terça-feira, setembro 01, 2015

Quinta dos Carvalhais: O tal Reserva Branco de 2010

Não pretendem ser um mero contraditório, as linhas que irei traçar. Dito de outra forma, também não será uma simples reacção impulsiva para contrariar, só por contrariar. As poucas ou muitas palavras que serão traçadas, mais abaixo, são o reflexo de alguém que gostou, porque gostou e não porque se sentiu obrigado a gostar. Ponto.
Não é um vinho fácil, não é um vinho consensual. Nunca o será e ainda bem que assim é. E pelos mais diversos motivos, que não vou escalpelizar, não tem sido bem amado. 
Passados muitos meses, mais de um ano, sobre a última vez que o provei ou bebi, depende da perspectiva em que cada um se coloca, devo dizer que apreciei bastante o vinho. Apreciei, devo realçar, debaixo de uma nuvem carregada de estímulos e impressões pouco favoráveis, como devem suspeitar.


O vinho, aquele que bebi, apresentava um punhado de sensações que despertaram enorme curiosidade e interesse. O primeiro impacto é estranho, algo inusitado. A sua cor tendia para o cobre ou laranja como agora se diz. Uma moda. Se nos primeiros goles, eram perceptíveis cheiros e sabores menos conseguidos, com o arejamento, com a oxigenação, com a dilatação do tempo de abertura (foi bebido ao longo de dois dias), o vinho começou a mostrar o que de bom possuía. Ultrapassada a fase inicial da estranheza, começou a ser possível entranharmo-nos de corpo e alma. 
Deambulava, o vinho, por entre cheiros que (me) fizeram pensar na laranja, na casca da mesma caramelizada, na toranja, na tangerina e em outras tantas sugestões a frutas que escuso de descrever, por serem eventualmente enganos ou ilusões mentais. Junte-se, ainda, a sensação torrada, num registo que nunca achei incomodativo. Sempre apoiado por um nível de frescura que aparentou estar bem ajustado.
  

Resumindo, baralhando e concluindo. Pareceu-me estar, pegando na experiência que tive, numa boa fase de consumo em que são realçadas as virtudes do longo estágio a que foi submetido e da oxidação que daí deriva. Relembrou positivamente um ou outro vinho. Para ser bebido, como se fosse quase um vinho tinto e em que a decantação poderá ajudar na sua compreensão. Para guardar, deixar evoluir ainda mais e voltar a ele no futuro. 

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