terça-feira, agosto 27, 2013

Antonio Madeira: Vinhas Velhas do Dão

Este vinho tem inúmeras curiosidades, tem diversos pontos de interesse e só por isso e por mais alguma coisa, merece (e deve) ser conhecido pela comunidade enófila. É incontornável.


O autor do vinho, António Madeira é também o autor do blog mais interessante, no momento, a viver na realidade blogueira portuguesa: A Palheira do Ti Zé Bicadas. O seu blog relata, no essencial, as suas aventuras pela Serra da Estrela, pelo Dão, na demanda de castas inusitadas, de vinhas esquecidas, de hábitos e métodos que (quase) só existem em memórias (de poucos). 


Ao contrário de outros, como eu, que confortavelmente se sentam em sofás aburguesados e onde largam bitaites sem tento e sem qualquer conhecimento da vida (do vinho), este luso-português não teve qualquer pejo em pegar na mochila, vir à procura das suas raízes lusitana, agarrando em mãos a concretização de um dos seus sonhos: fazer vinho no Dão, fazer vinho na terra dos seus ascendentes. 


O vinho baptizado orgulhosamente com o seu nome, e em que a palavra Dão apresenta-se decalcada com letras garrafais, deriva de vinhas velhas que vagueavam apenas acompanhadas pelo Abandono e onde a Tinta Pinheira, o Camarate e a Tinta Amarela predominam em larga escala. Um vinho pleno de frescura, com aromas e perfumes de um lugar que conheço muito bem. Um vinho que, independentemente de gostos e opções, representa o cumprimento de um objectivo, a vontade de realizar qualquer coisa. É, também, um vinho idealizado por um autodidacta. Eu, deste lado do sofá, aplaudo a dita coragem.

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

sexta-feira, agosto 23, 2013

Vila Santa: O Branco

Baptizar algo como o melhor (na versão mais absoluta) ou dos melhores (na versão mais relativa) é acto para alguém com peito de dimensão razoável capaz de aguentar, à posteriori, os embates contrários à opinião emanada. No meu caso, e independentemente da dimensão do meu peito que neste momento se apresenta com certo volume, devido apenas e apenas ao dolce farniente agostinho, não tenho (e acho que nunca tive) qualquer problema ou vergonha em afirmar que este ou aquele são os melhores. Puras acções de libertação.





E terminada mais uma nota introdutória, que serviu apenas para agarrar-vos, mais um pouco, por aqui, direi em jeito de súmula, em puro resumo, que este Vila Santa é, para mim e para outros tantos, dos melhores vinhos brancos do Alentejo que bebi (este ano). Fresco, intenso, perfumado, guloso e com estatura capaz de aguentar o tempo. E posto isto, botar mais palavras soará a desnecessário. Sendo assim, regresso ao copo que ainda tem vinho.

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

sexta-feira, agosto 16, 2013

Quinta da Pellada: A Adega

O que este bendito post vos trará de novo? Eventualmente nada. Serve, antes de mais, como acto de contrição público. Foi absurdo e autêntico disparate ter votado ao esquecimento os vinhos da Quinta da Pellada.









  
Penso que já o disse, mas volto a repetir mais uma vez: conheço a entrada, aquele portão. Foram muitas as vezes que andei ali perto, mas jamais tinha entrado nas catacumbas, onde pontifica a adega, espaço onde repousam, sem ninguém desconfiar, barricas e mais barricas carregadas de vinho, de ideias, de pensamentos sobre o que deve e pode ser o vinho e a vinha do Dão.




Diria, sem qualquer pejo, receio de exagero ou provincianismo exacerbado, que tais cascos são, antes de mais, baús carregados de tesouros.








Olha-se em redor, e todos eles, os tais ditos baús, dizem qualquer coisa, qualquer coisa que por vezes soa a enigmático, a indescritível. Outros, pelo contrário, soletram sílabas bem conhecidas, bem identificáveis.





Mas o que interessa, ou interessou, para um gajo, como eu, foi sentir o vibrar dos líquidos, dos vinhos, muitos deles (ainda) por lapidar. Mas que se lixe, mas que se lixe. Foi uma experiência, tal puto no meio da DisneyLand embasbacado ao olhar para tanta diversão. E elas eram (mesmo) muitas.

segunda-feira, agosto 12, 2013

Madre de Água: A Visita

Mais um projecto que brota no Dão, junto à parede montanhosa da Serra da Estrela. Um projecto que parece querer apostar no alojamento (de qualidade) e no enoturismo. Apesar de estar numa fase juvenil, a qualidade parece ser o farol guiador. Pelo que foi observado e ouvido, as expectativas são (ou estão) altas. Aguardemos pelo desenlace.








O projecto Madre de Água para além do tal alojamento, que já existe, tenta abarcar outras actividades, outras valências de forma a diversificar as ofertas e aumentar o chamariz: Fruta, azeite, vinho, queijos e criação de gado (cavalos e ovelhas). Uma panóplia de serviços com o simples objectivo de satisfazer quem visita o(s) espaço (s). Parece-me bem.







Para além do património já fundeado, recuperado e que se encontra em pleno funcionamento, existe um conjunto de estruturas edificadas que merece uma visita demorada e contemplativa. Serão, a título pessoal, o mais interessante de todo o aglomerado de Quintas que a Madre de Água possui: Caramuja, Regada, Santo António e Madre de ÁguaE no meio de qualquer coisa, surge-nos pela frente o tal conjunto de construções que combina diversos estilos arquitectónicos, alguns deles aparentemente inusitados na zona e que nos oferece, no meio de toda a paisagem bucólica, uma meada de sensações que não nos deixa indiferentes. E porque o vinho sempre foi o elemento fulcral, surge-nos ainda uma adega (quase) centenária. Simplesmente retratos da história com muitas estórias.







Os vinhos, apesar de provados, estão ainda (muito) imberbes, a precisar de tempo, de calma, de paciência. Prometem ser coisas sérias, mas por esta altura, não podia ser de outra forma, são ainda projectos promissores. Aguardemos, pelo menos, mais um ano. Só por essa altura é que voltaremos a prová-los, a bebê-los e a consumi-los. Quanto ao resto, a Madre de Água merece uma visita atenta e demorada, sem pressas. As surpresas são muitas. Posto isto, apraz dizer que o Dão continua mexer. Que assim continue.

quinta-feira, agosto 08, 2013

Terras do Mendo: O Encruzado

Surpresas ainda existem! Pelo menos, para mim. E isso basta-me. Sem esperar, sem o procurar, dou com as ventas a olhar para este vinho: mais um Encruzado. E depois? Nada, não me chateio.


Fazem-se todos os procedimentos normais: abre-se a garrafa e verte-se para o copo, para a taça. Tudo o resto são mariquices sem sentido que só servem para impressionar os impressionáveis.


E o vinho, o tal líquido que estava encerrado na garrafa? Sério. Um vinho (muito) sério. Diria que era, ou é, um vinho sénior. De estatura e com estatura. Surpreendeu-me, muito, pela saúde, pela enorme frescura que apresentava. 


Não queria alongar-me em palavras demasiadamente elogiosas, há o risco latente de cair no ridículo,  mas atrevo a afirmar, perdoem-me, que este Encruzado de Oliveira do Hospital terá sido umas das maiores revelações dos (meus) últimos tempos. Exagero? Que seja, que seja.