segunda-feira, junho 30, 2014

Sob o Signo da Falácia

O que vou talhar nesta página em branco não está, como sempre, relacionado com as ilustrações. Elas servem, como sabem, para aumentar o tamanho do post, dando-lhe um ar mais sério. A garrafa está vazia, porque o vinho foi bebido fresco, ao longo de uma tarde soalheira, debaixo de um telheiro, à sombra e em puro estado de letargia mental. Estado que invariavelmente se instala, pelas múltiplas razões. Serve esse estado, por exemplo, como protecção para o que vou observando na vida e lendo aqui ou acolá.


E quando estava a botar para dentro do copo os últimos restos do vinho, será escusado falar sobre ele, e em jeito de suspiro, sou assombrado pela convicção de que vivemos, pelo que me dá a entender, uma enorme falácia. Tudo o que nos andam a dizer é, na verdade, um logro. Um manto de nevoeiro que se lança sobre os incautos, fazendo-lhes acreditar que a opção, o caminho é outro, quando não o é. Nunca o foi.


Filosofias baratas à parte, creio que as nossas castas sustentadas naquela enorme variedade, dizem que são largas centenas, são ainda insuficientes e não chegam. Não são suficientes para fazer vinho com algum interesse. É preciso, e cada vez mais, que se use algumas coisas que vêem lá de fora. Os portugueses, gente com enorme capacidade de iniciativa, que adora estar na linha da frente no que respeita à globalização, não quer, por isso, ficar atrás. Desta forma, há que rapidamente enfiar nas suas vinhas cepas que lhe possam garantir reconhecimento nacional e internacional, tal toque de Midas. É que palavras como Maria-Gomes, Bical e Cercial são efectivamente nomes de outros planetas.

2 comentários:

Flavio Henrique disse...

Pois é, Pingus... Estamos a ver vinhos tintos feitos na Bairrada, sem Baga. Como pode? Nessa semana bebi um Paulo Laureano Reserve Vinea Julieta maravilhoso, feito com Alfrocheiro, Alicante Bouschet e Tinta Grossa. Que vinho! Um exemplo para quem insiste em introduzir castas francesas em Portugal.
Abraços,
Flavio

Peter Sousa disse...

Ora viva,

um bom exemplo é o Filipa Pato "Nossa Calcário" Branco, das casta de Arinto, Bical e a Filipa aplica nos seus vinhos, inovação e qualidade.

Cumprimentos
Peter Sousa