quinta-feira, Maio 31, 2012

O Dão segundo António Madeira

A opinião vinda de outro homem do Dão, que vive em França, e que arriscou fazer vinho na sua terra, paredes meias com a Serra da Estrela. Um testemunho desbragado, emotivo e sem meias palavras.

"O Dão, como região demarcada a mais de 100 anos, é das mais antigas e mais clássicas regiões portuguesas. São aqueles lugares que o Homem, desde há muito, reconheceu como sendo predilecto para a produção de vinhos. É, também e na minha opinião, uma região paradoxal, por duas razões: primeiro por ter algumas características de regiões, ou países, mais frias. Segundo, por se tratar de uma região com um enorme potencial para a produção de vinhos tintos e brancos, talvez o maior de Portugal, mas que teima ficar no escuro, longe dos holofotes, parecendo contentar-se com a mediocridade. A que se deve este segundo paradoxo? Reflecti muitas vezes sobre esta questão, e mesmo não tendo encontrado uma explicação definitiva, vou partilhar algumas conclusões, mesmo correndo o perigo de ferir susceptibilidades.
Possui enorme potencial graças à natureza, ao clima, solos e castas próprias. Um clima geralmente frio e chuvoso no Inverno, e quente no Verão com noites frias, essencial ao equilíbrio dos vinhos, que potenciam a acidez natural e a elegância. Os solos, geralmente graníticos, conferem mineralidade nos vinhos, caso o produtor procure verdadeiramente exprimir o seu terroir, não mascarando com maquilhagens e condutas “modernas”. São poucas as regiões reúnem estas duas condições em Portugal.


Além disto o Dão é das únicas (a única?) regiões em Portugal de que ainda se pode dizer que ficou imune à estupidez de plantar as castas da moda, as castas internacionais (Cabernet, Syrah, Merlots e afins...). Apesar da concentração da produção em apenas algumas castas, todas elas (Tinta Roriz à parte) são castas autóctones, preservando-se ainda assim alguma tipicidade, algum carácter próprio da região. Sendo que algumas delas apenas se encontram no Dão, caso do Encruzado ou do Jaen, a casta preferida dos pequenos lavradores e tão snobizada pelos produtores. As mais famosas e reconhecidas têm no Dão o seu berço, como a Touriga Nacional ou mesmo a bairradina Baga, cuja maior variabilidade genética se encontra no Dão.Com tantos trunfos, quase que parece fácil o Dão ter sucesso. No entanto está longe de o ter. Porquê? Estou, cada vez mais, convencido que a resposta se encontra nos homens e principalmente nas gentes do Dão, mas também no consumidor português.
O consumidor português, porque lhe faltam décadas de cultura vinica, porque foi massacrado intelectualmente por décadas de obscurantismo politico. O consumidor português, salvo felizes excepções, apenas procura preço, não procura expressão genuína.
Um terroir por si só, não chega. É preciso transmiti-lo nos vinhos, comunicá-lo, é preciso procurar a excelência nas praticas culturais, na vinha e na adega. E isso é o papel do produtor e da sua equipa, é a sua responsabilidade. E salvo algumas excepções, raramente se bebe ou prova um grande vinho do Dão. Prova-se, sim e cada vez mais, produtos estandardizados, das mesmas castas, de vinhas tão intoxicadas por herbicidas e produtos fito-sanitários que é necessário utilizar leveduras industriais na adega para se dar a fermentação alcoólica, perdendo-se assim a expressão das leveduras indígenas, as que vêm da vinha e que expressariam os aromas e sabores do terroir.
Provam-se vinhos cheios de intervenção enológica, de esteróides diversos, de práticas que são cópias de outras regiões e não a expressão da elegância e dos sabores do Dão. Porquê copiar o que outros fazem melhor que nós? É esse o caminho do sucesso? O caminho da afirmação do Dão?

Foto da autoria do António
Esta situação vem de longe. Depois de algum sucesso, o Dão conheceu um declínio que não acabava no caixão graças à coragem e visão de alguns produtores 30/20 anos atrás que tentaram lutar contra a corrente da vulgarização do Dão. Mas é preciso ir mais longe, muito mais longe, com práticas culturais respeitadoras do terroir, da natureza, da biodiversidade e finalmente do consumidor, proporcionando-lhe um produto genuíno, cheio de carácter.
Falta a cultura do vigneron, a cultura da pessoa que vive do vinho, que vive o seu terroir e que procura expressá-lo com rigor, procurando a excelência, com sabedoria e paixão.
Ao inverso, o que encontramos na maior parte dos casos, são pessoas que não vivem do vinho, que não vivem o vinho mas sim o encaram como mais uma oportunidade de negócio, como uma mercadoria como tantas outras.
É preciso união entre produtores, sinergias. Este é o principal ponto fraco da região. A sua gente não é unida, é sim individualista, com inveja do sucesso dos outros. Se puder cortar as pernas do seu vizinho, fá-lo sem qualquer escrúpulo. Assim não se vai a lado do nenhum. Com este tipo de mentalidade generalizada, nas gentes e produtores do Dão, é impossível a região afirmar-se, tanto a nível nacional e internacional. O futuro da região parece assim muito negro. No Douro, por exemplo, as gentes do vinho estão aparentemente mais unidas, e isso certamente tem contribuído para o seu recente sucesso. Uma velha máxima diz que a união faz a força, mas no Dão poucos, muitos poucos, a entendem. Este ponto é na minha opinião o verdadeiro cancro do Dão.

Foto da autoria do António
Para finalizar, só mais um exemplo do atraso de mentalidades que encontramos no Dão. Pessoalmente acredito que a sub-região Serra da Estrela se distingue do resto da região, que tem caracteristicas próprias, semelhantes às dos crus bordaleses ou borgonheses. Os vinhos são mais ácidos, mais austeros, mais elegantes do que, por exemplo, para os lados de Viseu. São vinhos mais aptos à guarda, mais adequados ao conceito de “Grands Crus”. Por isso acho que esta sub-região se deveria afirmar por si própria. Ora neste momento temos duas entraves a essa afirmação. Uma reside na CVR do Dão, a autoridade que supostamente deveria lutar e criar as condições para tal afirmação. Ora a CVR proíbe claramente os produtores de escrever nos rótulos a menção “Serra da Estrela” ou “Sub-região Serra da Estrela”. Um contra-senso não é? O outro entrave reside nos próprios produtores que não têm consciência do potencial que têm entre mãos, para não repetir, mais uma vez, a evidente desunião entre eles.
E por aqui fico, as perspectivas não são muito animadoras a curto ou médio prazo. Será que é preciso mais tempo (uma geração?) para que as mentalidades mudem e que, deste modo, o Dão possa finalmente afirmar-se?

By António Madeira autor do blog  A Palheira do Ti Zé Bicadas

quarta-feira, Maio 30, 2012

Casa da Passarela, os brancos engarrafados!

Os vinhos em causa, ambos brancos de dois mil e onze, depois de várias provas, exames, discussões ou análises foram finalmente engarrafados. Os produtos estão, agora, aí para serem consumidos ou não, para ser apreciados ou não. Estão simplesmente aí. Procurem, pois então.


Apesar de imbermente envasilhados, coisa de duas a três semanas, não tiveram qualquer pejo ou vergonha em parelhar com comida, com a conversa, com a noite e o madrugar. Vinhos, por certo, diferentes e com enfoques distintos.

Um bacalhau lascado, de pouca assadura, pelas mãos da cozinheira do As Colunas.

Um colheita apto para a canícula, para soltar palavreado libertino. Um verdadeiro desbloqueador de conversas. E um encruzado bem menos jovial, mais amplo e sénior a orientar o bebedor para ocasiões mais formais. Os dois, ainda assim, comungam a estirpe seca e toque vegetal.


Que se beba já e durante o ano o primeiro, que se vá bebendo e guardando o segundo, pois ambos cumprem , e bem, os desideratos.

Post Scriptum: Os vinhos foram colocados em cima da mesa pelo Enólogo e bebidos em comunhão. Entremeio perguntou-se e respondeu-se ao que se quis.

domingo, Maio 27, 2012

João Portugal Ramos, a visita!

Queira-se ou não se queira, goste-se ou não dos seus vinhos, e seja qual for a opinião de cada um, João Portugal Ramos é personagem incontornável na modernização dos vinhos alentejanos e portugueses.


A malha tecida por João estende-se ao Ribatejo com a Falua, às Beiras com Foz de Arouce, ao Douro com o draconiano projecto Duorum, esticada recentemente até aos Vinhos Verdes. Mas refoquemo-nos, hoje no Alentejo.


Na cabeceira da mesa, ouviu-se a prelação sobre cada vinho que foi desfilando defronte os olhos da audiência.


Começou-se nos acessíveis Loios, passando pelos consistentes Marquês de Borba, branco e tinto, evoluindo para os Vila Santa, nas versões monocastas e blend, encerrando com o Quinta da Viçosa e Marquês de Borba Reserva.


Marcantes, a titulo estritamente pessoal, o Trincadeira e Syrah de 2009, Quinta da Viçosa e Marquês de Borba Reserva, também da colheita de 2009. Atrevo-me, ainda assim e sem qualquer pejo, a destacar e nomear o Trincadeira. Um vinho primoroso.


Perderam-se alguns minutos, ainda, para falar sobre a (falta) de imagem e difícil implementação dos vinhos portugueses fora das divisórias nacionais, das pressões do mercado retalhista exercidas sobre a fonte, a produção, da pseudo moda que advoga o ressurgimento de vinhos edificados com  castas menos imediatas, tal Perrum, tal Roupeiro, tal Rabo de Ovelha. João não reconhece grande interesse enológico. Opinião curiosa, frontal e clara. Como é hábito dizer: sem espinhas.
Alvitrou-se, ainda, a possibilidade de criar um Marquês de Borba Reserva, na versão branco. Há espaço e a gama precisa. 

A hora do queijo, do enchido, do azeite.

Mudou-se de mesa, de tarimba, com o propósito de comer e, desta vez, beber.

O dono da casa a servir.
Escabeche de perdiz. Equilibrado e sem excessos.
Um suculento lombo de porco braseado, com umas consistentes migas de brócolos.
Os brancos da refeição
Um gigante
Comida da terra alentejana aparelhada com Vila Santa branco de 2008 e 2009, Marquês de Borba Reserva 2000, vindo de um monstro de vidro, e Marquês de Borba Reserva 1997. Vinhos adultos, bem evoluídos e escorreitos.


E como a narrativa vai longa, perdoem-me pelo maço descritivo, não é costume, lacrou-se o estômago com o Alentejano Duorum Vinha de Castelo Melhor Vintage 2009 *. Perfeito, não acham?

Post Scriptum: Aqui entre nós, e que ninguém nos oiça, seria bem esgalhado baptizar o Vintage Duorum, como o Vintage Alentejano ;)

sexta-feira, Maio 25, 2012

O Núcleo Duro, o Reencontro e os Vinhos

Um blog como o Pingas no Copo, que serve para tanta coisa sem sentido e em que o desatino tende a fazer escola, consegue, por breves momentos, comportar-se como um menino do coro. Os motivos assim o exigem.
O Núcleo Duro, ajuntamento que existe há uma porrada de anos, voltou ter à mesa todos os seus membros. Este sombrio e por demais conhecido grupo tem consumido litros e litros de vinho nos últimos dez anos. Uma ode!


Francisco Barão da Cunha, autor do Enófilo Militante, Juca, Paula Costa, João Quintela, Jorge Sousa, Pedro Brandão e myself, na versão Rui Miguel, estiveram frente a frente para esvaziar, mais uma vez, um sem número de garrafas.


Não irei, porque não apetece, porque não é importante, porque bocejariam, por certo, fazer qualquer narrativa sobre cada vinho.
Deixo-vos as fotos que falam melhor que eu, e breves comentários. Apraz-me nomear, no entanto e para gáudio estritamente pessoal, um vinho do Dão, um Touriga Nacional. Marcou a noite.


Um Porto branco da Quinta da Casa Amarela. Para conhecer.


O tal vinho, Quinta dos Carvalhais, que marcou a noite pela elegância, pela finesse e sei lá mais o quê.


Um Bairrada bordalês, assim pareceu. Consistência.


Madeira presente, quiçá em demasia. Um Quinta do Monte D'Oiro com algum desequilibrio e a desiludir.


Um vinho das Terras do Sado, S de Soberanas, bem alentejano. Moderno e universal.


Um Poeira em Magnum. Maduro, pouco interessante e a faltar-lhe finura. 


Soalheiro Primeira Vinhas, também em magnum, a que também não liguei por ali além.


Depois um extradordinário Bual de 1977 da Madeira Wine Company. Que alguém faça, assim que conseguir e puder, as suas descrições.

quinta-feira, Maio 24, 2012

O Dão segundo Boas Quintas

Mais um olhar, um outro testemunho sobre o Dão, oriundo de Boas Quintas, partilhado na primeira pessoa.

"Trabalhamos numa região capaz de originar grandes vinhos, quiçá os vinhos mais femininos e elegantes de Portugal e muito gastronómicos. As condições que os geram são-lhe por demais conhecidas, os solos de granito, os climas temperados a extremos …  a viticultura de montanha, difícil, com humidades na primavera com o míldio e oídio (e agora o black rot – podridão negra) sempre á espreita, nomeadamente nas nossas vinhas mais próximas da barragem da Aguieira. Lidamos numa realidade em que temos de prestar toda a atenção à vinha, o local de onde tiramos a matéria-prima do nosso trabalho, porque na nossa realidade uma desatenção, pode valer perdas severas de produção que invalidem expectativas comerciais futuras.

O resultado que procuramos, tenta exacerbar o que o meio gera, sendo nosso trabalho preservar e respeitar o terroir. Baseamos a nossa produção em duas castas principais, o Encruzado e a Touriga Nacional. Cada uma delas constitui a base de trabalho. Nos vinhos brancos, em lotes ou na versão monovarietal o Encruzado impõe a sua personalidade com uma forte mineralidade e frescura; acontecendo o mesmo com a Touriga Nacional, presente em todos os tintos, sendo também a base dos nossos Roses, com o seu aroma floral e fruta fresca e um corpo invulgar.


Sobre a região em si como agente dinâmico, trata-se de uma das mais antigas demarcações do país (104 anos!), que como tudo na vida, tem tido altos e baixos. Acreditamos que estamos numa fase de recuperação do prestígio do Dão e da notoriedade nacional e internacional dos seus vinhos. Tem vindo a crescer o reconhecimento da qualidade e do interesse pelos vinhos da região. Para isso muito tem contribuído o papel e a tenacidade de muitos produtores a nível individual, que arriscaram em meados dos anos 90 numa primeira fase na reconversão das vinhas e no melhoramento das condições de transformação, numa óptica de qualidade do produto, para numa segunda etapa, passo a passo, conseguir comunicar e apresentar com orgulho o fruto desse mesmo trabalho de quase 20 anos.


A CVR do Dão como garante da qualidade e diferenciação destes vinhos tem um papel importante a desempenhar na comunicação da nova realidade baseada na modernidade e dinamismo incutidos pelos produtores da região.
A Soc. Agr. Boas Quintas como agente económico atento à realidade do mercado, terá que continuar a sustentar a qualidade que já atingimos e afirmarmo-nos no mercado nacional e na exportação. É nosso objectivo primeiro, dinamizar e potenciar vendas, por isso existimos como empresa! Teremos que entender e adaptarmo-nos, na medida do possível, ao mercado procurando dar resposta comerciais desde os mercados mais maduros (Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos da América…) aos emergentes (Angola, China, India…). "

By Tiago Macena e Nuno Cancela de Abreu

quarta-feira, Maio 23, 2012

Loios

Divulgação. Vinho branco alentejano, bem conhecido e disseminado, do universo João Portugal Ramos.


E sem grandes locuções, mais ou menos eloquentes, apraz dizer que é vinho para lanches descontraídos, um petisco, capaz de acompanhar qualquer tipo de refeições.


Porreiro para acompanhar dois ou mais dedos de conversa. Um vinho branco com multifunções. Já esquecia, o rótulo está com ar limpo e elegante. Curti.

Post Scriptum: O vinho foi oferecido pelo produtor.

domingo, Maio 20, 2012

A Beyra, o Quartz e a Altitude

Completamente influenciado pelo rótulo, pelo seu aspecto, por tudo e mais alguma coisa que não consiga eventualmente descortinar. Talvez tenha sido a palavra Beira, escrita com y, talvez a palavra Quartz que surgia em segundo plano, quiçá se não foi o desenho cartográfico da bacia hidrográfica do rio Douro que despertou curiosidade.


Ou por que o letreiro, o rótulo, referia a palavra Altitude com alguma insistência. A própria empresa agarra o epíteto Vinhos de Altitude. Ao fim ao cabo um cento de justificações.


Seja o que for, e independentemente do maior ou menor grau de sugestão que houve, o vinho, que é branco, pareceu ser coerente com o rol de informações que surge pela garrafa. Frescura acutilante. Citrino e saudavelmente leve. Uma proposta que desconhecia, por completo, mas que aconselho sem meias palavras. Que se beba!

quinta-feira, Maio 17, 2012

Touriga Nacional by Quinta da Falorca

Num acto de contrição pública, mais um, admito que faz algum tempo que não bebo, perdoem-me, outra vez, os puristas das análises sensoriais por desusar o predicado provar, um vinho, seja ele branco ou tinto, da Quinta da Falorca.


E por muito que tente, e tento, não consigo ou não tenho qualquer justificação plausível para tamanho distanciamento. Adiante, portanto.


O vinho, em causa, está altivo, cheio de força e assertivo, aparentando estar (bem) longe de definhar. E como as palavras teimam em sair com pouca fluidez, encerro por aqui o enunciado, restando, mesmo parecendo publicidade gratuita, que é, aconselhar o seu consumo.

quarta-feira, Maio 16, 2012

Nada

Por que raios, ninguém ainda pensou em baptizar um vinho, de uma região qualquer, com o nome de Nada? Seria o vinho perfeito para dias sem ideias, sem conversas, sem namoros, sem discussões.

Simplesmente bebia-se um ou mais copos de Nada, Colheita ou Reserva, em dias em que nada acontece ou aconteceu. Perfeito, portanto, para momentos sem coisa nenhuma para dizer e fazer. Nem tolices. Apenas Nada até o copo ficar sem nada.

sábado, Maio 12, 2012

Encruzado by Quinta do Cerrado

Não é membro da primeira linha de Encruzados idealizados no Dão. Curiosamente, ou não, parece ser ou estar relegado para segundo plano. Incompreensível!


Talvez, quem sabe, por ser de fácil acesso em superfícies de grande dimensão. Coisa que poderá tirar algum pedigree.


É vinho personalizado, cheio de tensão, vibrante e a indiciar capacidade para aguentar a velhice. Antes de ir, apraz dizer que o rótulo merecia e devia levar uma mexida valente. Anda ali entre o moderno e o clássico. Algo confuso. Tirando isso, é para comprar e sem receios.

sexta-feira, Maio 11, 2012

O Dão segundo Peter Viktor Eckert

Antes da prelação, convém pedir, desde já, desculpas por eventuais falhas de interpretação, por transcrições enviusadas. Mas colocar no papel uma conversa entre dois indivíduos é coisa complicada e carregada de subjectividade. Acrescente-se, ainda, o facto que um dos interlocutores é português.
O diálogo com o Peter Viktor Eckert (Quinta das Marias), ele na Suiça e eu em Portugal, tinha como mote principal o Dão e naturalmente os seus vinhos. É também a parte primeira, espero, de um conjunto de testemunhos que visam discutir e reflectir sobre uma região.


Por entre perguntas e respostas, sem qualquer fio condutor, Peter está convicto de que a CVRDão deve ou deverá ser o catalisador, e aglunitador, no que concerne à divulgação e elevação de uma região. Uma promoção que dê enfoque na qualidade, na diferença efectiva dos seus vinhos, independentemente de visões mais ou menos modernistas ou mais ou menos classicistas. Concordo. Tomou como exemplo as regiões espanholas de Toro e Bierzo que, devido a uma verdadeira concertação na promoção dos seus vinhos, passaram de pedaços territoriais sem qualquer significado a zonas internacionalmente conhecidas.  
Opinou que os êxitos de um produtor deverão ser motivo de regozijo entre pares, que a partilha deverá ser feita sem qualquer receio, sendo fundamental para o sucesso de uma comunidade inteira. Infelizmente, sou eu que digo, tal coisa não existe. Opta-se por trabalhar às escondidas, numa lógica puramente individualista, também sou eu que digo

quinta-feira, Maio 10, 2012

Grandes Quintas by Casa d’Arrochella

Novo post de divulgação relativo às recentes colheitas da Sociedade Agrícola da Casa d’Arrochella. Dois vinhos tintos orientados para duas formas diferentes de consumo.


O Colheita alicerça-se na fácil empatia, na consensualidade. Ligeiamente refrescado, desaparece num ápice do copo e da garrafa. Impossível não gostar. O Nuno da Adega dos Leigos afina pelo mesmo diapasão.


O Reserva do mesmo ano está, naturalmente, orientado para momentos mais densos, a pedir maior e mais atenção. Pareceu estar, nesta fase e salvo erro de análise, preso e meio sisudo, com os cheiros e sabores a madeira algo impositivos, quiçá em demasia. É vinho para deixar de lado por uns tempos. Pra retornar a ele, lá para a frente.

Post Scriptum: Os vinhos foram oferecidos pelo Produtor.

terça-feira, Maio 08, 2012

Pingus Vinicus in Wine Pulse Podcast

Uma conversa ligeira, franca, sustentada com argumentos carregados de infantilidade (minha) e por conseguinte facilmente desmontados. É a imagem de um personagem, myself, contraditório e sem certezas.


Espero que a referida conversação não tolha a credibilidade do promissor Projecto do Ricardo. Obrigado.

domingo, Maio 06, 2012

A diversidade do Dão ou a falta dela

No meio de nada, e porque não tinha muito a fazer, relembrei uma pequena conversa que tive, algures no Dão. Entre fait divers, falou-se de castas e de novas vinhas. Aludi que a Região do Dão aparentava estar presa a quatro castas tintas; Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen, com umas pitadas aqui e além de Rufete juntamente com outras (poucas) coisas. 


Salvaguardando, desde já, todos os eventuais lapsos que tal afirmação possa ter, tentei deslumbrar encepamentos que fugissem à quadratura (nas brancas o encruzado domina solitariamente), mas a procura não foi profícua. Meio punhado de vinhas velhas, e pouco mais.


Já agora, e antes que esqueça, onde estarão e quais serão as parcelas produtoras de vinho certificado mais antigas da região? Ou, olhando só para as recomendadas, onde está o alvarelhão, o bastardo, a baga?



A gradual eliminação da diversidade de espécies em comunhão com a falta de imaginação ao nível das (re)plantações, poderão, acho, tornar o vinho do Dão num produto previsível e normalizado. Estarei errado? A título de exemplo, consegue-se testemunhar maior criatividade nos loteamentos alentejanos. Curioso, não?