quarta-feira, setembro 24, 2014

Carrocel

Diz-se, por aí na gíria popular, que a vida é um pouco como uma viagem de carrossel. Roda, roda e volta a rodar, acabando por tontear, apenas, os pensamentos de quem anda por lá. Diz-se, também na gíria popular, que se trata de uma viagem para a qual não comprámos bilhete. Quer dizer, então, que enfiam-nos no brinquedo, sem saber e sem querer. Estamos lá.


Mas já que por lá andamos, no carrossel, porque não aproveitar os barulhos, as músicas, as caras de quem cerceia por perto. Acreditem que há pormenores bem interessantes. As expressões mudam, consoante estamos fora ou dentro. São expressões reveladoras do carácter, da força de vontade. Mostram coragem, medo, apreensão, confiança, dúvida, despeito. 


E quando o carrossel lá aumenta a velocidade, consegue-se, ainda, observar quem tem estofo para a coisa. Quem aguenta todo aquele movimento alucinado e quem anseia que toque a sineta. E a maior parte, apenas, deseja que tudo chegue ao fim. Só que o fim, tanto da vida como da garrafa, é mesmo o fim.