segunda-feira, maio 23, 2016

Um mundo fofinho!

Para começar a semana da melhor forma, preciso de vir aqui expurgar algumas impurezas. Feita expurga, fico mais tranquilo.
Vivemos num mundo fofinho, onde a crítica na generalidade, seja ela formal ou informal, profissionalizada ou não, virtual ou não, tem uma forte tendência para ser naturalmente fofinha e querida com todos. Todos, todos não. Mas com quase todos. São raros os casos em que assistimos a comentários acutilantes, a opiniões divergentes, a propostas alternativas. Que pelo menos contestem. Que digam simplesmente não é bem assim. Mas não. Tudo é bom, tudo sabe bem, tudo é maravilhoso e mesmo quando se percebe que há ali qualquer coisa que falha, usam-se códigos ou meias palavras que só alguns percebem o que querem dizer, de facto. O resto da malta, como sempre, fica a pensar que também é bom, mesmo não sendo. O que importa é continuar a ser fofinho e carinhoso. De outro modo, pode ser complicado para quem tem aspirações ou ambições.


E no meio de tanta delicadeza e formosura, fica-se incapaz ou sem coragem para ser, só um poucochinho, mais arisco, mais traquinas. É-se fatalmente contagiado pela imensidão de actos de carinho. Ficamos sem jeito para dizer qualquer coisa que não seja bem igual ao que a maioria diz. Passamos a ser também fofinhos com toda a gente. Mesmo que se pense de outra forma, as manifestações públicas de afago tendem a ser iguais ao resto do bando. Carinhosas. É claro que o carinho também está interligado com peso que este ou aquele actor tem neste mundo querido. Nem todos valem o mesmo e algumas dessas carícias não devem ser públicas. No Facebook, o nível de carinho é medido pelo número de gostos que se vai obtendo e se vai dando. Já agora leiam isto.

4 comentários:

Pedro Cruz Gomes disse...

A beber vinhos com o grau alcoólico actual, é natural que se fique fofiiiinhoooozzzzzzzzzzzzzz...

Pingus Vinicus disse...

Eeheheheh!

Pedro Cruz Gomes disse...

Deixa-me acrescentar que tenho uma garrafa de Bafarela, comprada por curiosidade em 2012, e que ainda não tive coragem de abrir. Achas que quando os meus dedos por nascer já estiverem em idade de gostar de vinho, ela terá chegado ao ponto ideal? ;-)

Pingus Vinicus disse...

O Bafarela 17? Eu acho que nunca terá um ponto ideal! :)