segunda-feira, março 02, 2015

Muros

Vamos, (in)conscientemente, colocando uma pedra, um bloco em cima de outro. Vamos lentamente subindo a parede, com maior ou menor velocidade, consoante o estado da alma, que julgamos ter. 
Por múltiplas razões, entretemo-nos a reforçar a barreira, elevando-a, de tal forma que o horizonte vai ficando vedado e sumido. 


Coloca-se mais um bloco, cimenta-se por cima dos outros, com intuito, apenas, de criarmos um mundo nosso, protegido das maleitas exteriores, longe de tudo. Passamos a ouvir, somente, sons difusos e incaracterísticos. Que estão do lado de lá. O céu, no alto, fica confinado, apenas, ao perímetro.


Tal criança, num canto do quarto, passamos a brincar em silêncio, vivendo realidades ou irrealidades, onde desempenhamos todos os papéis. Longe do que se passa do outro lado do muro. Protegido...

2 comentários:

José Rodrigues Sôto disse...

Como em tudo, quando há muros erigidos estes não o são apenas de um dos lados e a partir de um certo momento, com a mania que há de medir o tamanho das pichas, todos são culpados.
Sim. Há sempre, pelo menos, dois muros. E tanto de um lado como do outros está a razão.

Anónimo disse...

E.....morreram as vacas e ficaram os bois?