quarta-feira, Outubro 30, 2013

Flor das Maias: 2005

Não gosto (muito) de aconselhar, porque a maior parte das vezes, erro no dito conselho, acabando por ficar mal na fotografia. Aconselhar é quase dizer: escolhe este que não te irás arrepender.




Mas desta vez, e correndo todos os riscos devidos e indevidos, devo-vos dizer que aconselho sem qualquer receio, salvaguardas, medos ou dúvidas este vinho que serve de ilustração. Um vinho que precisava (urgentemente) de beber. Que fez despoletar uma porrada de emoções, de imagens, de tudo e mais o resto. Um vinho que, perdoem-me, devem conhecer e beber. E sem qualquer restrição. Trata-se, por assim dizer, de um vinho proveniente de Flores (das Maias).

terça-feira, Outubro 29, 2013

São Domingos: Velha Reserva

Hoje não tinha nada para comemorar, mas ainda assim apeteceu-me abrir um espumante. Abri para simplesmente beber, pois não tinha nada para comemorar. Por isso, dei comigo a festejar nada



E quem diz que um espumante se deve abrir, apenas, em momentos comemorativos está redondamente enganado. Deve-se abrir em qualquer altura, mesmo quando nada se comemora. O Nada merece. Não é excepção.



E porque estou só e com mais nada, resta-me continuar a olhar para o espumante e ir vertendo para o copo, até restar nada na garrafa.

sábado, Outubro 26, 2013

ABANICO

Abanico foi, para quem sabe, um adereço imprescindível na indumentária das senhoras, tivessem elas boa ou má conduta, durante largos anos. Servia para esconder parte da face, principalmente os lábios, as maçãs do rosto, alimentando o desejo dos cavalheiros, tivessem eles, também, boa ou má conduta. Era também apetrecho para afugentar o calor em dias de canícula. Quem não se lembra de observar as coxias de uma qualquer igreja repletas de Abanicos a esvoaçarem, enquanto o prior lá no fundo, em voz monocórdica, proferia mais uma homilia carregada de dogmas imperceptíveis? 



E curiosamente, não há muito tempo, assisti a um interessante bailado, de Abanicos, executado por meia de dúzia de mãos, já engelhadas pelo tempo. Mãos de senhoras, por certo, de outras épocas, que apesar do peso da idade, continuavam infinitamente belas. Devo dizer que sorri para tal cenário. Era coisa que não assistia há muito tempo.



E enquanto olhava para o rótulo, tragando o vinho até ao fim, devo-vos dizer que recordei imensos episódios em que a minha mãe, de face ruborizada pelo calor, tentava aliviar esse mesmo calor. Não era fácil para ela: Mulher loura e de pele bem clara. E eu, enquanto puto, assistia a todo aquele desespero.

Post Scitpum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

terça-feira, Outubro 22, 2013

JMF: DSF Espumante Moscatel Roxo

Estou com alguma dificuldade para traçar um linha sobre este vinho. Na verdade, e sem qualquer rasgo de humildade, devo dizer que não sei mesmo por onde começar. E já tentei, acreditem, fazê-lo de diversas formas. Mas como irão estoirar por todo lado n comentários sobre o vinho, faz com que alivie os níveis de stress e ansiedade. Sei que irão sair eloquentes rasuras com classificação e tudo. Nada que se compare ao que digo. Mas adiante.




É espumante feito de moscatel roxo e pertence à Colecção (ainda sem acordo ortográfico) Privada Domingos Soares Franco, vulgo DSF. E devo dizer que continuo, ainda e após alguns copos, sem conseguir dizer muito mais. Um vinho que tento perceber, compreender e interpretar. É algo se estranha no início, mas que se vai entranhando, que vai puxando, que vai baralhando. E creio que chegarei ao fim da garrafa, tal como comecei. Sem saber o que dizer.

Post Sriptum: O Vinho que ilustra este post foi oferecido pelo Produtor.

sexta-feira, Outubro 18, 2013

Solista

Ser um bom Solista, mesmo que se ambicione e se deseje, é posição que não está ao alcance de todos. É algo destinado a muito poucos. Não é qualquer um que se coloca em frente uma orquestra e faz um solo de categoria e brilha. Não é para todos e é bem que assim seja. Não vos parece?




A treta da coisa, é quando reparamos que meio mundo deseja ser Solista, tentando destacar-se da orquestra, carregada de maus músicos, quando na verdade nem jeito tem para tocar ferrinhos. Instrumento que, coitado e sem culpa, é geralmente atribuído aos mais inaptos (fui um deles). No entanto fica-lhes bem, muito bem, continuar a ensaiar para que um dia possam ser um daqueles Solistas. Eu, apenas, pedia para que ensaiassem bem longe. Gosto de beber os meus copos de vinho descansado.

Post Scriptum: O Vinho que ilustra o post de hoje foi oferecido pelo Produtor.

quarta-feira, Outubro 16, 2013

Lagar de Darei: Reserva Tinto

Há vinhos que não merecem que se façam grandes considerações. Uns por que não valem um chavo, um tostão, o quer que seja, enquanto outros por razões completamente diferentes e antagónicas. Bastaria, para uns e outros, uma simples foto e um comentário do género: não gostei ou gostei. Julgo que seria o suficiente e faria o efeito desejado.
 
 

Mas a malta gosta de enrolar e pensar que anda a esclarecer o mundo inteiro.



Relativamente ao vinho que temos aqui ilustrado (gostei das fotos), encaixa que nem uma luva no prato da balança onde estão aqueles vinhos que ainda (nos) surpreendem positivamente. Que, ainda, justificam as andanças nesta vida, compensando o número crescente de desilusões. E elas são cada vez mais e maiores.

domingo, Outubro 13, 2013

Álcool: O Maldito

Chamem-me doido, maluco, deslocado da realidade, incoerente e sei lá mais o quê. Chamem-me tudo e mais alguma coisa. Na verdade, já ninguém me leva a sério. E fazem muito bem.



Anda tudo doido e aflito com o maléfico grau alcoólico dos nossos vinhos. Anda tudo a rezar, de joelhos e de cócoras, para que baixem o maldito e que façam vinhos, façam o favor de o fazer, mais contidos. É que a malta também anda farto disso. É que assim não dá para aguentar as longuíssimas provas. Perdoem-me, as jantaradas. Ninguém aguenta.



Dando mais uma farpada, só mais uma, devo-vos dizer que comprei este vinho, que ilustra a coisa, por causa, e vejam lá, do álcool elevado: 14,5%. E ainda por cima num branco e num branco do Dão. Que sortilégio, que maldade. Pior, ainda, é que gostei, e usando linguagem portuguesa com sotaque: Gostei pra caramba.

sábado, Outubro 12, 2013

Terra a Terra

Fim de semana. Esbarrámos, finalmente, no fim da semana, no dia que o povão deseja encatrinar até mais não. É a altura para descarregar de cima do lombado tudo o que pesa. E o fardo, acreditem, é cada vez mais pesado.



Apetece, tal lavrador no final da jornada, sentado na Terra que lavrou e cuidou durante dias e horas, comer a bucha merecida e olhar para trás, ver a quantidade de Terra que trabalhou. Por vezes, Terra que não é sua, que não lhe pertence, que é de um qualquer senhor.

Não querendo comparar entre tintos e brancos, tenho que dizer que apreciei amplamente o Branco. Um vinho do Douro, onde se sente o Douro, os seus cheiros e os seus aromas.

O cenário, inventado por mim, é facilmente replicado noutras dimensões, noutras realidades, noutras vidas. Todos, julgo eu, trabalhamos a Terra, retiramos o sustento, o pão que nos enche a barriga, a uva que faz o vinho. Vinho que alegremente nos coloca ébrios. E se for daquele do bom, daquela cepa em particular ou daquela Terra em especial, vai saber incomensuravelmente melhor. 

Post Scriptum: Os Vinhos que ilustram o post de hoje foram oferecidos pelo Produtor.

quarta-feira, Outubro 09, 2013

Alvarinho by João Portugal Ramos

Que (me) perdoem os puristas da casta. Que (me) desculpem aqueles que olham de soslaio para quem tenta fazer vinho por todo o lado. É sinal de não querer saber de tricas e baldricas e que pouco, ou nada, ligam para o que se diz. Vão, fazem e pronto. É assim mesmo. Reconhecem que o mundo é grande, olham para ele com vistas bem largas. E não querem saber de condicionalismos regionais. Costuma-se dizer: que estão-se a borrifar. Fazem bem.


E por isso tudo, e mais alguma coisa qualquer, começo também a não ligar ao que se diz por aí, ao que se regurgita descontroladamente


Mas adiante que o povo está impaciente. Quer saber qualquer coisa sobre o vinho, sobre o que esta alma (perdida) acha sobre ele. Se sim ou sopas.


Então para os interessados, para aqueles (e são muitos) que adoram saber o que achei, devo dizer que apreciei, que desfrutei, que gostei, que (me) soube bem, pela delicadeza do vinho, pela suavidade, pela sua elegância. Que bebi o vinho sem ficar maçado, sem ficar irritado, sem encostar, para o lado, o copo. E sem voltar a rolhar, de novo, a garrafa. Simplesmente bebi-o.

Post Scriptum: O Vinho foi oferecido pelo Produtor.

segunda-feira, Outubro 07, 2013

A Descoberta

Julga-se que tudo está descoberto, mas não está. Existe sempre algo ou alguma coisa que não conhecemos, que não sabemos o que é. Que (nos) é desconhecido. Que mete medo, que (nos) cria calafrios. Descobrir, é simplesmente abrir uma porta para o que não se sabe, para o que não se vê. Depois, resta-nos, se quisermos, passar para além dessa porta, transpor a dúvida e não olhar para trás. 


Ao fim de muitos anos, ao fim de uma vida inteira, ainda se descobre, ainda se fica admirado com o que se vê e que não estávamos à espera. Julgávamos que tínhamos tudo controlado com as nossas mãos.


Ficar parado, não ir à descoberta, não vasculhar a vida, não procurar um sentido para as coisas, é morrer bem antes do nosso tempo. É definhar em agonia.


É ficar, simplesmente, parado à espera do desenlace, daquele derradeiro dia. E mesmo assim, nesse dia, acreditem, iremos descobrir tanto. Mas depois será tarde. Ou não.

domingo, Outubro 06, 2013

Farto de Encruzado? Não deste!

A outra moda que se instalou e que, também parece estar a chatear, por demais, a elite pretensamente enófila: O domínio do Encruzado por toda a região do Dão. Segundo consta por aí, em diversos canais, o uso excessivo de tal casta branca no Dão, está a barrar a diversidade dos vinhos, uniformizando-os, limitando o coitado do consumidor, pois ele quer, segundo parece, coisas (muito) diferentes. 
Creio que o consumidor (esclarecido e informado, pois claro), não sabe ao certo o quer. Apenas e apenas, acha que anda farto de tanta coisa igual.




Pois bem, eu não estou farto, de todo, de Encruzados. Não como este. Que surjam bem mais Encruzados, com personalidade, com estilo, com tudo e mais alguma coisa. Há, e vai continuar haver, espaço para vinhos com classe, com sentido, com capacidade para (nos) surpreender. Por isso, que venham mais Encruzados como este, por exemplo, que nunca ficarei farto.

sábado, Outubro 05, 2013

Farto de Touriga Nacional? Sim, claro, desta!

Fala-se, ou falam por aí, já não sei, que andamos todos fartos da (ou de?) Touriga Nacional. Anda tudo enfadado e já nem a podem ver pela frente. Tenho, assumo, pena da Touriga, da Nacional. 


Por isso, e por causa disso, pergunto-me incessantemente se estarei, eu também, saturado de Touriga Nacional. Tenho que dizer-vos, e só aqui entre nós, que estou farto é do (deste) estilo carrancudo, violento, que agride, que não dá prazer. Sem qualquer habilidade para cativar um gajo. Simplesmente, por isso, ficou no copo.


É como se tivéssemos levado com um murro nas ventas, sem estarmos à espera. A seco. No final, resta-nos apenas, chorar a porra dos euros que gastámos no vinho. É disto, sim, que estou farto e saturado.

quinta-feira, Outubro 03, 2013

Hum...

Não sei porquê, mas cheira-me que a nova época eno-qualquer coisa, irá ser das piores épocas que algumas vez vivemos. Sinto, mas só eu, que andaremos, todos e sem excepção, a arrastar pelo cantos e a debitar coisas que são nada e que nada valem. Pressinto que até, nós próprios e sem qualquer excepção, já andamos fartos de dizer nada. Hum...cheira-me que isto não vai andar bem. 


O que nos vai safar, a todos, serão as borlas que ainda vão caindo nas caixas de mail (ou de email?). Valha-nos isso, pois somos merecedores...

terça-feira, Outubro 01, 2013

Torre de Tavares: Siria

Sei lá o que dizer. Caramba, isto repete-se incessantemente, dia após dia. Chateia-me e irrita-me. Enerva-me. Ainda por cima, as visitas estão na rua da amargura. Por isso, continuo impressionado com a pujança que os meus pares possuem. É digno, é de louvar. Merecem fortes aplausos pela forte dinâmica, capacidade de intervenção, poder de reflexão e opinião. Muito bem.



Feito o preâmbulo, apraz dizer que são raras as vezes que bebo, isso mesmo, vinho tão desalinhado, tão solitário, tão desviado dos cânones previamente estabelecidos e por isso, peço-vos que evitem, desde já, qualquer comparação. Seria estapafúrdia, ridícula e vazia de qualquer conteúdo. Na verdade, ninguém sabe, eu não sei, o que é acreditar e defender algo, ou alguma coisa, de forma solitária e sonhadora.



Ainda assim, gostariam, presumo, que falasse de qualquer coisa sobre o vinho. De qualquer coisa que retratasse o estilo, o perfil e sei lá mais o quê, mas como poderão esperar, não sou capaz, não sei e não quero alongar-me em bacoquices. Só posso dizer que, porque é a única coisa que sei, é vinho que merece ser conhecido, bebido e interpretado. O resto fica por vossa conta.