quase ninguém gosta. As multidões afligem. Fobia.


Adoro mangar com personagens que procuram culpas e razões da sua má sorte em silhuetas obscuras, em teias conspirativas. Mango, também, com o ressurgimento de conceitos, outrora queimados em autos de fé: o clássico, o genuíno, a pureza, a simplicidade, a tradição. O que são? É vê-los, agora, às mãos cheias afirmando que o seu é que é.
Que malvado feitio que não se dá com deus, nem com o diabo. E felizes daqueles que crêem, sem ver.

domingo, abril 15, 2012

Quinta da Bica e os seus Primores

Tempo, cuidado e pertinácia são atributos que definem, e bem, o modo de fazer vinhos na Quinta da Bica. O chão e clima destas bandas não permitem grandes veleidades.


A pressa ou pressão são sistematicamente combatidas pela enorme, e necessária, paciência. De outro modo, a emenda seria pior que o soneto.


Paisagem e temperaturas estão bem reproduzidas nas diversas barricas e cubas. Há frescura, cortante e intensa, há forte carga vegetal e muito espírito terroso.


As diversas amostras de Jaen, de Alfrocheiro, de Tinta Roriz, de Touriga Nacional, a solo ou em lote, das colheitas de 2010 e 2011, dispostas pelos cantos provam e comprovam, e bem, tal maneira de viver o vinho.


As primeiras (2010), apesar de imberbes, atestam já a complexidade, o pouco imediatismo, o viço. Prometem dar origem a vinhos firmes em personalidade. As segundas (2011) estão ainda pouco claras, tal crisálida no casulo.


Os Radix, na versão tinto 2009 e branco 2011, prestes a serem engarrafados, permitem um compromisso, um elo de ligação entre a tradição e a modernidade, sem perder por isso a face. Estão bem balanceados e joviais.


A referência máxima, depois destes dois, vai para um promissor Vinhas Velhas 2007. Vinho que consegue, já nesta fase de evolução, aguçar fortemente o apetite. Está brioso e perfumado. Está elegante e cativante.


É, assumidamente, um vinho adulto, para quem acredita piamente que existe mais qualquer coisa, mais qualquer coisa para além do trivial. Para não perder de vista.

sábado, abril 14, 2012

Nome da Região vs Nome do Produtor

O post de hoje é rápido e, mais uma vez, parco em conteúdo. Serve mais para maçar.
O nome das diversas regiões demarcadas são ou serão, como queiram, variável de peso na comercialização, na visibilidade, no sucesso (dos vinhos)? Esqueçam argumentos mais imediatos e pensem em abstracto.


Olhando para alguns casos, não são poucos, facilmente encontraremos produtores que terão mais capital, valerão mais que a região onde assentam as suas vinhas. Fica a ideia, quiçá errónea, que o nome da região pode ser, em muitos aspectos, um entrave e ao mesmo tempo dispensável. Servindo apenas, e apenas, como simples e duvidoso entreposto certificador. Não deixa de ser curioso.

sexta-feira, abril 13, 2012

Periquita Reserva

Um Periquita moderno e modernista. De fácil empatia e já, muito, preparado para ser bebido e desfrutado. Com basta fruta, bem gorda, e muito mastigável.


Basicamente, um tinto possuídor de vários atributos que apontam para um consumo em cenário descontraído e informal. Sem fato e gravata.


Anda muito próximo, parece-me, do conceito de vinho multifunções. E está bem!

Post Scriptum: O vinho foi oferecido pelo Produtor.

terça-feira, abril 10, 2012

Casa da Passarela e os seus Primores

Ao passar por aqueles dois marcos de granito que assinalam os domínios, é-se assaltado por uma panóplia de imagens e de sons, que enviam inevitavelmente qualquer homem para passagens de outrora.


Fica-se com a falsa ideia que o tempo parece ter parado. Depois a imaginação, para quem a tem, encarrega-se de fazer o resto.


O processo de reconversão da Casa da Passarela, e dos seus diversos edifícios, continua a desenrolar-se a olhos vistos. Já pouco, ou nada, se compara com a triste e incompreensível decadência a que foi votada, durante largos anos.


Há, agora, vida e vozes de carne e osso. Há sangue arterial a correr.
Os vinhos, os diversos lotes, espalhados pela adega reerguida, espelham com maior nitidez o olhar de quem os idealizou.


Os futuros Vinhas Velhas 2009, 2010 e 2011 perspectivam a continuação do perfil iniciado com o 2008. Mantêm a elegância, a frescura, amenidade de cheiros e sabores. Depois, e de igual importância, tendem a ser o reflexo de cada colheita. Sugerem, deste modo, processos de intervenção minimalistas. Parece tão simples...


As amostras de Touriga Nacional 2010 e 2011 apresentam-se austeras, sisudas e sem qualquer correspondência com visões mais modernistas. Aparentam ser puras representações do chão onde vivem.


Os brancos, da colheita de 2011, mostram-se secos, séniores, com boa amplitude vegetal, possuídores de forte carga floral, sem qualquer réstia de tropicalidade. Não esperem, também aqui, facilidades. 
E porque aridez climatérica perdura teimosamente, nada como encerrar este capítulo com o Rosé de 2011. Parece estar mais gordo, mais robusto, mais largo que o colheita de 2010. É, ainda assim, vinho refrescante.


Os dados, neste momento, estão a rolar em cima do tabuleiro, e mesmo sabendo que a sorte ou azar podem decidir uma vida, e sem qualquer receio, aposto em todos.

domingo, abril 08, 2012

Quinta da Vegia, a visita!

É puro recanto escondido e entremeado por montanhas. Roça, por vezes, o selvagem, o estado puro da terra.


Em redor, o ocre, as giestas, os penhascos e fragas, serpenteados por floresta, marcam fortemente as fronteiras da Quinta da Vegia.


Cheira a intimismo por todos os poros e in loco entende-se melhor a visão dos idealistas deste retalho beirão (e do Dão).


Por cada pisada, surge pela frente um calhau de granito. Em cada olhadela, há um detalhe novo, um aspecto que merece ser guardado na retina.


Lugar de batalha, entre a rudeza da natureza e o engenho do homem, tornam a Quinta da Vegia num lugar singular que merece ser tacteado por quem acha que o vinho vai além do que está no copo, de uma prova cega, ou não, de uma nota de prova.


Beber descontextualizado o fruto de tais cepas é amputar de morte parte do (verdadeiro) prazer enófilo.


É, assumidamente, um espaço para interpretar e ser interpretado.

sábado, abril 07, 2012

Entreacto II

 Sem qualquer corriqueirismo vocabular. Observe-se!

Muros, lameiros e vegetação
Rudeza
Pinhal e Vinha
Floresta
Vinha com idade