quinta-feira, maio 28, 2015

Em Contramão

Passados alguns dias, cumprindo a velha máxima masculina de não pensar em nada, um dos melhores estados de alma em que se pode estar, comecei a ouvir, sabe-se lá porquê, aquela canção do Abrunhosa, voamos em contramão. Lentamente, vagarosamente, foi instalando-se até tornar-se bastante audível no meio do tal nada em que estava envolvido. Romantismos à parte, choraminguices de lado, dei comigo a moer a cabeça com a percepção de que, na maior parte das vezes, circulo em contramão com o resto do trânsito. Questionei-me sobre a razão para tamanha inabilidade pessoal. A resposta parece-me simples: inaptidão intrínseca. 


Se no princípio, presumo estar inteiramente certo e o resto da malta, apesar de numerosa, estar errada, com o desenrolar dos acontecimentos, sejam eles quais forem, começo a achar estranho não encontrar ninguém que vá no mesmo sentido que eu. Nem uma viva alma. É o momento em que páro e percebo que tenho que saltar para a outra mão e seguir viagem como o resto da trupe. Para estar integrado, mesmo que seja num mero estado figurativo. Forçado, é certo, sigo na enxurrada para não destoar aparentemente. A porra (que em português do Brasil ou em brasileiro quer dizer algo diferente) é que, sem saber porquê, dou comigo novamente em contramão até à próxima saída.

2 comentários:

Anónimo disse...

Trabalhasse a terra de sol a sol que já não tinha estados de alma de nada fazer.

Se quiser posso arranjar-lhe uma enxada.

Marco

Pingus Vinicus disse...

Para o Marco trabalhador: Envie-me o seu mail para eu enviar a minha morada e assim receber a enxada. Pode mandar à cobrança.