domingo, Fevereiro 23, 2014

A Marca

Encíclica de Domingo ao povo. Enquanto outros reportam almoços, jantares, provas e demais actividades por que sim e mais nada, elevo-me ao púlpito, mais uma vez, para golfar mais um punhado de palavras indecifráveis. 


Esquecemos-nos repetidamente da importância da Marca num vinho. O peso que a Marca tem na escolha de um vinho. A criação de uma Marca, que seja considerada mais valia, não é coisa resultante da obra do acaso ou pura sorte. 


Esquecemos, de propósito, o quanto é relevante ter e construir uma Marca, ter sabe-se lá o quê, para poder vender, ser (mais) conhecida, ser (mais) desejada. No meio das nossas deambulações, caminhadas quixotonianas, em que dubiamente procuramos uma qualquer virtude, temos por hábito desdenhar de quem trabalhou para criar e ter uma Marca com peso, de quem ocupou um espaço. 


Fica a ideia que há, parece-me, apenas a impressão na naquela parte exterior da articulação média do braço. Somos portugueses e esta condição justifica (quase) tudo.

quarta-feira, Fevereiro 19, 2014

2002

Nem tudo é mau. Mesmo em anos em que tudo apontava para o insucesso, para a tragédia, há coisas que nos fizeram sorrir. Em dois mil e dois, já lá vão doze anos, brotaram diversos episódios que conseguiram alegrar a alma de um pobre desgraçado. Uns mais que outros. E entre os mais que outros, houve um que marcadamente registou o ano. Foi a prova provada, como diz o povo, que no meio de uma qualquer tormenta é possível surgir um facto que nos agarra à tona. 



Por isso, e mesmo andando ao deus (perdoem-me o grafema inicial em minúsculo) dará, há que crer que é possível alcançar o desiderato. Poderá estar aparentemente vedado, mas no fundo existe uma crença enorme de que iremos, apesar das adversidades, das contrariedades, atingi-lo. Porque, para quem já passou por tanto, esperar mais um pouco não custará por ali além. Que se espere, portanto.


segunda-feira, Fevereiro 17, 2014

Quinta da Ponte Pedrinha: The Best Seller

Perdoem-me, mais uma vez, mas este vinho é um perfeito Best Seller, um perfeito Blockbuster. Só tenho a sensação sempre que o bebo, infelizmente, que se podia (ou pode) ir mais além no que respeita a vinhos brancos na Quinta da Ponte Pedrinha. Parece-me que existe alguma timidez exacerbada.



Há, julgo eu, matéria para dar o salto e tornar este vinho branco (ou outro que possa ali surgir) em algo com mais personalidade, mais arriscado e ariscado, com capacidade para voar mais alto. É pena que não se tente dar uma passada um pouco mais longa. 


Até que isso possa acontecer, lá vou continuando bebendo e rebebendo este Best Seller, ano após ano.

sábado, Fevereiro 15, 2014

Kompassus & Companhia

Não, não acredito em linhas perfeitas desenhadas por compassos, réguas e esquadros. As linhas traçadas com o auxilio de tais instrumentos são meras ilusões de perfeição. Enganam, iludem e confundem. Elas não são o que aparentam ser. Apenas, e por causa da cegueira em que vivemos, fingem ser aquilo que nunca serão: linhas sem defeitos.



Aprecio, muito mais, uma linha traçada por uma mão livre e nua. As suas imperfeições são genuínas, não enganam. Não iludem e não fingem ser uma coisa que não são. São imperfeitas e ainda bem.

quarta-feira, Fevereiro 12, 2014

Ultreia: La Claudina

Continuo ler pérolas literárias sobre a importância das provas cegas. Confesso que é algo que me delicia, que entretém as noites em que nada tenho para fazer ou momentos em que estou ocupado com situações menos nobres. Puxo de uma cadeira e refastelo-me, sem qualquer preocupação, sobre o que ditam e teorizam sobre a limpeza, a pureza, a genuinidade de tamanha tarefa. Há qualquer coisa, parece-me, de divino. 


Participo, de vez em quando, em brincadeiras do género. Assumo sem qualquer problema. Mas, fico chateado, perdoem-me, quando sujeitam determinado vinho a coisas destas: provas cegas. Não havia necessidade. É imperdoável e eu não perdoo. 


São vinhos que merecem melhor tratamento, mais cuidado, mais atenção. Não foram, e não são, feitos para serem consumidos tal produto sem interesse, sem história, sem nada. 


Deveriam existir normas que proibissem estes atentados. Regras, normativos que autuassem quem se atreve a sujeitar determinados vinhos a exercícios completamente despropositados. Tal como na vida, há sentimentos que não se avaliam, não se intervalam, não se balizam. Sentem-se, desfrutam-se e não se justificam.

domingo, Fevereiro 09, 2014

Casas Altas: Chardonnay

É caso para dizer que o cenário que enquadra as fotos está, como podem reparar, deslocado da realidade atmosférica que atravessamos. Temporalmente, acreditem, está actual. Não é foto retirada de arquivo morto. 


E selo à parte, que só reparei quando a garrafa estava vazia, devo dizer que foi vinho que apreciei. Na verdade, tenho alguma empatia por aquele território que vagueia por terras de Pinhel. Creio, que há ali, potencial para qualquer coisa bem interessante.


E resultado do meu alheamento total, confesso-vos que fiquei alegremente curioso ao ler que este produtor beirão tem particular paixão pelos vinhos brancos alemães e da Borgonha. Talvez seja por isso, que podemos encontrar um varietal de Riesling e outro de Chardonnay. Outro apontamento curioso, encontrado na página do mesmo produtor, foi saber que existe de uma casta chamada: Folha de Figueira. 


Resumindo a coisa de hoje e não alongando em mais longas considerações, que não há tempo, é vinho bem interessante. Uma curiosa interpretação da casta. Pareceu-me ser um branco saudavelmente frio e seco. Muito bem.

quinta-feira, Fevereiro 06, 2014

Quinta da Murta: Clássico by Hugo

Não sei, se alguma vez, falei deste vinho, aqui por este pasquim. Mas pouco importa se este acto encerra, em si, repetições de estado de alma ou outras coisas semelhantes. Se se sentirem incomodados, sigam em frente. Virem a página, procurem por outro canal. Por isso, adiante.


Gosto de beber vinhos de amigos. Gosto de beber, até à última gota, vinhos feitos por pessoas que gosto, que me dizem qualquer coisa. Pessoas que me transmitem emoções, que nos agarram em conversas sem fundo e sem fim. Os seus vinhos são o prolongamento dessas pessoas. O inverso também acontece.


Enerva-me, por demais, assistir ao que determinados quadrúmanos golfam cá para fora. Afirmam que tudo não passa de conversa fiada, de mariquices sem sustento e que gajos como eu consomem apenas, vejam lá, romances. Apraz dizer que, ao contrário do que pensava, o neandertalismo está ainda vivo e parece, em alguns casos, ganhar mais aderentes.


Por isso, meu caro Hugo, sem qualquer rodeios, sem qualquer cuidado de linguagem, e porque estava a precisar de beber, devo dizer-te que este vinho está apagar muita mágoa que pulula em meu redor. Apenas terminarei, naturalmente, quando não restar qualquer lembrança do vinho. Saúde! Para quem a tiver.

segunda-feira, Fevereiro 03, 2014

Encruzado World: Quinta do Penedo

Decididamente a casta Encruzado está longe de estar esgotada. A convicção, minha e só a minha, é que temos, no Dão, algo que pode ombrear com outras castas porta-estandarte do país: mano a mano, ombro a ombro. Invista-se mais, ainda, em e no Encruzado.




E ao fim de duas noites, de não sei quantas garrafas vertidas e em que o Encruzado esteve sempre pela frente, tenho mais uma vez a certeza que estou longe de ficar farto dele ou dela. Escolham o género. Por isso, abro-vos a porta ao wonderful world of encruzado. Sirvam-se, sem receios e sem moderação, pois há muito vinho por aí. 

sábado, Fevereiro 01, 2014

TWA AWARDS

Sem qualquer problema, sem qualquer receio, devo dizer-vos que estou ligado umbilicalmente ao TWA. As razões são afectivas, são emocionais. 

Ex quo com Joli.


1983
E por causa disso, venho ao púlpito agradecer publicamente e perante quem quiser ler e ouvir. Obrigado!