quinta-feira, fevereiro 28, 2013

Frio: A Minha Tribo

Não vou falar de vinho, não apetece. Vou apenas reproduzir imagens da minha terra, da terra do meu povo. A terra mater.



São imagens encharcadas de uma beleza dura e crua, mas imensamente cativante. Olho para elas e o tempo parece parar ou recuar. Faz lembrar tempos, outros tempos que passaram. Deste lado, onde ando, tenho inveja por não partilhar a crueza da natureza com a minha tribo.


E apesar de ser cedo, de o dia ter acordado não há muito, sei que logo à noite beberei um vinho, que será do Dão, da minha terra e brindarei a vós que estais bem longe de mim.

Post Scriptum: As fotos foram retiradas do Portal de Gouveia.

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Valle Pradinhos

Apetece dizer que andamos (todos) a voar sobre um enorme ninho de cucos. Um bando de loucos na presença de um boticário, de um físico, de um médico, tentando provar que se é mais esclarecido que o companheiro do lado ou que a doença de que padece não é socialmente limitativa. Apesar das tentativas, os nossos comportamentos teimam a roçar a insanidade mental e algumas das palavras que populam por todos os recantos (desta piquena territa) soam a estranho.


E numa sala de loucos, lá andamos aos encontrões em busca sabe-se lá do quê. Epá qualquer coisa que dê para mostar que se é menos insano que o outro, que tem menos eno-distúrbios mentais ou que precisa de menos eno-prozac.


E a porra da coisa é que se diz, também, que é tarefa herculeana encontrar ou beber, sei lá, vinhos que sejam diferentes (livra que está repetitivo), como se tudo estivesse escondido. Vinhos que potenciem sensações porreiras, emoções pouco habituais.


E sem alongar-me, em mais nada, porque as paredes apesar de almofadadas, podem magoar, está aqui um vinho que é grande. Que surge por todos os lados, que oferece diversidade, que não é uniforme, que é divergente e que, vejam lá, não é (muito) caro.
 

sábado, fevereiro 23, 2013

BSE: Branco Seco Especial

Que se lixe, mas hoje apetece-me espetar aqui duas fotos de um vinho que relembra a juventude deste estranho homem que bate, agora, nas teclas. 
Um vinho que foi, durante bastante tempo, um best seller, que era escolha obrigatória em restaurantes. Um vinho que representava, quando havia dinheiro, status, qualidade de vida e conhecimento da arte. Tempos de outrora.


Depois surgiu a loucura dos novos nomes, das novas marcas, dos novos vinhos e desapareceu no meio da memória. Deixou de ser chique.


Voltei a beber, porque ofereceram a garrafa e o vinho (não serei o único). E voltei a recordar velhos tempos que não voltarão e que já lá vão. E, agora, pergunto-me, por que carga de água, nunca mais bebi este vinho? 

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

Olho no Pé: O Pinot Noir e o Douro

Sem qualquer tese defensora da tradição ou das castas portugueses, e por que é assunto que não domino, direi que há muito andava atrás deste vinho. Várias eram as razões que alimentavam tamanho apetite.



Feito com uma das castas da moda: Pinot Noir, ser do Douro, gostar do nome do vinho e sei lá mais o quê. O resto são deambulações pessoais que para o caso não interessam.



Um vinho perfumado, aparentemente com o (elevado) álcool dominado, que sabia bem, que escorria bem pela garganta. Que acompanhava a comida, que foi jogando sem sobreposições. Um bom vinho. Perguntar-me-ão, por certo, se respeitava as características organopléticas (epá, adoro esta palavra, torna a coisa mais emproada, não acham?) da casta. E eu respondo-vos, sem qualquer pejo ou receio, que não sei. Sei que gostei do vinho.



Como tal, e em jeito de remate final, direi que aconselho, que irei comprar, que irei repetir. Parece-me suficiente, não acham?

terça-feira, fevereiro 19, 2013

Ensaios Filipa Pato: Branco

Hum...um ensaio, um branco, um vinho de Filipa Pato. E há muito tempo que não bebia nada orquestrado por esta miúda. Havia sempre qualquer coisa que se interpunha pela frente e desviava a minha atenção.





E desta vez, peguei nela, na garrafa, e ao coberto de um acto repleto de sofreguidão, embarquei com ela para a mesa. Tinha que ser bebida logo e sem falta. A vida anda cruel (de mais) para guardar, para armazenar vinho. Que se beba, que se beba com (muita) fartura. Que se alimente a gula. Que cresça desmesuradamente até o corpo não aguentar mais. 






E sem mais nem menos, tinha ali um vinho sóbrio, carregado de (muito e bom) carácter (que, por vezes, me falta, segundo consta). Um vinho para homem, feito por uma mulher. Livra, que a pequena não brinca em serviço. Não é vinho apara agradar a todos. É vinho branco que parece vinho tinto. 

sábado, fevereiro 16, 2013

Quinta do Poço do Lobo: Bacalhau e outras coisas

Terá sido, juntamente com este vinho, uma das coqueluches das feiras de vinho de Fevereiro. Não é normal, julgo, que um vinho da Bairrada e da colheita de 1995, seja colocado na frente de linha. Depois, o mesmo vinho carrega outra curiosidade: as castas que o compõem: Baga, Moreto e Castelão Nacional. Uma trilogia completamente inusitada. 


Bacalhau, cebola, tomate, alho e azeite. Comida popular.
Batatas, cenouras, corguettes  e outras coisas mais

Bacalhau do céu. Sedoso.
Depois, impressiona ver as garrafas imaculadas, limpas, com os rótulos sem qualquer nódoa, desgaste, sem qualquer indicio que andou ao deus daráInvólucro brilhante, reluzente e rolha sem sinal de qualquer decadência, sem sintomas de cansaço. É obra, ao mesmo tempo estranho e pouco habitual.


E por esta altura, os incansáveis comedores de devaneios sensoriais, quererão saber, por certo, a minha sábia e inquestionável opinião sobre o vinho, certo? Vinho de noite, vinho de interpretação, vinho de introspecção. Acho que ando a repetir conceitos. Sinais, por certo, de demência...



Vinho que, por si só, mereceria uma tese de mestrado, de doutoramento. Vinho de comida, vinho que precisa de tempo. Dispensa sofreguidões.  Não é vinho, certamente, para correrias, para provar e despachar. E não será para todos.

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Terras de STº António TN 09

Resultado das poucas compras realizadas nas paupérrimas feiras de vinho que aconteceram, um pouco, pelo país, nas habituais áreas comerciais.



Por que não conhecia, por que começou a surgir, agora, um pouco por todos os lados, impunha-se que se comprasse e se bebesse. Não havia volta a dar. 



Um Touriga Nacional, da colheita de 2009, delineado por Paulo (Paolo) Nigra. De estilo franco, descomplicado, jovial, com fruta na medida certa, companheiro de comida. E evitando mais rodeios, mais ladainha desnecessária remato com: Epá, gostei do vinho.

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

Casa da Passarela: O Reserva 2009

Em dia que pouco havia por fazer, para pensar, para decidir, urgia gastar o tempo que faltava. De cabeça oca, sem qualquer orientação, constantemente massacrado por erros e opções erróneas e sem um fim à vista, nada melhor, digo eu, do que embrenhar-me em tarefas simples, prosaicas, mas anestesiantes da dor. 


Pegou-se em pão, em queijo, umas azeitonas e azeite, umas ervas, umas tiras de toucinho e vai-se deambulando por entre pensamentos estupidamente imbecis, delirantes, mentirosos e falsos...





Olhei para o que tinha à frente e precisava de um vinho, de algo que fosse amolecendo a fúria, a vontade de saltar do carro. Um vinho, pois claro, um vinho. Um vinho da terra. 


Um vinho despido de enfeites, singelo, mas cheio de empatia. Um vinho escorreito. Um vinho que ajudou a sumir os nós da vida. Enquanto durou, tudo parecia ter mais lógica, mais sentido. O pior aconteceu, quando acabou...

terça-feira, fevereiro 12, 2013

Barca Velha

Encontrar um nome que baptizasse o que vou dizer, desta vez foi desafio herculeano para a minha decrépita imaginação. Voltas e mais voltas e deu simplesmente isto: Barca Velha.




O titulo, por si só, será um dos maiores chamariz que alguma vez lancei neste distinto blog. Trará, por certo, uma boa carrada de visitantes, à procura de valentes notas de prova, bem como de uma classificação que ateste, ou não, a comprovada qualidade do referido vinho. Infelizmente, felizmente para mim, nada disso vai acontecer. Irão ficar, apenas, com algumas fotos, meia dúzia de considerandos e pouco mais. 



Feito o preâmbulo, digo-vos que apenas bebi apenas duas colheitas de Barca Velha: 1999 e recentemente 2004. Como tal, evitarei qualquer comentário sobre perfis, estilos ou derivações organolépticas. Que fale quem sabe.



Posto isto, para que serve o presente post? Primeiro para fazer pirraça. Segundo para defender a tese que estes vinhos não devem ser bebidos em prova cega. Pessoalmente, tirou-me um terço do prazer que teria se tivesse observado a garrafa, a sua abertura, a sua decantação e depois o seu tombar para o copo. Assim, em tempo algum, teria dúvidas sobre o que estava à minha frente. Terceiro e última razão: Mesmo em prova cega, os comentários, as classificações sofreram do síndrome BV. 



O que é o síndrome BV? Simples: sabendo que temos um vinho com tamanho peso estatutário, não há ninguém que não jogue à defesa e potencie para cima as suas anotações. Estou errado? Não creio, de todo. Perante seis vinhos, e sabendo que no meio deles está um chamado Barca Velha, podia ser outro da mesma categoria, o povo será, é incapaz de dizer que não gosta.



Mais fácil seria, se a prova fosse com vinhos da Bairrada, do Dão, das Terras do Sado. Aqui os presumíveis síndromes teria um efeito precisamente contrário: DownGrade. É a chamada gestão de expectativas.