sexta-feira, junho 29, 2012

RCV Gewurztraminer

A descoberta do vinho não é minha, aliás algum tempo que era conhecida a sua existência. A curiosidade efectiva surge quando o Paulo Coutinho, Ricardo Bernardo e o Nuno Gonçalo Monteiro trocam breves palavras sobre o vinho. Essas mesmas palavras iam no sentido de que o vinho era algo interessante, diferente e, portanto, merecedor de ser conhecido.


Paulo Coutinho enfoca o enorme potencial que este varietal de Gewurztraminer da Real Companhia Velha possui. Posto nisto, pouco restava (a mim) do que comprovar, ou não, a opinião vinculada.


Terminada a ladaínha inicial desta reza, cabe-me apenas confirmar, de facto, que o vinho é desviante da norma a que estamos a habituados, que exibe um conjunto de cheiros e sabores que respeitam, parece-me, a casta. Depois, é o que interessa para o caso, é um belo (e bom) vinho branco, extremamente fino, equilibrado e encantador. E impressionou. Tenho dito.

quarta-feira, junho 27, 2012

Alerta, Aviso ou apenas Troloró!

Sinal de alerta à navegação, aviso de um gajo mais velho ou apenas, como é costume, troloró de um tipo que tem por hábito complicar tudo e mais alguma coisa.
Não querendo repisar, de todo, assuntos antigos, não é esse o enfoque, digo-vos que estou (muito) inquieto com a falta de diversidade de posts e comentários (sobre vinhos) que circulam na web. Estamos, neste momento, a divulgar os mesmos vinhos, os mesmos eventos, os mesmos almoços, jantares ou lanches.


Depois cada um de nós encarrega-se de enfatizar o assunto como se fosse coisa única, seleccionada ou ímpar. E igual não há. Há! Mas não se iludam aqueles que, por entremeio, metem uma coisita diferente, julgando que estão a fazer variado, porque mais tarde ou mais cedo falarão do mesmo.
Sabendo que estão bocejar, mais uma vez, deixo-vos, ainda assim, esta ponta da meada para reflectir sobre falta de variedade que se poderá instalar (entre nós). É que a cegueira de uma pretensa fama, pode dar mau resultado. Digo eu.

domingo, junho 24, 2012

Redoma

Mantendo o rumo traçado aqui, incapaz de prosar de forma eloquente, vejo-me, mais uma vez, sem ideias, sem imaginação. Num vazio aflitivo, delicerante, encontro-me cerceado pela ausência de vontade. Bato, em ritmo sem sentido, com os dedos na mesa. À espera...


Bebe-se um copo atrás de outro, esvazia-se a garrafa, e desta vez o álcool não consegue mais do que entorpecer, ainda mais, o cérebro. Não sai puto.


Dentro de uma Redoma de vidro fosco, tenta-se olhar para o futuro que teima ser difuso e enviusado. Que se continue, pois então, a beber.

Post Scriptum: A garrafa, e o vinho que era rosé, foram oferecidos pelo Produtor.

quarta-feira, junho 20, 2012

Dócil segundo Niepoort

Não há muito tempo, começou a época baixa. Diria que a partir do dia da criança, decrescem as visitas, diminuem os comentários, até os anónimos, alter-egos de envergonhados, não têm vontade de aparecer. Devo-vos dizer que a coisa fica monótona. Um ou outro evento, uns mais alargados, outros menos alargados e pouco mais. Fica-se com a ideia que se anda, ou se está, em modo stand by. Fica-se pelo trivial. E este sujeito, que martela as teclas deste lado, não foge à regra.


Como tal, nada como assentar num sofá, de pés descalços, em postura de relaxe, e beber vinhos de estirpe dócil e perfumada, mais leves e mais joviais. Vinhos que se encarregam de aliviar malditas pressões, afastar temores, desviar malignas dores.


Vinhos que forçam a mão a pegar no copo, vezes sem conta, e sem se dar conta vão desaparecendo a ritmo mais ou menos acelerado da garrafa. Cumprem o preceito: vinho bom é aquele que não fica por beber.

Post Scriptum: Os vinhos foram oferecidos pelo Produtor.

segunda-feira, junho 18, 2012

A Serra da Estrela, o Dão e Londres

Raramente coloco ou divulgo notícias de factos, de eventos em que não participe, mas faço uma excepção, desta vez. Faço por que são vinhos da minha terra, são vinhos da Serra da Estrela, são vinhos do Dão. E por que quero.


Em Londres, Julia Harding seleccionou cinquenta vinhos portugueses. Dessa escolha, seis deles vinham do Dão Serrano: Casa da Passarela, Quinta das Maias, Quinta do Escudial e Álvaro Castro.
O António Madeira, na sua Palheira, faz eco do acontecimento e eu, como não podia deixar de ser, junto-me à corrente. É mais um empurrão.

sexta-feira, junho 15, 2012

Em branco...

Retomo algumas ou parte de palavras que já escrevi, algures no passado. Não são necessariamente as mesmas, nem terão o mesmo enfoque. Simplesmente recoloquei-as no presente, dei-lhes outro sentido.
Ler, ouvir música, ver uma obra de arte ou conhecer um vinho pressupõe que os nossos sentidos estejam despertos, acordados ou vivos.


Não vale a pena, não consigo falar se não estiver focado, se faltar energia, se duvidar ou desconfiar de tudo. Fica-se desorientado e o discurso sai vazio, impessoal e forçado. Inócuo.
Olharei para dentro, procurarei alguma chama, um laivo de calor. Tentarei descortinar um ponto de orientação. Procurarei, sei lá mais o quê. Estou literalmente em branco...

quinta-feira, junho 14, 2012

Contraditórios (IV) Vinha Paz Reserva

Há muito que não fazia um contraditório, apesar de contradizer-me, em palavras, inúmeras ocasiões. Desta vez, e tal como aconteceu com este vinho, a reprova foi decepcionante.


Se por esta altura, o vinho pareceu estar em bom plano, agora, e misturado com outros do mesmo ano, mas de regiões diferentes, mostrou-se bem menos interessante, pouco elegante e meio confuso. Que treta!


Digo que fiquei literalmente desiludido. E deste modo, faço a minha contrição pública, reconhecendo que nem tudo que é vindo do Dão fica à frente.

quarta-feira, junho 13, 2012

Diálogo by Niepoort

Em tempos idos, escrevi o seguinte: "Dizem que para duas pessoas possam falar, é necessário que exista um Diálogo. De facto, é com o Diálogo que esclarecemos muitas dúvidas, ultrapassamos e resolvemos muitos problemas. É pelo Diálogo que ficamos a conhecer (melhor) determinadas pessoas. É dialogando que nos apaixonamos, que nos odiamos, que nos matamos (uns dizem que não).
Depois existem vários tipos de diálogos. Densos, confusos, eruditos, divertidos, vazios, ... Diálogos para todos os gostos. Dizem (os meus colegas de letras) que é necessário existir um emissor e um receptor para acontecer um diálogo. Acredito, que seja assim. Caso contrário seria um monólogo. Com os vinhos, não é muito diferente. Se forem casmurros, sisudos, fechados, intrasponíveis, dificilmente chegaremos a eles. Tornam-se vinhos incompreensíveis. Outros, pelo contrário. Dizem tudo, não têm rodeios, são acessíveis e vão directos ao assunto. No essencial, precisamos de todos." In 02 de Março de 2007

O 1º Diálogo, eventualmente, poderá ter acontecido no século XII: "El-Rei que acha deste vinho? Inpirador. Até estou com vontade de fundar um país."


 O 2º Diálogo, eventualmente, poderá ter acontecido algures neste século XXI e entre blogues: "Está a olhar atentamente para o vinho porquê? Conhece a expressão In Vino Veritas? Sim, e então? Então estou a encontrar a verdade no vinho. Para isso terá de o beber. (depois de o beber) E agora?"


O 3º Diálogo reporta-nos para alturas em que não queremos lembrar, seja lá o que for: "Preciso de um copo para esquecer. Dê-me outro copo para esquecer. Dê-me mais um copo para esquecer. Afinal o que pretende esquecer? Este vinho para esquecer é eficaz. Já não me lembro. Não tem vinho para lembrar?" 


Tirando o 3º Diálogo, que era branco, da colheita de 2011 e destinado ao veraneio, não notei diferenças significativas no conteúdo dos vinhos, entre o 1º Diálogo e o 2º Diálogo, que são tintos da colheita de 2010 e ambos bem durienses. Tirando este facto, diria que, ligeiramente refrescados, são porreiros para beber, para parelhar com comida, para festas e convívios.
E é preciso falar dos rótulos? Parece-me que não. Bem conseguidos e, só por isso, merecem ser conhecidos e bebidos, pois claro.

Post Scriptum: Os vinhos foram oferecidos pelo Produtor.

domingo, junho 10, 2012

Amadorismo? Não creio!

Eventualmente, ou com enorme certeza, este post não terá qualquer contraditório. O tema não é novo, foi debatido diversas vezes, logo esta missiva servirá meramente para marcar posição pública. A minha.
Os blogues do vinho, made in PT, assumem-se, bem ao estilo da conhecida ave Calimero, amadores e sem qualquer objectivo futuro (que existe, há vergonha em assumi-lo) e que nada recebem em troca. Premissa, a meu ver, completamente errada. Ora vejamos o seguinte:
Um produtor envia garrafas para prova, no meu caso para beber, convida para almoçar, lanchar ou jantar. Às vezes para passar uns dias nas suas quintas, herdades ou quintais. Mete-nos em autocarros e leva a malta até ao destino e oferece, ainda, mais umas garrafas.


Para os que usufruem destas oferendas, são umas razoáveis dezenas ou centenas de euro que se poupam em comida, viagens e vinho por ano. Depois, naturalmente, e de blogue para blogue, existem uns que ganham mais e outros que ganham menos. Outros, ainda, não ganham nada. Facto normal.
Logo, e sem qualquer pudor e sem meias palavras, digo que sou um Bloguer de Vinho Profissional. Ganho dinheiro com o Pingas no CopoHá dúvidas? 


sábado, junho 09, 2012

O Alvarinho, a Trajadura, a Pêra, a Maçã e a Flor

O título seleccionado para nomear o post não será o mais adequado para subir escalas ou classificações, mas pareceu, no entanto, o mais indicado pra traçar umas breves linhas sobre um vinho da Quinta da Lixa, resultante de uma combinação entreTrajadura e Alvarinho.


Depois, e repisando mais uma vez o assunto, o rótulo ostenta três figuras representativas, penso eu, de eventuais cheiros, para os mais terra-a-terra, ou aromas, para os mais eloquentes, das ditas castas. Como tal, fui influenciado pelas imagens. Sendo que acabaram por facilitar a tarefa.


O vinho tem, aliás tinha, boa carga floral, e sugeria, ainda, impressões de pêra e pêssego. Fixe para refrescar a goela, para acompanhar um prosaico final de tarde, ou por que não, cativar uma senhora :)

Post Scriptum: O vinho foi oferecido pelo Produtor.

quinta-feira, junho 07, 2012

Pouco Comum

Prefácio

Há quem goste de estar como está. Há quem goste seguir um caminho sem curvas, há quem goste de dogmas. Há quem gosta de acreditar que o mundo não mudou. Há quem deteste divergências.

Se há rótulos que chamam pela atenção, devido à imagem, ao layout, à combinação de cores, de formato, de imagens, outros quiçá prendem pela combinação mais ou menos usual de palavras, como é o caso deste Vinho Branco, de Alvarinho, do Minho: Pouco Comum.


Agarrar na conjugação Pouco Comum, terá por certo algum motivo ou motivação. Por que é diferente? Porque está para além do habitual? Ou por que simplesmente, e é razão que baste, achou-se graça à dita articulação.
Reorientando a narrativa para o enfoque, o vinho, apraz dizer que este Alvarinho, e pegando nas palavras do Amândio, está belo para o tempo de canícula. Fresco, com alguma finura de trato e de fácil empatia. Como se costuma dizer: Porreiro!


E, apesar dos eventuais atributos, que tem, fico sem saber a causa efectiva para a ligação entre os adjectivos Pouco e Comum. Mas tirando esta meada, que se beba!

Post Scriptum: O vinho foi oferecido pelo Produtor.

domingo, junho 03, 2012

TWA Inspira Portugal - A Touriga Nacional

Uma mão cheia de horas a discutir e provar, às claras, mais de uma vintena de vinhos feitos apenas com a casta Touriga Nacional. A acção decorreu debaixo do chapéu TWA e a Quinta das Carrafouchas foi o assento do evento. Resultado foi, somente, sala cheia e representa, sem margem para qualquer dúvida, um upgrade na forma como a w-enofilia, a i-enofilia, e-enofilia começa a olhar o vinho.  Muito bem. Não acham?


Independentemente dos ausentes, de regiões menos representadas, foram perceptíveis, ainda assim, diferenças de estilo, resultantes de métodos enológicos, terras e climas. Uns aparentemente mais consensuais, outros nem tanto, outros completamente fracturantes. O resultado foi, como não podia deixar de ser, discórdia entre consumidores, enólogos e produtores. Pareceu-me bem.

Nuno Magalhães, a Touriga Nacional na Vinha
Nuno Magalhães na vinha, com os vinhos em pano de fundo
Não irei, naturalmente, delinear notas de prova, nem comentários alongados, sobre os vinhos que se provaram. Tornariam a coisa maçuda, cansativa e sonolenta. Traçarei, em tom ligeiro, algumas observações, apenas apontamentos curtos.

A lista de vinhos a provar
Nota de louvor, e estritamente pessoal, vai para a vontade que alguns produtores de Trás-os-Montes mostraram em participar, enviando em alguns casos lotes de vinho ainda em estágio, por concluir. O meu aplauso de pé para esta gente. Sinal que vão saltar os montes e conhecer mundo. Parece-me, também, bem.

O Coffee Break by Venda da Vila
As vinhas da Quinta das Carrafouchas
Antiga Adega
Antigos Depósitos de Cimento
Lagar e Prensa
Para os Crentes
Saltou à vista a consensualidade do Douro. Vinhos de estirpe moderna, é certo, mas personalizados, capazes de agradar um alargado espectro de consumidores.
Chegados ao Dão, os comentários foram fracturantes, vinhos idolatrados por uns, preteridos por outros. Longe de qualquer consensualidade. Para reflexão.

Os vinhos
Nas Beiras, com representação reduzida, ficou a curiosidade de termos um Beira Atlântico Bairradino e Beira Continental Duriense. O primeiro bordalês e o segundo de perfil mais nacional, mais rústico.

Os vinhos
Na parte sul do continente: Lisboa, Tejo, Terras do Sado, Alentejo e Algarve, sobressaíram na generalidade, houve excepções, vinhos mais quentes, com fruta e madeira mais pujentes, quiçá menos personalizados, eventualmente mais novomundistas, talvez mais urbanos. Registe-se, o facto, que neste grupo o Dona Maria, de Júlio Bastos, foi, sem qualquer sombra de dúvida, o melhor.
E que venha, agora, o próximo TWA - Inspira Portugal.

Anexos:

Programa

A lista de vinhos

sábado, junho 02, 2012

Casa de Saima, a Sequela

Este post é na sua essência a sequela deste, porque na mesma tarde, noite e madrugar, foram também bebidos, no sentido literal do termo, mais três vinhos. Foi, ao fim a cabo, mera ocasião para desfrutar um petit tête-à-tête entre Bairrada e Dão. Parece-vos mal?


Os vinhos, engarrafados e rotulados para o propósito, encaixam naquela faixa pecuniária que não passará, creio, dos três euros e cinquenta cêntimos. Vinhos, rosé, branco e tinto, talhados para um desfrute descomplicado e sem rococós despropositados.


Recordando o branco, e porque tinha estaleca suficiente, acho que merecia (e bem) o título de Reserva.


A título pessoal, e porque ando com os níveis de indulgência baixos, resta-me lacrar este auto com uma vulgar recomendação: Que se bebam, despreocupadamente, sem rodeios, mas com respeito!