segunda-feira, setembro 21, 2015

O milimétrico

Todos nós temos determinadas idiossincrasias que caracterizam-nos, enquanto seres humanos. Umas surgem por educação, por (de)formação, por causa de hábitos repetidos, por isto ou por aquilo. Diz-se em tom ligeiro que somos aquilo que somos. 

Concebido com o intuito de ser bem definido, ajustado, profundamente elegante, leve e equilibrado.
Sempre tive alguma predilecção pelo que é perfeito, pela organização, pelo que encaixa milimetricamente, sem folgas. Pelas linhas, semi ou segmentos de recta traçados de uma só vez, com uma precisão irrepetível e irrepreensível. Gosto de apreciar a capacidade cirúrgica com que se vai de um ponto no espaço a outro ponto, sem qualquer desvio pelo meio, sem ter que apagar para começar de novo. Apreciar a beleza de um sólido platónico, de uma demonstração, do estudo de uma função. 


Olhar para a natureza e perceber que tudo tem um sentido e que o que parece aparentemente imperfeito não o é, de facto. Que existe uma causa e um efeito, uma imagem e um objecto. Não fomos nós que matemizamos a natureza. Ela é que obrigou a matemizar para a podermos compreender, até ao mais ínfimo milímetro, até ao valor que nos parece ser ridiculamente pequeno.

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